Arquivo da categoria: Facetas

Será um inverno rigoroso…

Era outono. 

Os índios deveriam começar a armazenar lenha e alimentos para o inverno. Antes de iniciar o trabalho eles se dirigiram ao seu novo chefe para saber se o inverno seria muito rigoroso ou não. O chefe que fora criado cercado pela modernidade e nada conhecia sobre interpretar os sinais da natureza, como garantia, disse aos índios:
– Sim, teremos um inverno rigoroso! 

Eles começaram a trabalhar. Armazenavam alimentos e recolhiam muita madeira para o inverno. O chefe ficou meio constrangido com a situação e resolveu tirar as dúvidas com o pessoal da estação meteorológica. Telefonou para eles perguntando:
– Como será o inverno deste ano? Será muito rigoroso? 

Os meteorologistas disseram que o inverno tendia a ser bastante frio.

O chefe voltou para a aldeia e disse para que os índios recolhessem mais lenha ainda. O ritmo de armazenamento foi aumentado. Algumas semanas mais tarde o chefe voltou a falar com os meteorologistas que afirmaram:
– O inverno será bastante rigoroso!

De volta a aldeia o chefe disse que o inverno seria bastante rigoroso e os índio se puseram a recolher ainda mais lenha e a armazenar mais mantimentos para o inverno terrível que se aproximava. Mais algumas semanas adiante em nova conversa do chefe com os meteorologistas eles disseram:
– Olha, nós acreditamos que teremos um dos invernos mais rigorosos da história! 

O chefe indagou:
– Mas como vocês podem ter certeza disso?

Os meteorologistas responderam:
– É que os índios estão recolhendo lenha feito loucos…

Como será o seu inverno?

Rigoroso? Ameno? 

Quem vai determinar?

Saber estar e saber conversar para fazer fluir: Executive Assistants

Em determinadas organizações, o que mais se espera de um profissional de secretariado é a sua capacidade de articulação. Para este fim ele precisa ser capaz de construir um ambiente apropriado que estimule o diálogo entre as diferentes pessoas que ocupam as funções e que formam os grupos dentro da organização, cada qual com as suas responsabilidades. Sendo esta a principal capacidade é natural que ela seja precedida pelas competências interpessoais de construção de relacionamentos. Para isto precisa-se saber estar e saber conversar.

Ver mais: http://www.olhemaisumavez.com.br/index.php?s=artigo-detalhes&id=29

Proteja esta casa dos tigres…

Toda manhã a mulher vai até a frente de sua casa e grita:

– Proteja esta casa dos tigres!

Logo em seguida ela volta para sua casa e segue a rotina diária.

Finalmente um vizinho que acha aquilo tudo muito louco toma coragem e vai falar com ela:

– Por que você faz isso todo dia? Não há tigres aqui. Eles estão há milhares de quilômetros…

Ela responde:
– Tá vendo? Funciona!

Premissas erradas levam a conclusões equivocadas. Depois disso, logo causado por isso nem sempre é verdadeiro!

Extraído do livro Platão vai ao bar!

A Revolução dos Bichos – George Orwell

Quem não leu merece ler o livreto de 140 páginas, nada mais!

Pouco texto, mas muitas comparações com os dias de hoje…

E os bichos? Sim, eles se revoltaram contra o proprietário da granja, puseram-no a correr e escreveram os seus mandamentos:

OS SETE MANDAMENTOS DOS BICHOS

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.

2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.

3. Nenhum animal usará roupas.

4. Nenhum animal dormirá em cama.

5. Nenhum animal beberá álcool.

6. Nenhum animal matará outro animal.

7. Todos os animais são iguais.

Conforme o movimento se firmou alguns bichos foram tomando as iniciativas e controlando as ações. Os porcos, por serem os mais espertos, se encastelaram no mando da operação de guiar os destinos da granja. Logo sentiram a necessidade de alterar alguns mandamentos.

Ao quarto mandamento que dizia “Nenhum animal dormirá em cama”foi acrescentada a expressão, “… que tenha lençóis”. Isso porque os porcos passaram a dormir nas camas, pois precisavam de um bom descanso para melhor cuidar dos destinos da granja.

Ao quinto mandamento acrescentaram “…em excesso” uma vez que os porcos encontraram alguns barris de uísque e andaram bebendo.

O sexto mandamento também teve que sofrer uma pequena alteração quando os porcos imputaram a acusação de traição da causa a outros bichos. Assim o mandamento passou a ser “Nenhum animal matará outro animal…, sem motivo”. Quem determinava os motivos eram os porcos…

E por fim, modificaram o último que os deixava a todos iguais: “Todos os animais são iguaismas alguns são mais iguais do que os outros!”

Lá estavam os porcos!

Aqui estamos nós!

Seu bando de incompetentes…

Em um dos trechos da homilia o padre disse:

– … As pessoas hoje se separam, mas isso não justifica que se falte com o respeito com o cônjuge para o qual um dia se jurou amor eterno. Quando casais vem falar comigo na tentativa de uma reconciliação não foi nem uma nem outra vez que ouvi xingamentos como, “Aquele cavalo…”, aquela piranha…” entre outros adjetivos ofensivos. Às vezes tive que intervir para que não brigassem na minha frente. Por outro lado me vinha a cabeça pensamentos como, “Um cavalo vive com quem? Uma piranha vive num cardume de piranhas…” e por aí segue. Então, sempre que você for proferir algo referente ao outro lembre-se que muito provavelmente você estará falando de você também. Porque nós vivemos entre iguais…

E assim ele seguiu com a sua prática.

Lembro-me desse exemplo ao ver gestores de corporações lidando com seus subordinados e muitas vezes tratando-os como “Seu bando de incompetentes!” aos altos brados. Bando pode ser o coletivo de aves em geral. Mas há que se lembrar que as expressões que denominam os coletivos sempre se referem a iguais. Na visão organizacional é um grupo de pessoas que não se transformou numa equipe.  

Assim, quando fico sabendo de alguma atitude semelhante de algum gestor, da mesma forma, me vem a cabeça:

Quando ele fala de bando de incompetentes está falando de quem?

E essas pessoas taxadas de incompetente pelo gestor fazem parte da organização comandada por quem?

Caso continuem a ser um bando é por responsabilidade de quem?

Não precisa nem desenhar para saber de quem ele está falando, não é?

Paro tudo!

A área de Recursos Humanos ou, como querem muitos, de Gestão de Pessoas (falta muito…) é abundante em situações difíceis. São os contratos temporários que estão tomando conta de grande parte das relações de trabalho que terminam por nem serem relações. Não que eu seja contra contratar pessoas para desenvolver um determinado projeto com data de término de vínculo estipulada. Não é isso. Sou contra a forma como se dá a relação com as pessoas que “supostamente” não trabalham para a empresa. O comportamento demonstrado pelos que são “efetivos” (como se fosse possível) com relação àqueles que tem contrato por prazo determinado é mesquinho. Tratam-nos como cidadãos de segunda classe. E por aí vão as situações difíceis… Mas a área também pode ser divertida. E fazer entrevistas de seleção é uma delas.

Sabe-se que as pessoas que estão se candidatando a uma vaga, normalmente, ficam ansiosas e querem mostrar o seu melhor. Geralmente são muitos candidatos para poucas vagas. Aquele que tem a responsabilidade de fazer a entrevista deve ter a clara noção disso e lembrar que a situação poderia ser inversa. O fato de você estar hoje entrevistando e não sendo entrevistado é simplesmente circunstancial.

Mas nem por isso deixam de aparecer algumas situações motivo de riso.

A candidata entrou e cumprimentou o entrevistador, sentando-se no lugar indicado. A vaga exigia um alto nível de qualificação, uma vez que era numa empresa de tecnologia para desenvolver um produto inovador. A entrevista abordou aspectos técnicos daquilo que ela teria que desenvolver. A candidata realmente era muito boa. Conhecia muito mais do que se esperava que conhecesse sobre a área. Mas conhecimentos técnicos tão somente não bastam. Precisa-se de algumas competências de comportamento humano, a resiliência, por exemplo. Como a pessoa se comporta em situação de stress? Qual o comportamento quando existe muita pressão por resultados, prazos e produtividade? 

Depois de comentar sobre algumas típicas situações ocorridas na empresa o entrevistador fez a pergunta: Como você reage frente a um situação de muita pressão num ambiente stressante? A entrevistada abriu bem os olhos e disse com a maior naturalidade: Eu paro tudo, saio correndo, dou um grito e volto…

Ela foi contratada! 

Você nasceu assim…

Moacir Rauber

Um supermercado, para mim, é um lugar de uma riqueza inigualável. A riqueza se exprime pela fartura de produtos disponíveis, mas também pela profusão de situações que se pode viver no ambiente. 

Para um usuário de cadeira de rodas não é diferente. Às vezes sim. Naquele dia, como de costume, fui acompanhado pelo Wagner, meu sobrinho, para fazer as compras do mês. Entramos no estacionamento e fomos até as vagas reservadas para pessoas com deficiência. As vagas estavam ocupadas. Olhei e fiquei literalmente espantado. Nada de mal com a ocupação, mas sim como elas estavam ocupadas.

Vejam só!!!

Provavelmente era uma moto adaptada, os carrinhos de supermercado adaptados e um Fuscão também adaptado. Estavam todos no lugar certo!!!

As pessoas devem pensar: O lugar está sempre vago mesmo… Não é assim?



Para sorte minha tinha uma vaga ao lado… Para azar do cidadão que respeita as leis, porque para ele o meu carro passou a ocupar duas vagas, pois ele deveria estar no local reservado para pessoas com deficiência. É só fazer as contas…

Numa visita anterior o local também estava ocupado por uma moto, pelo visto adaptada…

Isso se pode chamar de uma estacionada perfeita!!!
No centro do espaço… 




Mas eu quero escrever sobre outra situação.


Entramos no mercado e fizemos o roteiro de sempre. Fomos até o final das gôndolas e começamos a passá-las uma a uma. Corredor por corredor. Gosto muito disso. Já no segundo corredor meio que trombei com um rapaz. Desculpas, sorrisos e trocas de gentilezas. O seu rosto ficou registrado na memória. Na gôndola seguinte nos vimos outra vez. Um cumprimento de leve. Percebi que ele estava acompanhado com o namorado. E assim foi entre cruzamentos e reconhecimentos até que passamos os dez ou mais corredores do supermercado. Chegamos até a última parte, uma área aberta enorme onde estão os frios, as carnes, os embutidos e as verduras. Peguei o queijo, a manteiga, o frango, as pizzas, algumas verduras. O Wagner escolhia outros produtos. Eu encostei no balcão onde estavam os salames, os charques e outros defumados. Peguei um salame italiano na mão. Estava tentando olhar o preço. Os olhos sem os óculos já sofrem para ler coisas pequenas, embora o salame fosse grande. Nisso percebo alguém cutucando no meu ombro. Olho para trás e vejo o rapaz lá do início com o seu namorado. 

Ele, todo sorridente, perguntou:
– Você caiu ou nasceu assim? Foram exatamente estas as palavras.

Depois do susto não tive como não rir. Com aquele salamão na mão, olhando para o meu velho amigo de compras, afinal havíamos compartilhado todos os corredores, respondi:
– Não, eu não nasci assim. Mas antes torto do que morto, não é?

Como falo muito com as mãos terminei por fazer um gesto exagerado com o salame que quase tocou no rosto do meu amigo. Foi então que percebi que estava com aquele troço na mão. Olhei para o salame. Depois para o rapaz. Ele também havia feito a mesma coisa. Era um olho no salame e outro na pessoa. O Wagner olhava e ria. Eu enrubesci, toquei a minha cadeira e fui embora. A malícia estava na minha cabeça.

Mas eu não nasci assim.

A vida me fez assim.

Ou melhor, fiz-me assim na vida!