2014, ano de aguentar um tempo…


O ano velho acabou. O ano novo começou. E as piadas se repetem.

Muitas vezes comento que cadeirante e semáforo produzem situações inusitadas. E é verdade. Vejo um semáforo e logo me lembro das moedas que ganhei e mesmo do fato de ter cruzado a rua sem querer, empurrado pela ajuda que não pedi. Outra situação comum aos usuários de cadeira de rodas é a interação com bebuns. Não sei o que acontece, mas há uma atração fatal. Um bebum vê um cadeirante e já vai se aproximando…

Assim, começou o meu ano de 2014. Estávamos numa prainha simples, mas muito aconchegante. No dia 31 jantamos em casa no horário de sempre. Depois começamos nosso joguinho de baralho. O resto de 2013 parece que voou. Estávamos atrasados para a virada. Saímos rapidamente para acompanhar o show de fogos com amigos na areia da praia. Nada de fogos organizados. Apenas a ideia de ver o foguetório que subia das diversas casas que faziam a sua festa. Festa pública, feita pelo público, não com dinheiro público. Ainda estávamos a caminho e o foguetório aumentou. A virada já estava acontecendo. Não fomos até a areia. Ficamos por ali mesmo no calçadão da esquina. Estouramos o nosso espumante e nos cumprimentamos. Minha esposa. Meu pai. A esposa dele e a filha. Meu irmão, o filho e a esposa. Um grupinho ali no meio da rua. A alegria de estar na presença de pessoas importantes era verdadeira. Outros grupinhos se espalhavam pelas ruas. Muitas pessoas transitavam de um lado a outro. Todos curtindo a chegada de 2014. Passados alguns minutos resolvemos voltar para casa. Minha esposa e eu fomos um pouco na frente dos demais. Um cadeirante numa calçada bem feita pode ser bastante rápido. Mas nem sempre rápido o suficiente. Olhei para a direita e vi um sujeito caminhando em minha direção. Observando com mais cuidado, vi que ele fazia força para manter-se em equilíbrio. Só deu tempo para pensar, Lá vem um bêbado… Não deu outra. Ele chegou chegando e se apoiou no encosto da minha cadeira, disse:
Força companheiro, força. Minha mãe também tava nessa…
Ele já meio que se escorou no meu ombro. Logo senti o cheiro de álcool. Dei-lhe um tapinha nas costas e disse:
Feliz Ano Novo pra você também!
A resposta veio com a repetição da primeira frase:
Força companheiro, força. Minha mãe também tava nessa…
Educadamente, já que ele não me largava, respondi:
­– Sinto muito. O que aconteceu com a sua mãe?
Os olhos do meu novo amigo se encheram de lágrimas. Ele se ajoelhou ao meu lado e choramingando, entre cuspes e palavras engroladas, disse:
– Ela aguentou um tempo, mas depois morreu…
Minha esposa “ria que se acabava”. É, pensei, Bem-vindo a 2014!!!

O desafio vai ser aguentar um tempo…
Com alegria, entusiasmo,..

Depende de cada um!


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