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AMANHÃ EU FAÇO…

Imagem produzida COPILOT – Texto Humano

AMANHÃ EU FAÇO…

A palestra sobre o impacto da atividade física na saúde havia sido inspiradora. Por isso, a decisão de retomar as atividades físicas estava tomada. Ele chegou em casa e organizou o espaço. Tinha disponíveis os halteres para fazer musculação, uma bicicleta ergométrica para pedalar e uma corda para os saltos. Tudo pronto e arrumado. Olhou ao redor e pensou:

— Hoje é sexta-feira. Na segunda eu começo…

Assim, seguimos deixando para amanhã o que poderíamos fazer hoje, sabendo que o amanhã não existe. Amanhã será hoje, e deixaremos mais uma vez para amanhã o que não fizemos ontem nem hoje. Eis o princípio da procrastinação, que nos leva a deixar de viver a eternidade de que dispomos no presente.

Procrastinação: o que é? A palavra tem origem em procrastinatio, que significa “deixar para amanhã”. Pro quer dizer “à frente”, e crastinatio tem o sentido de “delongar” ou “adiar”. Assim, ficamos delongando, adiando e deixando para amanhã a vida que acontece hoje. Enfim, tomar uma decisão sem executá-la é o mesmo que não fazer nada. A procrastinação segue o mesmo princípio da desculpa que nos damos ao dizer “vou tentar”.

Na última semana, estive em um evento e convidei um dos presentes para realizar uma atividade no palco. Entreguei-lhe um livro e pedi que, mostrando para a plateia, ele tentasse abrir o livro. Ele prontamente se virou para o público e abriu o livro. Pedi novamente: “Mostrando para todos, quero que você tente abrir o livro.” Outra vez ele mostrou o livro para os presentes e o abriu. Nesse momento, todos entenderam que tentar não é fazer — assim como tomar a decisão de começar uma atividade amanhã não significa nada se, quando o amanhã for hoje, você não fizer.

Ao juntar a procrastinação com a desculpa de que “vou tentar”, entramos num ciclo de postergar ações que somente podemos realizar agora, neste momento. Não há amanhã. Quais atividades você está deixando para amanhã?

Ao autoanalisar diferentes âmbitos da vida, vejo que sou muito bom em procrastinar ao postergar atividades da rotina doméstica, de projetos profissionais e de estudos.

Ao pensar na minha rotina doméstica, costumo deixar para amanhã um tênis que deveria lavar hoje; deixo para depois arrumar a torneira que está perdendo água agora; e adio indefinidamente a necessidade de anotar os gastos da casa para controlar as contas.

Ao refletir sobre os projetos profissionais, tenho sido um procrastinador eficiente. Segue na gaveta o livro que queria ter concluído no ano passado; nada se moveu na pretensão de explorar mais intensamente o mercado de treinamentos; e ainda não fiz a integração entre página, blog e redes sociais, pensada há tanto tempo.

Ao avançar para a necessidade de desenvolvimento pessoal, com a convicção de me manter em constante aprendizado, vejo que a minha intenção de me graduar em teologia não avançou; o projeto de pós-doutorado sobre “Não-Exclusão” segue arquivado; e está por terminar o ano e não dediquei uma semana ao retiro de silêncio, como prometido no início do ano.

Desse modo, vejo que o “amanhã”, como uma tentação de postergar o dia de graça que é hoje, está presente nas diferentes esferas da minha vida. Lope de Vega fala da procrastinação de maneira poética: “Alma, olha agora pela janela: verás com quanto amor ele insiste, e quanta soberana formosura amanhã lhe abriremos, respondia para o mesmo responder amanhã.” Trata-se de um ciclo vicioso de postergar a vida.

Acredito que devemos aceitar situações em nossas vidas que estão fora de nosso controle. A filósofa espanhola María Zambrano defendia que essa capacidade de aceitação não se refere à passividade nem à resignação, mas à coragem de encarar a própria trajetória atuando naquilo que está ao nosso alcance. Deixar de criar batalhas contra inimigos invisíveis ao não ficar preso em armadilhas do passado e do futuro, para atuar no presente.

O que você tem deixado para amanhã?

Que não seja a vida…

Moacir Rauber

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TODOS FAZEM…

Imagem produzida pelo COPILOT IA

TODOS FAZEM…

A velocidade indicada era de 100 km/h, porém um carro após o outro o ultrapassava pela faixa da esquerda, indicando que a velocidade que praticavam estava acima da recomendada. Ele seguia na faixa da direita, respeitando o limite, juntamente com outros veículos. Como queria chegar mais cedo ao destino, pensou:

— Se todos andam acima da velocidade, também vou…

E acelerou, deslocando-se para a faixa da esquerda.

“Se todos fazem…”, talvez seja um dos pensamentos que mais nos levam a tomar decisões equivocadas, representando a voz do ladrão interior. Não é porque “todos fazem” que aquilo que fazem está correto.

Lembro-me da minha infância. Por vezes, voltava da escola com algum pedido sobre uma moda de consumo. Em casa, dizia que queria um tênis de determinada marca. Minha mãe respondia que era muito caro, e eu argumentava: “Mãe, todos têm. Só eu não.” Ela respondia: “Você não é ‘todos’, e não são ‘todos’ que têm, porque o filho da vizinha não tem.” Abaixava a cabeça, resignado, porque sabia que ela tinha razão. Primeiro, eu não era “todos”, assim como ninguém o é. Segundo, “todos” não tinham o tênis que eu queria. Da mesma forma, não eram “todos” que andavam acima do limite de velocidade. A escolha e a consciência são individuais.

