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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

É bom ser adulto!

Os anos passam rápido, até parece que voam. Porém, cada vez mais me convenço que é muito bom ser adulto. Lembro-me que quando era adolescente havia tantas questões pequenas que me incomodavam muito: uma espinha no rosto, o cabelo que não se ajeitava, uma mancha na calça ou um tênis que não era exatamente o que eu queria eram motivo de sofrimento. A falta de autonomia era um tormento, fazendo com que eu quisesse parecer o que não era: um adulto. Todas essas situações rapidamente se transformavam num drama. Hoje não. Uma espinha não me incomoda pela aparência, apenas pela dor. O cabelo despenteado não é problema, é apenas uma saudade. A calça manchada é irrelevante, pois pode ser sinal de trabalho ou de diversão. A marca do tênis pouco importa, porque sou eu que o pago. Isso tudo é resultado da autonomia que um adulto tem. Por tudo isso, é bom ser adulto! A pergunta é por que tem tantos adultos querendo parecer adolescentes?

Quando vejo adolescentes fazendo de tudo para parecer diferentes na sua busca pela identidade ou criando problemas onde não há, às vezes, fico irritado. Em seguida, dou de ombros, porque recordo dos meus grandes dilemas da adolescência e sei que vão passar. Ou melhor, eu sabia que os dilemas iriam passar, porque cada vez mais vejo pessoas que já deveriam ter a autonomia que a idade lhes faculta se comportando como adolescentes numa dependência doentia de parecer o que não são. Muitos deles pararam na adolescência e não conseguem levar sua vida adiante. Pessoas na idade adulta que continuam a sofrer pelas espinhas, pelas calças, pelos tênis e pela falta de identidade comum nos adolescentes. Muitos deles já estão na terceira idade, mas continuam adolescentes no comportamento e nas responsabilidades. Inclusive tentam manter a aparência de adolescentes. Esses sim me deixam boquiabertos. Um jovem querendo parecer adulto é natural, é a sequência da vida. Entretanto, idosos ou adultos querendo parecer adolescentes é constrangedor, porque ainda não entenderam que muito mais do que parecer ser, é importante ser aquilo que se é. Essas pessoas ainda não entenderam que ser adulto é muito bom.

Não quer dizer que ser adulto lhe tire o direito de sorrir, de ser espontâneo ou de ter um espírito jovem. Não quer dizer que você como adulto não possa transgredir, ir além, sonhar e fazer. Claro que pode. Ser adulto é exatamente isso, ser aquilo que se quer ser com a responsabilidade daquilo que se é. Quando você é adulto você tem autonomia, a responsabilidade e a propriedade para fazer aquilo que quer, quando e com quem quiser. Por isso, é muito bom ser adulto, porque posso ser exatamente aquilo que sou.

Ser adulto me permite ter um espírito jovem, sem ser bobalhão.

Ser adulto me permite assumir responsabilidades, sem sofrer com isso.

Ser adulto me permite ter identidade própria, sem me preocupar em parecer aquilo que não sou.

Ser adulto me permite desfrutar da plenitude mental, fonte de saberes e prazeres que somente os anos nos trazem.

Por isso, cada vez mais me convenço que é muito bom ser adulto, assim como foi bom ser adolescente e tenho a certeza de que será bom chegar à terceira idade. Enfim, é bom ser aquilo que se é!

Moacir Rauber

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Você tem certeza?

A história se repetia. Toda vez que a palavra chegava ao chefe ele tinha a certeza da decisão a ser tomada. As reuniões não passavam de formalidades para ratificar uma posição já formada por ele. Nos programas de treinamento que se faziam ao ar livre também o chefe sempre tinha a certeza do caminho a ser tomado ou da atividade a ser realizada. Foi assim que a equipe se perdeu na trilha que faziam numa dessas atividades. Foi assim que a empresa fechou as portas, porque as decisões e as ações contavam com a certeza do chefe. Naquele ambiente, a certeza de uma pessoa se sobrepôs a qualquer dúvida que pudesse gerar algum questionamento sobre o caminho escolhido. Com o exemplo do chefe, que sempre tinha a certeza sobre tudo o que pensava, confirma-se o ditado, “nas reuniões com dez pessoas que sempre terminem em unanimidade, há nove pessoas sobrando”. Você quer dizer que ter certeza é ruim e que ter dúvidas é bom? Sim e não.

