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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

INCLUSÃO E DIVERSIDADE: RESPEITAR PARA NÃO EXCLUIR

Fonte: IA BING

Inclusão e Diversidade: respeitar para não excluir

A reunião era para distribuir os responsáveis pelos cursos que cada professor daria como voluntário na universidade. Seriam cursos para concluintes do Ensino Médio, com temas como Contabilidade, Empreendedorismo, Idiomas, Administração, além de um bloco tratar de Inclusão e Diversidade. Cada professor atuaria na sua área de especialidade. O Diretor Acadêmico nomeava os professores, por fim, olhou-me e disse:

– Você se encarrega da Inclusão e Diversidade? Já que você é cadeirante…

Fiquei surpreso, porque não era a temática das minhas disciplinas e não fora contratado por ser cadeirante. Particularmente, sobre a inclusão prefiro a ideia da não exclusão e sobre a diversidade gosto de pensar que é uma condição natural dos seres humanos.

Ser usuário da cadeira de rodas me levava a ser visto como cadeirante, porém eu não era profissional em função dessa condição. Entendo que ao se transformar a condição em profissão se perde parte do interesse em resolver o problema com origem na condição. Qual seria o interesse em resolver os problemas de acessibilidade se essa fosse a minha profissão? O que fazer? Para a questão da inclusão e diversidade, acredito que a proposta do Desenho Universal oferece parte da solução, o restante vem do comportamento.

O Desenho Universal é um conceito criado na década de oitenta pelo arquiteto Ronald Mace, sendo um convite para mudar a percepção sobre a utilização dos produtos e a elaboração dos projetos desde a sua concepção. É proposto que o conhecimento e a tecnologia disponível criem ambientes acessíveis em que todos os produtos possam ser usados pela maioria, independentemente de sua condição. Assim, creio que muito mais do que incluir, os projetos urbanos, os produtos e os serviços deveriam ser pensados para não excluir. Como resultado teremos produtos, serviços e ambientes mais amigáveis para todos.

Portanto, Mace desenvolveu sete princípios: produtos, ambientes e serviços (1) igualitários que permitem o uso equiparável por pessoas com capacidades distintas, por exemplo o rebaixamento das vias. O princípio (2) adaptável fala de produtos flexíveis que podem ser dobrados, estendidos e mudados de acordo com o ambiente e o usuário, fazendo que as tesouras possam ser usadas por destros e canhotos. Igualmente que os serviços, equipamentos e espaços sejam (3) óbvios ao serem entendidos sem esforço cognitivo maior, como objetos simples de montar. O princípio do (4) conhecido propõe que a informação seja acessada pelos diferentes sentidos, como a sinalização redundante nos aeroportos. Da mesma maneira, produtos, serviços e ambientes (5) seguros ao preverem os riscos de usos descuidados, como elevadores com sensor. Outro é o princípio do (6) mínimo esforço em que a tecnologia crie produtos que não requeiram alto consumo de energia humana, como as lâmpadas acionadas por movimento. Por fim, o princípio de que tudo aquilo pensado seja (7) abrangente, permitindoo uso e o acesso livres, independentemente da condição corporal ou física.

Por fim, respondi ao diretor que trabalharia o tema, desde que pudesse usar o Desenho Universal como base e adotar a perspectiva da “não exclusão e da unidade”, começando pelo respeito às diferenças na identificação de necessidades comuns. Julgo que o respeito antecede os recursos tecnológicos e financeiros, uma vez que ele se reflete no comportamento. Adotar os princípios do desenho universal é importante? Sim, porém, as vagas de estacionamento para as pessoas idosas ou com deficiência são respeitadas? Muitas vezes não e isso exclui. As pessoas com seus animais de estimação cuidam para que eles não sujem o espaço público? Muitas vezes não e isso exclui. Exclusão como resultado do comportamento e da falta de respeito e não de tecnologia.

Desse modo, ao usar os recursos intelectuais, tecnológicos e financeiros disponíveis podemos chegar a não excluir ninguém, diminuindo a necessidade de classificar pessoas por grupos. Assim sendo, elimina-se a ideia das bandeiras em que “nós” estamos de um lado e “eles” do outro em que a condição, nesse caso, deixa de ser profissão.

Porém, isso tudo passa pela mudança de comportamento fundado no respeito.

Somos singulares e plurais!

Somos únicos e múltiplos!

Moacir Rauber

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CUIDADO, SIMPLICIDADE E POUPANÇA: ESCASSEZ OU ABUNDÂNCIA?

Fonte: IA BING

Cuidado, Simplicidade e Poupança: escassez ou abundância?

Ouvia o jovem casal falar sobre as dificuldades financeiras que enfrentavam depois de dois anos vivendo juntos. As carreiras de ambos ainda não haviam deslanchado, entretanto conseguiam fazer frente as despesas da realidade ordinária, pagando os gastos com moradia, alimentação, vestuário, estudos, deslocamentos e algum lazer. Economizavam, mas não o suficiente para as sonhadas viagens ou para comprar a casa própria. Ao voltar do supermercado, a esposa comentou:

– Sempre comparo os preços e levo o mais econômico. Vejo meus amigos gastando um montão de grana, mas nós não queremos gastar mais do que ganhamos…

Os dois demonstravam certa preocupação com a situação.

O que está por detrás desse comportamento? Particularmente, entendo que esse casal vive uma maturidade econômica que muitos passam a vida sem alcançar, inclusive nações. São tantos os países, entre eles o Brasil, que gastam mais do que arrecadam e, com isso, a população não sai da linha da pobreza econômica, educacional e social. Desse modo, escutar os jovens adotando um comportamento moderado frente aos estímulos de consumo a que estão expostos todos os dias é um alívio. Pode-se perceber neles o cuidado, a simplicidade e a poupança, como elementos básicos de quem tem a mentalidade da abundância, ainda que vivam momentos de escassez.

Acredito, por um lado, que a mentalidade de escassez é observada no comportamento de indivíduos que enxergam nos recursos econômicos disponíveis a fonte de felicidade. Com isso, não conseguem desfrutar do que dispõem, transformando-se em avarentos. Da mesma forma, a mentalidade da escassez está presente no comportamento da pessoa que não cuida, ostenta e desperdiça. Aqui trata-se de uma escassez emocional que se reflete no não cuidar, no ostentar e no desperdiçar. O não cuidar se manifesta ao não respeitar a si mesmo ou ao outro por meio de comportamentos exagerados; o ostentar se revela na busca desenfreada pelo luxo como forma de afirmação pela baixa autoestima; e o desperdiçar recursos, sejam eles físicos ou emocionais, confirma a mentalidade de escassez de quem não respeita e necessita se autoafirmar pela ostentação de quem compara o incomparável: as pessoas. Esses comportamentos, ainda que pareçam ter origem na abundância, tem suas raízes na escassez.

Por outro lado, a mentalidade da abundância está conectada com o cuidado, a simplicidade e a poupança. O cuidado se refere ao zelo, à atenção com as pessoas e as coisas, conectando-se diretamente com a simplicidade de não complicar a vida gastando mais do que se ganha. Assim, pode-se chegar à poupança, capacidade de economizar com a moderação de quem cuida com simplicidade. A mentalidade da abundância cuida porque respeita a si mesmo e ao outro; a mentalidade da abundância é simples porque não precisa se comparar, reconhecendo a própria unicidade e singularidade assim como a do outro; e a mentalidade da abundância poupa com o desapego da não acumulação, mas da fruição.

Portanto, ao escutar um casal jovem que foi e é exposto a todo tipo de estímulo de consumo exibir uma postura moderada, é motivo de esperança. Não se trata de não consumir, mas de consumir o que é necessário com a consciência da necessidade a ser atendida. Por isso, entendo que o cuidado, a simplicidade e a poupança são elementos essenciais de quem vive na abundância, enquanto o não cuidado, a ostentação e o desperdício são comportamentos de pessoas com a mentalidade da escassez.

Voltando ao casal de jovens que analisavam a sua situação financeira, depois do ar de preocupação veio o sorriso tranquilo de quem tem a mentalidade da abundância seguido da frase clichê:

– Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa menos…

No caso deles, ela refletia uma verdade, porque rapidamente saíram da preocupação com o futuro para a ocupação de quem desfruta o presente para dar uma caminhada na praia.

Por fim, creio não ser preciso ter muito para viver a abundância, porque aqueles que têm tudo, muitas vezes, não tem nada, porque vivem na escassez.

Moacir Rauber

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VOCÊ SE PREOCUPA OU SE OCUPA?

Fonte: IA BING

Você se preocupa ou se ocupa?

