PENSAR DÓI? PARA A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NÃO…

Pensar dói? Para inteligência artificial não…

Na primeira semana de aula, o professor teve uma agradável surpresa. Aquele aluno de quem ele havia construído a imagem de ser preguiçoso e de não se esforçar trouxe uma linda redação sobre as férias. Leu-a em público e disse:

Parabéns. Você está escrevendo melhor do que nunca!!!

Alguns murmúrios dos colegas, entre as palavras ouvidas estavam “ChatGPT” e “BARD”. O professor logo soube que se tratava de um texto redigido pela inteligência artificial. O que fazer? O trabalho de ser professor sempre foi um desafio e faz parte do desenvolvimento contestar, mudar e evoluir. As gerações acediam ao conhecimento prévio e desenvolviam algo a mais a partir dele. Entretanto, essa tendência começa a mudar ao se constatar que a atual geração deixa de ser mais inteligente que a anterior. Com o advento da revolução tecnológica, ancorada em outros fatores, ensina-se sobre visão sistêmica, porém não se vive e não se aprende como sendo parte do sistema. As gerações em que todos faziam parte do ciclo completo da alimentação, por exemplo, entendiam que caçar todos os animais de uma região faria com que tivessem que migrar dali; sujar a água de onde matavam a sede era um problema quase insolúvel; e que cultivar as plantas somente era possível em determinadas épocas do ano. Não se precisava ensinar sobre visão sistêmica, porque as pessoas se entendiam como parte dele. Com o passar dos séculos, os agrupamentos humanos cresceram e as tarefas começaram a ser divididas por especializações. Cada pessoa já não entendia o sistema inteiro, apenas a parte que lhe cabia no processo. A fragmentação das atividades deu início a fragmentação do indivíduo, que passa a ser muito bom em algo sem entender o seu impacto no todo. Desse modo, ao comer uma beterraba comprada no mercado não se sabe quem, como, quando e onde ela foi produzida. Ao comprar a carne não se tem ideia de que era uma vaca, criada, carneada e vendida por pessoas para alimentar pessoas. Ao abrir a torneira e tomar água não se sabe de qual manancial ela foi extraída. Nos desconectamos da natureza há algumas gerações, entretanto, seguimos desenvolvendo-nos como especialistas em alguma área. Por isso, ainda que ensinemos sobre a importância da visão sistêmica, caso não se viva isso não haverá aprendizado. Enquanto as gerações não aprenderem a limpar o próprio quarto, a lavar a própria louça, a plantar as próprias verduras e a tirar o leite consumido vamos continuar a lutar pela natureza com o celular na mão e as pantufas nos pés, usando apenas dois dedos dos dez disponíveis. Isso reflete igualmente que apenas usamos uns poucos neurônios dos bilhões que temos. Emburrecemos como indivíduos e, consequentemente, a tendência é trilhar o mesmo caminho como humanidade. Por fim, quando nos colocamos como “o homem e a natureza” parece óbvio que não saibamos o que comemos, o que bebemos e, por fim, o que pensamos. Nada mais simples do que usar a inteligência artificial para fazer a melhor redação do mundo. A lei do menor esforço, ou a preguiça, ganhou no sistema de produção de alimentos e agora começa a virar o jogo na arte de pensar.

Finalmente, o professor leu entusiasmado a redação para depois ficar frustrado com a revelação de que o seu aluno não era um gênio. Provavelmente, ele estava entre aqueles que seriam menos inteligentes que os da geração anterior por se achar esperto.  Terceirizamos e mecanizamos o ciclo alimentar para fazer menos esforço e sentir menos dor. Pensar, igualmente, pode ser cansativo e até doer, porém transferir a arte de pensar para a inteligência artificial requer cuidado. Desse modo, ao fazer a escolha de usar a inteligência artificial como uma ferramenta vinda do conhecimento exige sabedoria vindas do esforço, da dedicação e do trabalho. Com a Inteligência Artificial podemos afetar o mundo com a Imaginação e o Movimento, mas é preciso ter Afeto para fazer deste um mundo melhor.

Entende-se que pensar, por vezes, dói, entretanto, transferir a capacidade de pensar pode doer muito mais… Enquanto isso, vamos pular Carnaval!!! Para quê pensar?

