Você realmente conhece a raiva?

Ontem me deparei com uma pergunta: “você realmente conhece a raiva?” (Taize Moreira Paes). Ela falava da raiva como doença infecciosa viral que ataca os mamíferos, que pode levar a óbito e para a qual ainda não há um tratamento eficaz. Trata-se de uma encefalite aguda e progressiva com taxa de letalidade de quase 100% que é transmitida pela saliva dos animais infectados. O período de incubação varia, dependendo do mamífero, da localização no corpo e da concentração das partículas do vírus na infecção. Portanto, a raiva pode matar biologicamente todos os mamíferos. A raiva que lembrei é diferente, mas ela pode matar os seres humanos muito antes da morte biológica. Como assim? É a raiva como escolha que mata no trânsito, no trabalho, nas famílias e nas amizades. É a raiva que mata a humanidade a partir de dentro de cada um.

A raiva é considerada uma das seis emoções básicas do ser humano, sendo normal e podendo ser saudável. A raiva pode se manifestar como irritação, frustração, rancor, exasperação, vontade de brigar, desejo de vingança ou em acessos de fúria. A raiva que ajuda e que mata estão separadas por um delicado momento em que a emoção chega e a escolha que se faz define o caminho. O que fazer? Na (1) irritação a raiva pode fazer com que você se mova em função de algo que o incomode ou que você se envenene por dentro. Na (2) frustração por alguma interpretação de fracasso você pode buscar alternativas ou pode desistir e seguir se intoxicando. No (3) rancor se pode entender que as ações do outro não são sua responsabilidade ou se pode tomar o veneno esperando que o outro morra. Essas três facetas da raiva, na sua esfera negativa, matam por dentro. Já a (1) exasperação pode fazer com que você mude algo ao perder a paciência ou a querer forçar a que o outro mude. A (2) vontade de brigar pode ser dirigida para si mesmo permitindo que você faça algo diferente ou senão para o outro, culminando em agressão verbal e até física. O (3) desejo de vingança pode despertar em você a capacidade de perdoar ou a estimular a que intoxique a própria alma na busca por prejudicar o outro. Por fim, os (4) acessos de fúria podem aliviar a tensão, mas podem provocar todo tipo de danos. Essas quatro facetas da raiva matam por dentro, mas também podem matar para fora. Por dentro, a raiva não administrada mata pela toxicidade dos sentimentos que contaminam a alma. Por fora, a raiva também mata quando ela se transforma em violência no trânsito, no trabalho, nas famílias e nas amizades.

A raiva mata quando não exercitamos o perdão e o auto perdão, a compaixão e a autocompaixão e a bondade em toda a sua dimensão, porque suprimimos nossa humanidade. A raiva emocional nos seres humanos pode ser letal como a raiva animal.

Enfim, como está a sua raiva? Para a raiva animal que é quase 100% letal temos os cuidados para não sermos contagiados pelo vírus, assim como temos a vacina preventiva que nos garante a imunidade. E para a raiva emocional, o que fazer para que ela não mate? Temos unicamente a tomada de consciência como ferramenta. Inicia-se com “respira fundo e conta até dez” para reconhecer a emoção para em seguida escolher a ação. Olhar para dentro para desenvolver o autocontrole a partir do autoconhecimento que resolve conflitos internos pode fazer a diferença. Com isso, pode-se exprimir sem reprimir com o cuidado de não agredir. A raiva da emoção pode ser boa ao canalizá-la para ações que se beneficiem da energia que ela traz. Enfim, aquele que sente raiva é o mesmo que ama e quem ama não mata. Assim aquele que sente a raiva, mas exercita o perdão e o auto perdão, a compaixão e autocompaixão e a bondade, não mata, VIVE! 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *