Você é grato pelo que tem? E o mundo pode ser grato porque você existe?

É importante que cada um seja grato por tudo aquilo que tem. E realmente, quando olhamos e analisamos aquilo que temos, muitos de nós, podemos ter a certeza de que temos mais do que precisamos para sermos felizes. Porém, quero adicionar uma pitada de provocação na prática da gratidão: se cada um de nós, que tem tanto a agradecer por estar aqui, se perguntasse, o que o mundo tem a agradecer pela minha presença nele?

Fonte da imagem: http://blog.sougenius.com.br/a-forca-da-gratidao/

Você quer ter razão ou ser feliz?

Mais um final de semana. Muitas discussões sobre futebol e política que quase sempre levam a lugar nenhum. Lá estávamos nós, um grupo de amigos, com muitos pontos de vista em comum, mas com alguns divergentes. A situação política do país entrou na conversa. As opiniões antagônicas se manifestaram. A visão de justiça de um era muito diferente da de outro. A ideia sobre quem deveria ser responsabilizado pela atual situação não coincidia. Tudo isso é culpa do legislativo, dizia um. Não, não, não. É evidente que a responsabilidade maior é do judiciário, enquanto uma terceira posição atribuía a maior parte da responsabilidade pela atual conjuntura política de um estado quase falido como o brasileiro ao poder executivo. A discussão se acalorava. Aquele que falava buscava convencer o outro sobre a razão existente no seu ponto de vista. Do outro lado ninguém escutava. Os discordantes apenas lhe davam o tempo necessário para expressar a sua opinião, embora estivessem simplesmente esperando a própria vez para expor o próprio argumento. Cada um acreditava ser o dono da razão. Não havia reflexão sobre aquilo que os outros falavam. O silêncio durava o tempo necessário para rebater os argumentos num exercício de reação ao que fora exposto pelo outro. Reafirmavam-se as próprias crenças. Repudiavam-se as outras opiniões. Ninguém ali estava disposto a mudar absolutamente nada na forma como pensava ou como via o mundo. Naquele momento, sobre política, cada um queria ter razão.

Sempre dizem que quando duas pessoas se encontram e cada um apresenta uma ideia diferente, na saída, ambos saem com duas ideias. Saem melhores do que chegaram. Entretanto, para que isso aconteça, é necessário que aqueles que se encontram considerem a possibilidade de que uma ideia diferente da sua possa ser verdadeira. É preciso ter a humildade de reconhecer de que se há a possibilidade de que alguém pense diferente de você, também existe a possibilidade de que esse alguém esteja certo. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser que você esteja certo. Se ambos estiverem com a mente aberta e flexível é bem provável que ambos estejam certos. E talvez esse seja o caminho mais rápido para se encontrar as soluções para os problemas contemporâneos. Não se trata de ser volúvel, mas sim de ser flexível.

Portanto, é interessante que cada um possa pensar nas diferentes situações sob perspectivas diversas, buscando encontrar pontos de convergência na divergência de posições. Mais ainda. É importante que cada um tenha a flexibilidade necessária para mudar e aprimorar uma ideia a partir da contribuição do outro. Por isso, ter razão cada um sempre tem, a partir de sua própria razão. Para ser feliz, porém, é preciso respeitar a razão de quem diverge de você.

Você quer sempre ter razão ou ser feliz também é importante para você?

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

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Você é flexível?

Para ser flexível mentalmente é importante ter a humildade de reconhecer de que se há a possibilidade de que alguém pense diferente de você, também existe a possibilidade de que esse alguém esteja certo. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser que você esteja certo. É bem provável que ambos estejam certos. E talvez esse seja o caminho mais rápido para se encontrar as soluções para os problemas contemporâneos.

Não se trata de ser volúvel, mas de ser flexível.

Que Brasil você quer para o futuro 2?