Santo Agostinho disse: “A verdadeira consciência não emite seus juízos segundo o costume da maioria”, expressando a importância do exame de consciência individual antes de tomar uma decisão, porque não há exame de consciência coletiva. A maioria nem sempre é sinônimo de discernimento ou sabedoria. Muitas vezes, a partir da maioria, despertamos em nós a voz do ladrão, como quando pensamos: “Se todos sonegam imposto…”, “Todos estacionam na vaga para pessoas com deficiência…” ou ainda “Se todos excedem o limite de velocidade…”, entre tantos outros exemplos em que usamos um falso “todos” para justificar escolhas equivocadas. Por isso, o exame de consciência é essencial antes de qualquer decisão. E ele começa com algumas perguntas para si mesmo, entre elas:

  1. As justificativas para a minha escolha são honestas? Ao responder à pergunta com honestidade, quase todas as dúvidas desaparecem, porque sabemos a diferença entre o honesto e o desonesto. Ao optar por não pagar os impostos devidos, trata-se de um ato desonesto, ainda que “todos” o façam.
  2. A quem afeto com a minha escolha? Ao resolver estacionar numa vaga reservada para pessoas com deficiência física, não tendo nenhuma, porque “todos” fazem, refere-se a um ato de desrespeito, afetando com desamor as pessoas com deficiência.
  3. O que realmente quero com a decisão? Ao exceder o limite de velocidade, estou agindo por vaidade, orgulho ou com a intenção de obter alguma vantagem indevida? A resposta poderá revelar a verdadeira intenção da futura ação, incluindo se há cuidado nela.

Frente a uma decisão, responder às perguntas acima poderá trazê-lo de volta à honestidade, ao respeito e ao cuidado para consigo e para com o outro.

Vivemos um período de relativismo legal e moral; entretanto, sabemos exatamente a diferença entre o honesto e o desonesto, o respeito e o desrespeito, o cuidado e o descuido. Sabemos, da mesma maneira, a diferença entre o certo e o errado ou se estamos sendo justos ou injustos. O relativismo disseminado em expressões como “todos fazem”, ou a ideia de que tudo depende da perspectiva de quem olha, não torna algo desonesto em honesto; não transforma o desrespeito em respeito; e não muda uma ação de descuido em cuidado.

Entendo que “todos fazem” pode ser a voz do ladrão interior, que nos aproxima da soberba e do egoísmo ao acreditar que as nossas necessidades são mais importantes ou urgentes do que as do outro.

Por fim, confronte as tuas decisões ao final do dia com mais uma pergunta:

O que fiz hoje contribuiu para uma vida melhor?

Se sim, ainda que o mundo não seja justo, você pode ser, porque você não é “todos”.

Moacir Rauber

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Quanto custa a responsabilidade?

Quanto custa a responsabilidade?

Na última semana presenciei um caso em que a responsabilidade tem um preço e pode ser o da liberdade. O exemplo se refere a história de um jovem que recebeu a oportunidade de somente estudar morando sozinho num apartamento numa cidade diferente daquela em que a família morava. Era tudo o que ele sempre sonhara.

O jovem tinha como grande sonho fazer uma faculdade. Passou no vestibular para um curso em período integral na cidade vizinha a que seus pais moravam. Perfeito! Seria possível ele continuar morando em casa e fazer o curso na cidade vizinha, porém seriam necessários vários deslocamentos de ônibus para a faculdade. Alguns dias ele teria que ir duas vezes. Os pais felizes pelo acesso do filho à faculdade alugaram um apartamento bem em frente à universidade para ajudar o filho, que assim não perderia tempo e poderia se dedicar integralmente aos estudos. Para facilitar ainda mais, quase sempre o filho tinha um carro à disposição, podendo ir na segunda-feira e retornar para casa na sexta ou no sábado ao final das aulas. Tudo parecia bem. O filho tinha a confiança dos pais e a liberdade que sempre quisera. Para a surpresa dos pais, ao final do terceiro ano o filho não passou de ano.

O que aconteceu no exemplo descrito? A liberdade e a confiança foram dadas, mas o seu uso não foi responsável para que se produzisse o resultado esperado. O que vocês fariam? Ao entender que ser responsável por algo significa responder pelos seus atos, os pais fecharam o apartamento e retiraram o carro do filho. Ele teve que responder pela falta de responsabilidade. Assim, o jovem perdeu a liberdade de morar sozinho e para continuar a estudar ele terá que se deslocar de casa para a universidade de ônibus todos os dias, em alguns casos, duas vezes. A responsabilidade no uso da liberdade não foi usada com sabedoria para que o jovem pudesse continuar a desfrutar da confiança recebida. Assim, a falta de responsabilidade cobrou o seu preço que foi a perda da confiança e da liberdade.

Desse modo, no nosso dia a dia, a responsabilidade sobre os nossos atos significa o exercício da liberdade com a consciência de quem tem a confiança daqueles com quem convive. Mais. É a responsabilidade que faz com que se entenda que aquilo que se faz no mundo afeta a própria vida e também a vida dos outros. Isso porque nós somos parte do mundo e não estamos aparte dele. Portanto, se você faz parte do mundo, e faz, o mundo o AFETA e é sua a responsabilidade de saber como o mundo o afeta. Da mesma forma, se você existe, e existe, você também AFETA o mundo e igualmente é sua a responsabilidade de saber como você o afeta. Como você AFETA o mundo?

Enfim, a responsabilidade é algo a ser exercido com a consciência de quem quer continuar a ser livre, entendendo que se afeta e se é afetado pelo mundo. Como vai a sua responsabilidade no mundo? Com AFETO o mundo será melhor!

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A diferença está naquilo que cada um faz com o tracinho colocado entre o ano de nascimento e o ano de falecimento que representa a vida.

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