Por um lado, muitas pessoas ficam paralisadas frente as dúvidas, as incertezas ou as interrogações. Nesse caso a dúvida não é boa. Porém, estar em dúvida deveria deixar as pessoas felizes, porque somente as dúvidas podem oferecer alternativas. São as dúvidas que levam o indivíduo para um processo de evolução constante resultado da possibilidade de escolha presente nas dúvidas. Surgindo uma dúvida ela pode trazer consigo o benefício de que talvez seja uma oportunidade. Cada vez que se coloca uma questão face a uma situação a complexidade presente nas hipóteses, comuns aos seres humanos, revelam uma magnitude somente presente naqueles que duvidam. Desse modo, pesquisa, estudo e conhecimento podem minimizar as dúvidas, as incertezas e as interrogações, dando hipóteses inacessíveis para aqueles que somente têm certezas. Considere-se a busca pelo conhecimento como uma luta para a diminuição das incertezas sem a pretensão de garantir certezas, mas sim novas dúvidas que representam novas oportunidades. Por outro lado, as certezas, sim, podem geram convicções e verdades, que resultam na crença da infalibilidade somente presente nos ignorantes que se comprazem na estupidez da própria certeza. Ignoram a própria ignorância, transformando-se em arrogantes presos as suas verdades. Estes já não veem mais possibilidades ou oportunidades, ficando literalmente paralisados na sua ignorância. Foi o caso do chefe que já não considerava mais a possibilidade da dúvida. Por isso, usar o conhecimento para dirimir dúvidas e diminuir a incerteza por meio da segurança é um caminho que permite o aproveitamento de oportunidades. Porém, dirimir dúvidas não quer dizer gerar certezas. Quer dizer se sentir seguro de forma a abandonar a paralisia gerada pelas dúvidas. Nesse caso, a segurança é boa. Enfim, qual é o melhor caminho?

Por isso, não deixe que a dúvida o paralise e não permita que a certeza o deixe cego. Por fim, acredito que no equilíbrio entre as dúvidas e as certezas está o caminho para se seguir em frente de forma segura.

Você tem certeza? Esteja apenas seguro de que você está em movimento.

Moacir Rauber

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Campo de Girassol

Campo de Girassol

“Nesse percurso matutino, foi impressionante como os campos de girassóis, que são imensos, estavam se voltando, logo no início da manhã, para o sol. A reflexão que fiz foi a seguinte: quantos campos de girassol eu já deixei para trás? Quantos girassóis ainda me acompanham? Que tipo de luz eu sou para que alguns me sigam? Para quem eu sou uma luz hoje? Certamente no canteiro da educação, a gente vai se tornando uma luz na medida em que fortalecer a qualidade acadêmica, tiver uma presença significativa e puder ser um sinal de esperança.” (Luiz Síveres – Peregrino da luz, Universidade Católica de Brasília – Caminho de Santiago de Compostela)

 

Como você está?

