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FORTALEZA EMOCIONAL: A FORÇA QUE NASCE DA DOR

Fonte: Pixabay

FORTALEZA EMOCIONAL: A FORÇA QUE NASCE DA DOR

O ano passado terminou com a perda de um amigo, mas a mensagem de fim de ano enviada por sua esposa foi uma verdadeira aula de amor e fortaleza. Entre outras palavras, ela escreveu:

“O ano em que eu perdi o chão, o rumo, a direção… conheci a dor que não passa, que alucina e que remédio nenhum no mundo tira: a dor de perder o amor da minha vida! Meu par, o pai dos meus filhos! Mas, em 2025, eu também vivi o AMOR de Deus intensamente… O amor de atitude, o amor que é alento na cruz!”

Está expresso na mensagem o que é fortaleza emocional e como ela se manifesta. A vida traz dor e sofrimento, inerentes a cada ser humano. Por isso, São Josemaría Escrivá pergunta: “Se a dor acompanha o ser humano, o que é senão tolice desperdiçá-la?”. Com essa provocação, ele nos coloca diante do melhor do ser humano: a fortaleza frente às adversidades.

O que fazer com a dor e o sofrimento?

Ano passado, acompanhamos a perda de um amigo querido. Ele era marido, pai, irmão, filho, tio, padrinho, profissional e amigo de muitos. Sua batalha foi contra uma enfermidade que o acometeu e o levou em menos de um ano. Tinha fé, e nela encontrava força. Tinha sua família — esposa e três filhos — e nela encontrava base. Sua fortaleza surgiu da combinação entre a força da fé e o apoio da família. Recebeu consolo, mas consolou ainda mais. Viveu plenamente e partiu serenamente.

E como fica quem fica?

Em tempos de tanta fragilidade emocional, as palavras que abrem este texto mostram o que é fortaleza. O testemunho da esposa, na mensagem enviada aos amigos, revela o que fazer com a dor ao viver a perda de alguém amado: apoiar-se em fundamentos sólidos, como a fé e a família.

E o que se entende por fortaleza emocional? Trata-se da capacidade de encarar e assumir as próprias emoções sem perder o equilíbrio diante das adversidades. Não há receita para enfrentar a finitude da vida de alguém que faz parte da nossa história, especialmente quando ela chega numa fase em que “não seria ainda o seu tempo”. A dor e o sofrimento surgem, mas cada um determina seu estado de ânimo. A fortaleza emocional se revela na habilidade de atuar eficazmente diante de situações desafiadoras, adaptando-se a elas de forma saudável. Consiste em ser valente sem agredir ou se deprimir, e nisso a força da fé e da família faz toda a diferença. Exibir fortaleza não significa ignorar a dor, mas seguir em frente apesar dela.

A esposa expressou sua dor e sofrimento, admitindo ter ficado sem chão e sem rumo. Ficou sozinha com três filhos ainda pequenos. Não há magia capaz de eliminar os sentimentos pela perda do amor de sua vida, do pai de seus filhos, do amigo de todos os momentos. Entretanto, a força da fé e a base da família oferecem o sustento nesse momento.

Muitos amigos se fizeram presentes. O tempo os manterá próximos por um período; depois, cada um seguirá seu caminho. A família, porém, permanecerá sempre, assim como a fé é a fortaleza que nos mantém no caminho da esperança. Esperança em quê? Em não desertar da eternidade que nos espera ao compreender o sentido da vida.

A fortaleza exige vigor, que ela demonstrou na postura ativa diante de tamanha adversidade. Exige firmeza para manter a determinação quando tudo parece desmoronar. Exige coragem para seguir em frente num movimento de autopreservação e responsabilidade com aqueles ao redor.

Por isso, a mensagem recebida ecoa em mim como expressão de fortaleza emocional. Ela concluiu dizendo:

“Muito obrigado! Porque foram atitudes, como as tuas, que sustentam a certeza de que Jesus nascerá todos os dias, pois em cada gesto de amor e generosidade se faz um ano cheio de esperanças!”

Nós é que agradecemos!

Moacir Rauber

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ECOS DA PRESENÇA: A ESPERANÇA!

