Situação extrema e o comportamento disruptivo exponencial!

O bairro vive um silêncio não habitual. As pessoas estão em suas casas vendo notícias ou senão séries e mais séries. Alguns estão mais relaxados e outros completamente tensos. Alguns distinguem a situação como oportunidade outros como um castigo. Os extremos estão presentes nessa situação de quarentena de uma cidade, de um estado e de um país para não dizer do planeta. De um lado, aparecem comportamentos questionáveis com relação a conduta ética e humana. Um amigo me relata que viu os vizinhos se estapearem no corredor do edifício porque um deles espirrou sem proteger o gesto. Do outro lado, sobressaem-se comportamentos de solidariedade ao se constatar o respeito para com o mais idosos ou na criação de várias redes de apoio para pessoas deprimidas. São situações extremas como esta que produzem comportamentos extremos que resultam em movimentos disruptivos em escala exponencial. Como assim? O que tem de exponencial e disruptivo numa briga entre vizinhos ou nos movimentos de solidariedade?

Não é a briga de vizinhos ou os gestos de solidariedade que são disruptivos ou exponenciais, mas o que eles representam e o resultado que virá. Isso porque outros movimentos simultâneos que surgem vão impactar disruptiva e exponencialmente as vidas de todos num curto espaço de tempo pela mudança de comportamento. Costumes serão alterados de forma disruptiva e a tecnologia sofrerá mais transformações numa velocidade exponencial. Entenda-se disruptivo como todo o fato ou movimento que modifica radicalmente o transcurso natural de um processo. Disruptivo no conceito elétrico restaura a corrente, gastando uma energia acumulada, e na visão hidráulica altera o entorno daquilo que impede a passagem dos fluidos. Da mesma forma, pense em exponencial como na matemática em que se tem uma função com uma variável independente entre os expoentes que geram resultados numa progressão geométrica. Com relação as organizações, usa-se a projeção do crescimento exponencial para se criar modelos de negócios escaláveis que fogem do tradicional crescimento linear. A ideia do disruptivo e exponencial já não se aplica somente aos processos tecnológicos, à matemática ou às organizações. Agora será diferente. O disruptivo e o exponencial estarão internalizados pelas pessoas, mudando comportamentos e costumes ao se entender o sentido do consumo da tecnologia. O resultado disso será inimaginável nos próximos anos.

As pessoas de todos os níveis sociais estão mudando hábitos e comportamentos nesse período de quarentena, disruptivamente.  Com isso,  a tecnologia, daqui por diante, sofrerá um impacto exponencial dentro da exponencialidade a que já estava sujeita. Nada será como antes. Isso causa a disrupção dentro da disrupção. Entendo que já não são mais as empresas disruptivas e exponenciais, porque as pessoas estão sendo disruptivas gerando um movimento exponencial jamais visto. Ver os supermercados criarem horários para atendimentos aos idosos tem sido interessante. Funcionou? Por que não alterar? Observar as pessoas mudarem os hábitos de higiene é positivo. Por que não incorporar? Constatar que as pessoas passaram a consumir a tecnologia para se aproximar ao invés de se afastar é reconfortante. Por que não aprimorar? Presenciar uma universidade migrar de um modelo presencial para o virtual sem que alunos e professores percam a noção da experiência da presença é benéfico. Por que não estimular outras experiências? Enfim, acompanhar um incontável número de empresas adotando o trabalho virtual sem perder a produtividade dando mais conforto para as pessoas é relevante. Onde mais se pode aplicar? Enfim, perceber as pessoas usando e compartilhando as tecnologias disponíveis num movimento de solidariedade é impactante. Como aproveitar tudo isso? É o impacto dessa situação extrema que vai mudar comportamentos individuais, provocando um movimento disruptivo exponencial de consumir tecnologia com sentido. Finalmente todos se deram conta do sentido de consumir tecnologia. Isso é disruptivo e exponencial. Eis a oportunidade.

Enfim, gestores de organizações, líderes e estudiosos do comportamento humano fazem parte desse público e precisarão entender que o novo formato ainda não tem formato. É o resultado de uma disrupção exponencial em curso. O que fazer? Ser disruptivo exponencial.

E o tempo? Passa de uma forma diferente!!!

Moacir Rauber

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