
SE DEUS EXISTE, ELE NÃO É VOCÊ!
Escutar uma conferência sobre os cinco sentidos de Chesterton com uma abordagem não convencional, é um exercício de despojamento de nossa suposta importância. A reflexão nomeia os sentidos: (1) corpóreos, (2) sobrenatural, (3) crítico, (4) comum e (5) de humor.
Ao finalizar a intervenção, ele afirma:
— Deus existe e não é você. Por isso, relaxa!
O sentido de humor esteve presente.
Como os cinco sentidos apresentados se expressam nas organizações?
Os sentidos corpóreos que aprendemos na escola são: o tato, que se manifesta na “flor da pele”; a visão, que traz imagens e informações sobre luz, escuridão e sombra; a audição, que nos brinda com o som e o silêncio; o olfato, que registra os odores à nossa volta; e o paladar, que nos conecta com os sabores. Eles integram o sistema sensorial que nos oferece informações sobre o ambiente em que vivemos. Os sentidos corpóreos nos permitem desfrutar dos prazeres da vida; contudo, é importante desenvolver a razão e a vontade para não nos tornarmos escravos deles. Você domina os sentidos corpóreos ou é dominado por eles?
O sentido sobrenatural é um dos menos explorados por nós nos diferentes ambientes. É natural olhar para uma flor e ficar encantado com sua beleza; porém, ao não saber quem a criou e como ela surgiu, abrimos espaço para o sobrenatural. Quando a razão não abarca plenamente o ambiente natural, a lógica nos conduz ao reconhecimento do sobrenatural. Entretanto, muitas vezes desviamos nosso comportamento para o antinatural, destruindo o ambiente em que vivemos. Você reconhece a beleza do ambiente natural em que está ou o contamina?
O sentido crítico é o exercício da razão na busca pelo conhecimento e tem sido confundido com o império do pensamento dominante. Muitas pessoas, ao iniciar o dia, organizam-se a partir dos likes que esperam receber, tornando-se reféns da aprovação alheia. O sentido crítico, entretanto, organiza o dia a partir da própria consciência, ainda que em contraposição ao pensamento dominante. Assim, a capacidade de discernimento é ativada para diferenciar o bem e o mal; o belo e o feio; o correto e o incorreto. Com o sentido crítico, reconhece-se o sobrenatural, evita-se o antinatural e cuida-se do natural. Só assim deixamos de ser escravos do nosso tempo. Como você organiza o seu dia?
E o senso comum — o que fazer com ele? Entender, aprofundar e aproveitar o conhecimento empírico que carrega. Trata-se de um dos sentidos mais subvalorizados pelo predomínio do cientificismo. O senso comum traz em si um conhecimento prático acumulado em séculos de experimentação, desenvolvendo em nós o instinto da verdade para compreender o mundo de forma coerente. Ele confronta o conhecimento abstrato, que muitas vezes deriva em erudição sem sentido, com a sabedoria prática, que vê o sublime nos eventos mais simples, ainda que sem explicação científica. O senso comum é um conhecimento que se recusa a demonstrar o evidente, reconhecendo o sobrenatural e desfrutando do natural.
Por fim, o sentido de humor.
Logo após dizer que Deus existe e que nenhum de nós o É, ele complementou que ter bom humor é o senso comum em forma de dança. É ele que nos permite rir com os outros e rir de nós mesmos, fazendo da vida um baile contínuo. Nessa abordagem, desenvolvemos um processo curativo de não levar a vida tão a sério, porque “ninguém sai vivo dela”. O senso de humor combate a tristeza, diminui a ansiedade e ilumina a alma.
Porém, alguém disse:
— É lindo, mas eu sou ateu…
Seguiu-se um silêncio respeitoso e uma resposta direta:
— Se Deus não existe, então você não é Deus. Relaxa…
A conferência, baseada no pensamento de Chesterton, integra alma e corpo; natural e sobrenatural; erudição e simplicidade; seriedade e senso de humor, a partir de uma “visão paciente e um coração ardente”.
Você tem os cinco sentidos de Chesterton?
Moacir Rauber
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Inspirado na conferência Mons. Munilla