O pai passa pelo quarto do filho de 25 anos e fala:

– Levanta, você tem médico daqui a pouco…

Parece caricato, mas reflete a realidade de muitos pais com seus filhos em idade adulta que não trabalham, não estudam e não estão ocupados. Apenas preocupados consigo mesmo.

Entende-se que saímos de um modelo em que tínhamos uma hierarquia definida na família, que apontava o caminho e a pessoa seguia os passos; na sociedade, na qual o indivíduo participava; e na orientação espiritual, que servia de norte ético e moral. Hoje, para muitos, está nas próprias mãos escolher se trabalha, empreende ou não faz nada; decidir se casa, tem filhos, pets ou nenhuma das alternativas; enfim, se simplesmente define passar pela vida sem estudar, aprender ou trabalhar. Parece simples, fácil e um caminho para a felicidade. Entretanto, os números indicam um aumento de pessoas deprimidas e infelizes porque não entendem o sentido da vida. O que fazer? Reconectar-se com o sentido da vida. Como?

Atualmente, pesquisas a partir de testes no âmbito neuronal descobrem segredos para aprender mais rápido. A neurocientista Lila Landowski revela que precisamos de: (1) atenção; (2) estado de alerta; (3) sono; (4) repetição; (5) pausa; e (6) aceitar os erros para aprender. Segundo a neurocientista, que se aprofunda em detalhes, com esse passo a passo seremos mais eficazes no processo, porque “ao entender o cérebro você tem as chaves para desbloquear o seu potencial”. Concordo, entretanto, faço duas perguntas:  aprender para quê? Onde está a descoberta?

“Aprender para quê?” se refere a falta de sentido da vida para muitos, principalmente os jovens. Acredito que eles estão desconectados do sentido da vida pela falta de espiritualidade, um caminho trilhado por milhares de anos por toda a humanidade e que nos trouxe até aqui. Eram as tribos aborígenes da Austrália, os índios da América, assim como no Oriente e no Ocidente que traziam dentro de si a busca por algo maior. Não bastava ser bom para si mesmo, tinha que ser bom para a família, para os outros e para Deus. Hoje, em função de tantos estímulos tecnológicos e a abundância de recursos materiais, muitos se voltaram para a autossatisfação. Assim, não conseguem ver o sentido de aprender ou de se desenvolver como pessoa. Por isso, não estudam e não trabalham, terminando deprimidos porque estão apenas preocupados consigo sem se ocupar de nada. Nada tem sentido.

A segunda pergunta indaga sobre qual a descoberta da neurociência ao apontar caminhos para aprendizagem. Fotografar um neurônio não muda o fenômeno, apenas o registra. Vejo que as dicas das neurociências, podem ser encontradas na literatura de diferentes épocas. Resgatando os registros de Hildegarda de Bingen (1098 – 1179), ela descreveu seis Regras de ouro da Escola da Vida: (1) alimentar-se de maneira que a tua comida seja o teu remédio; (2) usar os recursos que a natureza oferece; (3) procurar a alternância natural entre sono e exercício; (4) encontrar o equilíbrio entre trabalho, leitura e oração; (5) purificar o corpo e a mente de toxinas alimentares e ambientais; (6) limpar a alma e o corpo fazendo jejum de emoções e sentimentos negativos. Como se vê, as dicas atuais, com respaldo das neurociências, apenas replicam conteúdos encontrados ao longo da história da humanidade.

Por fim, creio ser importante resgatar o sentido da vida como estímulo para a ocupação com a própria vida e da dos demais. Um homem de vinte e cindo anos deveria ser acordado pelo pai para ir ao médico? Como regra não. Acredito que ele deveria se ocupar da própria vida, assim como ser responsável por uma nova vida e, quem sabe, cuidar dos pais. Portanto, a busca pelo sentido da vida encontrado na espiritualidade pode ajudar a validar as dicas das neurociências, assim como deu respaldo às regras de ouro da escola da vida há quase mil anos.

Daí, quem sabe, o filho se ocupe com a vida e passe pela casa do pai para cuidá-lo ou simplesmente acompanhá-lo numa caminhada.

FELIZ DIA DOS PAIS!!!

Moacir Rauber

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COMO MANTER VÍNCULOS QUE IMPORTAM?

Fonte: https://pixabay.com/pt/

Como manter vínculos que importam?

