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A chuva, a tristeza e a alegria!

Fonte: pixabay.com

A chuva, a tristeza e a alegria!

A chuva que, com seus ventos fortes, arruinou a festa de casamento ao ar livre e levou o noivo a praguejar contra tudo e contra todos (Maldita tempestade), foi a mesma que regou o pasto e contribuiu na plantação do agricultor. No momento em que o noivo maldizia a tempestade, não distante dali o agricultor sentado na varanda da sua casa em seu sítio, agradecia a chuva fora de época:

– Bendita chuva!!!

O primeiro viu no evento uma “maldita” tempestade, enquanto o segundo viu uma “abençoada” chuva. Maldizer ou abençoar a chuva, a seca, o frio ou o calor revela emoções e sentimentos interpretativos internos com relação a uma realidade externa. Enquanto para alguém um evento pode representar a perda, a dor ou o sofrimento, para o outro o evento pode ser o triunfo, a satisfação ou a alegria.  A realidade simplesmente é. O vento é vento. A chuva é chuva. Estar agradecido ou indignado é um sentimento que está dentro de cada um. O agricultor que está agradecido pela chuva pode estar alegre, enquanto o noivo que está indignado com a tempestade pode ter ficado triste, mas nenhum dos dois é a emoção ou o sentimento que brotou neles a partir de um evento. É normal a tristeza do noivo surgida da indignação gerada ao ser impactado por um evento fora do seu controle. A festa programada não seria mais a planejada. Porém, aqui entra a capacidade individual que marca o nível de inteligência emocional para superar as emoções negativas no menor espaço de tempo, não deixando que elas se transformem em sentimentos. Quanto tempo você vai ficar triste com algo que lhe ocorreu? Essa é a escolha que está no seu controle, a tempestade inesperada não está. Da mesma forma, a alegria do agricultor com origem na gratidão pela chuva fora de época é natural. Os benefícios inesperados são motivos de celebração, cabendo a cada um estender a sua presença, transformando-as em sentimentos. É possível estar sempre alegre? Particularmente entendo que isso seria ser um “bobo alegre”. Eventos fora de nosso controle nos atingem, podendo provocar resultados positivos ou negativos, alegria ou tristeza. Por isso, não posso evitar ser atingido por eventos fora do meu controle, porém posso escolher com qual sentimento vou conviver por mais tempo. É inteligente emocionalmente aquele que encolher o período refratário das emoções negativas, não deixando que se transformem em sentimentos, assim como estender as emoções positivas e transformá-las em sentimentos. Com isso, posso ficar triste sem estar deprimido e posso desfrutar da alegria sem ser um bobo alegre.

Enfim, você pode ficar indignado, maldizer a tempestade e ficar triste, assim como você pode ficar agradecido, abençoar a chuva e estar alegre. Porém, não importa se você é o agricultor ou o noivo, é essencial saber que você não é alegria nem tristeza, mas que pode escolher reverberar em seu interior por mais tempo a emoção que quiser. Você pode ficar triste e ainda assim ser alguém alegre!

Moacir Rauber

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Inspirado: Anthony de Mello, S. J.