
COMPRIMIDOS OU COMPROMISSOS? DA ANSIEDADE À ESPERANÇA
Estávamos por começar a palestra sobre comportamentos que nos sabotam, adoecendo-nos, e aliados, que nos curam. Enquanto isso, conversávamos sobre amenidades. Alguém disse:
– O mundo está cada vez mais ansioso, as pessoas estão impacientes…
– Estamos todos muito acelerados…
E por aí seguiram as argumentações. Fiquei me perguntando: será que o mundo está ansioso? Será que todos estamos impacientes e acelerados?
Inspirado numa palestra do Mosenhor Munilla, reúno os pontos que nos adoecem e aqueles nos curam na busca por uma vida saudável.
- Aceleração versus eternidade: a constante pressa em nossos compromissos profissionais e pessoais nos conduzem para uma conduta frenética que nos dá a impressão de que tudo está mais acelerado. Eis a doença. O que fazer? Resgatar o contato com a eternidade por meio de uma pausa para admirar o milagre da vida do qual fazemos parte. Isso nos conecta com a eternidade. Eis a cura.
- Culto a imagem versus transcendência: a busca doentia pela aprovação dos demais nos rouba a identidade e gera ansiedade. Eis a doença. Como atuar? Identificar quem é o teu público e quem importa para você e para quem você importa. Assim, as ações vão repercutir no tempo, levando-nos à transcendência. Eis a cura.
- Solidão versus amizade: podemos nos comunicar com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo a partir de qualquer lugar, mas estamos sós. A solidão nos aflige. Eis a doença. De que forma agir? Desenvolver e manter amizades com a presença física tua e do outro. Pode ser na tua relação conjugal, com os vizinhos, pais, filhos, irmãos e consigo mesmo. A presença é a fonte da amizade. Eis a cura.
- Medo versus sofrimento: temos medo de olhar para dentro de nós em busca de uma solução para a origem da dor e do sofrimento. Temos medo de sofrer e tomamos um comprimido. Eis a doença. Como proceder? Parar, analisar e compreender que não se passa ileso na vida, porque a dor e o sofrimento nos acompanham. Aproveitá-los. Eis a cura.
- Ruído versus silêncio: começamos o dia com o celular, as notícias e os e-mails, assim entorpecemos a alma com os estímulos externos para sufocar o vazio interno. Eis a doença. Qual é a cura? O silêncio. Desde sempre, para caçar, produzir e aprender o silêncio é fundamental. Na oração, meditação e contemplação que nos permitem tomar consciência da vida, o silêncio. Eis a cura.
- Efêmero versus compromisso: a efemeridade assumiu o controle de nossas vidas, assim o trabalho perde o sentido e as relações são fugazes. Eis a doença. Qual atitude tomar? Saia da expectativa daquilo que o outro possa dar para o compromisso daquilo que posso oferecer. Frente ao efêmero, o compromisso. Eis a cura.
- Desempenho versus vocação: estamos condicionados a produzir o tempo todo, sem descanso. O celular conectado o dia inteiro produzindo resultados. Eis a doença. Quais passos dar? Descubra a sua vocação que é diferente de inventar uma. A vocação vem de dentro e ao descobri-la, você a traz à luz. A vocação pede entrega, dedicação e trabalho, mas não esgota. Eis a cura.
- Arrogância versus confiança: acreditamos que podemos controlar tudo, alimentando a nossa autoconfiança de modo a levar-nos a soberba. Frente ao inesperado e imponderável, sucumbimos. Eis a doença. E agora? Frente a arrogância de querer controlar tudo a humildade. Com humildade se aprende a confiar e com a confiança nasce a esperança. Eis a cura.
Enfim, o passo a passo são remédios que não utilizamos para sair da ansiedade e desenvolver a esperança. Dizemos que vivemos num “mundo ansioso, acelerado e impaciente” como se o mundo pudesse ser algo que ele não é. O mundo simplesmente é. A ansiedade está em você, assim como a esperança. Depende do remédio que você toma.
Comprimidos ou compromissos?
Moacir Rauber
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Inspirado: Monsenhor Munilla