A amizade surgiu nas salas de aulas da universidade e desenvolveu-se ao longo dos anos. Visitavam-se regularmente e nas datas festivas juntavam as famílias. A amizade era sólida e assim se manteve ao longo dos anos. Entretanto, no último encontro entre as amigas, elas entraram em conflito frente a disputa por uma vaga de trabalho almejada por ambas. Na discussão foram usadas palavras agressivas. Por fim, antes de se retirar, uma delas disse:

– Você é mal agradecida!

A frase expressava que uma delas sentia a falta de reconhecimento por parte da outra. Não disse que não se importava, apenas que algo não estava bem. Naquele dia as duas se separaram e não sabiam como voltar atrás, porque assim como “a flecha lançada” não há como recolher a “palavra pronunciada”. Entretanto, nenhuma das duas queria terminar a amizade que as unia há tanto tempo.

Desse modo, frente a um conflito, a primeira pergunta é: quero resgatar e manter esse vínculo? Se sim, é essencial começar a pensar: o que fazer? Na situação acima, a primeira oportunidade ambas haviam perdido ao não fazer uma Pausa Estratégica no momento em que surgiu a divergência que culminou no conflito. Entenda-se a pausa estratégica como um ato voluntário de tomar consciência daquilo que está acontecendo para saber o que importa. Muitas vezes, uma curta pausa muda tudo, inclusive evitando que palavras sejam ditas como flechas que machucam e nos afastam das oportunidades. Porém, acredito que “as oportunidades perdidas” nos dão a possibilidade de encontrar e criar novas. A sugestão é que se faça uma Pausa de Alinhamento para analisar qual é a intenção na relação e com o vínculo.

Como fazer uma Pausa de Alinhamento? Uma oração ou uma meditação pode ser entendida como uma Pausa de Alinhamento. Aqui a sugestão para resgatar a relação com a outra pessoa é que o interessado se coloque em estado reflexivo e de conexão consigo e com o outro. Há uma meditação desenvolvida na Universidade de Berkeley que fala de nossa humanidade comum, em que somos convidados a pensar na pessoa com quem tivemos o conflito para lembrar que ela tem um corpo, uma mente e uma busca, assim como você; ela tem sentimentos, emoções e pensamentos, assim como você; ela já esteve triste, desapontada, zangada, magoada ou confusa, assim como você; entre outras reflexões que nos reaproximam pela humanidade compartilhada.

Em seguida, pode-se aplicar a estratégia conhecida como “Saborear as Relações” (Jessica L. Borelli & Belinda Campos) que nos leva a relembrar, a recordar e a resgatar momentos felizes com a pessoa com a qual tivemos uma divergência, mas queremos seguir mantendo os vínculos.

Para “Saborear a Relação” com o objetivo de superar o conflito, sugere-se a geração de memórias positivas existentes com essa pessoa. Depois, selecione uma delas que tenha forte emoção de bem estar e percorra as etapas a seguir:

  1. Reflexão Sensorial: relembre os detalhes da memória escolhida, incluindo diferentes sons, visões, cheiros e muito mais. Qual era a situação e o ambiente? O que aconteceu?
  2. Foco na Emoção: procure reviver as emoções de bem estar associadas à memória. Quais eram as emoções presentes? Por que elas surgiram?
  3. Criação de Significado: resgate o significado associado à memória. O que fez com que o momento fosse importante? Qual o significado dele para você? É possível trazê-lo para o presente?
  4. Foco Futuro: tome consciência das implicações futuras para o relacionamento. Posso e quero criar novas memórias com essa pessoa?
  5. Divagação Mental: permita que outras memórias de bem estar venham à mente. O que mais vale a pena lembrar dessa e de outras memórias com a pessoa?

Enfim, tenha em mente as perguntas acima com o objetivo de se conectar com as emoções de bem estar que criaram os vínculos com a pessoa. Portanto, relembre e rememore os momentos felizes vividos para valorizar, resgatar e manter a relação que importa para você.

Ao final de dois dias, uma delas se aproximou da outra e disse, “Quero falar com você” e a amizade segue forte como sempre.

Moacir Rauber

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Adaptado e traduzido de “How to Fully Appreciate Your Loving Relationships”de Jessica L. Borelli, Belinda Campos em Greater Good Magazine, disponível em < https://greatergood.berkeley.edu/article/item/how_to_fully_appreciate_your_loving_relationships?>, acessado em 01-08-24.

DE VOLTA PRA CASA

Fonte: IA BING

De volta pra casa!