Em qualquer organização privada, microempresas, grandes corporações ou nas relações de trabalho doméstico, quando uma pessoa é flagrada desviando recursos, roubando, desperdiçando tempo ou não exibindo as competências para a qual foi contratada, ela é demitida por justa causa. Além disso, as portas da organização de onde ela foi desligada estarão, quase sempre, para sempre fechadas. Por outro lado, o que me causa espanto no Brasil do setor público é que aqueles que são flagrados desviando recursos, roubando, desperdiçando tempo e não fazendo aquilo para o qual foram contratados, muitas vezes, são premiados. Incrível! Sim, podem ser políticos ou servidores públicos do executivo, legislativo ou judiciário municipal, estadual ou federal, dificilmente eles são desligados ou terão as portas do setor público fechadas para eles. Que Brasil que eu quero para o futuro? Um Brasil em que cada um seja responsabilizado pelos seus atos, independentemente de pertencer ao setor público ou privado.

No Brasil, ser aprovado num concurso público é a garantia de uma aposentadoria integral e rápida. Há alguns anos assisti a uma palestra do Fernando Dolabela, autoridade em empreendedorismo. Ele comentou que um país em que o sonho de boa parte dos estudantes é concluir uma graduação, fazer um concurso público para se aposentar aos 22 anos, tem problemas sérios. O comentário mordaz de Dolabela se refere a intenção das pessoas, porque muitas delas não fazem o concurso público para contribuir efetivamente para melhorar a sociedade, mas para garantir a aposentadoria. E essa garantia vem da quase impossibilidade de que alguém seja demitido do serviço público depois de ter sido efetivado. Se for incompetente? Realoca-se para não atrapalhar. Se for flagrado em atos ilícitos? Leva uma reprimenda e a vida segue. E o prejuízo causado? Fica por conta dos contribuintes. Lá no final, a incompetência e o desvio de caráter são premiados com a aposentadoria. E essa prática permeia todas as esferas do serviço público. Logicamente que a grande maioria dos funcionários públicos são pessoas honestas e vestem a camisa do órgão ao qual pertencem, entretanto, eu quero um Brasil no futuro em que todas as pessoas sejam responsabilizadas pelos seus atos.

Ser político no Brasil é um convite para a premiação por serviços não prestados. Os salários de um político são um escracho diante de média salarial brasileira. Os benefícios agregados, como auxílio moradia, verba de gabinete, carro, combustível, telefone, planos de saúde vitalícios, entre outros, beiram o insulto à inteligência da maioria. Somente beiram o insulto, porque nós continuamos pagando por algo que eles, os políticos, não devolvem para a sociedade. Além disso, sempre que algum político é flagrado em casos claros e evidentes de corrupção e mau uso dos recursos públicos, ele ganha mais espaço na imprensa e, quase sempre, é premiado com a reeleição. Aqui, particularmente, entendo que existam alguns poucos políticos que tenham boas intenções, ainda que nem sempre acompanhadas das ações.

Enfim, que Brasil que eu quero para o futuro? Um Brasil em que os servidores públicos o sejam por vocação e dedicação à população, lembrando-se sempre de quem é que os financia. Além disso, que todos sejam responsabilizados pelas condutas inapropriadas e premiados tão somente pela boa conduta. Que Brasil que eu quero para o futuro? Um Brasil em que os políticos que tenham condenação na justiça por corrupção, desvio de recursos ou outro motivo relacionado a má conduta, devolvam ao erário público o prejuízo que causaram e que não sejam premiados com uma nova eleição. Por isso, quero um Brasil em que aqueles que tiveram a oportunidade de servir à população e se desviaram da conduta que deles se esperava sejam banidos de qualquer atividade que envolva o setor público. Prêmios? Sim, prêmios para cada servidor público que o fizer por merecer!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

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Que Brasil você quer para o futuro 1?

