COMPAIXÃO OU COMPADECIDO: DE ONDE NASCE A TUA AÇÃO?

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COMPAIXÃO OU COMPADECIDO: DE ONDE NASCE A TUA AÇÃO?

A vida é dura, difícil e, muitas vezes, injusta. Pode-se concordar ou não, mas acredito que boa parte das pessoas pensam dessa maneira. Pais e mães de hoje desejam oferecer o melhor aos filhos e, por isso, proporcionam todo o conforto, as comodidades e a proteção que estão ao seu alcance.

Quando um pai diz ao filho de dezesseis anos, que se dispõe a ir de bicicleta à escola, por exemplo:

— Não, meu filho, eu te levo!

Trata-se de um gesto compassivo ou compadecido? Depende. Há uma diferença significativa entre as palavras que deve ser considerada. Penso que somente com a consciência dessa diferença a empatia e a compaixão surgem como caminhos para a maturidade emocional, que passa pelo equilíbrio emocional e pela sabedoria e discernimento (Mons. Munilla).

Agir de modo compassivo tem origem em um gesto de empatia autêntica, no qual se percebem as dificuldades e o sofrimento do outro, atuando-se para ajudá-lo sem avançar sobre sua autonomia. Por outro lado, agir de maneira compadecida envolve uma identificação emocional que coloca aquele que quer ajudar no centro do problema, sobrepondo-se ao outro. Assim, a ação compassiva resulta de uma atitude empática, consciente e respeitosa, enquanto a ação compadecida nasce da emoção da pena e da identificação com a dor alheia, muitas vezes a partir de uma experiência pessoal. Para marcar a diferença entre compassivo e compadecido, é preciso perguntar: qual é a origem da ação?

Percebo que, hoje, muitos pais agem de forma compadecida porque se identificam com a possível dor do filho, dor que nasce de uma ferida própria. Talvez os adultos que hoje têm filhos adolescentes tenham tido pais que, para os padrões atuais, foram demasiadamente duros. Possivelmente, quando crianças, tiveram de ir a pé ou sozinhos à escola, trazendo lembranças que evocam insegurança. Assim, diante da possibilidade de que o próprio filho possa sentir-se inseguro, fazem por ele aquilo que sentem que não fizeram por si. Surge, então, uma emoção intensa ligada à dó, à pena e à tristeza, levando-os a ações impulsivas, paternalistas e excessivamente protetoras. Esses pais não se perguntam se é positivo ou não para o filho ir de bicicleta à escola; agem movidos pela incapacidade de ver o outro sofrer por causa da própria dor vivida. Comportam-se, portanto, de modo a salvar, proteger e resolver pelos filhos, podando-os.

Por outro lado, os pais que agem por compaixão partem da percepção da dor ou do sofrimento do outro sem perder de vista o próprio equilíbrio emocional, mantendo o respeito, a autonomia e a dignidade de ambos. A compaixão, unida à empatia autêntica, não coloca quem ajuda em um lugar superior, pois preserva a capacidade de avaliar ações adequadas, ponderadas e úteis. Sobretudo, agir por compaixão nasce da real preocupação com o outro, e não do desejo de aliviar uma angústia pessoal. A compaixão empática coloca o outro no centro.

Enfim, qual é o problema em um pai oferecer-se para levar o filho à escola? A princípio, nenhum. Entretanto, é preciso refletir sobre as razões e as consequências dessa oferta. A oferta é por mim ou por ele? Responder autenticamente a essa pergunta revela a motivação. Em seguida, outra questão se torna essencial: o que a minha oferta produz? Esse ponto é crucial, pois ações compadecidas, ainda que aliviem uma dor inicial, tendem a gerar dependência, fragilidade, tristeza, melancolia e depressão, ao transmitir ao outro a mensagem de que ele não é capaz. Uma ação compassiva, ao contrário, tem clareza, presença, respeito, limites e equilíbrio — e eleva o outro.

De onde nasce a tua ação e o que ela produz?

Moacir Rauber

Instagram: @mjrauber

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E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla

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