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O seu atendimento é bom ou excelente?

Nos últimos meses, desloquei-me por vários estados, cidades e hotéis, que em geral têm oferecido um bom serviço. Porém, pergunto: qual a diferença entre um bom e um excelente serviço? A diferença pode estar nos detalhes.

Para quem se desloca de um lado a outro com frequência e usa os serviços dos hotéis já existe certa rotina na ausência da rotina. São muitos os profissionais que enfrentam o ritual de arrumar a mala, viajar, chegar ao hotel, preencher e assinar a ficha de entrada na recepção e ir até o quarto desarrumar para arrumar o que será preciso para a curta estada. Depois do compromisso cumprido, retorna para o hotel, arruma a mala, faz o check oute reinicia-se o processo em outra cidade e em outro hotel. Há um desconforto na necessidade de busca pelo conforto. Foi assim a minha rotina. Foram inúmeros os hotéis, diferentes pessoas na recepção e quase sempre uma dificuldade a mais porque sou usuário de cadeira de rodas. Todos os hotéis tinham acessibilidade boa o suficiente para não gerar nenhum constrangimento. Porém, dentre todos eles um se destacou pelo excelente atendimento, uma vez que foi genuinamente humano.
Fui até o quarto acompanhado pelo recepcionista. Boa conversa, orgulho do trabalho, do hotel e da cidade onde mora. Mostrou-me as instalações indicando o banheiro adaptado. Logo perguntou:
– Está tudo ok. Você precisa de algo mais?
Olhei para o banheiro e comentei:
– Se possível prefiro uma daquelas cadeiras de plástico mesmo. Pode ser?
Ele respondeu que sim. Em menos de cinco minutos chegou ao quarto a camareira com a cadeira pedida. Posicionou-a no banheiro. Ela olhou para mim observando a minha condição de cadeirante, olhou para os meus pés e para o chão do banheiro. Logo perguntou:
– O senhor gostaria de um tapetinho para por no banheiro? Para os seus pés?
– Sim, sim. Gostaria muito.
Não sei como ela se apercebeu dessa necessidade. Para mim um tapete emborrachado no chão faz muita diferença. Não tenho força nas pernas, assim sempre que os pés tocam o chão molhado eles escorregam para um lado e outro. O tapete emborrachado evita esse transtorno. Alguns minutos depois ela voltou com o tapete e o colocou no chão do banheiro.
Fiquei dois dias no hotel e fui para outra cidade. Alguns dias depois retorno para o mesmo hotel. Cheguei à recepção e fui atendido pelo nome. Fiz a ficha, subi para o quarto e o recepcionista já disse:
– Ah, a cadeira de plástico, né?
Logo depois chegou a camareira com a cadeira de plástico. Colocou-a no banheiro e, para a minha surpresa, colocou em frente o tapete emborrachado para os meus pés.
O atendimento que já era bom, no meu entendimento, passou a ser excelente. Emocionei-me, porque percebi que eles me trataram como uma pessoa muito além de um cliente. Eles cumpriram com todos os procedimentos padrões que garantem a qualidade do bom serviço. Sabe-se que existem técnicas e método para isso. Mas eles foram além. Eles viram o ser humano e me ofereceram o tapete que lhes garantiu a classificação de um serviço excelente. Eles estão servindo as pessoas!

Qual é o tapete do seu cliente?

Uma pizza especial


Estive num rodízio de pizzas recentemente. Chegamos às 19h, momento em que o restaurante abriu as portas. Entramos e nos acomodamos. As mesas estavam todas disponíveis para nós e mais algumas pessoas que também entraram. Pedimos algumas bebidas e uns quinze minutos depois começaram a servir as pizzas. Os garçons eram muito atenciosos. Alguns sabiam servir e fazer graça deixando o ambiente bem agradável. A experiência estava sendo boa pela companhia, pelo ambiente e pela pizza que era boa. Via-se o gerente circulando entre as mesas dando uma atenção especial para os clientes. Ele se aproximou da nossa mesa. Viu que nossos pratos estavam vazios e perguntou:
– Está tudo bem por aqui? Está faltando algo?
– Não, não. Está tudo ótimo. Já estamos esperando as pizzas doces. Estamos quase terminando… respondeu meu amigo de mesa.
– Mas já? A noite apenas está começando… disse o gerente.

Ele continuou:
– Então vou pedir para preparem uma pizza especial para vocês. Muito obrigado pela presença… e saiu para continuar o seu atendimento.

Realmente muito atencioso e tudo muito bom. Olhei para as pessoas que me acompanhavam e, em tom de brincadeira, perguntei:
– Bom, a pizza só é especial se o gerente pedir? E as outras que nós comemos eram meia boca?


Rimos um pouco. Observamos que o gerente seguiu o seu caminho sem pedir nenhuma pizza especial. Foi para as outras mesas cumprir com o seu papel de avaliar pessoalmente o grau de satisfação dos seus clientes. Certamente prometendo pizzas especiais pelas mesas que passou. Para quem vende e presta serviços o atendimento é um diferencial. Por isso, fazer com que as pessoas se sintam especiais e que desfrutem de uma experiência única pode ser muito mais importante do que o produto em si. Lembrar que todos são especiais pode fazer com que se sintam comuns. Assim, há que se ter algum cuidado para que o discurso não diminua um serviço especial. Em todos os caso, valeu a experiência!
Fonte: http://porlinhastortas.com.br/2014/03/04/devia-terminar-em-pizza/