A Rede Globo tem, insistentemente, apelado para os seus telespectadores que expressem num vídeo de 15 segundos o seu desejo para o Brasil que querem no futuro. Nas redes sociais muitas pessoas criticam a iniciativa. No meu ponto de vista, acredito ser importante a reflexão que a campanha está provocando, principalmente nas críticas daqueles que fazem um vídeo e também daqueles que não fazem. Estou entre aqueles que não farão o vídeo, mas também estou entre aqueles que refletem sobre a pergunta: que Brasil eu quero para o futuro? Para mim, a resposta é simples:

Quero um Brasil em que o Estado exista para servir as pessoas e não que as pessoas existam apenas para servir o Estado.

O simples da resposta não quer dizer que ela seja simplista e nem que seja de fácil execução. Um primeiro desafio seria que cada brasileiro em idade ativa pudesse carregar o peso de sua própria existência, além de produzir um excedente para com isso ajudar a carregar o peso de alguém que talvez já não consiga mais carregar a si mesmo. É simples? É. É fácil? Não. Quando falamos da iniciativa privada essa é uma necessidade de sobrevivência de cada organização. Caso não seja assim ela desaparece. A pessoa permanece na organização enquanto a presença dela se justifica pelos resultados que ela gera. Ela precisa produzir mais do que custa. Pode parecer uma visão utilitarista, mas não é. Somente com o excedente daqueles que estão bem é que se pode manter aqueles que precisam de ajuda. Entretanto, quando entramos na esfera das pessoas que trabalham para o Estado (união, estados e municípios) a realidade muda. Não há a preocupação de que a pessoa que ocupa uma função de servidor público realmente entregue mais para a sociedade do que aquilo que ela custa para a sociedade. São incontáveis as situações em que as pessoas que ocupam funções públicas no executivo, legislativo e judiciário em âmbito municipal, estadual ou federal, simplesmente se preocupam em usufruir das vantagens da função. Muitas vezes, legislam em causa própria. Criam diárias, auxílios, luxos e bizarrices que custam fortunas sem que isso represente um mínimo de retorno para a sociedade que os financia. Por que um servidor com salário superior a R$ 30.000,00 precisa de auxílio moradia? Por que um deputado precisa ter um carro disponível pago pelo contribuinte? Não há sentido, porque nada disso dá retorno a quem os paga, a sociedade. Esses servidores públicos, antes de pensar em aumentar os seus próprios salários e benefícios, deveriam se perguntar: os benefícios do meu trabalho é igual ou superior àquilo que eu custo para a sociedade? Por exemplo, o trabalho de um deputado que custa mais de R$ 100.000,00 por mês proporciona isso de benefícios para a sociedade? Um juiz que custa mais de R$ 50.000,00? Um funcionário que custa mais de R$ 40.000,00? Não apenas cada servidor público deveria se questionar sobre isso, mas principalmente os cidadãos que pagam a conta.

É óbvio que uma sociedade que se organiza em torno de um município, de um estado e de um país precisa de servidores públicos. Também concordo que os servidores públicos devam ser remunerados de forma justa e que tenham boas condições de trabalho. Porém, isso deve ser de acordo com aquilo que a sociedade pode oferecer e, principalmente, em conformidade com aquilo que eles podem dar de retorno para a sociedade. Por isso, eu quero um Brasil no futuro em que os servidores públicos sirvam o público, os cidadãos, e não o contrário. Isso porque se os servidores públicos não servem os cidadãos, não devem estar no Estado, uma vez que só existe Estado porque existem os cidadãos. Um cidadão, uma pessoa existe sem um Estado, país. Um Estado não existe sem pessoas. Se o Estado não serve para servir as pessoas eu quero ser uma pessoa sem Estado.

Moacir Rauber

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Que Brasil você quer para o futuro?

Que Brasil eu quero para o futuro?

Um Brasil em que cada brasileiro em idade ativa tenha orgulho de carregar o peso de sua própria existência e, mais ainda, de produzir um excedente para ajudar a carregar o peso de alguém que talvez já não consiga mais carregar a si mesmo.

É simples? É.

É fácil? Não.

É possível? Sim.

Passa pela responsabilidade de cada um.

Somos únicos. Somos múltiplos.