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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

É tééétra…

Moacir Rauber

O Mineirinho era um trabalhador dedicado, um pai amoroso com seus dois filhos e um marido exemplar. Ele era comerciante numa cidadezinha do interior de Minas Gerais. Apesar de todas essas qualidades, o Mineirinho não foi perdoado pelas crises financeiras, pelas poucas vendas e pelo fiado, tão comum nos comércios de cidades pequenas, tendo que fechar as portas. A falência foi cruel para o Mineirinho. De trabalhador dedicado, passou a estar desempregado. De pai amoroso, passou a ser um pouco desleixado. E de marido exemplar, passou a ser um marido traído. Esse foi o golpe fatal, ou quase, na sua resistência psicológica já enfraquecida pelo insucesso empresarial. Quando soube das aventuras amorosas de sua esposa com o seu vizinho, não bastasse ser vizinho, era seu compadre, ele não teve dúvidas: comprou um revólver. Preparou a arma, verificou as balas e em seguida disparou um tiro contra o próprio peito. O tiro não saiu pela culatra, mas o resultado, sim. A bala não atingiu o coração do Mineirinho, como era o seu intuito, mas a coluna vertebral, provocando uma lesão na medula. O Mineirinho agora se encontrava falido, traído e paraplégico. Os parentes e amigos se mobilizaram e conseguiram levá-lo a um hospital especializado para um tratamento intensivo de reabilitação, para fazê-lo perceber que viver ainda era possível e que valia a pena. Após três meses de tratamento, a equipe multifuncional do hospital que o atendeu acreditou que ele estivesse reabilitado. Isso porque, aparentemente, não apresentava nenhum indício de depressão ou qualquer outra manifestação que os levassem a pensar que ele tentaria o suicídio outra vez. Ledo engano! O Mineirinho, que estava internado no quarto andar do hospital, percebeu que as enfermeiras haviam se distraído um pouco e o haviam deixado sozinho. Como acreditavam que ele estava bem, diminuíram a atenção. Ele, aproveitando-se desse descuido, dirigiu a sua cadeira de rodas até a sacada do andar, aproximou-se discretamente do parapeito, que tinha mais de um metro de altura, e ficou a apreciar a paisagem. De repente, num movimento brusco, agarrou-se à borda superior do parapeito, puxando-se por cima e jogando-se para baixo. O Mineirinho havia se jogado do quarto andar! Certamente, deve ter pensado que dessa vez não haveria como não morrer, porque, ao cair de uma altura de no mínimo quinze metros, não escaparia. Para o seu bem ou para o seu mal, não morreu.

O problema foi que talvez ele não soubesse ou não tivesse se lembrado do detalhe que o terceiro andar tinha uma parte ajardinada que se estendia além do limite até onde alcançava a sacada do quarto andar. Ao despencar do seu andar, o Mineirinho se estatelou nos canteiros do jardim do andar de baixo, sofrendo uma lesão medular na altura da nuca. Agora ele era um empresário falido, um marido traído e um homem tetraplégico. A lesão foi tão grave que ele ficou sem nenhum movimento de pernas, tronco ou braços, podendo tão somente mexer os olhos. Para respirar, precisava do auxílio de aparelhos e, para comer, de uma sonda. Os colegas internados diziam: “Tá evoluindo, Mineirinho, agora já virou tetra!”, e riam. Tetra em referência à condição do Brasil de tricampeão mundial de futebol no período dessa história. A partir desse dia, nem querendo o Mineirinho poderia tentar o suicídio novamente. Esse comportamento reforça o dito popular “Tudo o que merece ser feito, merece ser bem feito”. Nesse caso, humor negro. Mas por outro lado, refuta outro ditado, porque ficou provado que nem sempre “a incompetência mata”, mas faz um estrago tremendo.

O caso do Mineirinho ilustra que, ao tentar fugir dos problemas, ele simplesmente ampliou-os. Tivesse ele buscado solucionar o primeiro problema, a falência, talvez não lhe tivesse ocorrido o segundo, a traição. Tivesse ele tentado resolver o segundo problema, a traição, provavelmente não lhe teria ocorrido o terceiro, a paraplegia. Tivesse ele aceitado e convivido com a paraplegia, procurando avaliar os danos, ser franco com relação a eles e cooperar com o apoio recebido, as alternativas seriam outras. 