Fonte: https://avos.org.br/

Ecos da Presença: a esperança!

O meu compromisso era de apresentar algumas ferramentas conversacionais ligadas à Comunicação Não-Violenta e à Inteligência Positiva dando aos voluntários alguns recursos a mais no seu trabalho.  Eles trabalhavam como apoio às crianças com doenças graves e seus familiares, atuando no ambiente hospitalar e na casa de acolhimento que funciona ao lado. Na visita que fizemos ao ambiente, ficamos impressionados com a força emocional das crianças que exibem uma luz inspiradora, ainda que enfrentem uma enfermidade grave. Por outro lado, os pais, muitas vezes, se dobram emocionalmente com reflexos físicos visíveis ante a dor dos filhos e, acredito, a sensação de impotência. É um ambiente em que se vê dor e sofrimento, porém é incontestável a presença do amor e da solidariedade. Os voluntários se esmeram no cuidado daqueles que estão fragilizados. Eles acolhem as pessoas com as suas feridas, porém cada voluntário igualmente tem as suas feridas. Isso ficou claro numa conversa logo após o encerramento da oficina em que uma voluntária se aproximou para compartilhar a sua história:

– Perdi meu filho aos 18 anos. Isso faz trinta e três anos. Agora faz 32 anos que atuo com voluntária…

Ela estava visivelmente emocionada com as lembranças do filho que perdera. A perda não estava no seu controle, mas ela mostrava uma força descomunal na sua postura frente à vida que estava no seu controle. Ela tinha feridas, mas havia escolhido a cura.

Há uma frase de José María Escrivá que diz “Se a dor acompanha o ser humano, o que é senão tolice desperdiçá-la?” era uma prática daquela senhora. Ela havia entendido que a dor e o sofrimento são inerentes ao ser humano e não há como evitá-los, contudo, podemos escolher o que fazer com eles. Da mesma forma, entende-se que todos nós trazemos em nós as feridas de uma vida e que cada um de nós, igualmente, traz dentro de si a capacidade de cura. Trata-se de uma ação deliberada de transformar a dor e o sofrimento em atos de amor. E esta senhora, que compartilhava parte de sua vida comigo, mostrou-me como fazê-lo. Ela escolheu estar presente para aqueles que necessitavam. Ela despertava nos demais o seu poder de cura e isso era uma forma de comunicação não-violenta e de prática da inteligência positiva.

Quando perdeu o seu filho, ela era ainda bastante jovem. Assim, seguiu sua vida profissional, contribuindo na renda familiar e dando uma vida digna para os dois filhos menores. Entretanto, ela fez uma escolha importante: reservou uma tarde de sua agenda para estar junto aos filhos de outras mães que estavam assustadas e com medo. Desse modo, nos trinta e dois anos que se dedicava ao trabalho voluntário, ela comentou que entregava a sua presença, dava a acolhida e companhia, criava confiança e, muitas vezes, escutava em silêncio. E era nesse silêncio que ela mais transformava dor e sofrimento em amor.

Ao final da nossa conversa ela revelou, Sempre que estou aqui junto de mães e pais que estão lutando pela vida de seus filhos, eu posso escutar o meu filho. Fiquei emocionado. A situação confirma que nós ensinamos com aquilo que fazemos e deixamos de fazer, por isso ela me ensina com aquilo que ela faz. E com a sua atividade ela praticava a comunicação não-violenta ao observar sem julgar as famílias com seus filhos enfermos; ela agia empaticamente ao sentir com genuíno interesse pelos acolhidos na casa; ela entendia e atendia as necessidades suas e dos demais com a sua presença; e ela se comunicava sem violência no silêncio da presença ou na fala calma, tranquila e serena que despertava nas pessoas o poder da cura. Assim, ela dominou os seus sabotadores e resgatou a sua sabedoria ao viver uma vida plena.

Enfim, no seu trabalho voluntário ela escutava os ecos da presença do seu filho e despertava nas demais famílias os Ecos da Esperança dos atos de amor.

Moacir Rauber

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Dedicado a AVOS é a Associação de Voluntários de Apoio e Assistência a Criança e aos seus voluntários anônimos e aos seus voluntários anônimos

Inspiração: Maria Helena Krueger – produz Ecos de Esperança!

