Achado não é roubado?


Naquele dia almoçamos com um jovem amigo e o seu pai. Estávamos na praça de alimentação do shopping da cidade. Antes de irmos embora a minha esposa foi ao banheiro. Nós permanecemos na mesa do restaurante e aproveitamos para tomar um café. Logo que ela retornou nós estávamos prontos para seguir com a rotina da tarde. Cada um com os seus compromissos.
O pai do nosso amigo disse:
– Bom, despeço-me aqui…
Cumprimentou-me com um aperto de mão, deu um abraço na minha esposa e outro no seu filho. Saiu em direção ao banheiro. Nós começamos a nos mover em direção à saída. A minha esposa olhou um pouco preocupada para o nosso amigo que continuava a caminhar. Logo ela disse:
-Mas o teu pai esqueceu a pasta dele na mesa?
Ah, agora entendi… Pensei. Não havia visto que o pai do nosso amigo havia esquecido a pasta na mesa do restaurante. O nosso amigo logo interveio:
– Não se preocupe. Ele não esqueceu. Na volta do banheiro ele a pega… E seguiu tranquilamente o seu caminho.
Não, ele não havia esquecido a pasta na mesa. Uau!!! Pensei. Ele simplesmente havia deixado a pasta na mesa. Algo muito diferente. Uma atitude impensável para quem vive a realidade da falta de segurança das cidades brasileiras. 
Depois dessa constatação, nós ficamos calados. Entendemos que naquela cidade as pessoas sabem que aquilo que não lhes pertence fica onde está, porque certamente é de alguém. Naquela cidade não se aplica o golpe de que o que é achado não é roubado. Entende-se que se não é teu é de alguém. E se for de alguém que não é você, ao estar com você, é roubado!
Fonte: http://www.dreamstime.com/photos-images/crazy-suitcase-cartoon.html#details38070399

Quem você contrataria?

Estávamos em quatro pessoas em casa. Minha esposa, eu e mais duas amigas que nos visitavam. Elas trabalham na área de Gestão de Recursos Humanos, especificamente em recrutamento e seleção. Ainda faltavam chegar mais dois convidados. Eram dois jovens, um com 26 e outro com 29 anos. Vamos chamá-los de Eric e de Dave. Eric mais jovem, mais tímido e, indubitavelmente, o gênio da turma de linguística computacional da universidade. Dave um pouco mais velho, muito mais extrovertido e não tão genial, mas igualmente integrante da mesma turma na universidade.
Tocou a campainha. Eram 20h. Certamente seria o Eric. Ele nunca se atrasaria. Abri a porta e Eric entrou. Cumprimentou-nos como sempre fazia quando nos visitava. E isso acontecia todas as semanas. Em seguida ele cumprimentou educadamente as duas novas visitantes. Inseriu-se na conversa de modo a observar muito mais do que a participar. Ofereceu-se para ajudar na cozinha e passou a preparar a salada de frutas.
Trinta minutos depois a campainha tocou novamente. Agora era Dave. Como sempre, dificilmente chegava no horário combinado. Quase sempre se atrasava um pouco por um ou outro motivo. Logo que entrou, Dave cumprimentou efusivamente a todos. Rapidamente ele estabeleceu pontos de conexão com as duas visitantes a quem ainda não conhecia. Indagou de onde elas eram e qual a profissão delas. Em poucos minutos pareciam que eram amigos de longa data.
A noite transcorreu maravilhosamente bem. Comemos. Conversamos. Brindamos. E, por fim, minha esposa, Eric e eu recolhemos as louças e reorganizamos a cozinha. Dave continuava a conversar com as duas novas amigas sentados à mesa. Era a sua natureza. Um café para finalizar à noite. Eric e Dave se retiraram conversando como bons amigos que são. Nós, os quatro, ficamos em casa. Retomamos a conversa.
Aproveitando que as duas atuam na área de Recursos Humanos, fiz-lhes uma pergunta:
– Existe uma só vaga. Esses dois são os candidatos. Qual dos dois vocês contratariam?
A resposta foi consensual entre as duas: Dave. Sequer precisaram olhar uma para a outra em busca de consentimento. Foi espontânea a resposta. Estariam elas certas?
Não há consenso para isso. Elas não tinham o conhecimento prévio sobre eles que expus acima. Não sabiam da qualificação de um e de outro. Os dois são excelentes pessoas, cada um com suas características mais marcantes. Daniel Kahneman em seu livro Rápido e Devagar relata suas experiências como recrutador. Revela que as contratações feitas tão somente na intuição podem se revelar ineficientes. A intuição pode ser superficial. Por isso, a recolha de dados, mecanizada e objetiva, sobre o outro é relevante. Entretanto, ele destaca que ao finalizar uma coleta de dados a avaliação intuitiva deve ser considerada. Há que se desenvolver uma objetividade subjetiva!
Quem você contrataria? Depende. Não há certo ou errado. Há que se alinhar as necessidades de quem contrata com quem será contratado.

Rápido ou devagar? Depende…

Uma lesma foi atropelada por duas tartarugas. Quando a polícia se aproximou e perguntou o que havia acontecido a lesma respondeu:
– Eu não sei… Tudo aconteceu tão rápido…

Rápido ou devagar? Depende… É relativo!

Fonte: http://bruxinhaalegre.blogspot.de/
Traduzida do livro: Plato and Platypus walk into a Bar… Understanding Philosophy – through jokes (Thomas Cathcart & Daniel Klein) 

Você é um nerd?

