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O mundo era V.U.C.A.? Agora o mundo é B.A.N.I.?

Participar de eventos que tratem da interpretação do mundo é essencial para se manter conectado com o mundo. Entretanto, muitos modismos ditam regras para um mundo, que no meu ponto de vista, nem sempre é real. Em tempos de tweets e lives as frases de efeito tem recebido muito mais destaque configurando-se, muitas vezes, como a base do conhecimento para muitas pessoas. Decisões empresariais são tomadas, costumes são alterados e ídolos são construídos da noite para o dia, assim como reputações são destruídas num piscar de olhos a partir do momento que alguém cria uma hashtag que emplaca. Muita agilidade na superficialidade das pessoas que não tem tempo para desenvolver um conhecimento que as leve a exibir comportamento sábios. Nessa realidade, os palestrantes que iniciavam uma conferência explicando o mundo a partir do VUCA arrancavam suspiros da plateia. O VUCA, que imperou por volta de duas décadas, é passado. Recentemente surgiu o BANI para explicar o mundo em eventos de empreendedorismo, gestão de pessoas, competitividade, inovação ou transformação na Era Digital. Particularmente, acredito que mais uma vez usa-se uma interpretação simplista da realidade humana ao transferir a responsabilidade sobre um mundo interno para o ambiente externo. Era o mundo realmente VUCA? E agora, o mundo é BANI?

O acrônimo VUCA quer dizer volátil, incerto (uncertain), complexo e ambíguo, enquanto BANI representa frágil (brittle), ansioso, não-linear e incompreensível. No VUCA, dizia-se que nós vivíamos num mundo volátil, em que a realidade poderia simplesmente se evaporar de um momento a outro. No BANI, diz-se que se vive num mundo frágil, em que tudo pode se quebrar com facilidade. Entendo que no mundo físico externo a água sempre se volatiliza nas mesmas condições e as estruturas se quebram sob a mesma força. Por isso, a volatilidade e a fragilidade são nossas, porque nos volatilizamos e nos quebramos de forma diferente frente a situações similares. No VUCA, dizia-se que o mundo era incerto. No BANI, diz-se que o mundo é ansioso. Entendo que o mundo é o que é desde que existe. Nós como pessoas temos incertezas e ansiedades, porque essas são sensações que nós temos em relação ao mundo. No VUCA, dizia-se que o mundo era complexo e no BANI, diz-se que o mundo é não-linear. Porém, ao dizer que o mundo é complexo transferia-se para o ambiente externo a nossa incapacidade de compreender uma lógica estabelecida no mundo natural, assim como ao dizer que ele é não-linear não exploramos a nossa capacidade de ver o mesmo mundo sob diferentes perspectivas. No VUCA, dizia-se que o mundo é ambíguo e no BANI se diz que o mundo é incompreensível. Particularmente acredito que a ambiguidade, assim como o incompreensível estão associados a nossa não-linearidade, a nossa complexidade, a nossa ansiedade, a nossa insegurança, a nossa fragilidade e a nossa volatilidade. Ser ambíguo é normal. Estar diante de algo incompreensível pode ser um desafio e um exercício de humildade.

Quem é VUCA? Quem é BANI? O mundo? Não acredito. Tenho a convicção de que eu sou VUCA e BANI! Reconhecer-me como tal me permite fazer as escolhas de um ser humano que quer se desenvolver. Se o mundo é o que é desde que existe, eu posso fazer do mundo o lugar que eu quiser fazer. VUCA, BANI, virtual, físico, digital ou analógico? O que importa é estar presente com as escolhas que se faz no ambiente interno que vão refletir no ambiente externo. Assim, pode-se aproveitar o encanto da flor, a força da chuva e o calor dos raios do sol num movimento contínuo rumo a um mundo melhor que pode nascer dentro de cada um.

E o mundo? Ele é o que é. E as pessoas? Cada uma pode escolher o que quiser ser e fazer.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

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Como (Re) Criar a humanização nas relações no mundo Digital?

