Arquivo da categoria: Facetas

Amor é um ato de vontade

“O amor é um acto de vontade – ou seja, uma intenção bem como uma acção. A vontade também implica escolha. Não temos de amar. Escolhemos amar. Não importa quanto possamos pensar que amamos. Se de facto não amamos é porque escolhemos não amar e portanto não amamos, apesar das nossas boas intenções. Por outro lado, sempre que de facto nos esforçamos pela causa do desenvolvimento espiritual, é porque assim escolhemos. Foi feita a escolha de amar.”

M. Scott Peck – O caminho menos percorrido (p. 90)

Qual é o seu prêmio?

Lá estava ele todo orgulhoso com o certificado comemorativo pelo prêmio recebido de Jovem Pesquisador da sua universidade. Parentes, amigos e familiares todos o parabenizavam, com razão:

– Parabéns, você merece!

– Que orgulho de você. Parabéns!

A grande maioria dos cumprimentos era a expressão real do prazer das pessoas que amavam o jovem de ver alguém ser premiado por uma conquista pessoal. Outros, porém, aproximavam-se para dizer:

– Parabéns! Que sortudo você é…

Estes são aqueles que não entendem que o certificado e a premiação são apenas os símbolos da conquista, porque eles não são a conquista. A conquista está baseada naquilo que o premiado fez e que quase ninguém viu. É naquilo que se faz quando não há ninguém observando que reside o segredo da vitória. Explico. Recentemente tivemos no Brasil os Jogos Olímpicos. Vivemos momentos de muita interação com os esportes e com os atletas. Vimos as conquistas individuais e coletivas. Emocionamo-nos com as finais em que um atleta ou uma equipe superou a outra nos metros ou nos instantes finais. E sentimo-nos glorificados no momento em que os atletas foram coroados com a medalha de ouro. É um roteiro de perder o fôlego. É emocionante. Se é gratificante para nós como espectadores imagine como o é para os atletas condecorados. Por que é tão mais intenso para os homenageados? Porque eles trazem dentro de si os momentos que nós não vemos.

Cada atleta que recebeu uma medalha nos Jogos Olímpicos traz dentro de si uma carga inimaginável de treinos, de renúncias e de escolhas que nós não vimos. A grande maioria deles passou sábados, domingos e feriados treinando, muitas vezes solitariamente. Eles reclamam disso? Não. Eram as suas escolhas. A grande maioria dos atletas de alto-rendimento não participa dos horários de happy hour, de festas de aniversários e de casamentos. São renúncias que fazem? Sim, mas eles as fazem conscientes. É o preço que eles pagam para conquistar uma vaga ou uma medalha nas olimpíadas que quase ninguém vê e que poucos lembram. O mesmo vale para o jovem acima que conquistou o prêmio de Jovem Cientista na sua universidade. Isso só foi possível depois de muito trabalho voluntário, que necessariamente passa por um grande número de finais de semana dedicados a administrar o projeto científico. São escolhas e são renúncias feitas para finalmente ser reconhecido publicamente por meio de um prêmio. Por isso, alguém parabenizar outrem dizendo que a conquista alcançada é resultado de sorte é no mínimo injusta, para não dizer outra coisa. São muitos os jovens nas universidades que têm as mesmas oportunidades, mas fazem outras escolhas. São muitos aqueles que poderiam se empenhar mais nos estudos e nos projetos voluntários, mas escolhem as festas. Preferem não fazer renúncias. Os anos passam. As festas também. Depois, quando alguma organização for procurar alguém para se engajar em algum projeto adivinhe entre quem eles vão procurar os seus candidatos? Com quase toda a certeza eles vão olhar para aqueles que se envolveram em alguma atividade edificante, como se inscrever para um concurso de Jovem Pesquisador.

Por isso, nos esportes a medalha é apenas um símbolo. Ela não é a vitória. A vitória vem daquilo que o atleta faz e que quase ninguém vê. Na profissão o salário pode simbolizar o trabalho, mas ele não é o trabalho. O trabalho é o que você faz no dia a dia na sua organização e sobre o qual somente você pode falar. No final de um curso universitário o diploma pode representar uma profissão, mas ele não é o profissional. O profissional é o sujeito que exibe as competências que o diploma diz que ele tem. Por isso, um símbolo pode representar qualquer coisa, mas não é a coisa em si.  Desse modo, quando se pergunta qual é o seu prêmio a pergunta é sobre o caminho que o levou até ele.

Qual o caminho que você vai percorrer? Ele te dará o prêmio que você escolher.

Parabéns Wagner Augusto Rauber!!!

O quanto você viveu sua vida?

Alguém já teve a ousadia de afirmar que a morte é mais universal que a vida; todos morrem, mas nem todos vivem, porque incapazes de reinventar a vida no seu dia-a-dia. Uma vida pensada sem “mortes” perde-se, no final, na total irresponsabilidade. E viver significa esvaziar-se do ego para deixar transparecer o que há de divino em seu interior. O grão de trigo que não morre, apodrece, e não multiplica as mil possibilidades latentes em seu interior.

O “depois da vida” é um grande encontro onde seremos perguntados: “o quanto você viveu sua vida?”

Pe. Adroaldo sj

dia-de-finados

Você é boa companhia?

Outro dia ouvi uma amiga minha dizer:

– Li um artigo sobre comportamento humano que diz que nós somos a média das cinco pessoas com as quais mais convivemos…

Ela continuou falando sobre o tema. Resgatamos uma infinidade de ditados e expressões seculares que revelam a força do convívio em nossas vidas e que essa verdade já é conhecida há muito tempo. Trata-se de senso comum. Quem nunca ouviu a expressão bíblica, “Diga-me com que andas que eu direi quem tu eres”? Também o provérbio chinês diz que as más companhias são como um mercado de peixe, em que acabamos por nos acostumar ao mau cheiro. A Bíblia, em outra passagem, reforça o conceito ao afirmar em Provérbios (13,20) que “quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos tolos sobre aflição”. Concordo com aquilo que cada uma dessas expressões afirma, porém a minha indagação vai um pouco além. Se eu sou a média das pessoas que andam comigo a média dos outros é influenciada pela minha presença?

Tendencialmente, nós olhamos para o nosso umbigo. Analisamos a influência a que nós estamos sujeitos. Assim, podem ser lidos muitos artigos que afirmam que se você se associa com preguiçosos há uma propensão a que você desenvolva a preguiça. Se você anda com pessoas que alimentam pensamentos negativos logo você também será um pessimista. Se você convive com pessoas pouco caprichosas em pouco tempo você será um relaxado. E por aí vai o rol de influências a que estamos expostos no convívio com os nossos amigos e colegas de trabalho. Os conselhos para que não sejamos tão duramente atingidos por essas influências vindas do ambiente são vários. Um deles diz que devemos nos afastar de pessoas que nos induzem a assumir maus hábitos. Outro deles diz que devemos nos aproximar de pessoas que possam servir de exemplo e de modelo para que desenvolvamos boas práticas e comportamentos que nos impulsionem positivamente. Também concordo com isso. Agora as perguntas que faço são as seguintes: qual é a minha influência sobre os meus amigos e o meu ambiente? O que eu tenho deixado de positivo? Tenho eu sido um exemplo de diligência e não de preguiça? Tenho eu alimentado pensamentos e ações positivas com uma visão não pessimista? Tenho eu sido um exemplo de assiduidade e capricho para aqueles com quem convivo?

Acredito ser importante responder a tais perguntas, porque se eu sou a média das pessoas com as quais convivo, as pessoas que convivem comigo têm na média delas a influência dos meus comportamentos. Veja a responsabilidade que nós também temos com a melhoria do ambiente. Se eu sou afetado pelos outros eu também afeto os outros.

Por fim, pergunte-se: se eu posso melhorar com as minhas companhias, as minhas companhias podem melhorar comigo?

boa-companhia

Fonte: http://www.fatosdesconhecidos.com.br/10-tipos-de-amigos-que-todo-mundo-tem/