O viés do paradigma…

O meio acadêmico tem das suas…

Eu estava junto a um grupo de professores que mantinham uma discussão acalorada. Fiquei só observando. Parecia mais uma briga em que as palavras, a argumentação, os gestos e a entonação da voz se configuravam numa luta interminável de sobreposição de egos. 

De repente ouvi:

O viés do paradigma é um paradoxo dialético…

Uau!!! Pensei comigo mesmo. Pode-se encher muita, mas muita… linguiça com essa frase!

A espada mágica…

Em um tempo muito, muito antigo, o tempo dos cavaleiros em brilhantes armaduras, um jovem estava com muito medo de testar sua habilidade com as armas, no torneio que seria realizado por certo senhor.


Alguns de seus amigos quiseram pregar-lhe uma peça e lhe deram de presente uma espada, dizendo que tinha um poder mágico muito antigo. O homem que a empunhasse jamais seria derrotado em combate.


Para surpresa deles, o jovem correu para o torneio e pôs em uso o presente, ganhando todos os combates. Ninguém jamais vira tanta velocidade e ousadia na espada.

A cada torneio, a notícia de sua maestria se espalhava, e não tardou a ser ovacionado como o primeiro cavaleiro do reino.


Por fim, achando que não faria mal nenhum, um dos seus amigos revelou a brincadeira, confessando que o instrumento não tinha nada de mágico, era só uma espada comum. 

Imediatamente, o jovem cavaleiro foi dominado pelo terror. De pé na extremidade da área de combate, as pernas tremeram, a respiração ficou presa na garganta e os dedos perderam a força. Incapaz de continuar acreditando na espada, ele já não acreditava mais em si mesmo.


E nunca mais competiu…

E você, em que reside a sua força? Ela está construída em bases sólidas?

História recebida de Ana Lúcia de Mattos Santa Isabel analucia.orion@ uvaol.com. br

Without rocks…


No ensino fundamental estudei inglês. No Ensino Médio também. Na minha graduação fiz inglês durante os quatro anos. Bem, na verdade não fiz… Trocava trabalhos com uma colega de classe para não ter que me dedicar a aprender o idioma. Nunca aprendi. Havia decidido a não aprender. Ironia do destino me casei com uma professora e pesquisadora de língua inglesa. Mesmo assim evitei o quanto pude entrar no processo de aprendizagem. Quando finalmente não tive mais como fugir decidi aprender. Comecei a fazer cursos livres. Na verdade um contrasenso, porque eu poderia ter uma professora em casa… Mas tudo bem, lá ia eu para minhas aulinhas de inglês. Até que um dia resolvi que já poderia me aventurar num curso em um país de fala inglesa. Canadá foi o escolhido. Tinha simpatia pelo país desde meus tempos de adolescência, que já faz um bocado de tempo. Entrei no avião e o desafio começou. Os atendentes de bordo me saudaram em inglês. Até aí tudo bem. Acomodei-me. Chegou a hora da janta. Escolhi um entre os dois pratos ofertados. Confesso que na verdade não entendi, mas a escolha foi feita. Depois a atendente me perguntou qual bebida. Respondi meio inseguro, “I want juice. Orange juice…” Pensei um pouco para lembrar como seria para dizer que eu não gostaria de gelo. E o cérebro, esse órgão maravilhoso, fez um associação incrível. Recordei que as pessoas quando pedem whisky com gelo dizem, “On the rocks”. Nessa linha lasquei, “Without rocks”. Ela me olhou e disse, “No ice?”. E eu fiquei vermelho… A Andreia, que estava ao meu lado, rindo sussurrou, “Você pediu sem pedras…”

P.Q.P. 3! Sistemas que funcionam…

Moacir Rauber

O caminho para as pessoas com deficiência tem melhorado gradativamente nas últimas décadas, inclusive aqui no Brasil. Mais e mais as pessoas têm a preocupação de incluir e de aceitar os outros como eles são, independentemente da sua condição. Entretanto, alguns lugares do nosso pequeno planeta já avançaram mais do que os outros. 

Lembro-me quando estive em Vancouver, no Canadá. Havíamos programado um passeio para nosso primeiro sábado na cidade. Saí do hotel para dirigir-me a um ponto de ônibus de onde eu iria até o parque, local combinado para me encontrar com o restante da turma do passeio. Seria a minha primeira vez… num ônibus. Estava um pouco ansioso, porque quase nunca uso o transporte público no Brasil. Mas estávamos no Canadá e as notícias que tínhamos era a de que qualquer um poderia usar o transporte coletivo, inclusive um usuário de cadeira de rodas. Quando olhei para o ponto de ônibus outros dois cadeirantes esperando. Senti-me aliviado, porque isso indicava que o transporte funcionava. Aproximei-me. Conversei um pouco e descobri que os dois pegariam o mesmo ônibus, que logo em seguida chegou. Estacionou próximo ao meio fio, abriu a porta e abaixou uma rampa hidráulica. O caminho para entrar sozinho estava feito. Entrou o primeiro cadeirante, exibiu o cartão e foi para o seu lugar. Entrou o segundo cadeirante, que não tinha um cartão, mas que pagou em moedas. Chegava a minha vez… Eu já estava começando a mover minha cadeira quando o motorista fez um sinal para que eu parasse, para em seguida dizer, Eu somente posso levar dois… e continuou falando algumas coisas que eu não entendi. Afinal meu inglês ainda tem suas limitações. Ele esperou os demais passageiros entrarem, levantou a rampa, fechou a porta e foi embora. Eu fiquei ali, desolado. Minha primeira experiência como usuário do transporte coletivo no Canadá havia falhado. Então eles também não eram tão bons quanto se dizia. Eu teria que esperar o próximo veículo que passaria somente dali a 30 minutos, o que provavelmente geraria um desencontro com meus colegas. Ainda estava assim meio desiludido quando vejo uma van encostar no ponto de ônibus. O motorista desceu, veio até mim e me cumprimentou amigavelmente. Abriu a porta traseira da van e começou a baixar uma rampa. Eu entrei, paguei meu bilhete e cheguei ao meu destino na mesma hora que o ônibus estava chegando. Pensei comigo mesmo, Puta Que Pariu! As coisas funcionam…

“P.Q.P.!!!”


Moacir Rauber

Sim, quantas vezes a expressão “P.Q.P.” é usada por dia no Brasil, geralmente para demonstrar indignação. Incontáveis vezes! Nos jogos de futebol nem se fale… Assistidos por milhões de pessoas, são acompanhados pelos mais diversos xingamentos, mas com certeza “P.Q.P.” está entre os mais usados. A mesma expressão pode ser usada para expressar alguma surpresa positiva. Quantas vezes as pessoas exclamam “P.Q.P.” ao receber uma boa notícia… E mais, é uma expressão “tipo exportação”.

Explico: no último dia 12 de setembro tive o privilégio de assistir a um show da banda sueca Roxette. Minha esposa e eu estávamos em Vancouver quando soubemos que a banda faria uma única apresentação na cidade. Fomos conferir o local e era em frente ao local onde estávamos hospedados. Tínhamos que somente cruzar a rua. Nos empolgamos e compramos os bilhetes. Logicamente escolhemos os ingressos mais baratos. Era num anel superior da magnífica arena usada para partidas de hóquei sobre o gelo. Tratava-se de uma área reservada para pessoas com deficiência. Acessibilidade nota dez. Os demais expectadores lotavam as cadeiras nos anéis inferiores, assim estávamos um pouco isolados. Mas nós não estávamos preocupados com isso. Nós lá estávamos curtindo a apresentação da Banda Tóquio, que fez a abertura do show, e a iminente apresentação de uma das bandas de maior sucesso entre os anos 80 e 90. Era um sonho! Nisso aparece um rapaz muito simpático para conversar conosco. Ficamos ali de papo com o canadense, eu aproveitando para melhorar o meu inglês. Como logo ele percebeu o meu sotacão estrangeiro, perguntou, De onde vocês são? Eu respondi, Nós somos do Brasil! Sequer havia concluído completamente a minha frase quando já ouvi a expressão, P.Q.P.! Dei uma gargalhada, porque a pronúncia foi perfeita. Em seguida ele explicou que vivera por alguns meses no Brasil, em Porto Alegre, enquanto acompanhava o “Cirque du Soleil” em sua primeira turnê mundial. Em Porto Alegre ele fora assistir um GRENAL e ouvira alguns amigos usarem a dita expressão. Ficamos conversando  mais um pouco. Depois ele se despediu e saiu. Alguns minutos mais tarde, já no intervalo entre o show de abertura e a apresentação principal, apareceu um outro rapaz que disse, O gerente da casa mandou perguntar se vocês não gostariam de assistir ao show da área VIP… Olhei para a minha esposa e respondi sorrindo, Mas com todo prazer! E lá fomos nós. Descemos os anéis da arena e fomos até a área reservada. Ficamos a não mais de 20 metros da banda. Quando o show começou foi que eu me dei conta da posição que nós estávamos para assistir a banda. Não pude segurar e também exclamei, Puta Que Pariu! 

Mas foi de alegria!!!

Vida é movimento…

Com tanta tecnologia à nossa disposição apostava-se que as fotos perderiam espaço. Mas o movimento foi na direção oposta. Nunca se fotografou tanto como nos dias de hoje. Pode ser com o celular, computador, tablet, caneta e até com uma câmera. Tudo é registrado o tempo todo. Logo vai parar no facebook ou.face para os íntimos. Porém, tem um ponto de vista interessante por trás disso. Sabe-se que a vida é movimento. Nós não conseguimos pará-la. Mesmo quando paramos nos movemos. É a vida! Mas se a vida é movimento, porque nós usamos fotos, imagens fixas, para manter vivas nossas memórias? Porque a vida segue em frente e as fotos podem nos levar ao passado. Elas também podem nos mover para frente. Para trás e para frente. A foto pode estar congelada, mas o movimento continua. 

A direção dele depende de cada um…

Vai passar!

“Um dia”, seremos feitos só de indivíduos preocupados em cuidar da própria vida, tomando o cuidado de não importunar a dos outros. E nunca mais diremos “um dia…”. Eis uma “vertigem visionária que não carece de seguidor”, como disse um cantor.

Reinaldo Azevedo

Essa grama eu também tenho

Moacir Rauber

Não se menospreze! Não se desvalorize! Conheço muitas pessoas que têm dificuldades para se expressar e se posicionar por acreditarem que aquilo que elas têm para dizer é menos importante ou menos inteligente do que o que os demais dizem. Muitas vezes achamos que a grama do vizinho é mais bonita do que a nossa. Pode até ser, mas a de cada um tem o seu valor…

Apesar de saber que a interrupção do silêncio deve ser melhor do que a sua manutenção, muitas vezes, o calar daqueles que teriam algo a dizer permite que aqueles que nada tinham a falar determinem o que se vai fazer. Eis aí o risco. Certamente que não se trata de defender que se fale e se opine sobre temas que não se conheça, mas sim que não ninguém se exima da responsabilidade de se exprimir sobre assuntos que domine. Outro aspecto é sobre a indagação. Muitos se calam por receio de parecerem tolos frente a uma situação que supostamente deveriam conhecer. Não existe pergunta tola, existe pergunta não feita. Não conhece, pergunte. Não entendeu, pergunte outra vez. Quem sabe não tem medo do contraditório. E se não souber ambos terão a oportunidade de aprender. Arguente e arguido.

Sei que muitas pessoas defendem que se usem frases afirmativas para defender o mesmo ponto de vista. Então vamos lá… Aprecie-se! Valorize-se! Fale! Confira o estado da grama do vizinho. No mínimo você poderá aprender algo novo para fazer ou ensinar algo que não se deva fazer. Positivo ou negativo depende de cada um!

Somos únicos. Somos múltiplos.