Qual é a sua mentalidade?

Qual é a sua mentalidade?

A Reinvenção da pessoa com mente e coração flexíveis

A conversa era do dia a dia. Pai e filho estavam em sintonia. De repente, um comentário do pai sobre a desorganização do filho em seu quarto e o descuido com os materiais escolares fez com que tudo desandasse. A alegria do filho se transformou em birra. A birra migrou para uma discussão em que o pai perguntou:

– Qual a razão para você querer brigar?

O filho responde:

– Ah, pai, eu sou assim mesmo.

E continuou se descrevendo com uma pitada de orgulho como ele era briguento, genioso e conflituoso. Reconhecer-se e entender as próprias características é indispensável para poder mudar, caso alguém queira mudar. Entretanto, da maneira como o rapaz se expressava ele não demonstrava o entendimento de que ele gostaria de mudar. Na sua fala, ele exaltava as suas atitudes de ser voluntarioso como algo de que ele orgulhava. Na expressão “eu sou assim mesmo” se revela um jovem com mentalidade fixa. Segundo Carol Dweck em seu livro Mindset, o jovem pode ser vítima de suas crenças que o limitam a ser aquilo que ele acredita ser naquele momento. Não há espaço para desenvolver as competências atuais, apenas a necessidade de provar que você detém determinada quantidade de inteligência; que você possui uma personalidade específica; e que você apresenta um comportamento moral típico. Aquele que possui uma mentalidade fixa passa a sentir a necessidade de provar para si e para os outros que ele é assim. Por outro lado, Carol Dweck descontrói a crença de que as pessoas são como são sem a possibilidade de incrementar a inteligência; sem a perspectiva de alterar a personalidade; e com um comportamento moral pré-determinado e definitivo. A mentalidade de crescimento estimula a que as crenças e as suas qualidade básicas podem ser cultivadas e desenvolvidas por meio de esforço e dedicação. Acredita-se que os talentos, as aptidões, os interesses e o temperamento podem ser alterados. Cada um pode ser como quer ser. Desenvolver-se ou ficar estagnado é uma escolha. A mentalidade fixa ou de crescimento está em cada um. Enfim, se o primeiro ponto é reconhecer as características próprias, a mentalidade de crescimento exige um segundo ponto que é querer mudar, a flexibilidade. Na conversa o pai indaga ao filho se com esse comportamento ele tem conseguido alcançar o que espera. O filho dá um sorriso e admite que não, os resultados quase nunca são positivos. Ao manter o comportamento genioso e, muitas vezes, antes de refletir, brigar e gerar conflitos ele tem acumulado inimizades e problemas. O filho conclui:

– É, vou ter que mudar isso…

Aí estão os passos de uma mentalidade de crescimento. Não se trata de “ter que mudar”, mas de querer mudar. A consciência e o desejo de mudança devem levar ao terceiro passo, que é fazer algo para mudar. É o movimento que está conectado ao propósito e a consciência da possibilidade de reinvenção. Um processo que exige uma mentalidade flexível e de crescimento. O método da mudança? Podem ser vários, porém ele inicia no mundo interno de cada um. Qual é o seu propósito? Você quer se reinventar? Estabeleça os passos para a mudança na direção pretendida, mantendo a rotina com a disciplina de quem tem a liberdade na mente e o desejo no coração. É a escolha de cada um.

Moacir Rauber

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E O DISCURSO?

A intenção é o propósito que é mais do que ganhar dinheiro.

Ação é a prática que é mais do que produtividade, competitividade ou conectividade.

Qual é a razão da produtividade? O que me oferece a competitividade? Qual é o sentido da conectividade?

É essencial que o discurso revele a intenção que justifique a ação pela elevação do nível de consciência. Qual é o sentido daquilo que você faz e daquilo que você fala? O sentido melhorará a produtividade e aumentará a competitividade por meio da conectividade.