Moacir Rauber

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ECOS DA PALAVRA – A BUSCA DA FELICIDADE

ECOS DA PALAVRA – A BUSCA DA FELICIDADE

Pe. Bertrand

O Evangelho de hoje, que nos apresenta as bem-aventuranças, convida para uma reflexão sobre algo que pertence à essência de todo ser humano: a busca da felicidade. Toda pessoa deseja ser feliz, não apenas estar feliz agora, ou se sentir feliz, mas ser feliz. Todas as ciências humanas têm por objetivo ajudar nessa busca de felicidade como a psicologia, a sociologia, a política, a medicina e a educação. Todas as religiões e filosofias de vida oferecem caminhos ou receitas. Pessoalmente nos esforçamos para deixar os outros felizes: os filhos, os netos, o esposo, a esposa, aquela visita e muitos outros. A tecnologia e a sociedade de consumo que tudo invade, realça a felicidade como a meta imediata de nossas buscas. Será que existe uma receita única para conseguir a felicidade? Aparentemente não. Cada pessoa tem uma perspectiva diferente, aquele indígena da tribo dos Ianomanis, aquela ucraniana fugida da sua terra massacrada, aquele preso aguardando julgamento, aquela namorada, apaixonada pelo amor de sua vida, aquele doente internado num hospital para uma cirurgia, ou aquele vestibulando aprovado para o ingresso na Faculdade. Cada pessoa com o seu sonho específico de felicidade.

O que Jesus hoje nos oferece através do anúncio das bem-aventuranças, não é apenas uma receita para um resultado imediato, mas abre um caminho, até em meio a todas as adversidades e contradições do tempo.  Nas afirmações surpreendentes de Jesus, são chamados de bem-aventurados ou felizes aqueles que vivem em sentido contrário ao que o mundo propõe: pobreza, mansidão, paz, compaixão, sensibilidade solidária. A felicidade evangélica não é como aquela que o mundo vende, ou seja, euforia fácil e prazer imediato. Ela é muito mais um chamado à plenitude e sabe suportar os embates que a vida apresenta. Com frequência, associamos a felicidade à ausência de problemas, ao êxito econômico, à beleza perene ou ao prazer em todas as suas dimensões. No entanto, tudo isso esgota ou é simplesmente insustentável, pois não tem consistência interior. A verdadeira felicidade, que Jesus oferece, coincide com a paz interior; é o prazer de descobrir a cada dia que a vida se inicia novamente a cada amanhecer; é fazer da mesma vida uma grande aventura…

Apresento aqui uma abordagem das bem-aventuranças, a partir de um livro bem interessante da escritora, uma irmã beneditina, Joan Chittister, com o título O Livro da Felicidade. Assim ela as explica na pag. 258 em diante.

Bem-aventurados (felizes) os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. A felicidade, Jesus nos assegura, não está em agarrarmos os bens deste mundo. Nada satisfaz ninguém indefinidamente, por conseguinte, colocar a nossa felicidade na acumulação de bens, serve apenas para acionar a esteira hedônica e lá vamos nós, correndo de uma coisa para outra e nos condenando à desilusão perpétua.

Bem-aventurados (felizes) os mansos, porque herdarão a terra. Cada tentativa de dobrar o mundo ao nosso próprio gosto e desígnios só pode acabar em frustração e resistência. Para viver bem precisamos viver em harmonia com tudo o que existe.

Bem-aventurados (felizes) os que choram, porque serão consolados. Os que se importam com o sofrimento do mundo, os que tomam para si a dor dos destituídos, são aqueles cujo sentido da vida se encontra fora de si mesmos, são aqueles que sabem do que se trata a verdadeira felicidade.

Bem-aventurados (felizes) os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Os que buscam a justiça para os outros e se empenham em construir um mundo justo, vem uma vida plena de significado e propósito, que é a culminância da verdadeira felicidade.

Bem-aventurados (felizes) os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Aqueles que compreendem o que é ser humano, que valorizam o desenvolvimento humano mais do que imposição de leis sobre os que não tem condições de cumpri-las, não sofrerão a dor do perfeccionismo.

Bem-aventurados (felizes) os puros de coração, porque verão a Deus. Os que não fomentam nenhuma desonestidade, que procuram não prejudicar ninguém, que vivem sem alimentar o mal em seu coração, tornam todo o mundo seguro e impelem todas as pessoas se sentirem bem-vindas na comunidade humana.

