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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Empresa não é família

Moacir Rauber
Muitos proprietários de pequenas e médias empresas, incluem-se aqui alguns gestores de grandes empresas, estufam o peito para dizer que a sua empresa funciona como uma grande família, dizendo para muitos de seus colaboradores, Este é meu irmão ou intitulando-se como pai de todos. Essa é uma abordagem completamente equivocada e pouco verdadeira, porque a relação profissional está em primeiro plano. Os colaboradores são contratados para realizarem determinadas tarefas, incorporarem-se a equipes de trabalho e produzirem resultados, que se não alcançados ensejam seu despedimento. Após o desligamento do colaborador da empresa rompem-se os vínculos entre as partes. Por outro lado, um relacionamento familiar não se dá dessa forma, pois simplesmente não se pode “demitir” um filho, um pai ou um irmão. Logicamente que de uma empresa se pode demitir qualquer ente familiar, mas não é isso que fará com que o filho deixe de ser filho, o pai deixe de ser pai ou o irmão deixe de ser irmão. Não é o fato de dizer “você não é mais meu filho” que fará com que isso se transforme numa verdade.
Tome-se como base a simples questão conceitual por trás das palavras. Por família, segundo o dicionário Priberam de língua portuguesa, entende-se o conjunto de todos os parentes de uma pessoa, e, principalmente, dos que moram com ela, destacadamente o conjunto formado pelos pais e pelos filhos. Outras definições do dicionário remetem a grupos de determinadas espécies ou vocábulos com a mesma raiz, mas nada que se coadune com a relação havida entre patrão e empregado numa empresa. Denotam-se a partir desses conceitos relações muito mais complexas entre os membros familiares que, muitas vezes, extrapolam as questões de legalidade. Para o mesmo dicionário, entende-se empresa como sendo sociedade ou companhia que explora qualquer ramo de indústria ou comércio ou também especulação industrial ou mercantil, inserindo-se nesse contexto a relação com o grupo de colaboradores que a formam. Portanto, um colaborador não tem na sua relação com a empresa as características encontradas nas relações familiares, encaixando-se muito mais no conceito de integrante de uma equipe, que se entende como sendo um grupo de pessoas reunidas para uma mesma tarefa ou um mesmo objetivo, uma empresa. Desse modo, integra-se a equipe enquanto o conjunto que a compõe acredita que se está cumprindo com os objetivos para os quais a pessoa está ocupando aquele lugar. No momento em que se deixa de corresponder com as expectativas de resultados corre-se o risco de ser desligado da equipe. Assim é no futebol, no basquete, no vôlei ou em outro esporte qualquer, mas assim funcionam as relações, principalmente, no ambiente empresarial. Passado o período inicial da contratação, em que fatores como a socialização mais ou menos adequada são consideradas aceitando-se alguns deslizes, como um período de ajuste entre as partes, a relação se mantém ou se suspende dependendo dos resultados. Nesse ponto não importa ser chamado de irmão, pai ou filho pelos superiores, pois se os frutos não aparecerem você estará fora da equipe, ou melhor, da empresa. Logicamente que criar um ambiente de confiança, transparência e lealdade é importante para que as pessoas sintam-se bem e confortáveis, mas deve-se ser claro também nas responsabilidades e da forma como se dá a relação. Ou seja, todos que estão na equipe devem alinhar seus objetivos com os da organização, esclarecendo-se o que se espera de cada um e a forma como todos serão avaliados individualmente e na relação com os demais. Isso tudo é muito diferente das relações familiares, pois estas se mantém muito mais pelos laços consaguineos e afetivos do que pelos resultados, pela lealdade ou pela ética, caracteríticas mais facilmente encontradas nas relações entre os membros de uma equipe, seja ela esportiva ou empresarial.

Portanto, trate o seu colaborador com o respeito, a confiança, a ética e a transparência que as atividades numa organização empresarial exigem, sendo correto e justo, sem usar termos familiares para manter uma falsa aproximação com os colaboradores. Do mesmo modo, não há a necessidade de ser demagogo para manter uma equipe focada e motivada em busca de resultados e objetivos comuns. Digo falsa e demagogo para essas tentativas de uso de denominações familiares nas relações empresariais, porque elas realmente são. A menos que os seus colaboradores façam parte de sua família e também estejam em seu testamento e tenham direito a sua herança. Eles fazem parte? Eles tem os mesmos direitos legais que os seus irmãos, pais e filhos sobre os seus bens? Em caso afirmativo, ótimo, chame-os de irmãos, de pais ou de filhos, pois somente assim eles realmente são parte integrantes de sua família.

Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

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