Ser humano: um sistema completo, complexo e interdependente


Juntamente com a Professora Carolina Sá, publiquei o artigo Socialization Coaching: An Application for Welcoming and Integrating People (“The Point Out of the Curve”) Without Homogenizing pela Springer no livro “Coaching for Managers and Engineers” que está disponível no site https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-030-71105-4.
No artigo, a pretensão é que o Coaching, como ferramenta de acolhimento e de integração, entenda as pessoas como sistemas completos, complexos e interdependentes, reconhecendo cada indivíduo como um “Ponto Fora da Curva”. Dessa perspectiva, o coaching amplia as possibilidades de acolhimento ao estimular o movimento ativo de busca de integração, responsabilizando o colaborador e dando-lhe espaço para ser ele mesmo. Trata-se de reconhecer o outro como um “ponto fora da curva” sem descartá-lo, como às vezes indicado nas estatísticas; e integrá-lo ao ambiente organizacional sem homogeneizá-lo, como pode acontecer nas trilhas de aprendizagem; é o desafio das organizações que buscam manter a competitividade.

Ontem partiu um aprendiz!

Fonte:www.fotosearch.com.br

PROPÓSITO – CONECTIVIDADE – REINVENÇÃO

IMPACTOS – TECNOLOGIA – HUMANIZAÇÃO

(Re) Criar a Humanização pela Reinvenção da pessoa que faz o que faz Sentido!

Faz alguns anos que tive um privilégio: conhecer um jovem aprendiz de oitenta anos. Parece contraditório, mas não é. Era um amigo meu que se dispunha a aprender a cantar quando escrevia os últimos capítulos da sua vida. Ele trazia consigo o desejo juvenil de cantar. Não havia cantado por muitas razões, uma delas que ele não tinha “voz”. Por isso ele fez a sua carreira na engenharia e, com afinco, fez uma bela jornada. Os trabalhos que fazia, os fazia bem. Das pessoas que se aproximava, as tratava bem. Tinha talento para conectar as pessoas. Depois de aposentado se voltou para seus interesses mais genuínos. Em sua casa, bem-organizada, mantinha uma pequena oficina para atendimentos emergenciais. Não era uma profissão, era um hobby. Porém, ainda lhe faltava algo. Um de seus amigos o colocou em contato com um professor de canto e música da cidade. Os seus olhos brilharam. A sua paixão pelo canto se reacendeu. O meu amigo não teve dúvidas e começou as aulas. Explorou a teoria e a história da música. Conheceu e reconheceu a própria voz. Treinou e ensaiou muito. E, algum tempo depois, o meu amigo me liga:

– Hoje farei uma apresentação pública. O professor me convidou para cantar numa festa.

Ele estava empolgado. Da mesma forma, estava nervoso feito um adolescente frente às descobertas da vida. Ele encerrou dizendo:

– Você poderia passar aqui em casa para me dar uma carona até a festa?

É óbvio que sim. O que poderia ser mais gratificante do que estar presente num momento tão inspirador proporcionado por um amigo? Além da inspiração, a disponibilidade de ser aprendiz aos 80 anos nos mostra possibilidades de aprendizagem. Fala-se de propósito e dos seus impactos; da tecnologia e da conectividade; da humanização e da reinvenção. Enfim, fala-se em diversidade e oportunidade.

A diversidade é atendida ao trazer de volta e manter as pessoas com mais idade para nos dar motivação de criar soluções para problemas que os acometem e que vão nos acometer. Diminui-se o choque geracional e a diversidade cumpre o seu papel de enriquecer a experiência de vida de todos. A oportunidade se dá ao explorar um mercado em franca expansão. Enquanto existe vida, há paixão, renda e consumo. Enfim, ser aprendiz é uma questão de postura frente à vida. A neurociência esclareceu que a plasticidade cerebral permite que mantenhamos nosso nível de aprendizagem enquanto estivermos vivos, salvo se afetada por uma patologia. Carol Dweck advoga que a escolha do tipo de mentalidade é de cada um: mentalidade fixa ou mentalidade de crescimento. O que isso quer dizer? Há idosos com mentalidade fixa que não querem mais aprender, assim como há jovens que se recusam a aprender. Há idosos com a mentalidade de crescimento que se mantêm abertos à aprendizagem, assim como há jovens ávidos por aprender. Qual é a sua escolha?

