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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

É só um instante…

– Uma mensagem… Tenho que responder.
Freneticamente pega o seu celular e começa a digitar a mensagem. A filha de oito anos no banco de trás avisa:
– Mãããe, não pode dirigir e atender o celular…
– É só agora, minha filha, preciso responder. É urgente…
Termina a frase com as desculpas implícitas no tom de voz, porque sabia que estava errada. Ela tinha perfeita noção de que era ela que deveria dar o exemplo para uma menina de oito anos e não ela ser alertada pela filha. Porém, o dia estava cheio de tantas coisas por fazer… “Que dia hoje para acordar tarde. Tenho que levar minha filha ao colégio. Vai chegar atrasada e vou me atrasar para a reunião com o meu cliente. Só vou responder essa mensagem e avisar que vou me atrasar…”. Enquanto estava com a mão esquerda no volante e a mão direita com o celular na mão, desviou o olhar por um instante para teclar melhor. Foi nesse momento que ela ouve um grito desesperado da filha:
– Cuidado, mãe!!!
Automaticamente ela pisou no freio, travando os pneus que chiaram com a fricção. Ela pode sentir o movimento brusco no corpo da filha que fora impulsionado para a frente, mas que voltara ao seu lugar porque usava o cinto de segurança. Os olhos agora estavam na rua e ela não quis acreditar quando o carro não parou a tempo de evitar o impacto. Ela apenas sentiu a batida e ouviu os ruídos de um corpo batendo por baixo do carro. Pensava desesperada, Meu Deus, deve ter morrido. Meu Deus, espero que não tenha morrido. O que foi que eu fiz? O desespero era completo. O carro parou. A filha soluçava. Ela encostou a cabeça no volante do veículo e justificava-se mentalmente, “Era só agora, era só um instante…”.

Abriu a porta do carro e saiu. Alguns curiosos já se aproximaram do veículo e também da vítima que estava atrás do carro. Ela foi até ela e viu o desastre feito. “Meu Deus, está morto… O que eu faço agora?” As pessoas a volta também confirmaram que estava morto. Nada mais a fazer a não ser assumir as consequências..
Foi então que ela ouviu um dos presentes falar:
– É apenas um cão de rua. Não faz diferença nenhuma…
Para aquele cão fez diferença.

Para as demais pessoas que cruzam as nossas vidas um instante pode fazer toda a diferença. Muitas vezes nós pensamos, “Só agora, só um instante…” e nos permitimos cometer pequenos delitos. Entretanto devemos lembrar que é num instante que se provoca um acidente e que é num instante que se acaba com uma vida.

E se não fosse um cão de rua?


Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

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