Skip to main content


Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Velho demais…

A tão esperada evolução do departamento de pessoal para uma área de Gestão Estratégica de Recursos Humanos enfrenta desafios, muitas vezes, de postura daqueles que o conduzem. Deixar de ser simplesmente um processador de folha de pagamento e um cumpridor das rotinas legais que estão presentes na administração das pessoas de uma organização, muito mais do que uma visão organizacional, passa pela forma como as pessoas que na área trabalham encaram a sua missão. Numa das tirinhas de Dilbert, Gatoberto, o Diretor de Recursos Humanos está pensando em contratar uma pessoa. Ele descreve as exigências do cargo: “O candidato deve ter um QI de 300 e 200 anos de experiência!”. Finalmente aparece um candidato que preenche os pré-requisitos ao apresentar seu teste de QI e também a experiência exigida. O candidato afirma ter a experiência em função de ter inventado uma maneira de ser imortal. O Diretor de Recursos Humanos o analisa e solta a frase derradeira: “São muitas palavras para velho demais!”. Num globo a parte aparece o verdadeiro pensamento de Gatoberto: “90% do meu trabalho é convencer as pessoas de que elas não merecem o delas!”.


A situação é caricata, mas não deixa de ser verdadeira em muitas organizações. Ainda são comuns gestores da área de recursos humanos usarem seu cargo muito mais para criar rotinas e exigências que respaldem sua presumida importância, do que para realmente contratar pessoas certas para os papéis adequados. Muitos destes gestores tratam de diminuir as pessoas para sobressaírem-se pela autoridade, quando deveriam criar formas de elevá-las, destacando a sua real relevância organizacional. Estes gestores preocupam-se em parecer importantes ao procurar convencer as pessoas que gerem de que estas não o fazem por merecer. Devem, entretanto, tomar cuidado porque organização sem pessoas não existe, mas organização sem área de gestão de recursos humanos não é tão incomum. Devem lembrar-se, sempre, de que quem pode estar “velho demais” não é a pessoa que se pretende contratar, mas a postura daquelas que organizam o órgão que o deveria fazer.

  • E como anda a gestão de recursos humanos da sua organização?
  • Está “velha demais” preocupando-se demasiadamente com o próprio papel ou tem dado ênfase ao papel das pessoas?

Há que tomar cuidado para que não esteja tão somente no organograma…

Onde está o abridor?

Na última semana recebi a visita de um amigo meu de Florianópolis, o Marquinhos, também cadeirante. Até Pelotas são mais de 700km, que ele fez sozinho em seu carro. Por aqui fizemos vários passeios na cidade e na região. Em uma de nossas saídas fomos até a Praia do Cassino. O dia estava lindo, céu azul e a praia praticamente deserta. Um ou outro pescador na areia quebrava a monotonia do infindável vaivém das ondas. Andamos de carro na areia dura da praia para observar os molhes e depois percorrer quilômetros até o antigo navio encalhado. Linda a paisagem!
Mas estranhamente o que marcou a visita foi uma experiência inusitada, principalmente para quem é da área de gestão, além da comédia que a antecedeu. Não foi nada relacionado com grandes oportunidades de negócios que todo forasteiro vê em terras alheias, como um hotel diferenciado ou um restaurante exótico para uma praia tão linda. Mas teve a ver com um restaurante. Inicialmente, foi difícil encontrar um que estivesse aberto, pois era baixa temporada. Logo, quando encontramos um foi um burburinho só. Manobrei para estacionar o carro bem próximo ao meio-fio, facilitando a saída do Marquinhos para a cadeira de rodas. Em seguida, comecei a montar a minha cadeira. Neste momento alguns curiosos já se aproximaram para ver o que estava acontecendo. Certamente, mentalmente, devem ter criticado o meu amigo por ele não descer do carro para me ajudar. Depois, fui até a traseira do carro e retirei dali a cadeira do meu amigo. O número de curiosos aumentou, podendo se ouvir a voz surda dos comentários murmurados entre os espectadores. Ele saiu do carro e fomos até a porta do restaurante. Algumas perguntas, conversa e muita curiosidade por parte do grupo de curiosos. Um deles se acercou e perguntou ao Marquinhos: “Foi acidente?”, recebendo a concordância como resposta. Na sequência fez uma dedução lógica muito engraçada: “Vocês se acidentaram juntos?” obtendo mais uma vez a concordância do Marquinhos que acrescentou: “Ele estava dirigindo!”, apontando em minha direção. O seu interlocutor exclamou: “Mas é um cara-de-pau!”, numa clara demonstração de irritação com a situação. Como não sabia sobre o que conversavam dirigi-me a porta do restaurante, onde havia um degrau. Prontamente recebemos a ajuda do proprietário, assistidos pelo grupo, que se desfez assim que entramos.
O serviço do restaurante era de buffet livre. Nós nos servimos e nos dirigimos para uma mesa. A garçonete, que devia ser filha do dono, aproximou-se de nossa mesa, perguntando se queríamos beber algo. Dissemos que sim e o Marquinhos perguntou-lhe que tipo de cerveja ela tinha. Nós escolhemos uma e ficamos esperando. Percebemos que a garçonete se movimentava de um lado ao outro atrás do balcão. Saiu, passou por nós com uma garrafa de cerveja na mão. Foi até o proprietário. Retornou com a garrafa ainda na mão e uma expressão de choro no rosto. Ouvimos o barulho de gavetas e de talheres. Passaram-se mais alguns minutos e a garçonete se aproximou da mesa dizendo: Desculpe-me, eu não encontro o abridor de garrafas. Não consigo abrir a cerveja…” Nós nos entreolhamos e rimos. Depois eu disse: “Então traga-nos um refrigerante. Em lata, por favor!”.
E a sua empresa mantém o abridor de garrafas sempre à mão?