O descobridor dos mares preparou seu barco para a maior aventura de sua existência: buscar novas terras no mundo ainda inexplorado. Era o desafio a que se propunha um navegador inglês do século XVIII. Para esse fim, comprou mantimentos para um longo período de viagem em alto mar; revisou os equipamentos necessários para o empreendimento; inspecionou cuidadosamente as velas; preveniu-se com material de reposição para itens que pudessem sofrer avarias; e, finalmente, carregou muitas armas para enfrentar o desconhecido. A viagem começou com toda a expectativa, pois a curiosidade o impulsionava, a coragem o movia e levava a confiança para novas conexões.  Assim, após longo tempo de navegação, de repente, na linha do horizonte o navegador vê algo diferente. Não era a bruma marítima que, por vezes, cria uma ilusão de ótica, era uma elevação terrestre. Ficou extremamente feliz e ansioso com a possibilidade de ser o descobridor de novas terras. Avançou com o seu barco, navegou próximo à costa e, ao longe, avistou uma construção com contornos exóticos que confirmava a sua busca por novas terras. Atracou o barco e, logo, aproximaram-se algumas pessoas com um aspecto diferente. Ele estava fortemente armado, além de estar carregado de tensão e medo. Por isso, fez uma saudação com sinais para começar uma interlocução com os supostos nativos. Surpreendentemente eles o saudaram:

– Bom dia! De onde o senhor vem? (Good morning. Where are you from?)

Ficou espantado ao ouvir a resposta em sua língua nativa, o que lhe gerou sentimentos controversos. Por um lado, sentiu-se triste, incomodado e frustrado ao perceber que não havia descoberto nada novo, porque seguia na Inglaterra. Por outro lado, sentiu-se alegre, acolhido e seguro ao constatar que havia atracado em casa.

Trata-se da proposta de romance que Chesterton (1874-1936) nunca escreveu, porém nos permite uma série de paralelos. O que acontece quando saímos e voltamos para casa no nosso dia a dia? E na nossa vida? Creio que acontece um movimento rítmico, constante e permanente de aventura e retorno desde as situações cotidianas até o final da jornada.

Por exemplo, quando vamos de casa para o trabalho acontece um processo semelhante ao do navegador aventureiro, assim como nas interações com as pessoas que conheço ou com quem ainda falta conhecer, o conhecido e o desconhecido estão presentes. Igualmente acontece ao frequentar ambientes sociais diferentes e novos; ao se conviver com as pessoas do seu ambiente familiar; e, finalmente, ao se reconhecer como responsável desse vaivém, apropriando-se da curiosidade que impulsiona, da coragem que move e da confiança que nos leva a buscar conexões num mundo novo e nele reencontrar a sua própria casa.

Nesse movimento de um ambiente a outro podemos passar pela tristeza e pela alegria; pela incomodidade e pela acolhida; e pela frustração e pela segurança, porém é nesse ir e vir entre a casa e a aventura que se vencem os desafios. Esse processo pode acontecer no trabalho, nas interações sociais, nas relações pessoais e na jornada da vida.

Enfim, Chesterton nos faz um convite para que busquemos novos horizontes em cada relação, situação, trabalho e interação, mas principalmente na relação consigo mesmo e com a vida. Para esse fim, é importante ter os mantimentos e os equipamentos para cada empreendimento do qual se participa, assim como inspecionar e prevenir-se num movimento constante de curiosidade, de coragem e de confiança que se fundamenta no respeito. A abertura para aprendizagem é uma regra que nos oferece recursos para que nos mantenhamos em modo aventura com a segurança da longevidade.

Dessa maneira, a vida será uma aventura em que não necessitamos levar armas, apenas os recursos internos que vão nos garantir que se está numa aventura rumo a nossa verdadeira casa, porque um dia a ela retornaremos.

Moacir Rauber

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Com o que você se diverte?

É importante saber…

… que o grau em que as pessoas evoluíram é instantaneamente revelado através do que eles chamam de entretenimento e “diversão”. O que você chama de “entretenimento”? O que você descreve como “diversão”? Como você gasta seu tempo livre? Como você gasta seu dinheiro para entretenimento? Quanta televisão você assiste? Quantos filmes você vê? Em que tipo de programas e filmes você gasta tempo? Quantos livros você leu este mês? Quantos shows você assistiu? Quantos balés você viu? Que tipo de música você ouve?