O Mineirinho simplesmente deixou de olhar mais uma vez.
Essa situação e muitas outras estão no livro OLHE MAIS UMA VEZ! Em cada situação, novas oportunidades. Acesse e adquira o livro… 
(Impresso: http://www.olhemaisumavez.com.br/index.php?s=venda-detalhes&id=2 R$ 25,00)

Olhe mais uma vez! … e os problemas serão menores do que parecem.


Sky gato…

Moacir Rauber


A corrupção endêmica brasileira está garantida por várias gerações. As bases para essa  perspectiva podem ser detectadas no comportamento do cidadão comum. Isso porque  ouvir alguém dizer que divide a energia elétrica com o vizinho porque não consegue fazer uma ligação em função de problemas técnicos em seu imóvel já é normal. Mais comum ainda é ouvir as pessoas se vangloriarem de que fazem um gato na rede pública e não pagam energia nenhuma. Da mesma forma você ouve as pessoas se gabarem dos “gatos nets” ou “sky gato” feitos em casas e prédios como se fosse o fato mais natural do mundo. Ainda por cima taxam de trouxa aquele que mantém uma assinatura legal. A pessoa que se gaba pode não estar pagando, mas alguém está, porque não existe almoço de graça. O duro é ouvir um professor falar isso em sala de aula…

E esse comportamento vai garantir várias gerações de políticos, funcionários públicos e até presidentes que usarão a lógica do “sky gato” no manuseio dos recursos públicos. Alguém vai pagar a conta. Adivinhe quem?

É isso aí! Continuemos assim. Orgulhando-nos de nossa esperteza…

O senhor quer um café?

Moacir Rauber

Lá estava eu sentado no carro, numa cidadezinha do litoral de Santa Catarina, usando o tempo de espera pela minha esposa para escrever. Ela havia ido até uma empresa e demoraria por volta de 40 minutos. Abri os vidros, peguei meu computador e comecei a escrever um texto para a abertura da palestra do dia seguinte. As pessoas passavam conversando tranquilamente por um lado e outro do carro. Algumas eu observava. Outras me observavam. Tudo como é corriqueiro. De repente um senhor, com quase 60 anos, apoiou-se na janela aberta do carro. Ele me cumprimentou e começou a contar uma história de doenças e misérias. Em seguida senti o bafo da cachaça tomando conta do interior do carro. Deixei-o contar a sua história. Disse-me o quanto já havia trabalhado e hoje estava com um problema sério na coluna. Logo depois pediu um trocado para tomar um café. Olhei para o outro lado da rua e havia um bem ao lado. Só um instantinho, disse para o senhor que estava ao lado. Fechei meu computador, abri a porta do carro e comecei a montar a minha cadeira de rodas. O senhor deu alguns passos atrás. Vi de soslaio que ele estava com a boca aberta. Terminei de montar a cadeira, saí do carro, ajeitei-me na cadeira e disse, Vamos até ali que lhe pago um café. Ele balbuciou algo inintelegível. Depois consegui entender, Não, não precisa. Eu não sabia que o senhor era aleijado… Dei uma risada e respondi, Nada disso, tá tudo bem. Agora vou lhe pagar um café. Vem comigo!Cruzei a rua e ele me acompanhou. Entrei na cafeteria e o senhor veio cambaleando atrás de mim. Resmungava algumas palavras que não entendi. Aproximei-me do balcão e pedi um café. Olhei para o senhor que me acompanhava e perguntei, O senhor quer mesmo um café? Percebi que ele ficou todo encabulado, mas confirmou. Vieram os dois cafés. O meu estava saborosíssimo. O do meu amigo deve ter sido o pior café do mundo, uma vez que os trocos pedidos certamente não eram para um café.

Essa gente…

No último domingo fui à missa. Entrei acompanhado por minha esposa e minha sogra, que disse haver um lugar especial para os cadeirantes. Vamos ver… pensei. Fui até o lugar. Logo sorri, porque ele era tão especial que eu ficaria em evidência para a igreja inteira. Havia um espaço bem em frente ao altar, em que foi posto um banco sem o assento. Deixaram somente a sua parte detrás, o encosto das costas, como um delimitador para a outra fileira. Assim, eu “estacionaria” a minha cadeira por ali, mas ninguém poderia se sentar ao meu lado. Nem minha esposa. Uma pena! Nem minha sogra. Que sorte! Olhei, enquanto era olhado por quem já estava na igreja, analisei, girei e voltei. Nisso, vi um local que poderia ser um espaço mais discreto para ficar e que ao mesmo tempo não “atrapalharia” o fluxo das demais pessoas. Posicionamo-nos ali, próximo a uma das portas laterais e assistimos a cerimônia. Um pouco antes do final da celebração o padre perguntou se havia visitantes entre os assistentes. Minha esposa se manifestou e nominou a cidade. Assim ocorreu também com outras pessoas. Saudações, sinal da cruz e fim da missa. Como eu já estava próximo da porta de saída foi fácil para deixar a igreja. Minha sogra, que era da comunidade, foi falar com algumas pessoas conhecidas. Minha esposa e eu ficamos aguardando-a no pátio da igreja. Nisso se aproxima uma senhora que se dirige até a minha esposa e diz, Ah, você é da cidade tal e tal? Ela respondeu que sim e que estávamos de passeio pela cidade. Ao responder minha esposa tocou-me no ombro, o que fez com que a senhora me percebesse ao seu lado. Até então eu estava invisível. Logo que me viu a sua curiosidade desviou-se da cidade de onde vínhamos. Os seus olhos se avivaram e a curiosidade foi dirigida a mim, ou melhor, a cadeira. Ela deu-me aquela olhada completamente indiscreta de cima a baixo. Provavelmente me havia deixado nu, porque foi assim que me senti. Já não me restavam mais dúvidas que viria alguma pergunta mexeriqueira. E não deu outra. O que foi que aconteceu? Perguntou-me ela a queima-roupa. Deixei o silêncio tomar conta do espaço por alguns segundos. Ele, por vezes, incomoda. Foi o tempo necessário para que ela percebesse que havia sido indiscreta. Assim, ela emendou, Desculpe-me, se é que posso lhe perguntar… Como ela já havia se tocado um pouco da indelizadeza, respondi-lhe, educadamente com um sorriso, Não, não foi nada de mais. Foi um acidente de carro há muitos anos… E ampliei o sorriso. Ela imediatamente olhou para o lado, dirigindo-se à minha esposa e a alguns curiosos que se haviam aproximado e disse, Pois é, essa gente, apontando-me o dedo, muitas vezes é muito mais feliz do que nós … Essa gente… era eu hehehe. Ela continuou com mais alguns comentários sem sentido, como se os cadeirantes fossem uma categoria distinta, uma classe profissional ou algo do gênero. Isso acontece na rua, nas empresas e nas organizações quando as pessoas, sejam eles colaboradores, gestores ou diretores classificam aos demais como integrantes de uma massa que se pode rotular como iguais, sem entender que o único que um cadeirante tem em comum com outro, é a cadeira; que o único que um careca tem em comum com outro, é a falta de cabelo; que o único que uma loira tem em comum com outra, é a cor do cabelo; que o único que um colaborador tem em comum com outro, talvez seja o posto de trabalho.

Eis um grande desafio para as pessoas e principalmente para os gestores. Entender que o outro é tão único quanto ele.

E assim tratá-lo!

A benção

Moacir Rauber
Nascemos, crescemos, ficamos bobos e casamos. Não é isso que se diz por aí? Pois é, um cadeirante tem os mesmos sonhos, desejos e síndromes como qualquer outro mortal. Assim, depois de 10 anos em cadeira de rodas, finalmente havia encontrado minha alma gêmea. Confesso que apesar de estar com 30 anos não pensava em casar. Minha intenção era ir “ficando”. Mas a intenção da minha namorada era outra. O primeiro beijo veio acompanhado da expressão, Ah, se você não me beijasse hoje eu não sei o que faria…, indicando como nós, os homens somos devagar. Na verdade já vínhamos sendo amigos por algum tempo. A química existia, mas eu nunca tinha a coragem de avançar. Mas no final deu certo….  Logo no dia seguinte ao primeiro beijo ela me telefonou para que eu lhe desse uma carona. Seu pai havia viajado e ela estava sozinha no trabalho. Ótimo!, pensei. Isso quer dizer que ontem não foi um completo desastre… E lá fui eu. Saí do escritório, passei em frente a loja onde ela trabalhava e dei-lhe carona. Seguimos para o mesmo lado da cidade, pois morávamos no mesmo bairro. Durante o caminho a conversa fluiu bem, considerando que até então éramos amigos e passávamos a uma condição diferente. Pareceu-me que nos sentíamos bem um na presença do outro. Isso não impediu que houvesse um momento de silêncio, deixando a impressão de que o tempo havia parado. De repente o silêncio foi interrompido por uma pergunta a queima-roupa dirigida a mim, Então, estamos namorando ou não? No momento em que a pergunta foi feita eu estava contornando um canteiro de uma avenida, seguido por um curva prolongada para a esquerda. O impacto da pergunta foi tão grande que quase perdi o controle do carro. Não sabia o que responder. Não me passava pela cabeça que seria abordado de tal maneira. A noite anterior para mim fora excelente, mas daí a estar namorando havia uma grande distância. Entretanto o que eu poderia responder para que aquele não fosse o primeiro e o último encontro? Engasguei-me um tanto, Bom… Bem… Sei lá…, até que consegui articular, Acho que sim… Olhei para o seu rosto, vi o seu lindo sorriso e entendi, Sim, eu estava namorando! Dali em diante as coisas aconteceram rapidamente. Um ano e meio depois estávamos nos casando. Tudo como manda o figurino. Primeiro o casamento civil. Depois o casamento religioso. Eu morava numa pequena vila em que o pároco era um padre bastante idoso, já um pouco confuso. Mas como eu havia sido seminarista eu tinha um amigo padre que gostaria que realizasse a cerimônia. Quando comuniquei ao meu amigo a data e o local este apenas me alertou, Moacir, desde sempre falei que gostaria de celebrar o teu casamento, mas na tua paróquia só posso fazê-lo se o “padre confuso” não estiver presente. É muito difícil de concelebrar com ele. Eu lhe garanti que não seria problema, porque já havia falado com o padre da paróquia que havia me dito que estaria de férias no período em que planejáramos a data do casamento. Tudo certo!

Chegado o dia do casamento fui no horário marcado para a igreja. Para minha surpresa a primeira pessoa que vejo na entrada era o padre confuso. Ao seu lado o padre meu amigo estava com cara de poucos amigos. Ah, meu Deus, pensei comigo. Agora somente falta uma briga entre os padres… Ao me aproximar e cumprimentá-los o padre confuso foi muito simpático e disse, Ah, Moacir, não podia deixar de vir ao teu casamento… Dei-lhe um sorriso, agradeci e virei-me para o meu amigo que fez aquela cara de indignado, mas deu de ombros e deve ter pensado, Fazer o que… A igreja estava cheia, a noiva chegou e a cerimônia começou. Tudo tranquilo! Uma homilia que tocou a todos que estavam presentes pela simplicidade e sensatez. Quando meu amigo padre estava para terminar a cerimônia o padre confuso não se conteve e pediu o microfone, Num dia como esses eu não poderia deixar de dizer algumas palavras. Eu conheço o Moacir. E vocês que estão vendo os noivos sentados sabem que é porque o Moacir é paralítico das pernas para baixo… Corei na hora. Não precisei sentar, porque realmente já estava, mas me mexi na cadeira incomodado. Deu aquele sentimento da vergonha alheia, principalmente quando ele prosseguiu, A Andreia somente conheci agora, mas posso dizer que ela é uma santa. Ela está se casando com o Moacir e vai ter que cuidá-lo como se fosse uma criancinha para o resto da vida… Nesse momento apenas ouvi um zum zum entre os convidados que assistiam a cerimônia e que me conheciam. O mal estar foi geral. Olhei para Andreia ao meu lado. Ela apenas sorria um sorriso amarelo. Olhei para meu pai que estava do outro lado. Ele apenas abanava a cabeça. Enquanto isso o padre, sem noção, continuava com a sua pregação falando sobre aquilo que não sabia para, por fim, dar uma benção com todo amor e carinho. Não havia nada a ser feito, apenas receber a benção. 

E que Deus o tenha!

Parto Anormal

Moacir Rauber

Durante a gestação os candidatos a pais têm inúmeras dúvidas, medos, ansiedades e muita expectativa com a chegada do filho. Falo isso não por experiência, mas pelo senso comum. Ouvi de um amigo de quem a esposa está prestes a ter seu bebê. Ele 42 anos. Ela 34. Ambos estabilizados pessoal e profissionalmente. O filho é fruto de uma decisão e de um desejo, amparados nas plenas condições de provê-lo dos recursos materiais e humanos necessários para que desenvolva bem. A gravidez transcorreu na maior normalidade, recebendo inúmeros elogios do médico que afirmava ser esta uma gravidez dos sonhos. Nada de enjoos para a mulher. Nenhuma complicação com o bebê. Desenvolvimento perfeito do feto segundo as leis da natureza. Posição adequada no útero da mãe. O estranho nisso tudo é que na reta final o médico anuncia, Vamos marcar a cesariana para o próximo domingo? Os pais até se espantam e se assustam, Cesariana? Tem algum problema com a gravidez ou com o bebê?. Não, tranquiliza o médico, está tudo bem, mas… e segue uma ladainha de explicações para a opção da cesariana. A maior parte delas ligadas a praticidade e a possibilidade da programação dos passos a seguir ao parto. Como para um bom entendedor meia palavra basta as explicações e justificativas atendem muito mais ao interesse do médico do que da paciente. Fazer uma cesariana no domingo lhe rende um procedimento sem necessitar desmarcar nenhum outro compromisso de sua agenda da semana. Além disso, não haverá nenhuma preocupação em ficar de prontidão para um possível parto no meio da noite ou qualquer outro horário pouco conveniente para o médico, porque para os pais não há nada que possa tornar inconveniente o nascimento de um filho. Os pais saem atordoados do consultório. A decisão é difícil, porque foi o médico que os acompanhou durante toda a gravidez. Há uma relação de confiança. Apesar de que gostariam optar pelo parto normal não querem se opor ao médico, podendo criar algum cisma num momento tão delicado. E assim, nasce mais um bebê de cesariana que é a regra no Brasil. Um parto dito normal é completamente anormal em nosso país.

El burrito Catalán

Moacir Rauber

Em quase todas as histórias os cadeirantes levam a pior, mas nem sempre é assim…

A Espanha adota o touro como símbolo nacional, embora ainda tenha pessoas descontentes com a unidade no país. Iniciativas e desejos separatistas povoaram e povoam as mentes e corações de muitas pessoas em diferentes regiões, entre elas a mais rica que é a Catalunha. Uma vez na Espanha, estive na cidade de Girona, nos arredores de Barcelona, e vi muitos carros com o adesivo de um simpático burro. A pessoa com quem conversei disse-me que o animal era o símbolo regional, embora seja contestado por outros que dizem ter sido uma jogada de marketeiros espanhóis para desmerecer a região. Polêmicas a parte, comprei um adesivo.