Quero falar com alguém da mecânica

Meu carro estava com um pequeno problema. Liguei para a agência, onde fui atendido por uma secretária. Tudo normal. Pedi para falar com alguém da mecânica. O telefone chamou por algumas vezes e fui atendido outra vez por uma mulher. Fiquei um pouco irritado, porque, afinal, havia pedido a transferência da chamada para a mecânica. Um pouco entediado falei:
– Quero falar com alguém da mecânica?
E ouvi a resposta:
– Sim, é a Fabiana da mecânica.
Perdi um pouco o rebolado e, ainda meio desconfiado, comentei o provável problema do veículo. A réplica da Fabiana veio repleta de hipóteses e alternativas, com o uso de jargões e palavras típicos de alguém que conhece muito de carros. E, realmente, era o caso. Nos contatos subsequentes a este primeiro telefonema a Fabiana demonstrou grande intimidade, conhecimento e prazer no seu trabalho de chefe da oficina daquela agência autorizada de uma marca famosa de veículos.
O caso revela, apenas, que o pré conceito era meu, em função do estereótipo criado de que para entender de carros deve-se ser homem. O preconceito prejudica quem o carrega, que pode deixar de ver soluções simples para os seus problemas. Por outro lado, o preconceito prejudica, principalmente, aqueles que dele são objeto.

