Por que as pessoas ainda não são a preocupação principal das organizações?

As pessoas “ainda” não são a preocupação principal de muitas organizações, mas serão!

O foco nas pessoas na gestão de qualquer organização está caminhando para o centro do processo. Pode parecer uma visão otimista, mas basta pensar que “não existe nada fora da natureza que não seja feito pelas pessoas e para as pessoas” . Pergunte-se: existem empresas sem pessoas? Você conhece uma família sem pessoas? Como  seria a sociedade sem pessoas? Para que criar produtos sem as pessoas? Nada tem sentido sem as pessoas!

Desse modo, sempre me pergunto: por que, afinal, a preocupação com as pessoas ainda não está no centro decisório de cada organização? Alterar o foco para as pessoas na gestão das organizações é o desafio de cada Ser Humano que tenha consciência de que a sua individualidade pode inspirar a coletividade.

ESARH 2018:

Inspirar pessoas para potencializar o coletivo!

Quem controla a empresa?

O CEO, o Diretor Presidente ou mesmo o dono de uma empresa não controla as pessoas da organização. Ele precisa daqueles que estão nela, assim como aqueles que nela estão precisam da organização. Há uma relação de interdependência!

O CEO, o Diretor Presidente ou mesmo o dono de uma empresa é apenas mais um na relação!

Independência?

A independência, muitas vezes, não passa de uma ilusão da juventude em que se luta por algo que não é possível. Independência do que, do outro?

Nós somente existimos porque existe o outro. Nós somente nos realizamos na presença do outro. Desenvolver todas as suas potencialidades é uma forma de reconhecer e de INSPIRAR o outro para que ele também seja tudo o que ele pode ser.

Por isso, na realidade nós somos essencialmente interdependentes.

Eu sou materialista, e você?

Ao observar como as pessoas produzem, consomem e descartam os materiais fiquei pensando que talvez devêssemos ser mais materialistas. Saímos rapidamente de produtos duradouros para os produtos descartáveis. As gerações passadas se preocupavam em adquirir produtos para uma vida. Era a qualidade de um produto que se traduzia em durabilidade que fazia a diferença. Hoje a qualidade está ligada a tecnologia que não está ligada com a durabilidade. Tudo é feito para se usar hoje pensando que amanhã já estará ultrapassado. Essa ideia se aplica aos carros, as geladeiras, aos celulares, as TVs e aos computadores entre outros tantos produtos que são criados para que sejam jogados fora. Isso estimula a que as pessoas comprem novamente um produto para atender uma mesma necessidade com uma roupagem ou algum item tecnológico diferente. Porém, pergunto: é possível jogar algo fora? Eis a questão. Nada daquilo que nós produzimos é passível de ser jogado fora. Descartamos, mas não jogamos fora. Jogamos dentro do ambiente e do planeta. Por isso defendo que nós sejamos materialistas.

Ao analisar aquilo que se entende por materialista, pode ser relativo a uma pessoa que procura se satisfazer por meio do acúmulo de bens materiais. Muito comum. Também pode ser interpretado como não havendo nada além da matéria e serve como base para explicar todos os fenômenos com os quais nos deparamos, entre eles os mentais, os históricos e os sociais. Espirituais? Não há. O materialismo histórico se volta para a forma de produção econômica como o único elemento que determina o desenvolvimento histórico e social. Como está na moda! Em parte são esses os conceitos que incorporamos no dia a dia, entretanto há algo paradoxal nisso. Ao mesmo tempo em que a aquisição e o acúmulo de bens materiais indicam um elevado status social, a capacidade de descartar os mesmos bens também indicam a mesma coisa. É o apego aos materiais que faz com que se compre cada vez mais e com que se descartem os materiais mais rapidamente. Por isso, defendo que sejamos materialistas sem sermos apegados aos materiais. Acredito na importância de ser materialista com o cuidado com que se usam os materiais, porque nada pode ser jogado fora.