Há alguns anos, numa sexta-feira à noite, passei pela casa do meu amigo e o levei para a festa. Usava seu melhor traje. Estava com a aparência serena e tranquila, mas o seu interior estava agitado como a de um menino que vai se encontrar com a amada. Ao me cumprimentar, gaguejou. Ao sair do carro, tropeçou. Para entrar na festa, escolheu a porta de vidro errada. Entramos e nos acomodamos. Ele tomou água. Eu tomei um café. A música começou com o professor tocando um repertório magnífico. De repente veio o convite. O meu amigo é apresentado. No microfone ele anuncia, La Barca:

– Dicen que la distancia es el olvido, pero yo no concibo esta razón…

E soltou a voz… Soltou o medo, a insegurança e a ansiedade que se transformaram em combustível para uma carreira que se iniciava aos oitenta anos. Cantou os seus boleros em festas, casamentos e bares. Ele se reinventou usando a conectividade e o propósito a partir de uma mentalidade de crescimento. (Re) criar a humanização na era digital passa pela reinvenção da pessoa para que possamos finalmente chegar à sociedade do sentido. Nesse ponto, é importante observar a tecnologia e como fazemos para que ela trabalhe a nosso favor e a favor daqueles que nos rodeiam: a conectividade. É essencial considerar os impactos resultantes dos nossos movimentos nas nossas equipes, organizações e pessoas: faz sentido? É o propósito. Por fim, a reinvenção da pessoa como indivíduo que faz o que faz sentido nos levará ao caminho de (re) criar a humanização. O exemplo do meu amigo aprendiz que se reinventou nos aproxima de uma sociedade diversa, a partir da tecnologia que o conectou com outras pessoas e permitiu que ele fizesse algo que faz sentido: ele (Re) criou a humanização ao vencer estereótipos limitantes. Isso tudo o levou a realizar um sonho de juventude que se manteve juvenil.

Como num bom livro, o meu amigo escreveu o seu melhor capítulo no final de sua vida e ontem ele partiu para ser aprendiz e ensinar em outros palcos…

Moacir Rauber

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você está indo para onde quer ir?

Quais são as suas competências socioemocionais?

“Recebemos em nossa natural condição humana a continência, a paciência, a temperança, a constância, a resistência (resiliência) e outras competências semelhantes a essas, como forças excelentes e válidas. Estas, com as resistências e oposições, vêm em nosso auxílio diante das dificuldades do dia a dia. Se exercitarmos essas competências e sempre as mantivermos prontas, elas nos ajudarão de tal forma que nada do que nos acontecer parecerá duro, doloroso ou intolerável. Basta-nos pensar que tudo pertence à realidade humana que se curva pelas competências que existem em nós.”

(Antônio, O Grande – texto escrito entre 250 e 356 d.C.)

O texto acima foi escrito há 1700 anos e está mais atual do que nunca. Hoje, quando escutamos que é necessário que reforcemos nossas competências socioemocionais para validar nossas competências técnicas, acreditamos que estamos diante de algo novo. Ao buscar textos antigos é fácil se aperceber que nos falta um pouco de humildade e de reconhecimento para com aqueles que já percorreram o seu caminho.

É essencial seguir desenvolvendo aquilo que realmente importa, a começar pele humildade:

Quais são as suas forças?

Quais são as suas virtudes?

A sua rotina o leva para onde você quer ir?

OBSERVAÇÃO: do texto original substitui a palavra “virtudes” por “competências”.