Alguma dessas coisas importa? Você também pode muito bem se perguntar se importa para o seu corpo que tipo de comida você come, porque a nutrição para a mente não é diferente de nutrição para o corpo.

O que você coloca para dentro da sua mente ou do seu corpo você recebe de volta — triplicado.

Traduzido de Neale Walsh

UMA CRUZ OU UM MILAGRE?

Fonte: IA BING

Uma cruz ou um milagre?

Participava de um evento e estava numa roda de conversa com outras pessoas. Não nos conhecíamos, mas certamente tínhamos alguma busca comum que nos havia levado a estar ali. Enquanto conversava, vi que um senhor me observava, aparentemente, querendo ser discreto. Olhava para mim, para minha esposa e para o lado. Olhava para a minha cadeira de rodas, para minha esposa e para o palco. Deu alguns passos, aproximando-se. E assim foi até que chegou ao meu lado. Fiz de conta que não o havia visto, porque intuía que a conversação com ele poderia ser uma situação embaraçosa. Ele tocou no meu ombro e perguntou:

O que aconteceu? Você nasceu assim? Referindo-se a minha condição de usuário de cadeira de rodas.

Na minha mente “Outra vez”, pensei. Nos quase quarenta anos que estou em cadeira de rodas não sei quantas vezes respondi a perguntas como essas. Nunca me indispus por isso, mas, às vezes, cansa. Educadamente expliquei que havia sofrido um acidente de carro na juventude. O senhor lamentou e considerou:

– Pelo jeito você aceitou a sua cruz!

Ao escutá-lo fiquei sem palavras. Não havia muito a responder, porque certamente a sua visão de mundo era diferente da minha. Ainda assim, a indignação foi o sentimento que nasceu em mim naquele momento. Perguntei-me, como poderia ele saber se era uma cruz? Respirei fundo para retomar a consciência, manter o controle e não dar poder ao outro sobre como me sinto, porque entendo a vida como um privilégio em qualquer circunstância, nunca uma cruz. Estar numa cadeira de rodas é uma cruz? Depende. Pode ser uma cruz, assim como outras situações podem ser. Para muitos trabalhar como farmacêutico, enfermeiro, professor, jornalista ou simplesmente trabalhar é uma cruz, para outros é uma oportunidade. Para muitos estar casado é uma cruz, para outros um sonho. Para muitos ter que levantar cedo é uma cruz, para outros é a chance de se exercitar. E assim poderíamos seguir citando casos em que as pessoas transformam situações que vivem numa cruz existencial. Particularmente, entendo de forma diferente. Nunca sonhei estar numa cadeira de rodas, porém a partir do momento que essa era a minha realidade optei por não a transformar numa cruz. No início, houve dor pelo acidente, tristeza pela irreversibilidade da lesão e luto pela perda que a situação representava. Alimentar tais sentimentos, transformando-os em estado de ânimo, poderia fazer com que o uso da cadeira de rodas fosse uma cruz. O luto é um processo para reconhecer a tristeza e superar a dor num movimento salutar de seguir o caminho com as possibilidades que existem.

Lamenta-se a perda, que é uma verdade; olha-se para as possibilidades, a partir do amor; e se segue em frente, na busca pela paz. Desse modo, a vida nunca será uma cruz, sempre será um milagre.

Moacir Rauber

Passado o impacto inicial da conversa com aquele senhor, aproveitei a presença de um conhecido para seguir em frente. Despedi-me desejando-lhe “tudo de bom”. Ele me respondeu, “Fica bem, sempre pode acontecer um milagre”. Ao escutar a frase, na minha interpretação, ele não havia entendido que o milagre acontece todos os dias quando escolhemos viver a verdade a partir do amor na busca pela paz com aquilo que temos. Entender que usar uma cadeira de rodas me permite ir a lugares que sem ela não posso ir faz com que ela não seja uma cruz, mas uma oportunidade. Assim, eu deixo de ser um cadeirante para ser um usuário da cadeira de rodas. Não me atenho as limitações, mas as possiblidades. Eis o milagre! Quais as possiblidades que a tua situação te oferece? Lembre-se que estar vivo é um milagre, é uma verdade. Manter uma vida ativa com relações sociais e pessoais permite que se viva o amor. Ter a consciência da verdade com amor gera paz.

A sua vida é uma cruz ou um milagre?

Moacir Rauber

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