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ESTAR DE PÉ É UM ESTADO DE ESPÍRITO!

HÁ 40 ANOS…

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ESTAR DE PÉ É UM ESTADO DE ESPÍRITO!

Há quarenta anos, o médico postou-se diante de mim e disse:

— Tenho duas notícias, uma boa e outra ruim. Qual você quer primeiro?

Eu tinha vinte anos. Havia sofrido um acidente de carro (01-05-1986) com múltiplas fraturas e uma lesão na medula espinhal. Ela funciona como o caminho de comunicação entre o cérebro e o corpo, além de comandar reflexos e sensações de calor, frio, dor e prazer. Naquele momento, tudo estava descontrolado; eu não tinha comando do umbigo para baixo. Estava paraplégico. O desespero, o medo e a angústia me dominavam.

Respondi:

— Fala a notícia ruim primeiro…

Com a esperança de que não fosse tão ruim quanto eu desconfiava, escutei:

— No estágio atual da medicina, você não vai voltar a caminhar nem ter sensibilidade na região afetada…

Seguiram-se as explicações:

— … você poderá usar uma cadeira de rodas para se locomover…

“Usar uma cadeira de rodas vai ser um luxo”, pensei ironicamente. Parei de ouvir.

Olhei para o lado e vi meus pais com olhos marejados. Também estavam ali meus irmãos, que não sabiam o que fazer.

Engoli em seco. O médico confirmou, de forma direta, as piores expectativas sobre as sequelas que me acompanhariam. O desespero e a indignação manifestaram-se numa pergunta:

— O que sobrou de bom depois disso?

Silêncio. A princípio, nenhuma palavra — nem do médico, nem da família.

Hoje, ao relembrar essa cena, não imaginaria que viveria mais de quarenta anos sem caminhar. Não tinha ideia de que isso seria um privilégio. Um luxo!

Nesses anos, entendi que a vida é um milagre: ela encontra caminhos, provê recursos e mostra que ficar de pé é diferente de estar de pé.

Ao quase perder a vida, reconheci o milagre que é acordar todos os dias e fechar os olhos ao seu final, cumprindo um ciclo que representa toda uma existência. Um dia ele não se repetirá.

Ao pensar que não havia saídas, percebi que as escolhas são diárias. Cada notícia pode ser interpretada de diferentes maneiras. Boa ou ruim? Depende.

Ao acreditar que as sequelas seriam intransponíveis, a vida mostrou que, para cada perda, há um ganho. Perde-se de um lado, ganha-se de outro.

Ao considerar que não teria forças, vi no olhar de quem me amava que elas não faltariam. Meus pais eram uma fortaleza; meus irmãos, cada um com sua força particular, mantiveram-se ao meu lado.

Enfim, aprendi a olhar para cima: fé, oração e força!

Entretanto, naquele momento, nada parecia gracioso. Tudo era trágico. Após o silêncio incômodo, eu pensava: “qual seria a boa notícia? O que esperar da vida?”

O médico respondeu:

— Fica tranquilo, antes torto do que morto!

O médico riu. Eu não achei graça. O tempo, porém, mostrou que ele tinha razão; foi o primeiro estímulo para voltar a “estar de pé”.

O fato de usar cadeira de rodas não me impediu de caminhar. Ainda que sentado, pude me mover ao estar de pé frente à vida, pois entendi que muitas pessoas caminham de um lado a outro, mas não estão de pé. Quando se está de pé, é possível ver o melhor caminho, analisar alternativas e desenvolver forças para aproveitar a vida com o que se tem.

Porque ESTAR DE PÉ É UM ESTADO DE ESPÍRITO!??

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Moacir Rauber

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Muito obrigado Dr. Luiz Ivan Zeni da Rocha