Qual é o tamanho do seu forno?

A mulher se orgulhava de fazer o melhor pernil inteiro que alguém já provara. Tinha ela os seus segredos que aprendera com a sua mãe. Um deles era recortar as extremidades do pernil, deixando-o um pouco mais curto. Um dia o seu marido lhe disse que as pontas não deveriam ser cortadas, que com as extremidades ele seria ainda mais saboroso. Tiveram um impasse, porque ela havia aprendido assim e assim seguiria fazendo. Para tirar as dúvidas, ao visitar a mãe, indagaram o motivo por que ela cortava as extremidades do pernil. Ela lhes respondeu que aprendeu assim com a mãe dela. Os dois foram visitar a avó, já bem idosa, lhe fizeram o mesmo questionamento e obtiveram a seguinte resposta:

– Eu precisava cortar as extremidades do pernil para que ele entrasse no forno, que era muito pequeno.

Como está o seu forno? A reflexão foi adaptada do livro “La Corazón – el arte de poner en orden sin dar órdenes (Roxana Cabul & Raed El-Younsi) que nos leva a questionar os nossos padrões. Não se trata de descartar as heranças recebidas, porém de questionar segundo o nosso contexto cultural, tecnológico e evolutivo.

Defende-se que com a curiosidade e a capacidade de questionamentos é que se pode romper com padrões pré-estabelecidos que, muitas vezes, mantêm-nos presos em comportamentos contraproducentes.

Questionar para avaliar e avançar em direção a um mundo melhor. E muitos dos questionamentos que produzem melhorias passam por caminhos ainda desconhecidos.

O aspecto cultural tem sido afetado diretamente nas novas formas de relações humanas que partem de um pressuposto de respeito a individualidade. Questionar os padrões coletivos para respeitar o indivíduo é fundamental, assim como ter a percepção de que os interesses individuais não se sobreponham ao coletivo.

Como está o tamanho do seu forno cultural?

Na área tecnológica as mudanças são intensas e é quase certo que os fornos que atendiam as demandas de outrora estão hoje obsoletos. Quais são as mudanças tecnológicas que posso implementar para que o mundo seja melhor? Estou usando a tecnologia simplesmente pela tecnologia ou há um benefício na adoção de uma nova forma de se fazer as coisas? As crenças podem e devem ser questionadas para que as experiências passadas que foram negativas não se repitam. O que você está cortando em nome de costumes estabelecidos sem nexo nos dias de hoje? Desse modo, é importante que as mudanças culturais e tecnológicos passem por questionamentos para que não se corra o risco de “jogar fora o bebê juntamente com a água”. Isso quer dizer reconhecer o que há de bom em nossa escalada evolutiva e descartar aquilo que já não se aplica mais considerando o contexto atual. Ter o discernimento que nos permita decisões acertadas nos fará melhores num mundo melhor.

O capítulo do livro “La Corazón” termina com uma frase bastante significativa que diz:

“Apoiar-se nas certezas é importante, desde que elas contribuam para o nosso bem-estar. Ao mesmo tempo, se algo não funcionar, é natural que desejemos alterá-lo. Essa é a atitude que gostaríamos de cultivar” (tradução minha – Roxana Cabul & Raed El-Younsi).

Essa reflexão nos leva a que questionemos padrões de comportamentos que nos limitam e que geram desperdícios, seja nos relacionamentos ou nos processos organizacionais. Assim, volta-se a pergunta: como está o seu forno hoje? Pensar nos próprios modelos mentais com relação a realidade permite que nos questionemos para questionar: está o meu forno ajustado à realidade ou você está ajustando a realidade a ele? Está você repetindo comportamentos sem questioná-los?

Em tempos de Natal é um bom momento para refletirmos sobre o que estamos desperdiçando em nome de fornos obsoletos, porque se Deus nos deu o livre arbítrio deve ser para usá-lo…

 

Moacir Rauber

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