Ei, preciso falar com você…

Eles chegaram, sentaram-se numa mesa ao lado e pediram o seu almoço. Logo após o pedido cada um voltou para o seu smartphone. Teclavam freneticamente. Um sorrisinho, uma interrupção, olhar fixo na tela e um novo rompante nas tecladas. O tempo passava e eles não trocaram nenhuma palavra entre si. O prato pedido chegou. Cada um começou a se servir, mas o smartphoneestava colocado cuidadosamente ao lado do prato, ao alcance da mão e dos olhos. Entre uma garfada e outra uma rápida teclada. Era um olho no gato e outro no peixe, como diz o ditado. Às vezes o sorriso desaparecia de suas faces. Dava a impressão de que assuntos de vida e morte estavam sendo tratados enquanto eles almoçavam. Cada um imerso em seu mundo. Quarenta minutos depois terminaram o almoço. O primeiro se levantou e já estava se dirigindo para a saída do restaurante enquanto o segundo ainda teclava em seu aparelho. De modo meio atabalhoado, entre parar de teclar e se levantar para acompanhar o amigo, ele disse:
– Ei, ei, espera um pouco. Eu preciso falar com você…
Observei e perguntei-me frente aquilo que presenciei, Como? Preciso falar com você? E o tempo todo que estiveram um frente ao outro? Qualquer semelhança não é mera coincidência, é comportamento!

Retrato de seres humanos, seres estranhos, não é?

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