Está clara a sua comunicação?

Está clara a sua comunicação?

As dificuldades da comunicação organizacional, em geral, estão ligadas a falta de clareza. Falamos muito nas entrelinhas e sem todos os elementos necessários. O mais natural seria que nos comunicássemos de forma objetiva e direta o que se pretende transmitir, utilizando os recursos mais adequados para o meio onde nos encontramos. Um exemplo clássico de uma mensagem clara e completa está na promessa de casamento:

– Eu, Fulano, recebo-te por minha esposa a ti, Cicrana, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da minha vida.

Está muito claro (1) quem promete, (2) para quem promete, (3) o que promete, (3) em quais condições vai cumprir o prometido e (5) por quanto tempo se compromete. Na comunicação organizacional as mensagens que seguirem essas recomendações serão efetivas. Mesmo assim, as entrelinhas são constantes em nosso processo de comunicação. Justificadamente, usa-se o sentido nas entrelinhas para manter o encanto e a magia, levando a sedução aos românticos e apaixonados. Usa-se o sentido nas entrelinhas nas poesias que comunicam muito além das palavras literalmente escritas. Usa-se o sentido nas entrelinhas na tela do artista, que neste recurso encontra uma forma de ampliar a grandeza de sua obra. Usa-se o sentido nas entrelinhas para provocar a reflexão sobre determinados assuntos, para despertar a curiosidade, fazendo com que a pessoa a quem se destina a mensagem construa seu próprio conhecimento, como na relação do professor com seu aluno. Usa-se o sentido nas entrelinhas para criticar um sistema que não permite ser censurado, sendo uma ferramenta importante na mão de críticos e jornalistas em países onde a liberdade é cerceada. Em nenhum destes processos de comunicação o sentido nas entrelinhas das mensagens denota falta de capacidade. Em todos eles o sentido nas entrelinhas destaca o belo, o bonito, o bom e a boa intenção, explícita ou implicitamente. Ressalta-se a capacidade do ser humano de criar, de imaginar e de instigar novas interpretações para uma mensagem, independentemente do modo como ela foi transmitida. Entretanto, o sentido nas entrelinhas também é utilizado por quem não deveria. Muitos diretores, gerentes e colaboradores nas empresas pecam ao não comunicar com sua mensagem tão somente o que ela tem a dizer. Peter Drucker, guru da administração, afirmava que 60% dos problemas das organizações empresariais se referiam as falhas de comunicação, causadas pela falta de clareza, agigantando problemas e criando confusões pelo sentido dúbio das mensagens. Portanto, em sua comunicação organizacional siga os passos propostos por quem já se comprometeu na promessa de casamento: está claro (1) quem e (2) para quem se fala? Está explícito (3) o que se fala? Estão estabelecidas (4) as condições daquilo que se fala? Está delimitado (5) o prazo daquilo que se fala? Cumpridas essas condições, pode mandar a mensagem.

Dizer o que deve ser dito com educação e respeito na vida pessoal e organizacional garantirá relações mais tranquilas e duradouras. Oxalá alcancemos o dia em que as mensagens somente tragam sentido nas entrelinhas para ressaltar o belo, a emoção e a boa intenção, destacando a capacidade humana de ampliar o mundo por meio da imaginação e do mistério. Einstein dizia que “a mais bela emoção é o mistério. Se o homem soubesse de tudo, sua vida perderia a graça, pois a beleza está na curiosidade, no estudo, na pesquisa, na hipótese, na sensação de que sempre falta alguma coisa a saber”. Enfim, muitos casamentos terminam não por falta de clareza daquilo que foi prometido, mas simplesmente porque acabou o mistério, …

Moacir Rauber

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Quanto vale a segurança para você?

Uma reflexão sobre a diferença entre tragédia e acidente para que cada um possa assumir o protagonismo do seu comportamento no trânsito.