Flexibilidade no olhar

Moacir Jorge Rauber
O preconceito é real, é cruel e é prejudicial para quem o sofre e para quem o carrega, uma vez que ele se origina da falta de conhecimento sobre aquilo que se pré-julga. Três anos antes de sofrer o acidente que me deixou em cadeira de rodas vivi uma situação preconceituosa, que se tornou marcante para mim. No meu círculo de conhecidos, um amigo não tão próximo, foi acometido por uma enfermidade que o deixou paraplégico. Ele, à época, tinha 19 anos. Ficou com febre durante alguns dias, o que fez com que procurasse tratamento médico. Acompanhado por familiares, ele entrou no hospital caminhando para sair de lá e nunca mais voltar andar. A notícia se espalhou entre os vizinhos e amigos. Muitos se organizavam para visitá-lo, passar um domingo com ele para dar-lhe apoio, expressar a amizade e também desejar que se recuperasse. Convidaram-me para visitá-lo também. Neguei sob o argumento de que eu não saberia como enfrentá-lo, uma vez que eu o conhecia como um andante e não como um cadeirante. Foi esta a minha reação frente ao desconhecido. O preconceito manifestava-se em mim, fazendo com que eu deixasse de apoiar um amigo e, ao mesmo tempo, tornando-se um fardo, que, nos recônditos da alma, incomodava-me. Eu não sabia olhar mais uma vez.
Jamais poderia imaginar que dali a três anos eu viria a estar na mesma situação, vítima de um acidente automobilístico. Deste modo, de preconceituoso eu passava a estar na condição de ser vítima dele. Agora eu teria que olhar mais uma vez. Dei-me conta que o preconceito não surge pela maldade das pessoas, mas, sim, pela falta de conhecimento. Com essa consciência pude colocar-me numa situação em que eu procurava demonstrar para as pessoas que não havia a necessidade de temer-me ou de evitar-me, porque a essência do ser humano continuava a mesma. Depois de reabilitado, passei a circular mais em público do que fazia antes. Algumas vezes doía-me, porque, inicialmente, algumas pessoas me estranhavam, mas rapidamente me aceitavam pelo que sou.
Este comportamento ajudava a romper com o meu preconceito para comigo, assim como dos demais com relação a mim e também para com outras minorias. Entrava, desta maneira, num ciclo virtuoso de quebra de preconceitos, fazendo com que muitos rompessem com as amarras impostas pela falta de conhecimento sobre as pessoas com deficiência. Para mim o resultado também era favorável, porque eu podia ajudar e ser ajudado. Todo o apoio recebido de familiares e amigos foi despoletado pela disponibilidade em recebê-lo. A abertura que eu dava permitia que as pessoas se aproximassem e percebessem que no íntimo somos todos iguais. Permitia que olhassem mais uma vez, entendendo que os sonhos, os desejos e as aspirações eram as mesmas, independentemente da condição física, social, étnica ou outra que, aparentemente, possa nos diferenciar.
Não vou negar que a condição de cadeirante me fez passar por inúmeras situações constrangedoras, mas, por outro lado, as situações positivas as superam largamente. Por isso, o preconceito inicial que eu tinha com relação as pessoas com deficiência terminou por ser uma oportunidade de crescimento pessoal sem comparação. Como todo indivíduo tenho minhas convicções e meus conceitos, mas estes passaram a ser muito mais flexíveis, por entender que sempre tenho a oportunidade de olhar mais uma vez!

Gestão, quando o discurso e a prática estão a quilômetros de distância

Moacir Jorge Rauber
Há dois anos resolvi fazer um mestrado na área de gestão, mais especificamente em recursos humanos. Isto porque na minha formação académica anterior detinha um mestrado em Engenharia de Produção, com ênfase em gestão da qualidade. As minhas atividades profissionais, amparadas no conhecimento académico, baseavam-se em melhorar processos, em reorganizar layouts organizacionais, assim como o fluxo de produção e organização do trabalho. Entretanto, com o passar dos anos, ressenti-me de alguma formação mais humana, porque entendi que não existem processos ou produtos que não sejam feitos pelas pessoas ou para as pessoas.

