Você sabe ser feliz na abundância?

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Via a minha amiga caminhando da sala em direção à cozinha, da cozinha para a varanda e depois de volta para cozinha. Ela demonstrava a irritação da insatisfação de quem não sabe o que quer. Por fim, ela foi em direção à geladeira, abriu a porta, olhou e exclamou:

– Não tem nada para comer na geladeira…

Fechou a porta contrariada e sentou-se no sofá em frente à televisão. Poderia até parecer a cena de uma família pobre em que falta comida e que que vivem a escassez. Não era o caso. A geladeira estava cheia de bolos, salgados e uma enorme variedade de opções para quem estivesse com fome. Era a realidade de quem vive a abundância. É o que acontece com muitas pessoas nos dias de hoje. Elas têm quase tudo disponível na hora que querem, por isso parece que não tem nada. No fundo, elas nem sabem o que querem, para que querem ou se realmente querem. Uma comida diferente? Basta pegar o telefone ou acessar um aplicativo que se tem todas as opções disponíveis. Mas é preciso ter fome! Um filme? É só ligar a televisão e sintonizar os diferentes canais ou senão acessar uma plataforma online que oferece uma seleção infindável de comédias, dramas ou outro gênero qualquer. Mas é preciso estar com real vontade de assistir a um filme! E assim se sucedem os exemplos de nossa era da abundância. E como ser feliz com tanta oferta?

As gerações anteriores viveram e souberam viver na escassez. A prova disso é que estamos aqui. Eles travaram lutas pela sobrevivência. Quem não plantasse e não armazenasse alimentos de um ano para o outro, muito provavelmente, passaria fome. Quem não se protegesse contra os predadores naturais que ainda atacavam o ser humano poderia não amanhecer no dia seguinte. Desse modo, nos períodos de escassez, todas as experiências eram valorizadas. No dia a dia comia-se para se alimentar, comedidamente, porque a oferta era limitada. Fazer uma refeição extraordinária? Era uma experiência preparada, aguardada e saboreada, porque ela não acontecia a todo o momento. Eram momentos especiais, como festas, casamentos e datas comemorativas em que se comia para degustar. Valorizavam-se tais momentos porque eram poucos. As mesmas regras se aplicavam para as bebidas e outras experiências sensoriais humanas. Da mesma forma, estar vivo era um privilégio, porque a morte era uma realidade comum em cada família. Morria-se muito jovem por doenças, acidentes e até por ataques de animais. Esse perigo diminuiu muito e agora nós somos os nossos maiores predadores. Hoje, muitas pessoas vivem a abundância em diferentes áreas. Na alimentação nós vivemos uma época de ofertas como nunca antes vista. E nas relações amorosas? Cada vez em maior número e com menor intensidade. E nas possibilidades de comunicação? Disponível em cada canto do mundo para falar com quem se quiser e cada vez com conexões mais frágeis. Por isso a pergunta: você sabe ser feliz na abundância?

Uma das estratégias talvez seja a de se privar, voluntariamente, daquilo que você gosta e que está disponível sempre que você quiser (Sugerido por Greater good in Action – https://ggia.berkeley.edu/). Os antigos adotavam o jejum como uma prática religiosa e também de saúde. Hoje percebe-se cientificamente que o nosso organismo precisa da escassez para encontrar o equilíbrio gerado pela abundância. Portanto, qual é a comida com a qual você se delicia e que está no seu cardápio frequentemente? Para reaprender a saboreá-la deixe de comê-la por duas semanas e depois faça uma refeição com a consciência dos prazeres sensoriais que o degustar consciente do prato proporciona. É um exemplo de uma prática que pode ser aplicada em diferentes domínios da vida. Abster-se daquilo que se tem para valorizar aquilo que se tem.

Assim como a minha amiga do início do texto, ainda preciso saber valorizar o que tenho para não transformar a abundância em tédio e frustração.

E na sua vida, como vão os seus sentidos? Você sabe desfrutar da abundância?

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

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Ainda é possível confiar?

O gestor havia delegado uma tarefa para um dos integrantes da sua equipe recém-chegado ao ambiente de trabalho. Ele havia conversado com o colaborador, havia definido a tarefa e, juntos, estipularam o prazo. O gestor também se colocou à disposição para esclarecimentos e necessidades que eventualmente surgissem no caminho para a execução da tarefa. No fechamento da conversa fez os seguintes comentários:

– Tudo certo? Alguma dúvida? Somos responsáveis solidariamente… alertou.

O novo colaborador disse que estava tudo certo e acrescentou:

– Pode confiar que vou entregar no prazo.

A confiança é um dos valores humanos que sustenta as relações produtivas, prósperas e inovadoras. Dificilmente as relações trazem bons resultados em qualquer um dos domínios sociais caso não exista a confiança entre as partes que se relacionam. Mais, a confiança é uma das características dos bons líderes e dos liderados responsáveis, assim como dos amigos, dos parceiros, dos casais e dos colegas que dão e que recebem, que acolhem e que compartilham e que ensinam e que aprendem. Entendo que aquele que confia merece a confiança, porque contribui para que o outro também se realize.

No episódio relatado, ao novo colaborador fora dada a confiança. Para o gestor, tarefa dada era tarefa cumprida. Ainda assim, diariamente ele se comunicava com o colaborador indagando se estava tudo certo e se ele precisava de algo. O colaborador garantia que estava tudo bem. Mais ou menos na metade do período para a entrega da tarefa o gestor pediu para ver o progresso da atividade. O novo colaborador se esquivou. E assim prosseguiu por mais alguns dias, até que ele admitiu que não conseguiria fazer aquilo com que havia se comprometido. E agora, o que fazer? Quem estava certo nessa história? Como continuar a confiar no outro sem correr risco?

Todo o voto de confiança enseja risco, que é inerente a qualquer negócio e a qualquer tipo de relação humana. Sempre e quando alguém depositar a confiança em outrem é possível que ela se confirme ou não. Pode ser que algo fora do controle faça com que se quebre a confiança, assim como algo mal refletido ou mal analisado. E a quebra de confiança pode ocorrer sem o juízo de valor de que a pessoa é boa ou má, embora, muitas vezes, possa ser um indicativo de falta de caráter. Entretanto, quero destacar que somente por meio da confiança que se pode construir algo bom e melhorar o que já existe. As relações afetivas e de amizade somente se desenvolvem de forma saudável num ambiente de confiança. E a mesma regra vale para os ambientes de trabalho. Embora confiar uma tarefa ao outro no sentido de delegar não exima ninguém de acompanhar a sua execução, da forma como o gestor fez. Acredito que o mesmo raciocínio se aplique as demais relações humanas, porque confiar quer dizer fiar juntos. Por isso, uma relação afetiva precisa ser compartilhada para que a confiança seja vivida. Uma amizade precisa ser estimulada para que a confiança esteja presente. Uma relação de trabalho precisa de presença para que a confiança seja cumprida. Desse modo, a confiança é que faz com que as metas sejam alcançadas, que as organizações prosperem e que sejam sustentáveis, além do que é na confiança entre as pessoas que surge a inovação em quaisquer dos âmbitos das relações humanas.

Por isso, entendo que sempre e quando alguém em quem se depositou a confiança não a mereceu, o problema está com quem não a mereceu e não em quem confiou. Enfim, acredito que as pessoas devam confiar e que continuem a criar relações de confiança.

E você confia e é de confiança?

Moacir rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.