Bem-aventurados (felizes) os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. São aqueles que se negam a incitar o ódio entre as pessoas – o que não operam através de quaisquer outras forças que não seja o amor – os que trazem o espírito do amor de Deus para o mundo.

Bem-aventurados (felizes) os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. A felicidade transcende os sentimentos. Se vivemos como devemos e fazemos o que devemos para transformar o mundo num lugar acolhedor para todos, a espeito de qualquer sofrimento, preço ou custo social de agir assim, nossa alma estará em paz.

Bem-aventurados (felizes) quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, falarem todo mal contra vós por causa de mim. As coisas que fazem o sofrimento valer a pena e tornam a dor suportável são aquelas que nos levam a viver como Jesus viveu, mesmo em meio à rejeição.

Alegrem-se e regozijem-se, porque grande será a vossa recompensa nos céus.  Esta é a fórmula simples para a felicidade. São preceitos que demandam de nós viver com as mãos abertas para o restante do mundo. Que exigem de nós não oprimir ninguém; não ferir ninguém. Que nos pedem para cuidar daqueles que sofrem; socorrer os necessitados; ser gentil com todos; promover a paz; defender a justiça e o que é certo e suportar a perseguição dos que repelem tudo isto em nós sem que nos transformemos, nós mesmos, naquilo que condenamos.

Pe. Bertrand

Paróquia Igreja Nossa Senhora Do Sagrado Coração – Campeche

Florianópolis-SC

Da IMAGINAÇÃO AO MOVIMENTO, O AFETO: UTOPIA?

Fórum de Inovação da Imaginação ao Movimento, o AFETO: Utopia?

O AFETO é muito mais do que uma palavra utópica: é uma necessidade humana básica. As mudanças tecnológicas aceleraram há algumas décadas e tudo indica que sigam acelerando nas próximas. A partir do primeiro computador eletrônico e o advento das redes sociais, com destaque para a inteligência artificial e a robótica que estão presentes nas revoluções biológicas e tecnológicas em curso, aumentou-se a excitação de alguns e criou-se pânico em muitos. Fala-se da singularidade, em que máquinas fazem homens mais inteligentes, da disrupção, que rompe paradigmas, e da exponencialidade, os resultados no consumo, comportamentos, costumes e tecnologia, como uma tendência. Entendo que toda a imaginação presente nesse movimento pode nos levar a distopia. O antídoto para a distopia pode ser o afeto. Porém, como falar de AFETO nesse contexto?

Os eixos temáticos do FISEC – Fórum de Inovação em Secretariado de 2023 refletem a alternativa para a distopia sem ser utopia ao explorar a Imaginação, o Movimento e o Afeto.  Inclusive, são temas singulares, disruptivos e exponenciais ao resgatar as necessidades básicas humanas, muitas vezes, não contempladas no cenário das revoluções biológicas e tecnológicas. E onde está a conexão com a inovação? No sentido dos eixos temáticos. Importante lembrar que INOVAÇÃO é o processo de criar, introduzir, renovar ou recriar algo de maneira diferente, nova, podendo ser tratada como sinônimo de mudanças. As palavras Imaginação e Movimento igualmente contemplam o conceito de inovação. Para o bem ou para o mal? Chega-se ao Afeto. Desse modo, a Inovação pode ser o caminho para a utopia em que viveríamos num sistema perfeito como resultado da ação de colocar em movimento a nossa imaginação. Com AFETO pode ser realidade. Porém, a inovação igualmente pode nos levar para a distopia em que a imaginação e o movimento produzam uma realidade opressiva, assustadora e totalitária. Sem AFETO pode ser realidade. Desse modo, a INOVAÇÃO como resultado da IMAGINAÇÃO e do MOVIMENTO pode nos aproximar da UTOPIA ou nos levar para a DISTOPIA. A resposta vem da intenção que está no AFETO. Cabe destacar que resgatar o AFETO como substantivo de emoção intencional de amor, carinho e amizade é singular e disruptivo nas revoluções tecnológicas e biológicas em curso e produzirá resultados exponenciais no movimento e na imaginação, levando-nos a inovar com sentido. Basta lembrar que as necessidades básicas do Ser Humano não mudaram, ainda que toda a tecnologia tenha mudado.

