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Quem quer ser feliz?

Quem quer ser feliz?

A busca pela felicidade talvez seja o objetivo final de cada ser humano na sua jornada. Isso passa pela presença e pelo relacionamento com os outros, porque “nenhum homem é uma ilha” (Thomas Morus). Por isso, nos organizamos em sociedade com regras, condições e limites entre os direitos e os deveres individuais. Ao longo da sua história a humanidade modificou hábitos e costumes, bem como criou e desenvolveu a tecnologia que nos acompanha. Igualmente, a forma de transmissão do conhecimento sofreu alterações. Nas sociedades mais antigas eram os conselhos de anciãos que ditavam as regras, um costume transversal a quase todas as culturas, ainda que elas não tivessem conexão entre si. Assim foi na Grécia de Esparta, nas sociedades asiáticas ou nas comunidades indígenas das américas em que os conselhos de anciãos eram reverenciados. Eles também eram os responsáveis pela transmissão dos rituais, dos costumes e das diferentes mitologias que envolviam as mais diversas culturas. Aquilo que se transmitia presencialmente passou a ser registrado metodologicamente e a transmissão do conhecimento já não exigia a presença do outro. O grande conselho de anciãos foi substituído pela ciência. Porém, a busca humana continua sendo pela felicidade. O que isso nos revela?

A metodologia científica foi e é responsável pela melhoria de muitos indicadores de saúde e de qualidade de vida naquilo que se refere ao desenvolvimento de equipamentos, medicamentos, tratamentos e a tecnologia aplicada que se fundamentam na lógica. Considere-se ciência como o “corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, e formulados metódica e racionalmente” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia). Portanto, a aquisição e a transmissão de conhecimentos que usam o método científico precisam ser lógicas. Assim, entendo que ao usar a ciência para todas as áreas, inclusive substituindo o “conselho de anciãos”, se perdeu algo. O Ser Humano não é lógico. A sua busca é a felicidade. Entenda-se felicidade como sendo “um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade). A felicidade, igualmente, não é lógica, pois é uma busca pelo bem-estar espiritual e uma paz interior que não pode ser parametrizada como a ciência exige. A busca pela felicidade é um movimento único, individual e singular. Entendo que a metodologia científica não a lograria entender. Mais recentemente surge a neurociência que consiste no “estudo sobre o sistema nervoso e suas funcionalidades, além de estruturas, processos de desenvolvimento e alguma alteração que possa surgir no decorrer da vida” (https://www.passeidireto.com/). A neurociência constata muitos dos fenômenos que ocorrem na cérebro há milhares de anos. A plasticidade cerebral, dada como uma descoberta da neurociência, está presente na formação do conselho de anciãos. As sociedades antigas sabiam que a probabilidade de maior sabedoria com o passar da idade era grande. Ou seja, podemos aprender por toda a vida estava implícito na formação do Conselho de Anciãos. Portanto, essa descoberta da neurociência não cria algo, mas traz à luz algo que acontece.

Por isso, acredito que, em muitos casos, a ciência e a neurociência vão nos levar a uma viagem de retorno às nossas raízes. É um caminho de reconexão como os nossos ancestrais. Ainda precisamos do “Conselho de Anciãos”, assim como a ciência e a neurociência são fundamentais. A ciência é lógica. A neurociência constata muitos fenômenos lógicos que acontecem no cérebro. O ser humano nem sempre é lógico. A felicidade não é lógica. Porém, usar a ciência para melhorar tudo aquilo que é lógico pode nos aproximar da felicidade que não é lógica. No final, é preciso fazer sentido!

Moacir Rauber

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