De início cumpri com as unidades curriculares de Comportamento Organizacional, Gestão Estratégica, Operacional e Internacional de Recursos Humanos, Comunicação, Negociação e Gestão de Conflitos, Formação e Desenvolvimento de Recursos Humanos, Gestão da Mudanças nas Organizações, Gestão de Competências e Igualdade de Oportunidades e Gestão da Diversidade nos Recursos Humanos, todas enfatizando a necessidade de um alinhamento entre as necessidades das pessoas e da organização. Senti-me revigorado, porque toda esta teoria fundamentaria uma nova visão no retorno ao mundo do trabalho, isto porque também as organizações não existem sem as pessoas, assim como os processos. Ou seja, na organização em que se priorizam as pessoas, depreende-se que os processos igualmente recebem a atenção devida. Esta orientação deveria ocorrer sem, contudo, perder de vista a produtividade, a agilidade e a flexibilidade, necessárias para que haja complementaridade entre pessoas e processos, onde a evolução destas favorece os outros e vice-versa. Porém, toda esta visão caiu por terra antes mesmo de eu sair da universidade, pois ela própria tratou de enterrar os conceitos que ensina, por meio de processos que existem para atender a demanda da organização e não das pessoas. Deste modo, apesar da autonomia de gestão universitária, na prática ela é regida pelo ponto, pela vírgula, pelo chamegão e pelo carimbo, que refletem as exigências da burocracia dos processos criados e não para beneficiar o público objeto da sua existência.
Isto fica patente quando se nota a diferença entre a conclusão de uma dissertação de mestrado, o seu protocolo nos serviços acadêmicos e a data para a defesa da mesma perante o júri que a aprovaria ou não. Casos há em que a entrega do trabalho foi feita em Outubro e a defesa se deu em Março do ano seguinte. Apesar de saber desta demora era algo que não me preocupava, uma vez que não tinha nenhuma urgência na conclusão do mestrado. Neste meio tempo, entretanto, uma proposta de trabalho fez com que tivesse que desolocar-me para outro país rapidamente. Com essa nova configuração em mente tratei de acelerar a entrega da versão final da dissertação, já que minha viagem estava marcada para dali 50 dias. Protocolei a entrega da versão final nos serviços académicos, que rapidamente enviaram a versão final para o departamento ao qual eu estava ligado. Depois disto falei com a minha orientadora que acreditou haver tempo suficiente, pois ainda restavam mais de 40 dias. Falei com o diretor do curso que achou ser difícil, mas que faria o possível. Falei com a secretária do departamento que se dispôs a redigir e encaminhar os ofícios para a convocação da apresentação pública de um dia para o outro. Restava apenas cumprir com a rotina de passar pela reunião do conselho científico, marcada para o mês seguinte. Sabe-se que a citada aprovação no conselho não passa de mera formalidade, pois os nomes apresentados pelos orientadores levam a sua chancela. A situação seria complicada, porém possível. A orientadora e o diretor de curso já haviam, informalmente, eleito o arguente para antecipar a leitura da versão final. Mas chegada a data da reunião do conselho científico recebo um e-mail dizendo que a mesma fora adiada por motivo de falta de agenda da presidente. Não havia mais nada a fazer. Eu não conseguiria defender minha dissertação antes de viajar. Entretanto, quando faltavam apenas cinco dias para que eu viajasse, a orientadora conseguiu a aprovação da defesa por meio de uma reunião virtual. Defendi no dia anterior a minha viagem.
Da forma como a situação foi descrita até parece que o processo foi agilizado de uma forma extraordinária. Afinal, eu consegui defender minha dissertação num tempo recorde. Considerando-se o dia do protocolo de entrega da versão final nos serviços académicos e a data da defesa haviam decorrido apenas 40 dias!!! No atual formato não deixou de ser impressionante, pois para que isso fosse apenas imaginável tive que contar com a boa vontade de todas as partes envolvidas. Lamentavelmente, rotinas arcaicas ainda imperam no meio académico, uma vez que o atendimento desta demanda genuína somente foi possível pelo bom senso das partes envolvidas e não pela prática da instituição.
Analise-se a situação sob a ótica de que a organização existe para atender as pessoas e não ao contrário. Deste modo, o prazo de 40 dias para tramitar a defesa de uma dissertação ser considerado um recorde chega a ser deprimente. Considere-se, por exemplo, a pretensão da universidade de internacionalizar as suas ofertas de cursos de graduação e pós-graduação, passando a contar com a presença de muitos estudantes estrangeiros. Assim sendo, o aluno que conclui o seu mestrado terá que permanecer no estrangeiro por pelo menos 60 dias, período em que este terá que continuar a pagar aluguel e todas as despesas associadas a sua estadia no exterior. Ou, caso contrário, adquirir uma passagem ao seu país de origem, aguardar a data e retornar especialmente para a ocasião da defesa. Não me parece ser inteligente, produtivo, flexível, estratégico ou qualquer outro adjetivo que esta lacuna de tempo representa. Mas, principalmente, não me parece adequado termos tamanha lerdeza nos processos justamente na área de gestão, que ensina e alardeia a necessidade de se melhorar os níveis de competitividade. Trata-se de um contra-senso enorme que reflete os quilómetros de distância entre o discurso e a prática de gestão em algumas universidades. Com tantos recursos tecnológicos à disposição um departamento de gestão, este, ao não resolver o problema, ao não oferecer alternativas viáveis para um questão tão simples é parte do problema da baixa competitividade de países em desenvolvimento, estando muito distante de ser parte da solução.

No meu tempo…

Conforme os anos vão passando mais comum se torna ouvir, “No meu tempo tudo era diferente!”. Ao refletir sobre a expressão até parece que estou conversando com alguém que aqui já não mais está. Dá-me certa tristeza perceber que muitas pessoas abrem mão de manter o tempo como seu enquanto aqui estão. Acredito que sempre é “nosso tempo”, bastando estar vivo para tal. A idade? Pouco importa se estamos com 10 ou com 100 anos…

Assim, desfrute do seu tempo!