Nesse processo, é indispensável se perguntar: para quê inovar? O AFETO está presente? Se sim, é hora de usar a imaginação e o movimento para inovar. Responder a essas perguntas vai dar sentido ao constante aprimoramento durante a vida (lifelong learning); e vai respaldar que o conhecimento adquirido seja orgânico, móvel, não-linear e integrado, aproximando-nos da utopia, afastando-nos da distopia. É essencial gerar novos conhecimentos; é fundamental criar novas ferramentas; entretanto, é impositivo resgatar e manter o AFETO para que o conhecimento e as ferramentas inovadoras façam sentido. Conclui-se que a saída é para dentro. É fundamental a coragem de conhecer-se, aceitar-se e superar-se para afetar com AFETO. São verbos reflexivos em que a ação, em primeiro lugar, se volta para si mesmo, e em seguida se reflete na interação com o outro. Resultado? O mundo inova transformando-se num lugar melhor a partir da IMAGINAÇÃO e do MOVIMENTO de quem se conhece, se aceita e se supera com AFETO.

Enfim, se a imaginação e o movimento não afetarem com afeto, para quê afetar? Utopia ou distopia? São apenas palavras. A presença do AFETO na tua IMAGINAÇÃO e no teu MOVIMENTO é a realidade em construção que se traduz em INOVAÇÃO fazendo deste um mundo melhor a partir das intenções e das ações. O FISEC é real ao compartilhar conhecimentos e ferramentas que geram INOVAÇÃO com SENTIDO. Não é UTOPIA!SEC – Fórum de Inovação em Secretariado

Pepita’s Secretaries Club

Moacir Rauber

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QUE TIPO DE “VELHO” VOCÊ ESTÁ SE CONSTRUINDO?

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/09/ciencia/1441794097_548979.html

Que tipo de “velho” você está se construindo?

No final do século XIX, um senhor com cabelos grisalhos e barba branca viajava de trem pelas ruas de Paris, lendo um livro. A sua frente se sentou um bem vestido jovem, que igualmente trazia consigo um livro. O jovem olhou para o livro que aquele senhor lia e disse:

– Como o senhor consegue ler algo com tantas baboseiras escritas? O tempo agora é das ciências e dos cientistas. A Revolução Francesa mostrou que não há mais lugar para essas fantasias… e apontou para o livro nas mãos daquele senhor. Tratava-se da bíblia.

O senhor o olhou e falou:

– Na Bíblia está a Palavra de Deus. Você acha que estou errado?

– Erradíssimo! O senhor deveria estudar ciências e parar com essas bobagens. Deveria conhecer o pensamento dos cientistas sobre essas coisas.

– Hum… e o que dizem os cientistas sobre a Bíblia?

– O senhor tem um cartão? Vou descer na próxima estação e não posso explicar agora, mas poderei enviar alguns livros que vão ajudá-lo.

O senhor de cabelos grisalhos tirou um cartão do bolso e o deu ao jovem que leu a identificação:

“Professor Louis Pasteur

Diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Científicas

Universidade Nacional da França”.

O jovem ficou boquiaberto e não sabia onde enfiar a cara.

Do que nos fala o diálogo? Podem ser encontrados elementos como soberba e humildade; ciência e espiritualidade; juventude e ancianidade; e progresso e tradição. Num primeiro momento, parece que todos os conjuntos de palavras são antônimos. Ao se analisar com mais cuidado, entendo que somente Soberba e Humildade sejam antônimas, porque onde há presunção não há espaço para o despojamento; onde há orgulho não se encontra a modéstia; onde há a arrogância não nasce a simplicidade. Por isso, a soberba é antônima da humildade impedindo que o presunçoso, o arrogante e o orgulhoso desenvolvam o seu potencial baseado no despojamento da mente aberta que permite novas perspectivas; na modéstia que estimula a curiosidade para adquirir novos conhecimentos; e na simplicidade de entender que não entendemos tudo e que a vida é um mistério. Avançando para a ciência e a espiritualidade, vejo que não são antônimas e sim complementares. A ciência cria conhecimentos e contribui com avanços na saúde, na alimentação, na tecnologia, entre outras áreas. A espiritualidade, por sua vez, nos leva a encontrar conforto, segurança e bem estar que se traduz na busca por uma vida saudável e com sentido. Desse modo, enquanto a ciência cria conhecimentos a espiritualidade trabalha o sentido deles. A juventude e a ancianidade, igualmente, são complementares porque são diferentes estágios de uma mesma jornada. Cada jovem é um ancião em construção. Por fim, a tradição e o progresso, da mesma forma, são complementares. A tradição representa a trajetória da humanidade que mantém a herança cultural que nos trouxe até aqui, enquanto o progresso desenvolve e aperfeiçoa o presente para que cheguemos melhores mais além. O desafio entre progresso e tradição é “não jogar o bebê fora com a água suja”. Portanto, somente são antônimas a soberba e a humildade, porque quando a soberba da ciência, da juventude e do progresso se sobrepõem a importância da espiritualidade, da maturidade da ancianidade e da cultura da tradição não há espaço para a humildade. O caminho inverso, da mesma forma, não é positivo.

