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VOCÊ QUER CHUTAR O BALDE? DESENVOLVA O AUTODOMÍNIO E A TEMPERANÇA

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Você quer chutar o balde? Desenvolva o autodomínio e a temperança

Felipe caminha pela rua e vê uma latinha. Pensa em dar um chute nela, mas desiste e segue em frente. A cena não termina aí…

Retrata uma tirinha da Mafalda (Quino), com o primo Felipe, que representa a importância do autodomínio e da temperança — competências difíceis de desenvolver num mundo sujeito a tantos estímulos. Desse modo, para muitos, a Quaresma é um período de introspecção mais profunda, que nos convida à prática do jejum, da abstinência, da caridade e da oração. Porém, qual é o sentido de tais práticas? O que podem representar jejum, abstinência, caridade e oração num mundo tão volátil? Creio que são passos a mais no caminho da maturidade emocional, que exige sabedoria e discernimento; equilíbrio; empatia e compaixão; paciência e tolerância; fortaleza; e autodomínio e temperança (Monsenhor Munilla).

Comecemos por entender o que são autodomínio e temperança, qualidades importantes para não chutar a lata — ou o balde — no momento inadequado.

Autodomínio pode ser entendido como a capacidade de não agir movido pelas emoções em atitudes de reação imediata. Quantas vezes você teve vontade de chutar a lata ou o balde? Cada um de nós sente raiva, frustração, ansiedade ou medo, mas o autodomínio permite que não sejamos governados por tais emoções. Assim, você assume a condução do carro da sua vida, não sendo movido pelos seus impulsos.

E a temperança, o que é? É uma competência complementar ao autodomínio, fundamentada na capacidade de equilibrar emoções, desejos e atitudes. A temperança traz à tona o discernimento que nos conecta com a sabedoria, impedindo que o autodomínio se transforme em repressão ou frieza.

Como levar o autodomínio e a temperança da Quaresma para o trabalho?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se o jejum de alimentos; na empresa, como competência de desempenho, você pode jejuar do uso das redes sociais para fins pessoais durante o horário de trabalho. Aceita o desafio?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se a abstinência de falar mal de pessoas ausentes; na empresa, você pode se abster de espalhar fofocas sobre os colegas. Está disposto a isso?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se a caridade ao ajudar famílias em vulnerabilidade social; na empresa, você pode ser caridoso ao reconhecer os méritos de alguém com quem não simpatiza. A quem você vai reconhecer?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se a oração com mais intensidade; na empresa, você é convidado a refletir sobre a importância daquilo que faz e o impacto na vida dos outros. Qual é o sentido daquilo que você faz?

Ao levar as práticas espirituais para o ambiente organizacional, as conversas difíceis se tornam mais fáceis, o tempo passa a ser gerido de acordo com as prioridades e as decisões precipitadas dão lugar às decisões conscientes. Com isso, a liderança se manifesta com o autodomínio e a temperança de quem tem equilíbrio. É a partir do autodomínio e da temperança que se demonstra maturidade emocional.

Desse modo, na Quaresma, ao se propor a jejuar — assim como a se abster de algo que você deseja muito e tem acesso em abundância — você realiza um treinamento de autodomínio e temperança. Da mesma forma, praticar a caridade permite que você se sinta bem com aquilo que faz, assim como a oração o alinha com o sentido da vida. Isso ajuda a evitar que você chute a lata ou o balde quando não deveria.

Felipe, depois de passar pela lata, voltou e deu-lhe um pontapé, para em seguida se arrepender: “Que desastre! Até as minhas fraquezas são mais fortes do que eu…”

Por isso, exercitar o autodomínio na Quaresma é uma prática que reconhece as nossas debilidades, treina o controle sobre os impulsos e desenvolve a temperança para tomar a melhor decisão. Porque, muitas vezes, ao chutar uma lata aparentemente vazia no impulso, encontra-se uma pedra no seu interior.

Você já chutou a lata ou o balde quando não deveria? Pratique o autodomínio e desenvolva a temperança.

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Moacir Rauber

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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla