“A meditação te oferece tudo. Mas nunca a defina como positiva, sempre a defina como o nada, indiferente. Assim, a meditação tem duas partes: a parte criativa como positiva, a parte expressiva como negativa ”.
Quais são as suas crenças?
As suas crenças são limitantes ou impulsionantes?
É importante saber que as nossas diferentes experiências estão carregadas de elementos emocionais vividos com pessoas que nos são ou foram importantes e que formam o nosso sistema de crenças, limitantes ou impulsionantes. E é esse sistema de crenças que orienta os nossos pensamentos e, consequentemente, a nossas ações e reações frente aos dilemas da vida. A tomada de consciência de forma aprofundada do nosso sistema de crenças vai permitir avaliar em que momento se pode estar distorcendo a realidade, generalizando problemas e/ou transformando opiniões em fatos. Isso porque são as nossas crenças as responsáveis por influenciar cada aspecto da vida, porque são elas que determinam quem cada um é.
Por um lado, as crenças limitantes surgem a partir de nossas percepções desenvolvidas por um conjunto de experiências ocorridas desde a infância e que foram internalizadas como verdades. Provavelmente, cada um tem na sua memória profunda registros de orientações, de marcas e de rótulos recebidos que continuam a gerar efeitos nas decisões do presente. Muitos trazem dentro de si crenças de que “isso não é pra mim”, “não sou merecedor disso” ou mesmo um rótulo dado por algum adulto inadvertido que o taxou como não inteligente, pouco arrojado, medroso, entre tantos outros adjetivos que diminuem a pessoa. São todas crenças limitantes que muitos de nós trazem consigo, transformando-se em elementos de autossabotagem frente as decisões no ambiente pessoal e profissional.
Por outro lado, cada um de nós também carrega consigo muitas orientações, marcas e rótulos positivos e nas quais também acredita. Assim, muitos trazem consigo o carinho e a força de um apoio recebido de um amigo mais velho, de um professor ou dos pais, por meio de expressões como “Vai lá, você pode”, “Você sempre faz bem as coisas que faz” ou outras frases de incentivo ouvidas que ressaltam a capacidade, a inteligência, a dedicação, entre outros adjetivos positivos e que o impulsionam ainda hoje. São todas crenças impulsionantes que servem de elementos catalizadores para nos impulsionar na direção escolhida.
As crenças limitantes e as crenças impulsionantes coexistem. Por isso, cabe a cada um de nós analisá-las de forma profunda, sincera e autêntica para escolher aquelas que se ajustam com o caminho que se pretende seguir. A tomada de consciência do universo que cada um traz consigo e que vive dentro de si mesmo permitirá que se trace e se trilhe o caminho escolhido.
Portanto, torna-se importante saber quais são as suas crenças limitantes e impulsionantes. Ter essa clareza permitirá saber como elas afetam as suas emoções, sentimentos e estados de ânimo, contribuindo para que se diferencie o real do imaginário e liberando-o para caminhar na direção escolhida. A questão que se coloca aqui é: quais as crenças que o conduzem atualmente? A tomada de consciência das próprias crenças permitirá minimizar as limitantes e potencializar as impulsionantes na busca pela plenitude da vida. Não sei você, mas eu acredito! Eis o desafio.

Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
É bom ser aquilo que se é!

Crédito da imagem: Rastro Selvagem
Você é positivo ou negativo?
Os defensores da filosofia do pensamento positivo são basicamente negativos. Para ocultar a negatividade eles acreditam firmemente na positividade.
“Eu não sou defensor de nenhum dos lados. Eu sou a favor de ver a verdade como um todo e é isso que eu gostaria que vocês também fizessem: vejam o todo, porque o negativo é tão essencial quanto a positivo.
Você não pode criar eletricidade apenas com o polo positivo; você vai precisar do polo negativo também. Somente com ambos os polos você pode produzir eletricidade. Assim, é o negativo completamente negativo? Ele é complementar. Desse modo, o negativo não é contrário ao positivo.”
Osho, From Ignorance to Innocence, Talk #29