Louis Pasteur, nessa passagem de sua vida, foi um exemplo de humildade, porque não permitiu que a ciência anulasse a sua espiritualidade; que a juventude o transformasse em velho; que o progresso descartasse a herança da tradição. Sem nenhuma soberba ele pode deixar uma mensagem para um jovem que talvez estivesse velho, marcado pela soberba que se sobrepôs à humildade.

Que tipo de ancião você está se construindo?

Moacir Rauber

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FISEC 2023: IMAGINAÇÃO, MOVIMENTO E AFETO!

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O dia 01 de fevereiro finalmente chegou e junto com ele uma excelente notícia.

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A DANÇA E O MOVIMENTO NO BAILE DA VIDA

Fonte da imagem https://ensaiosdedanca.weebly.com/valsa

A Dança e o Movimento no Baile da Vida

A filha não queria estudar porque lhe parecia chato. O pai havia tentado argumentar usando o bom senso, a autoridade, a coação e nada ajudou. Por fim, optou pela recompensa, o que provocou uma breve mudança antes que voltasse a ser como antes. A filha não queria estudar, porque era tudo muito demorado e não terminava nunca. Um dia eles foram a uma apresentação de danças de salão. A filha ficou encantada em como os bailarinos dançavam alinhados e sincronizados cada um exibindo diferentes passos. O pai fez a conexão e disse:

– Filha, o que você está vendo?

Ela não disse nada.

– De fora parece meio confuso, mas todos estão no mesmo ritmo. E as pessoas não começam a dançar para chegar no fim. Elas dançam para aproveitar o baile. Assim é a vida. Assim são os estudos…

Num mundo que nos parece caótico, porque não sabemos para onde ele vai, a dança de salão faz um paralelo perfeito. Ao se observar de fora parece que cada um está fazendo o movimento numa direção diferente. É o caos. Não entendemos. Ao participar da dança o caos continua, mas constata-se a existência de várias ordens dentro de uma ordem maior. Igualmente, cada participante sabe que é preciso dar o passo seguinte. Não se pode parar. É preciso acompanhar o movimento com as habilidades e competências próprias. Porém, a escolha do movimento é individual e deliberada, podendo ser desenvolvida e aprimorada. O que representa o movimento no nosso dia a dia pessoal e organizacional? É a escolha de participar da dança ou ficar como espectador. Para participar é fundamental estudar e desenvolver as capacidades para aproveitar o baile, a vida. Os estudos são um começo para entender o movimento, o ritmo e a direção. Fazer uma faculdade nos formatos presenciais ou virtuais é uma escolha para aprender os passos da dança. São muitas as danças na vida. Nas organizações cabe a cada um observar o todo organizacional para saber a direção do passo e as competências a serem desenvolvidas para se alinhar num mesmo objetivo. Portanto, o MOVIMENTO é uma escolha deliberada para sair da imaginação para a realidade, motivando a que cada um desenvolva os seus recursos (hard skills e soft skills) para exibir um lindo passo na dança, no baile e a vida. A consciência do movimento faz com que se ampliem as capacidades individuais produzindo resultados coletivos por meio da expansão da imaginação, do exercício da criatividade e da implementação da inovação. O movimento que você faz ajuda a que você transforme o abstrato em realidade? Ele contribui a que você deixe de ser espectador para participar do espetáculo da dança?

A filha continuava a olhar encantada para os dançarinos daquela valsa. Havia a sincronia do movimento na dupla, alinhados com a direção do movimento dos demais bailarinos. Ter a possibilidade de escolha não quer dizer fazer o que eu quero independentemente dos outros. É fazer o que eu quero respeitando os outros. Por isso, os corpos de cada dupla se moviam de uma maneira que revelavam o gozo da execução do movimento e o prazer de estar presente. Nos bailarinos se podia ver a fruição de cada passo da dança, com a mente aberta para aprender, colaborar, construir e seguir o movimento no baile. Assim, os bailarinos dançavam e aprendiam a cada passo dado, inclusive ao observar os outros. O pai pergunta:

– Você gostou, minha filha?