“Como você está?”, uma pergunta tão fácil e direta que deveria expressar a verdadeira preocupação de um colega, de um conhecido, de amigos e familiares em saber como você se encontra. Esta pergunta deveria conter, simplesmente, o que ela quer dizer. Entretanto, nesse mundano mundo que vivemos as pessoas ao dirigirem a pergunta a alguém, muitas vezes, não querem saber se a pessoa está bem consigo mesma e com os mais próximos. Querem saber muito mais do que “sobre o seu dia”. A pergunta pode vir carregada de duplo sentido, porque o que querem saber é o quanto você tem, o quanto você ganha, quais os bens você conquistou nesse tempo em que não se viram e qual a posição social que ocupa no lugar onde vive. Caso você apareça com um carro novo já vão logo dizendo, “Você está bem, hein?” Mas quando o carro não é tão bom a pergunta vem sublinhada de malícia, “Você está bem?”. E se por acaso você vier de ônibus tudo muda, porque lhe dirigem uma pergunta parecida com, “Mas o que foi que aconteceu?”. A confusão havida para uma simples pergunta que se faz repetidamente ao encontrarmos pessoas que não vemos por um determinado tempo é resultado de uma deturpação de valores. Passou-se a valorizar mais uma pessoa de sucesso do que uma pessoa bem-sucedida.

Entenda-se por pessoa de sucesso aquela que alcança brilho, destaque e exposição naquilo que faz profissionalmente. Vemos cantores, compositores, empresários e profissionais das mais diferentes áreas alcançarem o sucesso, muitas vezes de forma meteórica. Mas também vemos ladrões, bandidos, criminosos e corruptos que tem sucesso. Bem-sucedido, por outro lado, é quem se sente bem com aquilo que faz ou deixa de fazer, mas principalmente com o que é. Isto porque o que a pessoa bem-sucedida é faz bem àqueles que o circundam. É bom estar com alguém bem-sucedido, porém nem sempre é bom estar com alguém de sucesso. O sentimento sobre a dubiedade da pergunta tem sido despertado em mim quando reencontro pessoas que vejo de tempos em tempos. Quando me perguntam, “Como vai você? Há quanto tempo que não o vejo!”, na maioria das vezes respondo, “Muito bem!”. “O que você está fazendo?” é a pergunta seguinte, para a qual respondo que tenho dedicado meu tempo para escrever e a praticar esportes. Quase sempre, a expressão de espanto vem acompanhada de outra pergunta, “Mas o que você está ganhando com isso?” Neste momento só me resta responder, “Prazer!”.

Prazer esse obtido pelo fato de fazer o que sempre sonhei sem ser arrastado pela roda viva a que o mundo nos tem imposto. Não que isso seja um convite ao ostracismo, a falta de dedicação ou o incentivo a não qualificação profissional, muito pelo contrário. Para escrever é preciso ler, estudar e dedicar-se aos temas sobre os quais se escreve. Para praticar esportes é exigida a disciplina de dominar a mente para comandar o corpo. De um atleta é cobrada a dedicação constante, o aprimoramento técnico e o desempenho competitivo, muitas vezes, maior do que qualquer outra atividade profissional. Porém, considero-me bem-sucedido porque posso fazer exatamente aquilo que quis no momento por mim escolhido.

Certamente que o sucesso pode nos trazer dinheiro, destaque e prestígio social, mas, sobretudo, ele deve vir acompanhado pela sensação de ser bem-sucedido.  Desse modo, sempre que fizer a pergunta, “como você está?”, faça-a a alguém com quem você realmente se importa e saiba que os seus valores podem ser diferentes. Por outro lado, sempre que lhe fizerem esta pergunta e você puder respondê-la de modo positivo, expressando o que sente e não o que os outros esperam, considere-se uma pessoa bem-sucedida. Por isso pergunto, “Como você está?”

Crédito: Rastro Selvagem

Moacir Rauber

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O Oscar de Perdão vai para Lady Bird

Como pode um filme que trata dos conflitos entre uma mãe e a sua filha adolescente nos encher de inspiração? Lady Bird consegue fazer isso.

No filme a protagonista Lady Bird – um nome que ela mesma se dá – descobre a sua própria identidade e objetivos ao assumir riscos criativos, testar as amizades e explorar a sua nascente sexualidade. Os conflitos aparecem quando a sua perturbada mãe encontra dificuldades para dar suporte as suas escolhas. O filme está repleto de cenas com discussões entre mãe e filha que não conseguem entender a sua clara conexão.