Desse modo, como nada pode ser jogado fora ou descartado, ser materialista é cuidar dos bens materiais que se precisa, que se consome e que se tem para não precisar comprar sempre um novo item a cada semana, mês, estação ou ano. Acredito que deveríamos voltar a pensar em produtos que possam ser utilizados por um prazo maior e que sejam usados até o final de sua vida útil. Disseminar um modelo em que se troquem os produtos quando não se pode usar mais é muito diferente do modelo vigente em que descartar produtos tem relevância social. Nada é pensado para quem é um materialista que cuida daquilo que adquire. Tudo é pensado para quem pensa em descartar aquilo que tem. Se alterar esse modelo não é viável, que pelo menos sejamos materialistas o bastante para produzirmos produtos que possam ser recicláveis e que os reciclemos; que possam ser reutilizáveis e que os reutilizemos; que possam ser reaproveitáveis e que os reaproveitemos. E que produtores e consumidores sejam responsabilizados pelos materiais que adquirirem, que usarem e que descartarem.

Desse modo, entendo e defendo que sejamos materialistas no cuidado com os materiais, sem sermos apegados no acúmulo de bens materiais. Afinal, nada pode ser jogado fora. Sou materialista para ser ambientalista. E você?

Foto: Piotr Krzeslak / Shutterstock.com

Você sabe com quem está falando?

ESARH 2018:

Inspirar pessoas para potencializar o coletivo!

Você sabe com quem está falando?

É uma pergunta que nos leva a acreditar que se está diante de uma suposta autoridade querendo sobrevalorizar a sua importância ou frente a alguém que quer desvalorizar a nossa importância por sermos um ser minúsculo num universo infinito. Porém, o que eu gostaria de destacar é que os gestores (e todos nós) deveriam se fazer essa pergunta sempre que estiverem diante de qualquer outro ser humano. E isso acontece todo o dia, não é? Pergunte-se: será que eu sei com quem estou falando? A partir daí se lembre de que você está falando com um ser humano único e singular no universo e que o universo somente é o que é porque este Ser Humano com quem você está falando existe. A posição hierárquica que ele ocupa? A condição financeira que ele desfruta? Isso pouco importa. O que realmente conta é que você está diante de uma pessoa que é o centro do seu universo. Não há nada mais importante para ela do que ela mesma, assim como você o é para você. Entender isso em todos os níveis nos levará a um mundo em que o respeito, a aprendizagem e a evolução humana passarão a trilhar um caminho inspiracional rumo a potencializar uma coletividade equilibrada.

A menina que roubava livros

A narração deste livro expressa uma sensibilidade que não poderia ser humana, ela é feita toda pela “Morte”. Apesar da afirmação “Eis um pequeno fato, você vai morrer”, ela nos conta a trajetória da menina que roubava livros com uma simplicidade e suavidade capaz de esmiuçar os diferentes sentimentos humanos, sejam eles bons ou maus. A Morte conta que havia mantido contato direto com a menina Liesel, principal personagem do livro, em três ocasiões: na morte de seu irmão menor, quando estava para ser adotada; na morte de um piloto aéreo das forças inimigas, na presença de seu melhor amigo, Rudy; e na morte de seus pais, quando a rua em que morava fora completamente destruída pelos bombardeios da guerra. A história se desenrola na Alemanha, no período nazista.

No início a Morte descreve com uma singeleza que beira a candura o seu trabalho, ao relatar como levou a alma do irmão de Liesel, quando eles estavam sendo levados para a adoção, dizendo que ao descer do trem “havia uma alminha em meus braços”. Em várias passagens a Morte expressa sua incompreensão referente às diferentes atitudes humanas, indo de um extremo ao outro. Neste momento a Morte também admitiu ter cometido o erro de se distrair, deixando-se levar pela curiosidade da história da Roubadora de Livros. O primeiro livro, O Manual do Coveiro, ela roubara sem querer no enterro de seu irmão, aos nove anos de idade. O auxiliar de serviços funerários o deixou cair próximo ao túmulo e ela o ajuntou instintivamente, levando-o consigo. Passado o episódio da morte do irmão Liesel chega a sua nova casa, conhece seus pais adotivos, Hans e Rosa Hubermann. A mãe é muito mal educada, usando sempre palavrões, mas em compensação o pai é muito dedicado e amoroso. Começa-lhe a ensinar a ler melhor, usando o livro que ela trouxera consigo. Nas noites em que ela acordava em meio aos pesadelos com seu irmão, o pai lia e tocava acordeão, contando-lhe histórias até a madrugada. Esses eram os momentos mais felizes de Liesel, que com o passar do tempo percebeu o quanto a mãe Rosa também lhe amava, apesar da rudeza das palavras. Neste meio tempo a guerra começa e a situação econômica se complica. O pai de Liesel não se havia filiado ao partido nazista, sendo-lhe mais difícil arrumar trabalho. Liezel ajuda a sua mãe de criação ao buscar e levar as roupas que ela lavava para as famílias mais abastadas, normalmente em companhia de seu amigo e não assumido amor Rudy. No mesmo período, Liesel também teve que guardar um segredo. O seu pai escondia no porão um judeu, Max, filho de um amigo que o salvara na primeira guerra. Com Max Liesel desenvolve uma relação de amizade muito forte, mas depois de um longo período ele teve que sair do seu esconderijo, porque os nazistas fariam uma vistoria nas casas. Reencontrou Max no final da guerra. O segundo livro Liesel o roubou numa fogueira na qual queimaram livros e artigos considerados contra o sistema. A guerra avançando e os clientes de Rosa começaram a dispensar-lhe o serviço. Um dia a mulher do prefeito, Ilsa, também lhe dispensou os serviços, dando um livro de presente para Liesel. Inicialmente ela o aceitou, mas depois o devolveu dizendo que não precisava de suas esmolas. Alguns dias depois retornou acompanhada de Rudy, entrou furtivamente pela janela e o roubou. Assim, sempre que ela se sentia angustiada com as situações difíceis do dia a dia ela voltava a biblioteca e levava outro livro, embora a Sra. Ilsa sempre soubesse. Os ataques da guerra começaram também a atingir a Rua Himmel, onde Liesel e Rudy moravam. Sempre que eram alertados todos os moradores se dirigiam a um abrigo subterrâneo, onde o medo tomava conta de crianças e adultos. Liesel começou a ler em voz alta para todos, perpetrando nela a paixão pelos livros e pelas palavras. Foi exatamente isso que lhe salvou a vida. Numa noite em que houve um ataque sem aviso prévio a rua foi completamente destruída. Seus pais, seus vizinhos e seu amado, mas nunca confessado Rudy, morreram dormindo, enquanto ela estava escrevendo no porão esta história. Quando os bombeiros chegaram encontraram uma menina de quatorze anos viva entre os escombros. A Morte que recolhia as almas por ali ficou surpresa. Ela viu a menina agarrada ao seu livro, que caiu de suas mãos ao perceber que todas as pessoas que amava estavam mortas. A Morte sorrateiramente agarrou aquele exemplar, pois havia se distraído mais uma vez. Este livro a Morte o mostrou a Liesel, muito anos mais tarde quando a foi buscar junto a seu marido, seus filhos e netos em Sidney, na Austrália. Liesel ficou surpresa ao ver seu livro tantos anos depois e enquanto acompanhava a Morte tranquilamente, ouviu ainda o seu comentário, “Os seres humanos me assombram”.

Um livro com uma linguagem simples e acessível, com um enredo ágil, fácil e envolvente, abordando a natureza humana com uma ingenuidade somente possível pela Morte.

Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Páginas: 494
Ano: 2007
ISBN: 9788598078175

 

Escutar a si mesmo: faz sentido para você?

Escutar a si mesmo: faz sentido para você?

Era um evento de autoconhecimento. Os facilitadores levaram os participantes para dentro de si mesmos. Alguns distinguiram as suas fraquezas. Outros identificaram as suas fortalezas. Quase todos reconheceram ambas. Todos falaram e ouviram. Nem todos escutaram ou se escutaram. Entretanto, todos ficaram satisfeitos, com uma exceção.

O participante insatisfeito se aproximou de mim e disse:

– De que me adianta contar a minha história para eles se ninguém nem me deu atenção?

O participante estava realmente indignado. Os outros permaneceram em silêncio durante o seu relato e o ouviram, mas não o escutaram. Ao final de sua história pessoal, que foi relatada de forma bem ordenada numa sequência que mostrava a perfeição do caminho da sua vida, ninguém fez nenhum comentário. Ninguém ficou admirado de como ele conseguira realizar tudo o que dissera que fizera. Ele compartilhara o seu êxito com todos, deixando transparecer o claro intuito de ensinar o caminho para todos. Porém, ao final de sua história ele olhou para o público e se deu conta de que até poderiam tê-lo ouvido, mas não o haviam escutado. E isso o deixou muito frustrado. Indaguei-lhe se ele havia se escutado. Ele me afirmou que era óbvio que sim. Não me pareceu tão óbvio assim.

Um evento de autoconhecimento, normalmente tem a pretensão de levar as pessoas para dentro delas mesmas. Tem também a pretensão de que as pessoas compartilhem seus aprendizados e estejam dispostos a aprender com os outros. Dessa forma, o aprender é uma opção. Por outro lado, todos ensinam o tempo todo, embora nem sempre estejam ensinando aquilo que pensam estar. Aquele participante que se sentiu frustrado porque não foi escutado tinha razão. Eles o ouviram, mas não o escutaram. A história que ele contou era perfeita. As escolhas certas, o trabalho dos sonhos e os relacionamentos maravilhosos. Tudo perfeito num ser humano imperfeito. Por isso, depois dos primeiros minutos muitos dos participantes passaram a se sentir incompetentes frente as suas próprias vidas. Na história contada faltou credibilidade, porque ninguém acreditou que ele a pudesse ter vivido. Ainda que todos busquem a felicidade, e ela é possível, tem-se a certeza de que no caminho sentiremos medo e coragem; tristeza e alegria; assombro e surpresa. A felicidade não é perfeita, porque ela é humana. Foi isso que o participante frustrado ensinou, porque ensinar não é opção. De uma forma ou de outra, nossas atitudes e nossos comportamentos sempre ensinam.

Por fim, ficou a reflexão de que se pode aprender e ensinar ao compartilhar as próprias histórias. Também se entendeu que podem nos ouvir quando nós contamos as nossas histórias e, dependendo de como as contamos, podem nos escutar. Porém, a reflexão mais importante é que aquilo que nós falamos deve fazer sentido para nós quando nos escutamos.

Quando você escuta o que fala isso faz sentido para você?

ESARH 2018: “Inspirar Pessoas para Potencializar o Coletivo”

ESARH 2018:

Inspirar pessoas para potencializar o coletivo!

O ESARH 2018 será um momento para:

despir-se do medo para inspirar coragem.

Despir-se da preguiça para inspirar disposição.

Despir-se da incompetência para inspirar desempenho.

Despir-se da raiva para inspirar tranquilidade.

Despir-se da mágoa para inspirar satisfação.

Despir-se do ressentimento para inspirar perdão.

Despir-se do preconceito para inspirar tolerância.

Despir-se do jogo para inspirar autenticidade.

Despir-se da tristeza para inspirar alegria.

Despir-se do desamor para inspirar amor.

Será um momento de se inspirar para inspirar pessoas!

Somos únicos. Somos múltiplos.