Quem é mais importante: o Papa, Barack Obama ou …?

Outro dia fui abordado por uma pessoa que assistiu a uma das minhas palestras. Ela disse-me o seguinte:

– Gostei muito, muito da sua palestra. A mensagem e a energia caminharam num processo de ascensão contínua. Terminou de forma espetacular!

Agradeci sinceramente, procurando não me deixar levar pela vaidade. Os elogios nos envaidecem e podem nos fazer acreditar de que somos mais do que realmente somos. O meu amigo continuou:

– Só queria dizer que tem um ponto que eu não concordei muito… Ou não entendi.

– Ah é? Respondi querendo saber o ponto.

Ainda que soubesse perfeitamente que uma crítica é a melhor maneira de melhorar o próprio desempenho, o comentário pegou-me de surpresa. Deixou-me um pouco na defensiva, mas procurei não demonstrar. Eu emendei:

– Isso é bom. Se não concorda é um sinal de que há uma forma diferente de se entender o mesmo assunto. Qual é o ponto?

A partir daí o meu amigo explicou que na minha abordagem eu falo que devemos olhar para frente e aprender com quem está lá. A observação é uma boa forma de aprendizagem. Que devemos olhar para os lados, trocar experiências para aprender e ensinar. Compartilhar com os outros nos faz crescer a todos. Olhar para trás para saber se alguém está lá. Caso haja perguntar por que não está avançando ou se sou eu que estou indo na direção errada. Olhar para cima para entender que somos parte de um todo. É a importância da visão sistêmica que nos faz ver que somos importantes. Olhar para dentro e saber que as respostas estão conosco.

Ele continuou:

– Com tudo isso eu concordo em gênero, número e grau. A questão que me pareceu um pouco estranha é quando você fala que também se deve olhar para baixo e que ali não deve ter ninguém. Como seria isso? Se nós estamos numa organização sempre vai ter alguém numa posição mais alta e outro numa posição mais baixa. Por isso não concordo ou não entendi…

Fiquei feliz com o comentário. Era uma excelente oportunidade para tocar num dos pontos que mais me encanta que é a falsa noção de importância como resultado da posição hierárquica. O olhar para baixo e não ter ninguém lá não se refere a uma estrutura hierárquica. Ela se refere ao entendimento de que somos todos igualmente importantes quando se trata de uma ou de outra vida. A importância de um e de outro numa organização, num processo ou num sistema em função de um cargo na estrutura hierárquica se refere tão somente as responsabilidades. Não tem nada a ver com a importância da vida de um ou do outro. E esse é um dos grandes desafios da atualidade. Entender que não há diferença de valor entre as vidas das pessoas, sejam elas quem forem. Quem é mais importante o porteiro ou o diretor presidente? Não há diferença no que concerne ao valor intrínseco da vida. Pode haver, e há, uma grande diferença naquilo que se refere às responsabilidades de um e de outro, assim como nas recompensas atribuídas a um e a outro. Cabe destacar que a posição hierárquica é circunstancial. Pode-se estar numa posição hoje e noutra amanhã. Por isso, é fundamental entender que a diferença, a importância e a relevância de um e de outro pode variar na hierarquia das responsabilidades, mas não no valor da vida.

A vida de um e de outro tem o mesmo valor, independentemente da sua posição hierárquica na organização, no país ou no mundo. Alguém pode discordar, mas daí eu lhe pergunto: quem é mais importante, o Papa, Barack Obama, você ou o seu filho?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *