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Confiança entre líderes e liderados

Comprei uma Pós!
A conversa fluía bem com aquele jovem que estava concluindo a sua primeira graduação. Indaguei quais seriam os passos seguintes na sua vida e ele respondeu:
– Bom, trabalho eu já tenho, mas eu quero ser promovido. Por isso eu já comprei uma pós-graduação e… continuou as explicações.
A expressão ouvida sobre o jovem ter comprado uma pós me gerou estranhamento. Não que a ideia de “fazer” a pós fosse ruim, porque acredito que se vive num momento privilegiado em que o aprendizado faz parte de todos os momentos da vida de cada indivíduo. Do início ao fim da vida todos nós temos a oportunidade de continuar aprendendo. É uma dádiva! O estranhamento veio com a expressão “comprei uma pós” como uma garantia da evolução na carreira, mas sem a contrapartida da intenção de aprendizagem que poderia ser detectada caso ele dissesse “vou fazer uma pós”. Pode parecer simplesmente uma questão de vocabulário, porém entendo que há outras questões subjacentes, como a ideia de que se podem comprar coisas intangíveis, como as experiências.
Experiências não se compram.
Experiência quer dizer experienciar que significa experimentar, viver sentir, sofrer, suportar ou vivenciar, entre outros adjetivos.
Podemos pagar pelas experiências, mas elas precisam ser vividas.
Parece-me haver uma propensão a esse tipo de comportamento em diferentes áreas. Na saúde, por exemplo, a indicação para que as pessoas façam exercícios físicos, abandonando o sedentarismo com benefícios para o praticante, segue pelo mesmo caminho. Quem de nós já não ouviu um amigo ou um conhecido estufar o peito para dizer cheio de orgulho que já pagou adiantado a academia? Ou ainda que tenha se inscrito e pago as aulas de natação, crossfit ou outra atividade física? Enfim, muitos já ouviram casos assim, podendo até ter feito algo parecido. Destaca-se, porém, que depois da primeira semana da sua matrícula em vigor fica muito claro que se o indivíduo não alterar a sua rotina e inserir nela um espaço para a atividade física e realmente fazê-la nada vai mudar. Pagar a academia é o menor dos movimentos. Os movimentos que produzem efeitos são as repetições de qualquer exercício que se propõe a melhorar o seu condicionamento, a sua saúde e, consequentemente, diminuir o seu peso. Porém, esse movimento não há dinheiro que pague, porque é uma experiência. O mesmo acontece com o conhecimento. Ele é uma experiência.
Para o presente contexto adquirir e comprar não são sinônimos. Entenda-se adquirir como o ato de conquistar ou de alcançar algo por meio do cumprimento de exigências somente possíveis numa experiência, enquanto comprar como o ato de dar um determinado valor para receber um produto em troca. Não é o caso da pós-graduação. Não há dinheiro que compre a experiência de fazer uma pós-graduação que resulta na experiência de ter adquirido conhecimento. Assim como é o caso de tantos valores intangíveis que muitas pessoas gostariam de comprar, mas que se quiserem desfrutar precisarão adquirir.
Ainda não se pode comprar a criatividade para se ter uma ideia ou a capacidade de se exibir um pensamento profundo ou a aptidão para o discernimento consciente que se adquire por meio do conhecimento.
Portanto, entendo que a nossa vida é feita de experiências que expandem o conhecimento e estendem a vida.
Pague a sua pós-graduação, adquira conhecimento e viva a experiência.

Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
Fiar e confiar

Respeito com Orgulho 2

Você sabe ser feliz na abundância?

Via a minha amiga caminhando da sala em direção à cozinha, da cozinha para a varanda e depois de volta para cozinha. Ela demonstrava a irritação da insatisfação de quem não sabe o que quer. Por fim, ela foi em direção à geladeira, abriu a porta, olhou e exclamou:
– Não tem nada para comer na geladeira…
Fechou a porta contrariada e sentou-se no sofá em frente à televisão. Poderia até parecer a cena de uma família pobre em que falta comida e que que vivem a escassez. Não era o caso. A geladeira estava cheia de bolos, salgados e uma enorme variedade de opções para quem estivesse com fome. Era a realidade de quem vive a abundância. É o que acontece com muitas pessoas nos dias de hoje. Elas têm quase tudo disponível na hora que querem, por isso parece que não tem nada. No fundo, elas nem sabem o que querem, para que querem ou se realmente querem. Uma comida diferente? Basta pegar o telefone ou acessar um aplicativo que se tem todas as opções disponíveis. Mas é preciso ter fome! Um filme? É só ligar a televisão e sintonizar os diferentes canais ou senão acessar uma plataforma online que oferece uma seleção infindável de comédias, dramas ou outro gênero qualquer. Mas é preciso estar com real vontade de assistir a um filme! E assim se sucedem os exemplos de nossa era da abundância. E como ser feliz com tanta oferta?
As gerações anteriores viveram e souberam viver na escassez. A prova disso é que estamos aqui. Eles travaram lutas pela sobrevivência. Quem não plantasse e não armazenasse alimentos de um ano para o outro, muito provavelmente, passaria fome. Quem não se protegesse contra os predadores naturais que ainda atacavam o ser humano poderia não amanhecer no dia seguinte. Desse modo, nos períodos de escassez, todas as experiências eram valorizadas. No dia a dia comia-se para se alimentar, comedidamente, porque a oferta era limitada. Fazer uma refeição extraordinária? Era uma experiência preparada, aguardada e saboreada, porque ela não acontecia a todo o momento. Eram momentos especiais, como festas, casamentos e datas comemorativas em que se comia para degustar. Valorizavam-se tais momentos porque eram poucos. As mesmas regras se aplicavam para as bebidas e outras experiências sensoriais humanas. Da mesma forma, estar vivo era um privilégio, porque a morte era uma realidade comum em cada família. Morria-se muito jovem por doenças, acidentes e até por ataques de animais. Esse perigo diminuiu muito e agora nós somos os nossos maiores predadores. Hoje, muitas pessoas vivem a abundância em diferentes áreas. Na alimentação nós vivemos uma época de ofertas como nunca antes vista. E nas relações amorosas? Cada vez em maior número e com menor intensidade. E nas possibilidades de comunicação? Disponível em cada canto do mundo para falar com quem se quiser e cada vez com conexões mais frágeis. Por isso a pergunta: você sabe ser feliz na abundância?
Uma das estratégias talvez seja a de se privar, voluntariamente, daquilo que você gosta e que está disponível sempre que você quiser (Sugerido por Greater good in Action – https://ggia.berkeley.edu/). Os antigos adotavam o jejum como uma prática religiosa e também de saúde. Hoje percebe-se cientificamente que o nosso organismo precisa da escassez para encontrar o equilíbrio gerado pela abundância. Portanto, qual é a comida com a qual você se delicia e que está no seu cardápio frequentemente? Para reaprender a saboreá-la deixe de comê-la por duas semanas e depois faça uma refeição com a consciência dos prazeres sensoriais que o degustar consciente do prato proporciona. É um exemplo de uma prática que pode ser aplicada em diferentes domínios da vida. Abster-se daquilo que se tem para valorizar aquilo que se tem.
Assim como a minha amiga do início do texto, ainda preciso saber valorizar o que tenho para não transformar a abundância em tédio e frustração.
E na sua vida, como vão os seus sentidos? Você sabe desfrutar da abundância?
Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
Qual é a sua Fonte?

A ciência e você

Autenticidade e o aperto de mão

Ainda é possível confiar?

O gestor havia delegado uma tarefa para um dos integrantes da sua equipe recém-chegado ao ambiente de trabalho. Ele havia conversado com o colaborador, havia definido a tarefa e, juntos, estipularam o prazo. O gestor também se colocou à disposição para esclarecimentos e necessidades que eventualmente surgissem no caminho para a execução da tarefa. No fechamento da conversa fez os seguintes comentários:
– Tudo certo? Alguma dúvida? Somos responsáveis solidariamente… alertou.
O novo colaborador disse que estava tudo certo e acrescentou:
– Pode confiar que vou entregar no prazo.
A confiança é um dos valores humanos que sustenta as relações produtivas, prósperas e inovadoras. Dificilmente as relações trazem bons resultados em qualquer um dos domínios sociais caso não exista a confiança entre as partes que se relacionam. Mais, a confiança é uma das características dos bons líderes e dos liderados responsáveis, assim como dos amigos, dos parceiros, dos casais e dos colegas que dão e que recebem, que acolhem e que compartilham e que ensinam e que aprendem. Entendo que aquele que confia merece a confiança, porque contribui para que o outro também se realize.
No episódio relatado, ao novo colaborador fora dada a confiança. Para o gestor, tarefa dada era tarefa cumprida. Ainda assim, diariamente ele se comunicava com o colaborador indagando se estava tudo certo e se ele precisava de algo. O colaborador garantia que estava tudo bem. Mais ou menos na metade do período para a entrega da tarefa o gestor pediu para ver o progresso da atividade. O novo colaborador se esquivou. E assim prosseguiu por mais alguns dias, até que ele admitiu que não conseguiria fazer aquilo com que havia se comprometido. E agora, o que fazer? Quem estava certo nessa história? Como continuar a confiar no outro sem correr risco?
Todo o voto de confiança enseja risco, que é inerente a qualquer negócio e a qualquer tipo de relação humana. Sempre e quando alguém depositar a confiança em outrem é possível que ela se confirme ou não. Pode ser que algo fora do controle faça com que se quebre a confiança, assim como algo mal refletido ou mal analisado. E a quebra de confiança pode ocorrer sem o juízo de valor de que a pessoa é boa ou má, embora, muitas vezes, possa ser um indicativo de falta de caráter. Entretanto, quero destacar que somente por meio da confiança que se pode construir algo bom e melhorar o que já existe. As relações afetivas e de amizade somente se desenvolvem de forma saudável num ambiente de confiança. E a mesma regra vale para os ambientes de trabalho. Embora confiar uma tarefa ao outro no sentido de delegar não exima ninguém de acompanhar a sua execução, da forma como o gestor fez. Acredito que o mesmo raciocínio se aplique as demais relações humanas, porque confiar quer dizer fiar juntos. Por isso, uma relação afetiva precisa ser compartilhada para que a confiança seja vivida. Uma amizade precisa ser estimulada para que a confiança esteja presente. Uma relação de trabalho precisa de presença para que a confiança seja cumprida. Desse modo, a confiança é que faz com que as metas sejam alcançadas, que as organizações prosperem e que sejam sustentáveis, além do que é na confiança entre as pessoas que surge a inovação em quaisquer dos âmbitos das relações humanas.
Por isso, entendo que sempre e quando alguém em quem se depositou a confiança não a mereceu, o problema está com quem não a mereceu e não em quem confiou. Enfim, acredito que as pessoas devam confiar e que continuem a criar relações de confiança.
E você confia e é de confiança?
Moacir rauber
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