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COLAPSO DO HORIZONTE: QUAL O SENTIDO DA VIDA?

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Colapso do horizonte: qual é o sentido da vida?

Dois jovens se preparam para o casamento — algo cada vez mais raro, embora ainda exerça fascínio em muitos. Não há, porém, uma ideia sólida de compromisso, já que a alternativa do divórcio está sempre à disposição. Há uma grande vontade de mostrar ao mundo o amor que os une, embora muitas vezes se trate apenas de atração, desejo e busca pela própria felicidade. Ainda assim, alguns temas são abordados antes da união, como a progressão na carreira, a questão financeira, o regime de casamento e a possibilidade de ter filhos. Num desses diálogos, a moça olha para o rapaz e pergunta:

— Você quer ter filhos?

— Nem pensar… Se for para ter filhos, vai ter que escolher outro noivo*.

Ele ri em seguida, mas a posição é séria.

O Brasil se junta aos países da América do Norte, Europa e Ásia, onde é mais comum ouvir casais convictos de não ter filhos do que aqueles que ainda pretendem tê-los. A união passa a ser uma busca pela felicidade no outro, sem que isso represente assumir compromissos com o outro — muito menos com uma nova vida que poderia ser gerada a partir dessa união. O que a escolha de não ter filhos revela? Entre as respostas possíveis, está a ausência de um horizonte de sentido para a própria vida no longo prazo.

Destaco alguns elementos dos quais nos afastamos com a mudança cultural e comportamental das últimas décadas, impulsionada, em parte, pelo avanço tecnológico. Ainda que admiremos nossos pais e avós, abandonamos alguns de seus valores, entre eles o compromisso. Ao renunciar ao compromisso com o outro e com a possibilidade de gerar uma nova vida, reduzimos a importância da fé, da esperança e da família.

A moça, ao escutar a resposta do noivo, ficou séria. Depois, descontraiu e disse:

— Que bom! Eu pensava em ter um cachorro e um gato como filhos.

Ambos estavam de acordo: um ou dois cachorros, ou mesmo algum gato, para formar a nova família. Assim, poderiam focar nas respectivas carreiras, na progressão profissional e aproveitar para viajar pelo mundo sem compromissos.

Os pais das gerações anteriores, que nos tiveram como filhos, tinham muito clara a importância da família a partir do compromisso com os filhos, além do compromisso mútuo. O outro não existia para a minha felicidade; eu existia para a felicidade do outro. Assim, comprometiam-se de corpo e alma, dando origem a casamentos que duravam toda a vida. Com o compromisso, alimentavam uma fé profunda na transcendência, que culminava na esperança de construir uma vida melhor para as novas gerações. Entretanto, algo não ocorreu como esperado, pois as novas gerações não querem compromissos. Surge, então, o colapso do horizonte pela falta de sentido.

Os novos casais, ao optarem por terem somente animais como “filhos”, que podem ser domesticados, castrados e alimentados conforme a conveniência, ficam sem horizonte. Ainda que os animais permitam desfrutar da própria vida sem os compromissos exigidos pelos filhos humanos, há uma carência de sentido. Um filho humano, por exemplo, precisa ser educado; não pode ser castrado — nem emocional nem fisicamente — e exige cuidados que vão além da alimentação e do bem-estar físico dos animais. Exige compromisso com uma pessoa que, assim como você, terá seus próprios sonhos. Isso nos dá sentido à vida e nos conduz à transcendência.

Nada contra ter animais de estimação, também os tive; entretanto, os filhos biológicos deveriam ser prioridade. Entendo que, ao escolher não ter filhos, ocorre um colapso de horizonte para aqueles que se centram apenas em si mesmos. Aumentam-se os estímulos externos proporcionados pela tecnologia, preenchem-se os espaços vazios de sentido com animais de estimação e perdem-se as perspectivas de longo prazo. Não há transcendência — nem espiritual nem biológica — porque é uma vida vivida para si mesma, que se consome e termina. Perde-se o sentido, e o horizonte colapsa. Com isso, a alma não descansa, e a ansiedade se sobrepõe à fé e à esperança.

Qual é o sentido da tua vida?

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Moacir Rauber

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*Frase dita por mim há 30 anos. Infelizmente!
Felizmente a vida me deu uma Filha!!!

ANSIEDADE e ESPERANÇA: SOMOS DESERTORES DA ETERNIDADE?

