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ANSIEDADE E ESPERANÇA: O QUE GRITA A TUA ALMA?

Imagem gerada por COPILOT IA

ANSIEDADE E ESPERANÇA

O que grita a tua alma?

Mais uma vez, precisava pedir a receita médica para comprar sua medicação, já que a ansiedade o dominava por completo quando não tomava seus comprimidos. Entrar em sala de aula era uma tortura psicológica que começava no domingo à tarde e só aliviava na sexta-feira. Sábado e domingo, até o almoço, tudo ficava mais tranquilo; depois disso, o estresse e a irritação voltavam, trazendo falta de ar, palpitações e dores físicas acumuladas no pescoço, costas e ombros. O mundo pesava.

Ao entrar no consultório, uma rápida conversa e, em seguida, o pedido:

— Pode renovar a minha receita?

Uma cena que se repete por todo o país, em diferentes profissões. Professor, diretor, empresário, colaborador — muitos trabalham sob prescrição médica. No artigo “Aumento do uso de psicotrópico antes, durante e pós-pandemia da covid-19 no Brasil, com ênfase na região nordeste”, Souza & Santos (2024) mostram um fenômeno que se espalha pelo país e, possivelmente, pelo mundo. Durante a pandemia, o consumo de antidepressivos e ansiolíticos cresceu e se manteve no período pós-pandemia. Empiricamente, isso se confirma nos relatos de pessoas que recorrem aos ansiolíticos para enfrentar reuniões ou simplesmente estar no ambiente de trabalho. Qual a razão desse fenômeno?

Uma pergunta, várias respostas. Aqui, porém, exploro uma: o medo de estar consigo mesmo pela falta de sentido.

A “síndrome de domingo” existe há décadas e revela um enfraquecimento emocional que se intensificou após a pandemia. Talvez já fôssemos frágeis antes, mas isso ficou evidente quando fomos obrigados a conviver apenas conosco. Perguntas surgiram: o que faço agora? Para quem faço o que faço? Qual é o sentido da minha existência? Não havia resposta fácil — surgiu a dor. E, diante da dor emocional que não queríamos sentir, pensamos: se há comprimido para dor de cabeça e dor de estômago, por que não usar o mesmo caminho para ansiedade e depressão? Resposta: ansiolíticos.

“Se a dor acompanha a criatura, o que é senão tolice desperdiçá-la?”, escreveu José Maria Escrivá. Quando a dor de cabeça é recorrente, buscamos a causa. Quando a dor de estômago persiste, investigamos. E, diante de uma crise de ansiedade, qual é a causa?

Das dúvidas e medos sem respostas surgem a ansiedade e a depressão. Tomo um comprimido ou um retiro para dentro de si mesmo? Creio ser necessário parar, analisar e compreender para atuar na origem da dor emocional. Segundo Monsenhor Munilla, “a ansiedade é um grito da alma”, e o ansiolítico apenas sufoca o grito — não elimina a dor. É o analgésico da alma: a dor continua lá, e perdemos a chance de ouvir o que ela tenta dizer. O que grita a tua alma?

Fala-se de resiliência e antifragilidade como caminhos para enfrentar os impactos da vida. Entretanto, vivemos um período de excessos e abundâncias que nos enfraquecem emocionalmente. Perdemos a capacidade de enfrentar a dor, seja física ou da alma. Para a dor física, anestesia e analgésicos. Para as dores da alma, o celular, a televisão, as conexões superficiais, o consumo e, por fim, os ansiolíticos. Mas raramente perguntamos: qual é o sentido do meu trabalho para o outro? Para mim, o trabalho representa o salário ou o lucro que me permite atordoar a alma. E, para o outro?

É necessário desenvolver a firmeza de caráter que nasce da própria companhia — aquela que explora os desejos mais profundos da alma ao reconhecer que somos parte de algo maior do que nós mesmos. Há que se buscar a transcendência! O resultado? Solidez emocional, originada na coerência comportamental, que nos leva a ajoelhar diante do desconhecido. Só assim para voltar a ter esperança.

Você ainda se ajoelha diante do desconhecido? Se sim, provavelmente não vai precisar atordoar a alma. Pode começar a semana: a sala é tua.

Dedicado aos pais que ainda se ajoelham!

Moacir Rauber

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