Cada grupo tem seu estilo, assim como tem seu humor. Normalmente envolve aquilo que é comum para eles: a tribo. Agora convenhamos, os nerds tem um senso de humor simplesmente diferenciado.

Outra noite um grupo de nerds se encontrou na feira de chocolate da cidade. Um evento que antecede o Natal. Lá comentavam sobre a ausência de um dos integrantes do bando. Alguém disse:
– Não, ela não virá hoje porque está preparando uma apresentação bastante difícil para amanhã.

Pensou-se que o assunto tivesse ficado por isso mesmo. Mas não ficou. O nerd dos nerds, depois de um silêncio, sugeriu:
– Poderíamos sacanear ela…
– Como assim? Logo perguntou um.
– Que tal se nós lêssemos o artigo sobre o qual ela está trabalhando e também as referências. Depois disso a gente vai na aula dela, senta na primeira fileira e faz umas perguntas bem difíceis. O que vocês acham?

A turma toda foi embora mais cedo da feira. Foram para casa preparar a sacanagem para a amiga. E isso que eles sequer faziam a disciplina sobre a qual a amiga faria a apresentação.


Nerd que é nerd nunca perde a chance de aprender. Eles conseguiram transformar o processo de aprendizagem em diversão e com bom humor. Os nerds são geniais na diversão e no humor.
https://nerdtolo.wordpress.com/page/2/

Depende do ponto de vista…

O casal programa as férias para finalmente utilizarem a casa de campo e a lancha no lago. O marido trabalha exaustivamente para poder sair ainda na quinta-feira. A esposa já estava de férias. Arrumam as malas e saem felizes. Chegam na casa já de noite. Organizam tudo. Tomam um vinho. O maridão cai morto na cama.

No dia seguinte nada de conseguir tirar o marido da cama. A mulher resolve ir sozinha no lago para tomar um sol. Retira a lancha da garagem. Coloca-a na água. Observa que ela está com todos os apetrechos para a pescaria. Não faz mal. Não vão me atrapalhar mesmo… Pensou e foi embora. Passeou com a lancha pelo lago até que resolveu lançar âncora num lindo lugar. A paisagem, a calma e a solidão do local deixaram-na bem à vontade. Ficou somente com um pequeno biquíni, estirou-se no sol e começou a sua leitura. Que maravilha… Divagava ela.

De repente ouve o ruído de uma lancha que se aproximava. Era a polícia ambiental. O delegado olhou a lancha e viu todos aqueles apetrechos de pesca. Olhou-os e disse:
– Nesta área é proibido pescar. Vou ter que prender a senhora!

– Mas eu não estava pescando… Respondeu a mulher.

– É, eu sei. Mas a senhora tem todos os equipamentos para pescar. Vou prendê-la.

– Bom, delegado, se o senhor fizer isso vou ter de acusa-lo de estupro... Respondeu ela.

– Mas eu nem sequer toquei na senhora… Disse o delegado na defensiva.

– Eu sei, seu delegado, mas o senhor tem todos os equipamentos para isso…

Fonte: https://gartic.com.br/jessicamayara/desenho-livre/pescaria
Baseada do livro: Plato and Platypus walk into a Bar… Understanding Philosophy – through jokes (Thomas Cathcart & Daniel Klein)

Sogras não são só lendas…

Estava na fila do supermercado. Na minha frente uma senhora com seus cinquenta e poucos anos. Ela empurrava um carrinho de compras. Logo se aproxima uma jovem que ainda não tinha trinta anos com mais um ou dois produtos. Coloca-os no carrinho. Na mão ela também tinha um tablet. A jovem mostra a tela para a senhora e diz:
– Olha, minha sogra, o que você acha dessa foto?

A sogra olha por alguns segundos para a foto onde estava a nora e responde:
– Nooossa, como você está elegante!

A jovem exibe um sorriso. Fica genuinamente feliz. Ela não fala nada. A sogra também fica em silêncio por alguns segundos, antes de complementar:
– Bom… também até um pau torto enfeitado fica bonito!

Novo silêncio. A nora ruboriza. Olho para o lado como quem não ouviu nada. 

A postura da sogra não tem nada a ver com o papel dela de sogra. Tem a ver com a pessoa que ela é!
https://gartic.com.br/uwill/desenho-jogo/1259877307

Onde estão os paraplégicos?

Existem mais paraplégicos mentais do que físicos.
São pessoas que andam, mas não se movem. São pessoas que ouvem, mas não escutam. São pessoas que veem, mas não enxergam.
Por isso, “é importante viver sabendo que podemos falar, sem proferir palavras; que podemos escutar, sem ouvir os sons; que podemos ver, sem as imagens; que podemos caminhar, sem mover as pernas; enfim, que podemos aprender a aprender mantendo a mente aberta e em sintonia com o mundo, percebendo as oportunidades que nos rodeiam.” (Moacir Rauber, 2010)

Conquista individual?

Um prêmio pessoal não indica uma conquista individual.
Nada faz sentido isoladamente. Todas as ações repercutem individual e coletivamente. As pessoas somente se realizam com outras pessoas. Por isso, ainda que a premiação seja pessoal, ela representa uma conquista coletiva.
Não há nada fora da natureza que não seja feito pelas pessoas e para as pessoas!

Fonte: https://chicomiranda.wordpress.com/tag/cruz-de-ferro/


Somos únicos. Somos múltiplos.