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UM VÍDEO HUMANO: QUANTO VALE O SEU TEMPO?

Um Vídeo Humano: quanto vale o teu tempo?

Naquele período, ele não queria estar no escritório nem no estúdio de gravação de vídeos, aulas e cursos — principal produto da empresa. Sabia que, para gravar um pequeno vídeo de divulgação, muitas vezes gastava várias horas do seu tempo. A questão é que ele era a imagem da empresa, pois os cursos e as aulas eram ministrados por ele. Assim, os vídeos de prospecção, vendas e engajamento também dependiam de sua presença.

Com a chegada da Inteligência Artificial (IA), ele viu a possibilidade de não precisar mais estar ali. Por isso, fez uma lista de temas para que sua secretária preparasse os vídeos e os publicasse nos dias definidos pelo departamento de marketing. Portanto, ela poderia usar a IA para produzir os textos como se fossem escritos por ele, além de, com uma amostra de sua voz e uma foto, poderia criar vídeos de maneira autônoma, sem a presença dele.

Tudo organizado, ele se despediu:

— Até daqui a duas semanas!

Uma estratégia perfeita em tempos de IA. Para muitos, sim. Para mim, tenho reservas.

Como cliente, ao consumir um produto que se baseia no valor da imagem de alguém em quem confio e de quem compro porque acredito no conhecimento que produz, entendo que o mínimo que posso pedir é que seja essa pessoa a estar presente no vídeo, a elaborar o conteúdo e a estruturar os módulos. Caso contrário, posso eu mesmo buscar o conteúdo diretamente na IA.

Hoje, mesmo sem conhecimento sobre determinado tema, posso criar um prompt, organizar uma oficina, gravar vídeos, produzir livros ou apostilas e vender tudo na internet. Mas qual é o valor disso? Para mim, gera desencanto.

Por isso, um vídeo produzido pela IA para prospecção pode chamar atenção, mas se não for autêntico perde valor. Um vídeo feito pela IA para vendas pode ser bem construído, porém, se não for genuíno, perde credibilidade. Um vídeo criado pela IA para engajar pode ser atrativo, entretanto, se não for legítimo, o efeito será passageiro. Em tempos de IA, acredito que ser autêntico, expressar-se genuinamente e ainda assim construir algo atrativo de forma natural tem seu valor.

Pergunto, então, ao suposto produtor de conteúdo: quanto vale o seu tempo? Vale tanto quanto o meu, porque, assim como eu, ele também tem vinte e quatro horas por dia. Para mim, essa é a questão fundamental. Se eu, como cliente, não valho o seu tempo de parar, pensar e produzir um vídeo, talvez você como fornecedor não mereça o meu tempo nem o meu dinheiro. Desse modo, desafio os produtores de conteúdo a, pelo menos, informarem: “Vídeo e conteúdo produzidos pela IA”. Já existem sites que adotam essa prática.

Repito: a IA é uma ferramenta e deve ser utilizada como tal. A IA não é você. Nós, seres humanos, não podemos desistir de estudar e aprender por meio do esforço e da dedicação, para continuar desenvolvendo nossa inteligência natural — aquela que nos permite dar sentido à tecnologia produzida. Afinal, se o conhecimento acumulado e a tecnologia criada não nos melhoram como seres humanos, talvez fosse melhor que não existissem.

Para escrever algo original, é necessário ler e estudar para dominar o conteúdo. Para ensinar, exige-se coerência na fala e clareza nas ideias, de modo que o outro possa aprender. Esse é o processo. Para gravar videoaulas ou vídeos de publicidade, existe a possibilidade de repetir e gravar novamente; porém, o mínimo que espero como cliente é que quem fala use o seu tempo assim como eu uso o meu para aprender com ele. Por isso, quero ver vídeos de pessoas que utilizem sua Inteligência Natural para se comunicar comigo. Quero vídeos com alma. Quero o seu tempo.

E você? Está no seu vídeo? Então ele é humano, tem alma!

ATENÇÃO: não se trata de não usar a IA, mas de combiná-la com a Inteligência Natural, com discernimento suficiente para não perder a alma.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

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UM TEXTO HUMANO: LIVRE DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Um Texto Humano: livre de Inteligência Artificial

Desde 2008 mantenho o blog www.facetas.com.br no qual exponho minha visão de mundo e reflexões por meio de textos. Entendo que, para pôr para fora por meio da escrita, antes é preciso ter posto para dentro por meio da leitura, do estudo e da experiência. Uso a Inteligência Natural (IN). Porém, com o advento da Inteligência Artificial (IA), surgiu uma infinidade de “escritores”, poetas, compositores, romancistas, redatores, cronistas e críticos, entre outras atividades que usam a escrita como ferramenta. Espanto-me com pessoas que hoje dizem que escrevem sem nunca ter lido, estudado ou experienciado aquilo sobre o que “escrevem”. De onde vem o conteúdo escrito? Sabemos a resposta.