O filme toca em muitos assuntos tratados em Greater Good, mas especialmente aborda a importância do perdão. Um exemplo, Lady Bird se encontra e se apaixona por um rapaz que mais tarde ela descobre ser gay. Ao confrontá-lo de forma veemente, ele cai no choro ao expressar o seu medo de revelar a verdade para os seus pais católicos. Lady Bird o conforta e, com isso, consegue-se ver o perdão surgindo na construção de uma amizade.

Em outro exemplo, Lady Bird faz amizade com um grupo de meninas populares na escola que são próximas de um garoto de quem ela gosta. Isso cria uma tensão entre ela e a sua melhor amiga que não é tão popular e que se ressente por ser deixada de lado. Na sequência, Lady Bird se dá conta de que não é legal disfarçar ser alguém que você não é, porque ela sente demais a falta da sua velha amiga. Após perceber o seu erro e pedir perdão as duas se reconciliam reatando a amizade.

Enquanto isso, o conflito entre mãe e filha continua fervendo. Num determinado ponto Lady Bird fala para a sua mãe, “Eu somente desejo que você gostasse de mim”. A mãe responde, “É lógico que eu amo você”. Na diferença entre gostar e amar é possível ver como mãe e filha não se entendem. Esta é uma cena pontuada por um fechar de portas e uma mãe que hesita de bater na porta para tentar novamente.

Porém, como Lady Bird aprende a ver os problemas da mãe, ela percebe que a resistência da mãe em não mudar é uma camuflagem para o amor e a preocupação. Ao final, Lady Bird perdoa a sua mãe e agradece abertamente por seus muitos sacrifícios feitos por ela.

Texto de Jill Suttie

Tradução de Moacir Rauber

O Oscar da Empatia vai para: O Projeto Flórida

A Empatia no filme que não se esforça para obter a simpatia e a compaixão; ele leva o espectador a sentir profundamente com os personagens, acima de tudo pelos olhos das crianças.

No arrojado Documentário Projeto Flórida, um grupo de crianças precoces de seis anos de idade correm através dos campos e dos prédios abandonados nas redondezas de um hotel na favela chamada O Castelo Mágico. O Diretor Sean Baker justapõe a irreprimível energia e a alegria das crianças com cenas de pobreza e caos nas proximidades do Reino Encantado da Disney. Através desse vívido e assombroso retrato de uma comunidade de famílias vivendo na degrada região do Castelo Mágico o filme explora a empatia em diferentes níveis.

“Eu sempre consigo ver quando os adultos estão quase chorando”, diz a jovenzinha Moonee para a sua amiga Scooty. Nesse momento, eles estavam vendo a mãe de Moonee que vende perfume e o seu corpo para sobreviver. Durante o filme os espectadores ficam imaginando quanto que Moonee entende da desesperada vida que a sua mãe leva. Naquela hora se percebe que ela entende e sente muito mais do que uma criança deveria.

Moonee pelo menos tem um adulto que tenta tomar conta dela no filme. O nomeado ao Oscar Willem Dafoe interpreta o ineficaz gerente de hotel Bobby, que acompanha com um olhar empático e protetor a vida das mães solteiras e de suas crianças. Bobby não fala muito e assim Dafoe precisa demonstrar a sua empatia pelo olhar, gestos e ações. Você sente a compaixão e o desamparo de Bobby ao testemunhar as lutas das crianças na propriedade (provavelmente se debatendo com os seus fracassos privados e pessoais).

São poucos os filmes que me emocionaram tão profundamente que me fizeram chorar após assisti-los e este é um deles. O cineasta representa as pessoas vivendo a pobreza com equilíbrio, autenticidade e imaginação. Baker não se esforça para obter a simpatia e a compaixão; ele leva o espectador a sentir profundamente com os personagens, acima de tudo pelos olhos das crianças.

Texto de Amy L. Eva

Tradução de Moacir Rauber