Ao retornar ao Brasil, imediatamente colei-o na parte traseira do meu carro, circulando orgulhosamente com ele pra cima e pra baixo. Muitas vezes, em engarrafamentos conseguia observar o ar de espanto de quem estava logo atrás. Deviam pensar, mas que louco colaria um burro no carro? Ainda do lado do motorista? Só pode ser um… Nas rodovias algumas pessoas dos carros que me ultrapassavam faziam sinais inintelegíveis, mas que se reportavam ao simpático burro. Fiz mais de 60 mil quilômetros levando o adesivo. Teve, porém, uma situação muito engraçada envolvendo o burro. Temos um amigo padre que morava na cidade de Itapema-SC e fomos visitá-lo num domingo. Participamos da missa e depois fomos almoçar em sua casa. Tudo muito gostoso e agradável. Após o almoço conversamos mais um pouco e começamos a nos despedir. O nosso amigo padre era um pouco tímido, mas nem por isso deixava de fazer piada com todos que lhe davam a oportunidade. Sempre tinha uma boa tirada para fazer ou mesmo uma pegadinha para aplicar. E eu havia sido o objeto de algumas delas, inclusive ele fazia questão de lembrar da história daquela senhora que achou que eu era o pai de minha esposa. Naquele dia, na hora de embarcar no carro, o padre estava por perto, pedindo se poderia ajudar a carregar a cadeira ou qualquer outra coisa. Disse-lhe que no momento qualquer ajuda atrapalharia e que a obrigação dele era ficar olhando. O padre também sempre foi meio inquieto, assim ficava sapateando a volta do carro para frente e para trás. Quando terminei de carregar a cadeira ele se aproximou e me perguntou, Por que você tem um burro colado na traseira do carro? Eu, fazendo-me de desentendido, retruquei, Como? Um burro colado no carro? Onde? O padre rapidamente foi até a traseira do carro, olhou outra vez e voltou, Lá atrás do carro, por cima do sinaleiro, bem do teu lado!, disse o padre todo exaltado. A minha resposta foi rápida, Acima do sinaleiro? Ah, não, lá eu apenas mandei por um espelho… e a vingança estava feita.

Cruze a rua…

Muito se fala em sonhar alto. Mas lembre-se de não só sonhar, porque senão fica como aquele namorado romântico que chega a casa de sua amada e declama: “Eu a amo tanto, que por você eu faria tudo. Subiria aos céus e roubaria as estrelas. Para vê-la sorrir trar-lhe-ia a lua…” e blá, blá, blá. Ao que ela lhe responde: “Mas por que você não apareceu para jantar ontem à noite como havíamos combinado?”, “Caramba, mas choveu muito! A rua estava toda encharcada”.
Por isso, de pouco serve pensar em grandes realizações se não se é capaz de fazer as pequenas coisas.
Sonhe com a lua, mas não se esqueça de cruzar a rua…

A diferença de idade: a estocada final

A diferença de idade entre um casal provoca situações hilárias. Nos textos A diferença de idade e A diferença de idade 2 foram exploradas aquelas tradicionais confusões que as pessoas fazem ao acreditar que um é o pai ou avô, filho ou neto. Baseado numa experiência própria imagino a quantidade de diálogos entre os mesmos casais nas situações mais íntimas vividas no conforto do lar. Os ditos e, principalmente, os não ditos…

A diferença entre minha esposa e eu não é tanta assim, pelo menos para mim parece pouco. Por ela não posso responder, mas posso exemplificar. Certa noite desfrutávamos aquele clima de romance perfeito. Estávamos sozinhos em casa, uma boa janta seguida de um bom filme acompanhado de um copo de vinho. A harmonia e a sintonia entre nós era sentida em sua plenitude. Conversávamos um pouco. Olho no olho, olhar apaixonado, um sorriso, um beijo, um gole de vinho, uma cena comovente do filme. Tudo perfeito. Veio o segundo filme. Enquanto eu retirava um DVD e colocava o outro senti que a minha esposa me olhava. Era exatamente aquele olhar que somente uma mulher pode nos dar, que nos derrete, nos amolece e nos deixa sem chão. Parei o que estava fazendo e a olhei nos olhos. Vi que eles estavam marejados, ela parecia completamente emocionada, tocada com o nosso nível de cumplicidade e prazer na presença um do outro. Por fim, ela suspirou e disse, Ah, Moacir, eu não sei como vou viver sem você!

Precisa explicar mais? E a vida segue a sua ordem natural…