Oportunidades e sonhos, o preço e o valor

Moacir Jorge Rauber
Preço e valor sempre são tratados sob a ótica da empresa, com seu produto ou serviço, e do cliente. Entenda-se, assim, como preço sendo aquilo que você paga por algo e valor aquilo que, no seu entendimento, você leva. As oportunidades que te levam a realizar um sonho podem ser analisadas sob a mesma perspectiva. O preço das oportunidades pode ser medido em dinheiro, em tempo, em dedicação, em esforço, em trabalho, enfim, indicadores palpáveis que o permitem dimensioná-las. Depois disto parte-se para o entendimento do valor que o aproveitamento das oportunidades representam para você. Ou seja, se os benefícios trazidos, como sentimentais, afetivos, emocionais, financeiros, de status ou outros forem maiores do que o preço, normalmente, as pessoas estão dispostas a pagar o preço cobrado.
O preço de buscar o conhecimento, o preço de desenvolver as habilidades e o preço de exibir as atitudes que os transformem em competência prática estão diretamente ligados ao valor que a realização do sonho tem para o sonhador. Obter os conhecimentos em determinada área permite a criação de uma empresa, ou que se exerça uma profissão, ou ainda que o remador reme o seu barco. Desenvolver as habilidades provenientes do conhecimento faz com que empresa sobreviva, que o profissional se mantenha no cargo e que o remador conduza seu barco. Entretanto, apenas as atitudes fazem com que o empresário seja bem-sucedido, com que o profissional conquiste seu espaço no mercado de trabalho e com que o remador alcance um lugar no pódio. E as atitudes serão tão mais determinadas quanto maior for o valor das oportunidades rumo a realização do sonho em comparação com o preço que se paga por elas. E este valor é determinado por você que sabe o quanto vale o seu sonho. Olhe mais uma vez e veja o quanto você está disposto a pagar pelas oportunidades que o levam até o seu sonho.

A Bela e o Paparazzo

Mas os pinguins ficam até sábado…
Excelente a comédia romântica portuguesa A Bela e o Paparazzo!!! Um filme despretensioso, porém com profundidade para gosta de ler nas entrelinhas.
O filme apresenta de forma cómica o grande amor dos portugueses para com Portugal, disfarçado em desamor. É comum ouvir em Portugal, nosso país é atrasado, os políticos são corruptos, entre outras tantas reclamações contra tudo e contra todos. No filme um dos personagens expressa esses sentimentos em suas falas e também na iniciativa que toma de proclamar a independência de seu prédio de Portugal. No final reincorpora-se a demonstrando todo o patriotismo dos portugueses que pode ser encontrado em palavras de sentido oposto. Nas relações do dia-a-dia também se nota muito disso. Nem sempre quando alguém está reclamando o faz de verdade.
O casal protagonista descreve um improvável romance entre um paparazzo e uma atriz de destaque. A trama se desenvolve espelhando a nossa superficialidade ao procurar nas fofocas das vidas das estrelas luzes para a nossa insignificância. O filme termina dando-nos a impressão de que alguém melhorou como pessoa, contudo, sai-se com a certeza de que nada mudará.
Em meio a todas as situações há uma expressão que se repete, Não se preocupe, os pinguins ficarão até sábado. No final o personagem que usa o bordão explica o sentido para o protagonista, contando que quando era garoto pinguins foram trazidos a Lisboa e ele gostaria muito de vê-los. Todo o dia ele pedia para que seu pai o levasse para vê-los, obtendo sempre a mesma resposata, Não se preocupe, os pinguins ficarão até sábado! Antes de chegar o sábado, porém, o pai abandonou a família. Não protele aquilo que deseja fazer.

Assim, caso queira ver um filme agradável não espere até sábado, pois os pinguins podem não estar mais lá. Além disso, consegue-se rir “a brava”!

Mensagens pela internet…

Fico feliz ao receber diariamente e-mails, alguns deles tratam de temas interessantes e outros nos deixam mensagens maravilhosas. Outros tão somente são piadas ou pornografia. O que me deixa fulo são aqueles e-mails que se propõem a deixar uma mensagem, mas no final, invariavelmente, são apelativos, por vezes, ridiculamente, invocam um castigo ou rogam uma praga sobre quem não os reenviar.

Obrigar, castigar e prender por meio de correntes só pode ser reflexo de mentes dominadoras. E em todo lugar onde elas estiverem presentes não pode ser bom.