Um pouco de humildade nas pretensões da ciência…
Fiquei feliz ao ler o título da matéria “Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras”, porque indica que aqui os cientistas descobriram a diferença entre descoberta e constatação ou comprovação científica. Como já escrevi no artigo “As descobertas da Psicologia Positiva e da Neurociência?” tenho ressalvas sobre aquilo que é anunciado como descoberta científica na área comportamental. Falar que a meditação para melhorar a qualidade de vida das pessoas é uma descoberta da neurociência é um disparate. Anunciar a descoberta da inteligência espiritual é no mínimo falta de bom senso perante uma história humana construída em bases espirituais. Certamente que muitas práticas espirituais desencadearam processos de estreitamento da espiritualidade, mas isso não quer dizer que as pessoas comuns deixaram de entender a espiritualidade como uma realidade. Nunca se precisou da ciência para saber que a meditação é um processo que melhora a qualidade de vida ou que a espiritualidade é algo real para as pessoas. Quem se afastou da espiritualidade foram os cientistas! E as manchetes sobre as descobertas da neurociência também se transformam em técnicas que pelos títulos seriam algo novo. A matéria “4 técnicas da neurociência para acelerar o seu aprendizado”, publicada no dia 22-02-18, atesta a tendência da neurociência de assumir para si e anunciar como descobertas práticas milenares. A primeira técnica apresentada é a necessidade de se atrelar emoções positivas ao fato de estudar. Isso é novo? Logicamente não. Em culturas ancestrais, muito mais do que emoções, as pessoas só faziam atividades que tinham sentido. A segunda técnica alerta para que as pessoas não exercitem apenas o cérebro, mas também o corpo. Onde está a novidade? As atividades física e mental sempre foram complementares na grande maioria das civilizações e essa dissociação ocorreu no nosso tempo em que automatizamos quase tudo que exige esforço físico. A terceira técnica versa sobre a importância de que cada um descubra o seu estilo de aprender. Mais uma vez, qual é a descoberta se nos povos em outros tempos as pessoas aprendiam ao fazer aquilo que fazia sentido? Por fim, a quarta técnica destaca que é preciso eliminar os ralos de atenção, sugerindo a aprendizagem da atenção plena para obter melhores resultados. Novidade? De maneira nenhuma. Ao se olhar para trás na história, as pessoas tinham como respeito aos tutores, mentores e seu semelhante o fato de estar com a mente onde se está com o corpo. Por isso, as pretensas descobertas estão muito mais para uma redescoberta ou um reencontro com caminhos que já havíamos percorrido em outros momentos da trajetória humana no planeta.
No meu ponto de vista, a ciência e, principalmente, a neurociência tem descoberto ferramentas, muitas de cunho tecnológico, para comprovar fenômenos há tempos aceitos pelo ser humano comum. Entendo, também, que em muitas áreas a ciência tem exercido o papel de validadora do conhecimento humano com um trabalho não menos importante, muitas vezes, separando o charlatanismo de práticas verdadeiras. No início do texto destaco que se apresenta a possibilidade de comprovação de que as pessoas absorvam energia umas das outras, sendo um desses casos em que a ciência poderá exercer o seu papel de validadora de um conhecimento já existente e aceito por um enorme contingente de pessoas. Porém, medir o fenômeno não muda o fenômeno. A realidade daqueles que nunca duvidaram ou que sempre viveram de maneira a considerar o fenômeno continuará da mesma forma. Trata-se apenas da comprovação de maneira visual de um fenômeno até então não perceptível pelos cinco sentidos humanos para atender aos céticos vindos da ciência.
Enfim, para mim a ciência ou a neurociência pode servir para invalidar certas crenças ou para atestar a ignorância de muitas pessoas comuns. Entretanto, defendo que a ciência e a neurociência deveriam ter a capacidade de investigar com humildade para reconhecer todo o conhecimento humano acumulado na sua trajetória no planeta, sem a pretensão de ser a dona da verdade.

Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
Ninguém viu nem ouviu…
O namorado brigou com a namorada. Ela entrou no quarto e chorou. Ninguém viu nem ouviu.
Será que ela chorou?
https://osegredo.com.br/voce-sabia-que-chorar-faz-bem-para-saude
Falar não é o mesmo que viver
Nunca vi tantas pessoas falando de amor, de gratidão, de paz, de autenticidade e de empatia como nos dias de hoje, mas quase não vejo os seus reflexos no dia a dia. Fala-se dos conceitos. Porém, falar de um conceito não é o mesmo do que viver o conceito.
Falar de Amor não é o mesmo do que viver amorosamente.
Falar de Gratidão não é o mesmo do que viver gratamente.
Falar de Paz não é o mesmo do que viver pacificamente.
Falar de Autenticidade não é o mesmo do que viver autenticamente.
Falar de empatia não é o mesmo do que viver empaticamente.
Viver o conceito é a escolha que trará reflexos no dia a dia. Depende de cada um!
Ainda não aprendi. É uma luta diária…
Fonte da imagem: https://paizinhovirgula.com/amor-incondicional/
Deus não mata, mas castiga…
Hoje foi um daqueles dias estranhos. Saí pela manhã para deixar o carro para lavar e aproveitei para ir ao correio. Na rua encontrei um amigo que estava acompanhado de um amigo dele. Logo fui apresentado ao amigo do meu amigo:
– Olha, este é o Fulano, somos amigos desde a infância. Fizemos muitas festas juntos!
O amigo do meu amigo, vestindo um terno preto e uma pasta executiva nas mãos, estendeu-me a mão e disse:
– É, mas é passado… Aquele homem não existe mais. Foi parte do caminho para chegar até o Senhor Deus…
O meu amigo o interrompeu dizendo:
– Sim, hoje ele faz parte da igreja TAL (citou o nome de uma igreja que eu nunca ouvira falar).
Após ouvir o nome da sua igreja o amigo do meu amigo se sentiu à vontade para fazer o seu trabalho de evangelização. Embora a questão de permissão não seja nenhum empecilho para muitos dos novos convertidos, porque a grande maioria não está nenhum um pouco preocupada em ter licença ou anuência para falar. Muitos querem salvar o mundo obrigando os outros a aceitarem a sua verdade sem deixar espaço para as diferenças.
Ele continuava a sua pregação. A situação ficou um pouco embaraçosa e o meu amigo puxou outro assunto. Mas não foi o suficiente, porque em seguida o amigo do meu amigo interrompeu a conversa:
– Você usa cadeira… Qual é o seu problema?
A forma como fez a pergunta era quase uma acusação, pois parecia que me dizia que eu estava na cadeira por merecimento. Olhei-o nos olhos, antes de dizer, calmamente, que eu não tinha nenhum problema e que o uso da cadeira de rodas se deu em função de um acidente de trânsito. Foi então que veio a expressão mais assustadora que já ouvi:
– É, Deus não mata, mas castiga!
Fiquei paralisado. Não me refiro a paralisia física, mas sim ao que se passou na minha mente. O espanto e a incredulidade pela estupidez da fala foram tamanhas que não soube o que fazer. O nada absoluto tomou conta de mim. Talvez eu tenha pensado algo como, “Não, eu não estou ouvindo isso…”. Como cadeirante há mais de trinta anos já ouvi muitos comentários infelizes, porém nunca, nunca mesmo alguém me havia dito que o fato de estar numa cadeira de rodas fora um castigo divino. Quando retomei a consciência apenas me despedi e fui embora.
Fiquei confuso e atordoado por horas. Fui rodando com a minha cadeira de rodas pelas calçadas malconservadas da cidade. Desviava de um buraco e de outro num zigue zague maluco a que os cadeirantes estão obrigados quando querem circular pela maioria das cidades brasileiras. Cadeirantes não, segundo aquele sujeito, os amaldiçoados! Nada, absolutamente nada contra as pessoas terem a sua religião e as suas convicções, assim como o fato de ser uma religião mais antiga ou mais nova não faz a mínima diferença. Entendo que nem sempre o antigo nos garante que seja verdadeiro, assim como o novo não nos assegura que seja uma evolução. Espanta-me o fato de que apesar de toda a sua professada fé muitas pessoas não conseguem entender o verdadeiro milagre presente na benção da vida, ainda que se tenha limitações físicas ou intelectuais. O milagre da vida não se revela pelo fato de caminhar, de correr ou de falar bem. O milagre da vida se manifesta em saber viver bem com aquilo que se tem e com a satisfação das próprias conquistas.
Também fico assustado como o totalitarismo pode se expressar por meio de pensamentos tão tacanhos revestidos de mensagens divinas. Pensamentos em que não se reconhece a liberdade de que outros pensem e ajam de forma diferente. No mundo ideal do amigo do meu amigo todos deveriam seguir a sua lei, pois somente no dia em que todos pensarem de forma exatamente igual e seguirem a sua cartilha é que o mundo estará a salvo. Pergunto-me: a salvo de quem? Da diversidade? Das diferenças?

Imagem: Rastro Selvagem
Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
Do que você faz parte?

Como você AFETA o mundo?

O DOUTORADO FOI CONCLUÍDO!
A trajetória teve a parte das disciplinas em comum com outros amigos. Depois veio a tese que é um trabalho solitário. A tese teve começo, meio e fim com prazos cumpridos e metas alcançadas. Mas nada se faz sozinho. A Maria Alice esteve presente como amiga e conselheira em todas as fases. Sem ela não teria sido possível, porque ela é uma pessoa que se ocupa de outras pessoas. Tive o privilégio de que ela se ocupasse também de mim.
Maria Alice AFETA com AFETO, por isso o mundo é melhor com a sua presença!
Muito obrigado!!!