Saber que cada um AFETA o mundo com o seu comportamento e que ao fazê-lo com AFETO teremos um mundo melhor. Um trânsito mais seguro!

QUANTO VALE A SEGURANÇA PARA VOCÊ?

E o discurso?

A intenção é o propósito que é mais do que ganhar dinheiro.

Ação é a prática que é mais do que produtividade, competitividade ou conectividade.

Qual é a razão da produtividade? O que me oferece a competitividade? Qual é o sentido da conectividade?

É essencial que o discurso revele a intenção que justifique a ação pela elevação do nível de consciência. Qual é o sentido daquilo que você faz e daquilo que você fala? O sentido melhorará a produtividade e aumentará a competitividade por meio da conectividade.

Propósito e Conectividade para a Reinvenção da Humanidade!

A reinvenção da Humanidade

– Falar de propósito é muito bonito, mas se no final do mês eu não pagar os salários, os impostos e as contas, a empresa fecha. Eu preciso faturar!

Foi a fala do empresário que está carregada de verdade. Porém, a verdade presente nessa fala transmite uma visão negativa do setor produtivo que não é verdade. Tem-se a impressão de que o empresário tem como propósito “ganhar dinheiro” ao manter o foco em “preciso faturar”. Entretanto, incluir o propósito na fala e na vida dos diretores, investidores e gestores pode nos levar a desmistificar a visão negativa que se construiu sobre o setor produtivo. Ocupar-se de manter uma atividade que tenha um propósito pode e deve ser lucrativo, porque não se trata de somente não fechar as portas. Avançamos para um projeto de reinvenção de ser humano com um propósito claro para se estabelecer novas conexões. E essa tarefa começa com um exercício de humildade assertiva da cúpula organizacional. Qual é o propósito real na fala do empresário? O que ele gera ao pagar os colaboradores, as contas e os impostos? Se respondermos a essas perguntas com mais profundidade chegaremos ao propósito do empresário que vai além de “ganhar dinheiro”. Ao pagar os colaboradores ele contribui na realização dos seus sonhos. Ao pagar as contas ele fomenta a que outros negócios prosperem. Ao pagar os impostos ele provê as condições para que o setor público cumpra com a sua função. Assim, ao analisarmos em profundidade o que está envolvido ao se manter uma atividade produtiva se pode perceber que ganhar dinheiro é uma consequência, nunca o propósito. Da mesma forma, a conectividade virtual e física que mantém um negócio com as suas portas abertas vai muito além do networking construído pelas pessoas e empresas. Ele avança para aquilo que você pode contribuir com quem você conhece e não somente com o que você vai receber de quem você conhece. E essa postura exige uma reinvenção do comportamento e do discurso. Não basta somente ser honesto é fundamental parecer honesto, diz o ditado. No meio empresarial atual, não basta somente gerar bem-estar, é fundamental alinhar o discurso com a prática. Assim, o desafio é que as pessoas, gestores ou geridos, busquem o seu propósito muito além da atividade. Que as pessoas saibam como podem ajudar muito mais do que serem ajudadas. Que as pessoas se reinventem numa viagem profunda para dentro de si e que entendam o seu verdadeiro papel na humanidade. O mundo é melhor porque você está nele? Caso contrário, por que você está nele?

Voltando ao comentário do empresário, caso ele se aprofunde na importância do seu papel, ele vai perceber que há um propósito na sua atividade. O propósito é mais do que ganhar dinheiro, assim como a conectividade é mais do que o networking. A reinvenção da humanidade passa por um alinhamento do discurso com a prática. Muitas vezes, o discurso do bem-estar pelo assistencialismo é bonito, mas os resultados são perversos. Por outro lado, o discurso da produtividade pode parecer duro, mas os resultados são o bem-estar. A elevação do nível de consciência da importância do papel de todos os atores envolvidos no cenário das organizações é que permitirá o alinhamento entre propósito, conectividade e reinvenção. Enfim, a reinvenção da humanidade passa pela conectividade com propósito.