– Adorei!!! Respondeu a filha.

– Participar ou ficar de fora depende de você fazer o movimento para aprender a dançar e participar do baile da VIDA!

É o movimento agitando o corpo, estimulando a mente e alimentando o espírito. Com o movimento participamos da vida entendendo que “a meta não se alcança no final do caminho, mas cada passo é a meta” (Monge David Steindl-Rast).

Qual é o MOVIMENTO que você faz no BAILE da VIDA?

Moacir Rauber

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EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA

Expansão da consciência!

Em 1986 fiquei paraplégico e parecia que o mundo tinha acabado. As possibilidades pareciam reduzidas e acreditava que não poderia mais dançar, que não seria possível jogar futebol, que não teria mais uma vida amorosa e que a vida, talvez, não valesse mais a pena. A ideia de suicídio rondava a cabeça. Precisava expandir a consciência sobre as possibilidades, porque eu somente via as limitações. O que fazer? Enveredar pelo caminho do álcool e das drogas para fugir da realidade? Tomar um alucinógeno? Foi nesse momento que tive uma oportunidade de ouro: passar três meses no hospital. Como assim?

Num esforço de minha família e da clínica de fisioterapia me levaram para um hospital de reabilitação. Não se tratava de recuperação. A missão do hospital era ensinar a cada um dos pacientes a viver com as capacidades disponíveis. Ao chegar no hospital via outros jovens, que assim como eu, estavam paraplégicos ou tetraplégicos. A primeira reação foi a de rejeição, porque eu queria a recuperação. Na condição física de paraplégico, parecia que não conseguia fazer nada sozinho. A vida seria muito limitada. Será? A interação com os médicos, enfermeiros, colegas de reabilitação e os voluntários, devagarzinho, expandiu a consciência. Comecei a perceber que podia sair da cadeira para a cama sozinho. Era diferente do que fazia antes, mas era possível. Exigia mais esforço. Tomar banho sozinho, igualmente, era possível, embora precisasse mais espaço. Todos os novos movimentos precisavam da consciência plena. Num segundo momento, me convidaram para jogar basquete sobre rodas e praticar a natação. Vi que o esporte era uma possibilidade. Os voluntários mostravam as possibilidades, fazendo que o processo de expansão da consciência me mantinha em contato com a realidade ordinária das coisas e das pequenas conquistas. Dançar também estava ao meu alcance, assim passei a ter a sensação de que eu podia tudo! Voltava a olhar para o céu e agradecer o privilégio da vida. As limitações existem? Sim, é óbvio. Existem para mim e existem para você. Existem para quem usa cadeira e para quem vai de bicicleta. Existem para quem vai de carro ou de ônibus. Existem para quem vai de avião ou para quem vai de trem. Depende de como você olha para o ambiente que te rodeia. O que você quer ver? Trata-se de uma escolha que vai permitir que você veja as possibilidades ainda que com diferentes capacidades, sem comparações. Não é utopia, para expandir a consciência basta observar aquilo que se tem. O que você tem? Lembre-se: você é incomparável, você é humano, você é DIVINO!

Você quer expandir a consciência? Não é preciso recorrer a nenhuma droga ou alucinógeno, basta se manter em contato com a realidade que as possibilidades são inúmeras, independentemente de suas capacidades. Destaco um exercício infalível para a expansão da consciência: o trabalho voluntário em instituições de caridade. Contribua numa instituição que ajuda no combate a fome que a tua fome de expansão da consciência será atendida. Voluntarie-se num hospital psiquiátrico de pessoas sem família que a tua consciência sofrerá um processo de expansão irreversível com a gratidão pelos dons e capacidades que tem. Doe parte do seu tempo para uma instituição que atende idosos abandonados que as histórias contadas e escutadas te levarão para outra dimensão expandindo qualquer limitação que você pense ter. Não se compare, porque você é singular e plural; você é único e múltiplo. A expansão da consciência é uma opção individual. Use a sua imaginação de forma consciente. Faça um movimento deliberado. Tenha na imaginação e no movimento o AFETO. De carro? A pé? Em cadeira de rodas? Não importa. Para expandir a consciência saiba que você afeta o mundo e com AFETO o mundo é melhor.