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Somos desertores da eternidade?

Começava a oficina dirigida aos professores para o resgate de recursos internos. No início, cada participante se apresentava dizendo o nome e a expectativa. Muitos falavam de maneira lacônica; outros demonstravam alguma curiosidade. Em todos, porém, havia um traço comum: a ansiedade. Ao final das apresentações, uma das professoras comentou:

— Acho que quase todos aqui funcionam à base de ansiolíticos… — e soltou uma risada nervosa.

A fala gerou silêncio. Não houve concordância nem discordância explícita, mas uma desesperança ansiosa podia ser vista no semblante dos presentes. Por que há tanta ansiedade num mundo com tantos recursos? Qual o motivo da desesperança entre professores?

Perguntas que admitem diferentes respostas diante de uma mesma realidade. Aponto uma: a aceleração constante do tempo.

Acredito que vivemos num mundo cada vez mais acelerado, em que a hiperconectividade nos expõe a estímulos contínuos aos quais nos viciamos. O WhatsApp é acessado de minuto em minuto; os vídeos do Instagram a cada meia hora; os e-mails geram a aflição de serem respondidos imediatamente; e a internet precisa estar presente em todos os ambientes, sob pena de provocar ansiedade, angústia e desespero. Trata-se de um fenômeno global que atravessa todas as faixas etárias e estratos sociais. Com isso, desconectamo-nos da vida — esse instante presente entre duas eternidades. O resultado é a aceleração, que cria a cultura da pressa e da incerteza, levando-nos a viver como se não houvesse tempo para viver. É paradoxal.

Na sala de aula, não é diferente. Professores cansados e estressados pelo excesso de conectividade são levados para lugares onde não estão. O mesmo ocorre com diretores, colaboradores e pais. Quanto aos alunos — crianças e adolescentes — soma-se a falta de educação, pois não aprenderam a respeitar o outro, seja adulto, idoso ou professor. Uma geração ensimesmada, marcada pela autoidolatria estimulada por pais ausentes, em que o “eu” ocupa sempre o primeiro lugar. Cada aluno é um imperador dos próprios desejos.

Assim, a sala de aula se transformou num espaço onde reina uma impaciência estrutural presente em outros ambientes, deixando de ser um local de ensino e aprendizagem. Temos professores sem autoridade, ansiosos e desesperançados diante de alunos desinteressados. O que fazer? Qual é o antídoto?

Em uma palestra de Monsenhor Munilla, ouvi a frase: “Somos desertores da eternidade!”. Nela, creio, está implícita a resposta para nossa ansiedade e desesperança constantes. Com o avanço tecnológico em níveis geométricos e até exponenciais, houve a consequente aceleração do comportamento humano. Enquanto a tecnologia utiliza suas últimas descobertas para dar o próximo passo, o comportamento não acompanha o mesmo ritmo. A tecnologia nos auxilia, mas também nos torna mais superficiais. Já não precisamos do mesmo esforço para alcançar resultados semelhantes. Entretanto, sua disponibilidade nos cerca de estímulos atrativos e viciantes, mantendo-nos em estado permanente de excitação — daí a ansiedade. Por outro lado, essa mesma excitação nos afasta da transcendência e da espiritualidade que acompanham a trajetória humana e nos aproximam da eternidade — daí a desesperança.

Portanto, o antídoto passa pela escolha individual de renunciar para combater a ansiedade e de parar para resgatar a esperança. Mas, como parar num mundo acelerado?

A escolha é de cada um. Saímos da expectativa para o compromisso.

Uma pausa para admirar a natureza e seus milagres; para refletir sobre o privilégio da vida e suas maravilhas; para desfrutar do mistério que não compreendemos — tudo isso exige compromisso. Da mesma forma, renunciar ao turbilhão de estímulos artificiais e superficiais para conectar-se ao presente, reconectando-se à eternidade, pede compromisso com o silêncio, a escuta, a oração, a meditação e o afeto.

São comportamentos que desaceleram a superficialidade da conectividade tecnológica, criando espaço para a diminuição da ansiedade e o resgate da esperança. O antídoto, portanto, passa pela necessidade de cuidarmos daquilo que não vemos, tirando o foco exclusivo dos sentidos. Exige o compromisso de olhar para aquilo que não se vê — a eternidade — para diminuir a ansiedade e recuperar a esperança.

Não podemos desertar da eternidade.

Moacir Rauber

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