Moacir Rauber

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O grande come o pequeno? não mais…

PROPÓSITO, CONECTIVIDADE E REINVENÇÃO

O grande come o pequeno? Não mais…

Acompanhava uma moça que estava aprendendo a dirigir. Ela disse que havia se assustado ao se encontrar numa rua de mão dupla em que num ponto havia um carro estacionado do lado direito e, na mesma altura, outro carro estacionado do lado esquerdo. O espaço de trânsito havia se afunilado e quando ela se aproximava desse ponto, do lado contrário vinha um ciclista. Ela pensou:

– Ele é menor. Ele que se cuide!

Trata-se de uma moça do bem, entretanto nesse momento se sobressaiu o instinto de competição e de sobrevivência. A sua reação foi insensata, assimétrica e de afirmação presentes no instinto da seleção natural que se mantém por meio de vencer e de dominar. Portanto, quando a seleção natural comanda as ações na vida organizacional, cria-se um ambiente de guerra. Quando a competição é levada para as relações surgem os jogos de poder e de manipulação que destroem os sonhos e as amizades. Desse modo, quando o pensamento instintivo de que “eu sou maior”, por isso, “o menor que se cuide” se sobrepõe ao cuidado, ao amor e a compaixão humanas, transforma-se tudo em guerra. “O trânsito é uma guerra!” confirmada pelo número de vítimas. Nas organizações são travadas guerras por funções, poder e dinheiro. Nas famílias e nas amizades a manipulação pode ser vista nas pequenas coisas do dia a dia. É possível mudar isso? Acredito que sim, porém a luta começa antes de estar na rua, de entrar numa empresa ou de iniciar um relacionamento. Evoluir para sairmos do estado de guerra da nossa condição instintiva exige a tomada de consciência dessa realidade. Pensar no propósito da minha existência e na conectividade das minhas relações exige pensar na reinvenção do comportamento. Caso eu esteja numa posição mais segura, mais confortável ou privilegiada, antes de pensar “ele que se cuide” deveria pensar “eu cuido dele”. Trata-se de evoluirmos para um estado de contribuição deliberado. Pode-se falar aqui da mentalidade fixa que está no caráter instintivo de nossas ações, mudando-as a partir de uma mentalidade flexível em que nos definimos por nossas intenções. Com isso passamos a nos indagar: o mundo é melhor porque estou nele? Na seleção natural de Darwin o maior come o menor. Importante constatar essa realidade. Porém, para que evoluamos como pessoas, e não somente que nos perpetuemos como espécie, é fundamental ultrapassar o estado de guerra presente nessa constatação. “Eu sou maior, assim eu cuido do menor” uma ideia que se levada ao trânsito fará dele um lugar mais seguro. “Eu sou maior, assim eu contribuo com o menor” uma ideia que dentro das organizações fará com que o desenvolvimento seja uma realidade e não somente um discurso. “Eu sou maior, assim eu amo o menor” é uma realidade nas famílias na relação entre pais e filhos e que pode ser levada para as relações conjugais e de amizade. Por trás dessa evolução é fundamental que haja um propósito: qual é a sua intenção? É essencial que eu tenha consciência do impacto da conectividade: o mundo é melhor com a minha presença? É indispensável a reinvenção: o que mudou dentro de mim?

O exemplo da menina do início marca que a evolução de um estado de guerra para um estado de contribuição está em movimento. O seu primeiro pensamento foi, “Sou maior, você que se cuide”. Entretanto a sua ação foi de cuidado e de compaixão, porque na sequência ela parou o carro e deixou o ciclista passar. É a reinvenção de comportamento que vai conectar as pessoas que têm propósito, porque não se trata mais de vencer ou de dominar e sim de se conectar para contribuir.

Fonte: pinterest

Moacir Rauber

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