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QUANTO VALE A SEGURANÇA PARA VOCÊ?
Meu amigo encostou a motocicleta próximo à bomba para abastecer e logo chamou a atenção do frentista, que exclamou:
— Uau, quantas cilindradas?
— Essa moto tem 1300 cc. Voltei agora de um passeio e coloquei a bichinha a 180 km/h… — respondeu o orgulhoso dono da moto.
Em seguida, ele subiu na moto e foi para casa, onde foi recebido pela esposa e pelos filhos. Eles estavam felizes por vê-lo chegar são e salvo. Ele, como pai e esposo carinhoso, abraçou a família dizendo o quanto os amava.
No dia seguinte, meu amigo foi cedo para a obra, iniciando mais uma semana de trabalho. No próximo final de semana, ele e os amigos motociclistas tinham outra aventura planejada. Mal podia esperar.
O que isso tem a ver com segurança e motivação no ambiente de trabalho? Tem tudo a ver. Falar sobre segurança e motivação pode parecer estranho, ainda mais começando com um fato ocorrido fora do ambiente profissional, mas não é. Para promover segurança, é preciso ter motivação para cuidar de si em todos os ambientes pelos quais se circula, assim como daqueles que estão ao redor.
No trabalho, meu amigo era um mestre de obras produtivo e comprometido. Além disso, era presidente da CIPA, responsável pelos procedimentos de segurança e pelo uso dos Equipamentos de Proteção Individual da organização. Ele era firme com a construtora para que fornecesse os equipamentos e exigia que todos os colaboradores os utilizassem. Não se via pedreiros, auxiliares ou mesmo visitantes no canteiro de obras sem os devidos equipamentos: capacetes, luvas, botas, protetores de ouvido ou viseiras. E ele era o primeiro a cumprir todos os procedimentos.
Naquela semana, meu amigo esteve mais ativo do que nunca. Chegou o final de semana e ele e seu grupo saíram para mais um domingo de aventura. O final da tarde chegou. Meu amigo não parou no posto para abastecer a moto. Meu amigo também não apareceu em casa para abraçar a esposa e os filhos. Ele havia perdido o controle da motocicleta e nunca mais pilotaria por essas paragens. Foi encontrado na segunda-feira, junto da moto, cujo velocímetro marcava 180 km/h.
Seu comportamento o levou de nós. Ele tirou de si a própria vida e roubou da família, dos amigos e da organização a possibilidade de tê-lo presente. Meu amigo faz muita falta.
Hoje, é possível constatar que a evolução tecnológica voltada à segurança tem sido espantosa: ambientes de trabalho mais seguros e ergonomicamente planejados, além de legislação que garante proteção. A atualização da NR-1, com diretrizes de segurança e saúde no trabalho — incluindo riscos psicossociais como estresse, assédio, sobrecarga e outros fatores que afetam a saúde mental — vigora desde maio de 2026. São melhorias consideráveis.
Contudo, há algo que não acompanhou a evolução da legislação e da tecnologia: o comportamento. Não é porque veículos e motocicletas oferecem equipamentos de segurança — cintos, airbags, capacetes, joelheiras — que se pode conduzir fora dos limites seguros. Não é porque se usa capacete e botina que alguém pode se arriscar sob uma viga prestes a cair.
Comportamento seguro é respeito à legislação dentro e fora do ambiente de trabalho. É uma demonstração de amor por si e por aqueles que se ama. Todos nós amamos e somos amados, embora, muitas vezes, não nos comportemos como tal. O relato acima é um exemplo disso. Não se questionam os sentimentos dele pela família e pelos amigos, mas sim o comportamento adotado.
Quando se adota um comportamento inseguro, dentro ou fora do trabalho, assumem-se também os riscos decorrentes dele. Nada do que fazemos tem reflexo apenas sobre nós. Não somos ilhas.
Por isso, ficam as perguntas:
- Quanto vale a segurança para você?
- Qual é a sua motivação para um comportamento seguro?
- Quanto vale estar com aqueles que você diz amar?
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Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com