
VOCÊ TEM HUMILDADE SUFICIENTE PARA OBEDECER?
O gerente estava prestes a tomar uma decisão, mas ainda carregava algumas dúvidas. As informações, a descrição da execução e os dados financeiros estavam todos claros no projeto; mesmo assim, ele sentia certa insegurança. Chamou então o coordenador e comentou:
— Antes de confirmarmos, quero ouvir sua visão. Você tem acompanhado isso de perto…
Essa cena abre espaço para diferentes interpretações sobre o papel do líder no caminho da maturidade emocional — um percurso que envolve sabedoria e discernimento, equilíbrio, empatia, paciência, fortaleza, autodomínio, propósito e, inevitavelmente, a capacidade de seguir e de se colocar em posição de aprendizado. Como exercer isso em um cargo de liderança?
Um líder precisa dominar três competências essenciais: clareza de propósito, capacidade de escuta e coerência entre discurso e prática. A meu ver, seguir orientações e manter uma postura humilde fortalecem essas competências e contribuem para o amadurecimento emocional de qualquer pessoa.
Embora a obediência seja frequentemente entendida como “seguir ordens”, ela carrega significados mais profundos. Pode ser uma experiência de consonância e atenção: ouvir, compreender e agir. A obediência se relaciona ao que foi solicitado, cabendo a quem recebe a ordem acolher ou não. A humildade, por sua vez, envolve reconhecer o valor do outro — e isso se torna ainda mais relevante quando há confiança em quem orienta.
Pergunte-se: você confia no seu líder? Se sim, não há conflito de autoridade — a menos que o problema esteja em você. Se não confia, por que permanece na organização? E o líder também deve se perguntar: confio na minha equipe? Se sim, posso aprender com ela. Se não, por que essas pessoas ainda estão comigo?
Após a fala do gerente, o coordenador respondeu:
— Obrigado. Eu vejo que seguir o plano original evita riscos desnecessários. A equipe se sente segura sabendo que pode contar com o seu apoio…
Ao pedir esclarecimentos, o gerente demonstrou a humildade de quem busca escutar os liderados e manter o foco. E você: ao liderar a própria vida, mantém o foco?
Da mesma forma, ao ouvir o coordenador, o gerente mostrou sua capacidade de escutar sem medo de parecer inseguro ou incompetente. Ele praticou a escuta antes de agir. A quem você escuta?
Por fim, ao dialogar com o coordenador, alinhou discurso e prática, exercendo coerência com o papel de líder que confia na equipe. Isso gera respeito, credibilidade e abre espaço para uma relação madura, em que até o líder aprende a seguir. Como está o alinhamento entre o que você diz e o que você faz?
A obediência não nos priva da liberdade; ela nos mantém no caminho escolhido — e isso é exercício de liberdade. Da mesma forma, a humildade, quando nos submetemos ao que escolhemos, nos aproxima daquilo que buscamos e isso também é liberdade.
Por isso, a obediência pode ser vista como um gesto de humildade de quem tem clareza de que o foco está em um bem maior. Obediência e humildade são sinais de maturidade emocional, conectam-nos a um propósito mais profundo, fortalecem a capacidade de sacrifício pelo bem comum e alimentam virtudes que nascem de aspirações elevadas.
Desse modo, obedecer e ser humilde às vezes dói. Mas é justamente essa dor que forja o caráter e sustenta o exercício da verdadeira liberdade. Jesus nos mostra isso ao dizer ao Pai: “…se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres” (Mateus, 26, 39).
Você tem humildade suficiente para obedecer?
Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
Home: www.olhemaisumavez.com.br
Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla