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Facetas!


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Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Presença física ou virtual? Não importa…

Presença física ou virtual? Não importa…

Ao encerrar o primeiro semestre letivo da universidade foi feita uma avaliação sobre os resultados das aulas, das dificuldades, dos desafios e das aprendizagens. Tudo foi intenso. As dificuldades foram muitas desde o primeiro dia de aulas virtuais, assim como os desafios de elaborar estratégias para manter a conexão com os alunos. Como resultado dos desafios e das dificuldades vieram as aprendizagens, como a criação de materiais didáticos e a adoção de novas estratégias para as aulas presenciais que migraram para o ambiente virtual.

Além do mais, ficou a constatação de que aquilo que é virtual não é antônimo de real, assim como virtual é presencial.

Aulas virtuais síncronas podem ser consideradas presenciais? Acredito que sim. No semestre, avaliei os resultados de duas turmas conforme a presença e a participação e, no final, elas fazem a diferença. Todos os professores foram orientados a continuar registrando a presença dos alunos em sala de aula. O conteúdo era passado, discutido, lido, apresentado, trabalhado individualmente e em grupos, assim como vídeos eram exibidos e seminários realizados. O desafio para os professores foi grande, porque a presença e a participação dos alunos exigiam foco e presença num movimento ativo de aprendizagem. As metodologias ativas nunca fizeram tanto sentido como nas aulas presenciais do ambiente virtual. Para o professor, quando os alunos se conectavam sem ligar a câmera, dava a sensação de estar falando sozinho, exigindo-lhe autoconfiança e energia para continuar. Para os alunos a exigência também aumentou, porque eles foram solicitados a participar e a interagir nos trabalhos individuais e em grupos com mais frequência. Precisavam ler, resumir, estruturar e apresentar seu entendimento sobre o tema em questão. Além disso, os alunos estavam em seu ambiente doméstico ou de trabalho sujeitos a distrações que resultava difícil manter o foco. O semestre iniciou com as aulas contando com a presença física dos alunos e dos professores, migrou para as aulas síncronas virtuais e, entre expectativas e frustrações, terminou com aulas presenciais virtuais. E o que foi constatado ao final? Examinei a presença no ambiente virtual e os resultados do processo de avaliação dos alunos realizado em âmbito nacional sobre o conteúdo ministrado. Fiquei impressionado com a relação entre a presença no ambiente virtual e os resultados positivos da avaliação. Nas duas turmas em que analisei caso a caso as notas finais estiveram diretamente ligadas a presença em sala de aula virtual. Alunos que participaram de todas as aulas tiveram as maiores notas. Alunos que menos participaram das aulas tiveram as menores notas. Destaque-se: as notas não foram atribuídas por mim. Portanto, entendo que aulas síncronas dadas no ambiente virtual são aulas presenciais.

Enfim, o virtual não é antônimo de real, mas pode ser antônimo de físico. A presença é outra questão. Estar num ambiente ou noutro vai muito além da presença física. Antes da pandemia as pessoas usavam a tecnologia de seus celulares para se ausentarem das salas de aula, ainda que fisicamente estivessem nelas. Nesse momento, as pessoas usam essa mesma tecnologia para estarem nas salas de aulas, ainda que não fisicamente. Certamente continuaremos a ter alunos e professores que estarão ausentes, seja no ambiente físico ou virtual, naquele processo em que um disfarça que ensina e outro faz de conta que aprende. Porém, essa é uma escolha individual.

O que realmente importa para aprender e ensinar é quando entregamos aquilo que temos de mais valioso para com quem estamos: a nossa presença. Ambiente físico ou virtual? Não importa. Importa mesmo é que seja real!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Quem é você na Era Digital? O ESARH ajuda a responder…

Quem é você na Era Digital?

Tenho um amigo que está entre as pessoas mais pacatas, educadas e gentis que conheço. Ele sempre dedica tempo para conversar com ou outros sobre os outros e se coloca à disposição para ajudar. Entretanto, não queira que ele o ajude usando o carro, porque no trânsito ele se transforma. O meu amigo está perfeitamente representado no vídeo da Disney (https://youtu.be/-1TNHmLcEns) que mostra a transformação do Pateta no trânsito. O cidadão de bem, pacato, educado e gentil vira um monstro. E isso é um fenômeno muito mais comum do que se possa imaginar no trânsito. Porém, o que isso tem a ver sobre quem é você na Era Digital? Acredito que ocorre um fenômeno muito similar.

No trânsito a pessoa se transforma ao sentir que está no poder ao conduzir o carro e na Era Digital essa sensação de poder vem do anonimato. Entenda-se a Era Digital, como o período subsequente a Era Industrial, marcada por uma revolução tecnológica a partir de invenções como a rede de computadores, a fibra ótica e os microprocessadores, resultando numa revolução nas comunicações entre organizações e, principalmente, entre as pessoas. Os aspectos culturais de grande parte da população mundial foram afetados. Nos dias de hoje, posso me comunicar em tempo real com pessoas em todos os continentes do planeta. Tenho condições de enviar arquivos, de trocar informações, de fechar negócios, de desenvolver projetos e de estabelecer relacionamentos sem as limitações do espaço existentes antes da Era Digital. O ambiente virtual, resultado da Era Digital, tornou-se algo real e ocupa uma parte importante da vida do cidadão comum. Posso elogiar e posso criticar outras pessoas na rede. Um elogio feito para alguém gera alegria naquele que o recebe. Uma crítica feita no ambiente virtual pode gerar reflexão, dor ou sofrimento, dependendo da forma como ela é feita. O resultado pode ser exatamente igual como num relacionamento cara a cara. A diferença está na possibilidade do anonimato ainda presente no ambiente virtual que criou alguns monstros. Há pessoas, assim como o meu amigo motorista, que se transformam no ambiente virtual. Ao ler um texto com o qual não concordam elas agridem o autor com palavrões e expressões inimagináveis. Ao se defrontar com a opinião política divergente as ofensas são intermináveis. Ao ver uma pessoa na rede com um comportamento diferente daquele que ela considera adequado a maldade no comentário é imediata. E as redes sociais são um campo fértil para a criação de perfis falsos que dá ao cidadão comum o poder de ofender e, na grande maioria das vezes, não ser responsabilizado por isso.

Muitas pessoas falam no ambiente virtual coisas que não falariam cara a cara. E você, expressa-se no ambiente virtual de maneira coerente com aquela usada no ambiente físico? Entendo que este é o passo a ser dado para que possamos (Re) Criar a Humanização das pessoas e, consequentemente, das organizações, independentemente do ambiente ser analógico, digital, físico ou virtual. Vem aí a Era Pós-Digital, em que nós já não nos surpreendemos com o uso da tecnologia, mas com a sua falta, e o anonimato tende a ficar para trás. Por isso a pergunta quem é você? A era e o ambiente pouco importam, porque a escolha é sua: você é o cidadão de bem ou o monstro?

 Quem é você no ambiente virtual? O anonimato permite que você seja quem você quiser, mas é você quem vai revelar quem você realmente é. O ambiente? Pouco importa, a escolha é sua!

 

Moacir Rauber

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