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A CORAGEM DE SER ADULTO: VOCÊ TEM?

A Coragem de Ser Adulto: você tem?

Lá estava o pai sem saber o que fazer com o filho de dois anos. Ele chorava, esperneava e gritava que queria o celular. O pai relutava porque sabia que não era algo positivo para a idade. Buscava oferecer alternativas para o filho que não aceitava nada daquilo que ele propunha. De repente o pai exclama:

– Não sei mais o que fazer… e entrega o celular.

Assim que recebe o celular o filho se acalma e o rosto do pai se tranquiliza. Foi assim que criamos as primeiras gerações menos inteligentes que as anteriores, simplesmente pela falta de coragem de ser adulto. Além de gerações menos inteligentes, em que implica a nossa falta de coragem de ser adulto? Particularmente, entendo que implica em pessoas com (1) deficiência emocional; (2) pessoas com pouca capacidade de entender a interdependência; e (3) pessoas, organizações e sociedade desconectadas entre si. O que é ser adulto? Biologicamente é estar na plenitude das funções biológicas; legalmente é quem atingiu os dezoito anos; senso comum é aquele que vive a sua própria vida. Dessa forma, para viver a própria vida assumindo as consequências legais de seus movimentos na plenitude de suas forças é essencial se responsabilizar com a sensatez de quem tem equilíbrio e autonomia para decidir sobre as suas escolhas. É fácil? Não. É importante? Sim. Gera incômodo? Certamente. Abre alternativas de movimento? Todos. Porém, é preciso coragem para ser adulto. É indispensável entender que se eu estou na plenitude da minha trajetória como ser humano biológico, é preciso assumir a responsabilidade das orientações sobre outro ser humano que biologicamente, legalmente e, obviamente, ainda não tem autonomia para ser adulto. Eis a importância de saber o que fazer frente a uma criança que não tem como sabê-lo. O pai sabe, mas a criança não que o uso indiscriminado vai produzir malefícios a longo prazo frente a uma aparente tranquilidade no curto prazo. O resultado será um Ser Humano biologicamente pleno sem a capacidade de assumir o comando da própria vida pela (1) deficiência emocional gerada por pais que não tiveram a coragem de orientar. Um Ser Humano biologicamente pleno que não entende (2) que as suas ações afetam os outros na interdependência da qual fazemos parte. Um Ser Humano biologicamente pleno (3) desconectado dos demais que entra no ambiente organizacional, deixando-o volátil e incerto. Com isso, as organizações e a sociedade passam a ser ambientes obscuros com pessoas que sentem medo das relações porque acreditam ser um risco. De pessoas que não entendem a interconexão com os demais num processo de interdependência natural. De pessoas que tem em mente “eu peço, eu ganho” e que no confronto com outras pessoas que sempre ganharam o que pediram surge o conflito que expõe uma fragilidade perversa oriunda da ansiedade individual. Por fim, são criados ambientes em que as necessidades não entendidas e nem atendidas são expressadas de forma, muitas vezes, equivocada. Por isso, ao dar um celular para quem não sabe as consequências do seu uso implica em pessoas com tendência para a baixa produtividade, a infelicidade e a não autonomia.

Enfim, você tem coragem de ser adulto? Ser adulto implica na responsabilidade familiar de educar e de oferecer a alternativa de que cada um pode assumir o comando da própria vida na interdependência com os demais. Ser adulto implica na responsabilidade organizacional de acolher e escutar para orientar os colaboradores no processo de se tornar um adulto organizacional pleno. Isso pode doer, porém é fundamental desenvolver a IMAGINAÇÃO para encontrar alternativas que pelo MOVIMENTO nos levem a afetar o mundo com AFETO. Com as fronteiras cada vez mais diminuídas pela tecnologia existente, ser adulto, além de oportuno, é uma necessidade. Entretanto, exige a determinação de desfrutar da plenitude das competências biológicas, legais e emocionais que nos levem a uma velhice segura, pacífica e equilibrada de ter vivido com a coragem de ser adulto.