Desde que a IA se tornou disponível como ferramenta, há muitas pessoas que se apropriam daquilo que foi reunido, categorizado, ordenado e armazenado por ela. Assim, preparam um prompt, que é uma solicitação em linguagem natural, e a IA produz aquilo que foi pedido, usando a base de conhecimento e informações disponível em seus servidores, apropriada do mundo. De que maneira? Não sei, mas não é o foco no momento. Gera-se uma resposta ampliada à solicitação feita pela pessoa que vai além da sua área de domínio do conhecimento. Ainda assim, considera-se o resultado como autoria de quem a pediu. Por isso, os novos “autores” escrevem textos, crônicas e livros; compõem músicas e poemas; fazem críticas; revisam artigos e conteúdos sem nunca terem lido, estudado ou aprendido por experiência sobre o tema. A prática é lícita, ética e apropriada?

Lícita, sim. Ética, nem tanto. Apropriada, depende de cada um.

Em 1921, no livro intitulado A vida intelectual, Sertillanges escreveu: “Recusa-te a ser um cérebro destacado do próprio corpo e um ser humano que tem a própria alma diminuída”. Era um convite para desenvolver o intelecto que está em você por meio do estudo, do esforço e da dedicação. Era um alerta contra o emburrecimento individual e a diminuição da alma.

Em 2011, antes da comprovação do fenômeno da perda de inteligência individual de uma geração para a outra constatado pela primeira vez (DUTTON & LYNN, 2015), escrevi um texto intitulado “O conhecimento que nos emburrece”, alertando para a terceirização do cérebro. Nele, alertava que o conhecimento está disponível nas bases tecnológicas, não está mais nas pessoas.

Em 2023 escrevi o texto “Pensar dói? Para inteligência artificial não…”, no qual resgatava que as gerações anteriores aprendiam o ciclo completo daquilo que produziam e consumiam. Hoje, porém, produzimos e consumimos alimentos, água e tecnologia sem saber suas origens, desconectados da natureza e do próprio esforço. Dizia: “Pensar, igualmente, pode ser cansativo e até doer; porém, transferir a arte de pensar para a inteligência artificial requer cuidado”. Portanto, ao usar a inteligência artificial, seja criterioso, porque, sem critérios, ela vai dispensar o pensar; ela vai diminuir você.

Em 2025, a reflexão foi sobre a importância de lembrar que a IA é uma ferramenta; ela não é você, independentemente da sua função, papel social ou organizacional. Nós somente nos habilitaremos a usar a IA com competência se formos perseverantes em desenvolver a nossa Inteligência Natural. Isso acontece se dedicarmos nossas horas à leitura, ao estudo, ao trabalho e à experiência.

Sempre fui empolgado com a vida. Não tão conservador a ponto de não experimentar o novo, nem tão afoito a ponto de sempre ser o primeiro a experimentar tudo. Assim, uso a IA para produzir imagens (com os respectivos créditos) para os meus textos, pesquisar artigos que me interessam, além de outras aplicações práticas. Há alguns anos fiz uma incursão musical. Dei um prompt para a IA compor uma música para a minha esposa, usando parte de nossa história. Em poucos minutos tinha letra e música prontas. Entusiasmado, apresentei o resultado para ela, que ficou feliz. Em seguida, contei-lhe que havia sido feito com IA. A felicidade desapareceu, dando lugar à frustração: “Pensei que tivesse sido você…”. Ficou a lição!

Enfim, com a IA qualquer incompetente (eu) compõe letra e música; porém, é preciso lembrar que, como compositor, continuo incompetente. Com a IA qualquer apaixonado pode ser um “poeta”; um iletrado pode ser um “escritor”. Porém, “poeta” e “escritor” esquecem que continuam apenas apaixonados e iletrados. Assim, desafio aqueles que publicam textos, músicas ou poemas produzidos com a ajuda (ou autoria) da IA a informar ao seu público essa verdade. Por que o desafio? Porque quando eu ler algo teu, escutar uma música tua ou me deparar com um poema teu eu quero encontrar você. Quero saber que há alguém que verdadeiramente pensa, sente e se emociona por trás da obra.

ATENÇÃO: não se trata de não usar a IA, mas de combinar a IA com a IN, com discernimento suficiente, para não perder a alma.

Moacir Rauber

Para escrever, leio e estudo o tempo necessário para entender determinado tema. Escrevo em etapas. Crio o meu prompt mental, penso, escrevo, apago, leio, pesquiso, escrevo, deixo descansar e, por fim, concluo. Desse processo não abro mão. Demora, aparecem as minhas limitações e até dói, mas sou eu. Por isso, ao ler um texto publicado por mim, esteja seguro de que se trata de uma Reflexão Livre de IA; trata-se de Inteligência Natural. É um Texto Humano.

Com inteligência artificial qualquer um pode escrever, quem quiser pode compor música ou poesia. Para usar a Inteligência Natural, vai ter que pensar, ler, estudar, aprende e vai doer, porque é humano. O resultado? Tem alma.

E o teu texto, tem alma? Então ele é HUMANO!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

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