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SEM EXAGERAR…

Imagem produzida COPILOT IA + selo do autor informanod que é um texto humano!

SEM EXAGERAR…

O pedido do cliente era por algo que marcasse a diferença, pois representaria uma nova etapa para a empresa. A equipe de marketing havia desenvolvido um projeto, porém o gerente considerou que ele estava aquém daquilo que poderiam produzir. Na reunião, comentou que imaginava um projeto mais ambicioso e com custo mais baixo. Um dos presentes respondeu:

— Acho que não devemos exagerar, porque podemos parecer desesperados. Creio que podemos ser mais prudentes.

Alguns assentiram; outros ficaram em alerta.

O que seria prudência nesse comentário? E a que se refere o gerente ao falar sobre um “projeto mais ambicioso”?

É possível destacar que prudência nem sempre é virtude, assim como ambição nem sempre é defeito.

Prudência pode significar equilíbrio e moderação, mas também pode se disfarçar de indiferença e desinteresse. Ambição pode remeter à cobiça e à cupidez, mas também pode expressar desejo e vontade. Em certos momentos, é importante deixar de lado o equilíbrio e a moderação para revelar toda a força do desejo e da iniciativa.

Aristóteles acreditava que a virtude está na justa medida entre os extremos, representada pelo equilíbrio e pela moderação — sinônimos de prudência. Por outro lado, Santo Agostinho defendia que moderação e equilíbrio não são critérios morais em si, pois podem servir ao erro e ao mal. Se conduzem à privação do bem, não são prudência, não são virtude; podem ser indiferença e desinteresse. Para que a prudência seja virtude, deve representar adesão ao que é bom e correto.

A virtude não depende da intensidade, já que o aparente equilíbrio pode sustentar algo que não é bom, certo ou prudente. Da mesma forma, a ambição não é necessariamente um mal, pois pode estar associada à aspiração, ao desejo e à vontade de produzir o bem.

Assim, para ser virtude, a prudência deve envolver a capacidade de ver adiante, agir preventivamente e não se limitar à comodidade ou ao hábito de entregar menos do que é possível. Para a filosofia grega, trata-se de sabedoria, que conduz ao discernimento entre o correto e o incorreto. Nesse ponto, converge com a tradição moral cristã, na qual a prudência é uma das virtudes cardinais, entendida como a capacidade de distinguir entre o certo e o errado, o adequado e o inadequado, o prudente e o inconsequente.

Por outro lado, a ambição é associada ao defeito e erro quando se manifesta como cobiça e cupidez, impedindo o discernimento necessário para produzir algo bom e elevado. Mas ela pode ser virtude quando expressa o desejo e a vontade de fazer a diferença positivamente, deixando de lado a moderação e aproveitando todas as capacidades individuais e coletivas presentes no ânimo e na iniciativa.

Por fim, ao convidar a equipe a atuar “sem exagerar”, sob o pretexto de prudência, talvez se manifeste a voz do ladrão interior que nos aproxima da comodidade e da mediocridade da zona de conforto, onde o desejo e a vontade se subordinam à preguiça, ao desânimo e à apatia. O gerente, ao desafiar a equipe, propôs um movimento ambicioso no sentido de que poderiam entregar mais, desenvolvendo um serviço a partir das capacidades presentes no desejo e na vontade dos indivíduos, expressando-se por meio do ânimo e da iniciativa, resultando em um trabalho de equipe sublime.

Enfim, prudência nem sempre é virtude, assim como ambição nem sempre é defeito. Tanto prudência quanto ambição podem conduzir à mediocridade ou ao sublime. Para o bem ou para o mal, tudo depende da intenção da ação. Por vezes, faz bem “exagerar”.

Qual é a tua intenção? Qual será a tua ação?

“Convenci‑me de que, para ser bom, é preciso ser bom demais.”

(São Vicente de Paulo)

Moacir Rauber

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Até que de repente…

Até que de repente…

De repente, do nada, fica-se sabendo que um amigo se sagra campeão olímpico, que outro conseguiu um emprego sensacional e um terceiro tem uma empresa de sucesso. A maioria das pessoas se espanta. Muitas delas pensam e falam:

– Mas que sujeito de sorte. Nasceu com aquilo virado pra lua mesmo!!!

Entretanto, quase nunca as pessoas se lembram que o “de repente” foi construído gradativamente. Como se conquista uma medalha olímpica? Qual o caminho para o trabalho sonhado? O que fazer para construir uma empresa de sucesso?

Aprofundando-se um pouco na história da conquista de uma medalha olímpica, por exemplo, pode-se entender que o “de repente” pode ser dividido em anos de treinamento e dedicação. Esses anos são divididos em meses, em semanas, em dias e em sessões com horas intermináveis de repetições dos mesmos exercícios. O “de repente” que os outros veem não passa de uma rotina diária que leva a pequenos ganhos gradativos. São exercícios para ganho muscular, força e resistência. São outros exercícios para melhorar a técnica. São os estudos para acompanhar a reação do próprio organismo frente aos diferentes tipos de treinos. São as análises para a acertar a regulagem dos equipamentos, em esportes como o remo que usam barcos. É a busca constante de informações sobre novas técnicas e os índices dos outros atletas. Essa rotina somente é sabida por quem se dispõe a percorrê-la. E isso se aplica àquele que conquistou o emprego sensacional e àquele que viabilizou a sua empresa. Podemos falar das competências socioemocionais que são as responsáveis pela excelência das competências técnicas. O atleta precisou de muita resiliência, confiança e determinação para manter o foco naquilo que queria enquanto os seus amigos estavam na mesa de um bar. A pessoa que conquistou o emprego sonhado precisou de muita aprendizagem, flexibilidade mental e espírito de equipe para alcançar a vaga sonhada, enquanto os demais estavam vendo suas séries preferidas. O amigo que “de repente” era um empresário de sucesso desenvolveu muito domínio próprio, competitividade e autonomia para que a empresa pudesse se manter no mercado, enquanto muitos jogavam a culpa nos demais pelos próprios problemas. São todas competências socioemocionais que validam as competências técnicas para ser um exímio atleta, um excelente colaborador e um notável empresário. Nada aconteceu “de repente”. São todos eles exemplos de superação de pessoas que souberam fazer as escolhas. Certamente eles precisaram de ambição e se perguntaram: o que eu quero? Tiveram que exibir energia e se indagaram: quanto vale para mim o que eu quero? Aprofundaram-se no autoconhecimento para descobrir: quem sou eu? As minhas escolhas vão me levar para onde quero ir? Por isso, são poucas as coisas que acontecem “de repente” na vida. Quase tudo acontece gradativamente até que de repente se está diante de uma conquista.

Enfim, sempre que se vê alguém em uma posição de destaque na sua área, antes de acreditar que o sujeito é um cara de sorte, lembre-se: há uma história, um caminho e muito esforço resultado de escolhas individuais que levou a que essas pessoas superassem as dificuldades e alcançassem os seus objetivos. Porém, entenda-se que a superação não é algo extraordinário. A superação é a capacidade de realizar atividades ordinárias que produzem resultados extraordinário “de repente”.

O que aconteceu “de repente” na sua vida?

Moacir Rauber

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