Talvez seja o momento de não dar o celular para o filho!

Moacir Rauber

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O mundo era V.U.C.A.? Agora o mundo é B.A.N.I.?

Participar de eventos que tratem da interpretação do mundo é essencial para se manter conectado com o mundo. Entretanto, muitos modismos ditam regras para um mundo, que no meu ponto de vista, nem sempre é real. Em tempos de tweets e lives as frases de efeito tem recebido muito mais destaque configurando-se, muitas vezes, como a base do conhecimento para muitas pessoas. Decisões empresariais são tomadas, costumes são alterados e ídolos são construídos da noite para o dia, assim como reputações são destruídas num piscar de olhos a partir do momento que alguém cria uma hashtag que emplaca. Muita agilidade na superficialidade das pessoas que não tem tempo para desenvolver um conhecimento que as leve a exibir comportamento sábios. Nessa realidade, os palestrantes que iniciavam uma conferência explicando o mundo a partir do VUCA arrancavam suspiros da plateia. O VUCA, que imperou por volta de duas décadas, é passado. Recentemente surgiu o BANI para explicar o mundo em eventos de empreendedorismo, gestão de pessoas, competitividade, inovação ou transformação na Era Digital. Particularmente, acredito que mais uma vez usa-se uma interpretação simplista da realidade humana ao transferir a responsabilidade sobre um mundo interno para o ambiente externo. Era o mundo realmente VUCA? E agora, o mundo é BANI?

O acrônimo VUCA quer dizer volátil, incerto (uncertain), complexo e ambíguo, enquanto BANI representa frágil (brittle), ansioso, não-linear e incompreensível. No VUCA, dizia-se que nós vivíamos num mundo volátil, em que a realidade poderia simplesmente se evaporar de um momento a outro. No BANI, diz-se que se vive num mundo frágil, em que tudo pode se quebrar com facilidade. Entendo que no mundo físico externo a água sempre se volatiliza nas mesmas condições e as estruturas se quebram sob a mesma força. Por isso, a volatilidade e a fragilidade são nossas, porque nos volatilizamos e nos quebramos de forma diferente frente a situações similares. No VUCA, dizia-se que o mundo era incerto. No BANI, diz-se que o mundo é ansioso. Entendo que o mundo é o que é desde que existe. Nós como pessoas temos incertezas e ansiedades, porque essas são sensações que nós temos em relação ao mundo. No VUCA, dizia-se que o mundo era complexo e no BANI, diz-se que o mundo é não-linear. Porém, ao dizer que o mundo é complexo transferia-se para o ambiente externo a nossa incapacidade de compreender uma lógica estabelecida no mundo natural, assim como ao dizer que ele é não-linear não exploramos a nossa capacidade de ver o mesmo mundo sob diferentes perspectivas. No VUCA, dizia-se que o mundo é ambíguo e no BANI se diz que o mundo é incompreensível. Particularmente acredito que a ambiguidade, assim como o incompreensível estão associados a nossa não-linearidade, a nossa complexidade, a nossa ansiedade, a nossa insegurança, a nossa fragilidade e a nossa volatilidade. Ser ambíguo é normal. Estar diante de algo incompreensível pode ser um desafio e um exercício de humildade.

Quem é VUCA? Quem é BANI? O mundo? Não acredito. Tenho a convicção de que eu sou VUCA e BANI! Reconhecer-me como tal me permite fazer as escolhas de um ser humano que quer se desenvolver. Se o mundo é o que é desde que existe, eu posso fazer do mundo o lugar que eu quiser fazer. VUCA, BANI, virtual, físico, digital ou analógico? O que importa é estar presente com as escolhas que se faz no ambiente interno que vão refletir no ambiente externo. Assim, pode-se aproveitar o encanto da flor, a força da chuva e o calor dos raios do sol num movimento contínuo rumo a um mundo melhor que pode nascer dentro de cada um.

E o mundo? Ele é o que é. E as pessoas? Cada uma pode escolher o que quiser ser e fazer.

Moacir Rauber

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