Frio ou quente?

A experiência consiste em pegar três tigelas de água e colocá-las diante de duas pessoas. Na tigela da direita coloque água gelada. Na tigela da esquerda coloque água morna. Na tigela do meio coloque água na temperatura ambiente. Depois peça para uma das pessoas colocar uma de suas mãos na tigela com água morna e para a outra pessoa peça para ela colocar uma de suas mãos na tigela com água gelada. Informe-as para deixarem as mãos imersas por sessenta segundos. Passado esse tempo oriente a que cada uma das pessoas retire a sua mão da tigela em que estava e que a mergulhem, simultaneamente, na tigela do meio com água na temperatura ambiente. O experimento mostra que cada pessoa terá uma percepção diferente da mesma água.

Trata-se de um experimento simples, prático e verdadeiro, porém revela que nós somente somos o que somos pela experiência de vida que tivemos. Qual a sensação de cada um? São diferentes. Qual é a verdadeira? Depende… Destaque-se, porém, que cada sensação foi determinada pela sua experiência anterior. Exatamente como em nossas vidas. Sempre que olhamos para aqueles com os quais não concordamos nós vemos exatamente aquilo que seríamos caso nós tivéssemos vivido a vida que eles viveram. Muitas vezes dizemos, “Eu no lugar dele faria diferente.” Isso não é verdade. Você no lugar dele, tendo o mesmo histórico de vida que ele teve, faria a mesma coisa. Algo que você poderia dizer, “Eu, diante da situação que ele está enfrentando, faria diferente.” Por isso, não somos melhores nem piores do que ninguém. Somos apenas diferentes.
Lembro, entretanto, que esse entendimento não deve servir para que não se assumam as responsabilidades sobre os resultados das próprias escolhas, dando um tom determinista a própria vida. Muito pelo contrário, ao tomar consciência de que são as nossas experiências que nos definem temos a responsabilidade de alterar o rumo da nossa história. Sabe-se que não se pode alterar as experiências passadas, mas se pode determinar as futuras, fazendo melhor aquilo que está ao nosso alcance. 

Frio ou quente? Depende…

O experimento foi trazido do livro Rápido e Devagar: duas formas de pensar de Daniel Kahneman em que ele é usado para explicar parte da teoria da perspectiva. Em um determinado momento ele usa a experiência para exemplificar o “nível de adaptação” a que se presta um ponto de referência neutro.  O autor explora as perspectivas e expectativas criadas em ambientes organizacionais sobre recompensas, por exemplo. Quando a recompensa é melhor do que o ponto de referência identifica-se como ganho. Quando a recompensa fica abaixo do esperado identifica-se como perda. Mas essa é outra história…

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