Arquivo da tag: organizado

Que tipo de aprendiz é você? Mosca, zangão ou abelha?

Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/storchschnabel-abelha-primavera-495275/

Que tipo de aprendiz é você? Mosca, zangão ou abelha?

A mosca, quando está no jardim, perambula entre as flores e não se fixa em nenhuma delas. A mosca é, aparentemente, tão volúvel em seu passeio pelo jardim que não consegue ver a beleza que há nele. O zangão voa de uma planta a outra com menos frequência, mas igualmente parece não encontrar nada produtivo nas flores. Ele prefere fazer ruído com as suas asas, chamando a atenção sobre si sem se dedicar a conhecer a flor. A abelha também circula de flor em flor. Ela sai pela manhã de sua colmeia e viaja até o ponto mais distante para depois retornar. No seu caminho de volta, visita o maior número possível de flores. Diferentemente da mosca e do zangão, a abelha se detém cuidadosamente em cada flor, explora-a profundamente e retira o néctar que é levado até a colmeia para que o mel seja produzido. Um produto nobre que serve de reserva alimentar das abelhas no inverno e igualmente é consumido por outras espécies, inclusive o homem. Qual é a analogia que a abelha nos permite fazer da nossa relação com o meio? Que tipo de aprendiz é você?

Em tempos de rápidas mudanças comportamentais e tecnológicas, que influenciam diretamente o formato do processo de ensino e de aprendizagem, as competências exibidas pela abelha continuam a ser determinantes para que cada um de nós possa se manter na mente do aprendiz. Pode-se destacar a perseverança no trabalho da abelha para atingir as suas metas de levar o néctar para a colmeia. Mapear, explorar e recolher o néctar de maneira metódica e sequencial é um trabalho de “abelhinha”, ainda que o ambiente mude constantemente. Igualmente, pode-se observar a organização, a dedicação e a competência de entender o sentido daquilo que se faz. Isso é fundamental para o aprendiz, seja estudante, colaborador, empreendedor ou outro papel social qualquer. Compreender aquilo que se faz gera o apreço por aquilo que se faz. Essa competência pode ser vista como a visão sistêmica que reconecta o indivíduo com a relevância do seu papel naquilo do que ele faz parte. Saber que o seu papel afeta a vida das outras pessoas nos permite desenvolver o apreço por aquilo que se faz. Dessa forma, fica mais fácil ser organizado e dedicado. Entretanto, para ser organizado se exige planejamento, assim como o planejamento motiva a organização. Para esse fim, o cuidado com os detalhes para aprender profundamente algo novo é essencial e se revela na dedicação. São competências socioemocionais que vão permitir que cada um desenvolva competências técnicas que o papel escolhido exige. Portanto, a abelha nos oferece um boa analogia para o desenvolvimento pessoal que requer foco e concentração como resultados da perseverança. As dificuldades e os desafios são imensos, porque as distrações oriundas das mudanças tecnológicas e comportamentais são muitas. Como a abelha nos ensina, é importante ser perseverante para se manter na mente do aprendiz.

Enfim, que tipo de aprendiz é você? Perseverante? Organizado? Dedicado? Você entende o sentido daquilo que você faz? Certamente desenvolver a visão sistêmica contribuirá para que você saiba o impacto das tuas ações, ou das não ações, no ambiente e nas pessoas a tua volta com a consciência das intenções. Ser capaz de afetar com afeto fará de cada pessoa um melhor aprendiz. E o que dizer da mosca? E do zangão? Fica para uma próxima reflexão.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Tenho que fazer…

Tenho que fazer…

O que nos revelam as pessoas que sempre nos dizem que “têm que fazer isso ou aquilo”? Serão elas desorganizadas, incompetentes ou carentes?

No intervalo do evento fui tomar o cafezinho e escutei uma conversa paralela:

– Nem te falo, o dia de hoje ainda me mata. Ainda tenho que fazer um relatório hoje, depois tenho que atender dois clientes e no final do dia ainda tenho que buscar as crianças… e blá blá blá.

Registrei o diálogo. No início até me senti um pouco consternado e solidário pela dura rotina de trabalho daquela pessoa e que pode expressar a realidade de muitos ao redor do mundo. Em seguida comecei a pensar sobre o que levaria alguém a criar uma agenda com tantos compromissos que a poderia matar? Além disso, ao escutá-lo tive a impressão de que ele se orgulhava da sobrecarga de sua agenda, por isso me fiz duas perguntas: (1) manter uma agenda com mais compromissos do que é saudável cumprir poderia revelar falta de organização e a incompetência? E (2) relatar o excesso de compromissos com orgulho revelaria uma necessidade de atenção e de reconhecimento? Acredito que situações semelhantes possam trazer elementos que respondam as duas perguntas.

Para mim, chega a ser inquietante responder: (1) manter uma agenda com mais compromissos do que é saudável cumprir poderia revelar falta de organização e a incompetência? Do meu ponto de vista sim, porque tenho desconfianças com relação a alguém que tem dificuldades de gerir seu próprio dia, porque me parece que será difícil que ela exiba as demais competências relevantes para ser competente em outras áreas. Entenda-se organização como o processo de observar e entender determinados cenários para assumir responsabilidades que sejam factíveis. Com essa capacidade é que se cria uma agenda de responsabilidades e de compromissos compatíveis com as próprias competências, respeitando as limitações de tempo e espaço existentes na busca pelos resultados a que se propõe. Da mesma forma, é por meio da organização que se consegue identificar o que é importante aprender e o que é necessário desaprender para desenvolver as competências que o levem para onde se quer ir. Portanto, a capacidade de criar realidades imaginadas do ser humano permite que se simulem e antecipem situações, exercendo a organização um papel importante para que a realidade imaginada se aproxime da realidade concreta. Por isso, é essencial que alguém seja organizado para ser competente.

E a segunda questão é igualmente inquietante: (2) relatar os compromissos com orgulho revelaria uma necessidade de atenção e de reconhecimento? Lembro-me de um diretor que conheci há mais de 30 anos que dizia, “Se alguém me diz que está se matando de trabalhar acredito que a pessoa seja incompetente ou precisa de um abraço”. Particularmente, concordo com ele. Ninguém “tem que fazer” nada. Nós escolhemos fazer e poderíamos verbalizar isso de maneira diferente: ao invés de dizer “eu tenho que fazer…” pode-se dizer, “eu escolho fazer o relatório”, “eu quero atender os meus clientes” e “estou feliz em buscar os meus filhos”. Muda-se a perspectiva e se assumem as responsabilidades sobre a própria vida, inclusive a de transformar um dia pesado e desgastante num dia produtivo e energizante.

E você, tem muito o que fazer ou precisa de um abraço?

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br