Cada vez mais as pessoas se sentem ansiosas por causa do ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo. Há um medo quase que generalizado do fenômeno V.I.C.A.! Mas qual é a novidade nisso? A Volatilidade, a Incerteza, a Complexidade e a Ambiguidade sempre acompanharam a existência do ser humano, com a diferença de que em outras épocas, o ambiente representava um perigo real à existência do indivíduo. Nos dias de hoje, particularmente, acredito que o ambiente V.I.C.A. é sinônimo de oportunidades, principalmente se (Re) Criamos a Humanização na era digital. Basta olhar mais uma vez. Como assim?

Ao pensar em volatilidade, a primeira palavra do V.I.C.A., vejo oportunidades, porque…  Volátil é aquele que voa, assim como aquele que se transforma. Por isso, um ambiente volátil nos permite voar e nos transformar, sem, contudo, perder a essência. Usando volúvel, um sinônimo de volátil, fala-se daquele que muda de direção, uma capacidade importante num ambiente volátil. Entretanto, muitas pessoas preferem ver instabilidade e frivolidade.  Por isso, ao se olhar pelo aspecto positivo desses conceitos podem se ver as oportunidades presentes no ambiente digital, desde que se (Re) Crie a Humanização. Essa é a escolha!

A segunda palavra do termo V.I.C.A. fala da incerteza do ambiente em que nos encontramos. Sem querer ser um otimista superficial,… a incerteza nos traz oportunidades de crescimento contínuo e constante ao não podermos contar como certo algo que acreditamos que temos. Isso se aplica nos negócios e nas relações pessoais. Há que se trabalhar e se dedicar para que o negócio prospere e para que a relação se mantenha. Para tanto, basta ver a incerteza como parte de um ambiente constante de impermanência para ser feliz com aquilo que se tem, sem se acomodar com aquilo que se tem. Isso é (Re) Criar a Humanização nos negócios e nas relações num ambiente digital.

A palavra complexidade deixa as pessoas alvoroçadas negativamente, entretanto, ela é uma das mais positivas do nosso vocabulário. Complexidade é sinônimo de diversidade, que expressa a riqueza da individualidade; de heterogeneidade, que reflete a beleza da diferenciação; de multiplicidade, que revela a qualidade de sermos múltiplos; e da variedade, que representa a profusão de opções, gigantes num mundo digital. Porém, as pessoas atingidas por uma onda de informações frívolas que geram insegurança não conseguem ver dessa maneira e preferem transformar complexo em complicado, dificuldade e confusão. É importante mudar a lente. É essencial (Re) Criar a Humanização para se poder aproveitar as oportunidades do Mundo Digital!

Por fim, no assustador mundo V.I.C.A. a palavra ambiguidade também é apresentada, majoritariamente, pela perspectiva negativa. Mais uma vez, não se trata de fechar os olhos para as dificuldades que possam surgir num ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo. Entretanto, acredito que se deve reconhecer que se vive na melhor fase da história em que cada um pode ser e fazer aquilo que quer ser e fazer, inclusive ser ambíguo. E é na ambiguidade do indivíduo que se manifesta a sua unicidade e a sua singularidade que se transformam na multiplicidade de facetas que fomentam a complexidade, a incerteza e a volatilidade que nos acompanharão até o final dos nossos dias.

E o Mundo Digital é a nossa grande plataforma de oportunidades para (Re) Criar a Humanização. Como? Passa por estar, ser, criar e se manifestar com humanidade. Para isso é preciso Sentir. A Tecnologia não sente.

O mundo digital é criado para nos servir, desde que saibamos Sentir.

Aquele que sente no Mundo Digital pode estar com quem não está, assim como se responsabiliza por estar com quem diz que está ao (Re) Criar a Humanização nas relações.

Sentir é o Verbo!

 

Moacir Rauber

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