BEM AVENTURADOS OS MANSOS… TOLERANTES

Bem-aventurados os mansos…

quando eles são tolerantes!

O tempo havia passado e ela havia superado uma série de emoções e sentimentos controversos pelo fim do casamento. A minha amiga havia sentido culpa, mas se havia perdoado. Havia sentido raiva, mas se havia acalmado. Havia sentido tristeza, mas já havia passado. Entretanto, relações pessoais tão íntimas como um casamento produzem sentimentos em outras pessoas que vão além do casal. Existem os filhos, parte importante que não está aparte. Existem os pais de um e de outro que se envolvem de uma forma ou de outra. Existem os irmãos e os amigos que se aproximam por intermédio de um do outro. Um casamento ultrapassa o conceito de um compromisso social, porque ele compromete pessoas com todas as suas relações e sentimentos. Ali estava ela em sua casa com os seus filhos sem o pai que, depois da separação, desapareceu. Um irmão mais novo de seu ex-marido esteve muito presente com os sobrinhos, porém o tema da separação não fazia parte das conversas entre eles. Um dia, contudo, ele falou:

– A separação de vocês fez o meu irmão sofrer muito e a mim também. Fiquei muito magoado…

Ele seguiu com outros comentários, entre eles a acusação implícita de que ela fora a culpada disso tudo. Ela ruborizou-se, porque lhe veio à mente todo o sofrimento passado no tempo da culpa, da raiva e da tristeza, assim como da ausência do ex-marido para os filhos. Entretanto, ela não disse nada, porque conseguiu parar, observar e reconhecer do que e a quem ele se referia. Não era dela que o seu ex-cunhado falava. Foi um momento fundamental que mudou o desfecho daquilo que poderia ter sido o início de um conflito. E o que isso tem a ver com ser manso? Onde está a tolerância nessa história? Como isso pode me ajudar nas relações pessoais e profissionais? “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” não é um convite para ser passivo ou submisso. É um convite para a ação consciente, porque manso é sinônimo de gentil, tranquilo ou sereno, necessitando um alto nível de inteligência emocional. É o desenvolvimento dessa qualidade que permite não reagir numa situação de conflito ou frente a uma acusação num ambiente hostil, mantendo a capacidade de fazer a melhor escolha. Ser gentil, tranquilo e sereno quando tudo está calmo é fácil. O desafio é demonstrar a qualidade da mansidão sob pressão e para isso é preciso ser tolerante ao admitir que alguém se expresse, faça ou interprete algo de forma diferente da sua. Para ser tolerante é fundamental estar tranquilo e sereno, o que o leva a exibir a gentileza natural de quem é manso. “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” prometida, um estado de satisfação e de realização sem que seja necessário conquistar. Para isso é essencial parar, observar e atuar com mansidão para alcançar o “Céu” que é a nossa herança. Não sei quais foram os pensamentos da minha amiga nesse momento, porém ela teve a capacidade de entender que a “bronca” exibida pelo ex-cunhado não era com ela. A dor e o sofrimento eram dele pela sua interpretação da realidade. Para o bem de todos, ela já havia internalizado a mansidão.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” é um convite para aceitar e integrar os acertos e os erros que compõem o que cada um é para evoluir rumo a um mundo de gentileza, tranquilidade e serenidade. A minha amiga conseguiu exibir a mansidão, porque ela havia integrado o seu ser, criando internamente a tranquilidade e a serenidade que a fizeram gentil. A sua família, a sua organização e o mundo são melhores com gentileza. Com a não reação característica dos mansos ela foi conscientemente tolerante, respeitando o outro que cedo ou tarde terá que resolver os seus conflitos internos. Para esse fim, ele terá que aceitar e integrar as suas partes para desenvolver a mansidão. 

Enfim, espero que em 2022 cada um possa parar, observar dentro de si e reconhecer-se como ser Humano e Divino para aceitar e integrar as suas partes com mansidão. Desejo que cada um “herde a sua terra prometida!”

Moacir Rauber

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Bebe surda: https://youtu.be/GY1lA7JqfgM