Depois, caso queira, tome uma taça de vinho e durma com a consciência tranquila.

Moacir Rauber

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UM MUNDO COMPARTILHADO

Um mundo compartilhado

Os espaços compartilhados por aplicativos mudaram o patamar das relações entre as pessoas. Ainda que a alguém pague pelo espaço, ele está na casa, no apartamento ou no quarto de outra pessoa, que, quase sempre, é igualmente usuária do sistema. Ora hóspede, ora anfitrião. Nunca amo ou lacaio. Uma lástima que nem todas as pessoas entendem assim. Na última semana o aplicativo nos enviou jovens que, aparentemente, tinham a intenção de mudar o mundo. Enquanto escolhia a chave para abrir o portão, minha esposa e eu escutávamos a conversa dos dois jovens que tocavam a campainha. Não, porque não é possível que a praia esteja poluída, porque as pessoas não respeitam o meio ambiente… e o outro concordava demonstrando a indignação comum. Abrimos o portão, falei boa tarde em alto e bom tom, expressando-me com um sorriso de boas-vindas, enquanto estendia a mão para cumprimentá-los. Qual não foi a nossa surpresa ao ver os dois passarem por nós, dirigindo-se diretamente para a casa onde se hospedariam? Da soleira da porta um deles olhou para trás e disse:

– Ei, traga a minha mala!

A descrição da cena é um fato. Minha esposa e eu, inicialmente, fomos ignorados e em seguida veio a ordem, porque não a escutei como um pedido. Isso é minha interpretação. Olhei para a minha esposa com cara de espanto, indagando-me: qual é o mundo que esses jovens querem mudar? O comportamento deles criou em mim um sentimento de frustração, porque tive a necessidade de respeito não satisfeita. Aqui se fala da perspectiva da Comunicação Não-Violenta (CNV) sobre a cena. Do prisma da Inteligência Positiva pude observar na mente e sentir no corpo a força dos meus sabotadores subjugando o sábio. O meu Crítico apoiado pelo Controlador gritou dentro de mim, Quem esses pentelhos pensam que são? Vai deixar por isso mesmo? Logo o meu Crítico associado ao Esquivo pensou, Deixa quieto. Não compre uma briga agora. Em seguida o meu Crítico já escutava a Vítima, Que @#$, tudo acontece comigo. A interpretação, os pensamentos e os sentimentos ocorreram nesse espaço de tempo em que não reagi. Seria o momento de reagir? O que fazer? Como me expressar? O quarto passo da CNV é o pedido, que deve ser claro, positivo, factível, no presente e que expresse uma necessidade. O que eu diria caso dissesse algo sob o domínio dos sabotadores? Muito provavelmente, não seria nada positivo. Sugere-se a Pausa, o Passo 0, para resgatar o contato com a realidade ao diferenciar os fatos de sua interpretação. A interpretação da realidade viaja na imaginação, que pode nos levar ao julgamento e a fazer um movimento que afete sem afeto. A Pausa diminui a influência dos sabotadores e traz à tona o Sábio com os seus poderes de empatia ao explorar, navegar, inovar e ativar para saber o que traria os melhores resultados. Naquele momento nada estava claro. Ainda assim, fechamos o portão e saímos em silêncio, sem mover a mala. Era a Pausa em Ação, porque o silêncio e o movimento foram eloquentes. Foi um movimento sábio? Não sei, foram usados os recursos que tínhamos.

Ao pesquisar um pouco mais sobre os visitantes descobrimos que eles eram ativistas ambientais. Fatos. A imaginação me leva a pensar que eles têm serventes em casa, mas querem mudar o mundo da porta para fora. Interpretação. Oxalá esses jovens possam repensar o seu papel para afetar com afeto, fazendo movimentos a partir da imaginação de um mundo melhor com a humildade para realizar as atividades ordinárias.  que gerem resultados extraordinários. Entendo que entre pessoas não há mais espaço para amos e lacaios a partir do momento em que cada um carregue a sua mala, arrume o seu quarto, responsabilize-se pelo seu lixo e cuide do seu jardim. Com esse movimento se pode imaginar um mundo em que todos afetem com a consciência do AFETO. Não se trata de aprender a compartilhar uma casa, mas de entender que compartilhamos o mundo no qual somos hóspedes e anfitriões.

Moacir Rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.