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Depende do ponto de vista…

O casal programa as férias para finalmente utilizarem a casa de campo e a lancha no lago. O marido trabalha exaustivamente para poder sair ainda na quinta-feira. A esposa já estava de férias. Arrumam as malas e saem felizes. Chegam na casa já de noite. Organizam tudo. Tomam um vinho. O maridão cai morto na cama.

No dia seguinte nada de conseguir tirar o marido da cama. A mulher resolve ir sozinha no lago para tomar um sol. Retira a lancha da garagem. Coloca-a na água. Observa que ela está com todos os apetrechos para a pescaria. Não faz mal. Não vão me atrapalhar mesmo… Pensou e foi embora. Passeou com a lancha pelo lago até que resolveu lançar âncora num lindo lugar. A paisagem, a calma e a solidão do local deixaram-na bem à vontade. Ficou somente com um pequeno biquíni, estirou-se no sol e começou a sua leitura. Que maravilha… Divagava ela.

De repente ouve o ruído de uma lancha que se aproximava. Era a polícia ambiental. O delegado olhou a lancha e viu todos aqueles apetrechos de pesca. Olhou-os e disse:
– Nesta área é proibido pescar. Vou ter que prender a senhora!

– Mas eu não estava pescando… Respondeu a mulher.

– É, eu sei. Mas a senhora tem todos os equipamentos para pescar. Vou prendê-la.

– Bom, delegado, se o senhor fizer isso vou ter de acusa-lo de estupro... Respondeu ela.

– Mas eu nem sequer toquei na senhora… Disse o delegado na defensiva.

– Eu sei, seu delegado, mas o senhor tem todos os equipamentos para isso…

Fonte: https://gartic.com.br/jessicamayara/desenho-livre/pescaria
Baseada do livro: Plato and Platypus walk into a Bar… Understanding Philosophy – through jokes (Thomas Cathcart & Daniel Klein)

Sogras não são só lendas…

Estava na fila do supermercado. Na minha frente uma senhora com seus cinquenta e poucos anos. Ela empurrava um carrinho de compras. Logo se aproxima uma jovem que ainda não tinha trinta anos com mais um ou dois produtos. Coloca-os no carrinho. Na mão ela também tinha um tablet. A jovem mostra a tela para a senhora e diz:
– Olha, minha sogra, o que você acha dessa foto?

A sogra olha por alguns segundos para a foto onde estava a nora e responde:
– Nooossa, como você está elegante!

A jovem exibe um sorriso. Fica genuinamente feliz. Ela não fala nada. A sogra também fica em silêncio por alguns segundos, antes de complementar:
– Bom… também até um pau torto enfeitado fica bonito!

Novo silêncio. A nora ruboriza. Olho para o lado como quem não ouviu nada. 

A postura da sogra não tem nada a ver com o papel dela de sogra. Tem a ver com a pessoa que ela é!
https://gartic.com.br/uwill/desenho-jogo/1259877307

Onde estão os paraplégicos?

Existem mais paraplégicos mentais do que físicos.
São pessoas que andam, mas não se movem. São pessoas que ouvem, mas não escutam. São pessoas que veem, mas não enxergam.
Por isso, “é importante viver sabendo que podemos falar, sem proferir palavras; que podemos escutar, sem ouvir os sons; que podemos ver, sem as imagens; que podemos caminhar, sem mover as pernas; enfim, que podemos aprender a aprender mantendo a mente aberta e em sintonia com o mundo, percebendo as oportunidades que nos rodeiam.” (Moacir Rauber, 2010)

Conquista individual?

Um prêmio pessoal não indica uma conquista individual.
Nada faz sentido isoladamente. Todas as ações repercutem individual e coletivamente. As pessoas somente se realizam com outras pessoas. Por isso, ainda que a premiação seja pessoal, ela representa uma conquista coletiva.
Não há nada fora da natureza que não seja feito pelas pessoas e para as pessoas!

Fonte: https://chicomiranda.wordpress.com/tag/cruz-de-ferro/


Existe um lugar certo para estragar algo?

Os últimos meses foram intensos. Vivi uma maratona de troca de casas, viagens e hotéis. Uma rotina infindável de arruma e desarruma a mala. Um sem fim de vezes de embarca e desembarca de carro, ônibus e avião. Nesse movimento a minha fiel companheira não tem escapatória. É um monta e desmonta a cadeira de rodas que não tem fim. Ou melhor, tem. Ela também se entrega. Estraga. É o medo de qualquer usuário de cadeira de rodas. Pode-se ficar na mão ao furar um pneu ou, pior ainda, quando ela quebra. E elas quebram.

Estava eu na casa de um amigo na cidade de Pelotas quando desci um degrau de uns quinze centímetros. Empinei a cadeira e fiz o movimento. A cadeira desceu e recebeu o impacto do meu peso no chão. Apenas ouvi um estralo, TLAC! e senti que ela baixou. Logo pensei, M… quebrou algo. O meu amigo escutou e perguntou:
– O que foi isso?
– Caramba, acho que quebrou a cadeira…

Fui para uma cadeira convencional. Começamos a revisar a minha cadeira de rodas. Alguns parafusos haviam se quebrado com o impacto, além de terem sido arrancados de sua cavidade ao espanar as roscas.
– Estou ferrado… Que porcaria… O que vou fazer?

Bateram-me alguns pensamentos desesperados. O meu amigo disse:
– Fica tranquilo. Se tem alguém que pode arrumar isso é o Seu Antônio.
– É verdade… Concordei, tranquilizando-me.

O Seu Antônio tem como apelido Prof. Pardal. Dificilmente há algo de mecânica que ele não tenha feito ou pensado. A questão agora era o tempo. Já eram 21h e a minha viagem estava marcada para a manhã do dia seguinte. Entretanto, tínhamos um jantar no restaurante da esposa do seu Antônio. Fomos até lá para jantar e também com a esperança de arrumar a cadeira. O Seu Antônio olha daqui e dali. Disse:
– Não tenho esses parafusos aqui… São muito específicos.

Colocou a mão no queixo enquanto pensava. Literalmente o cérebro estava a mil. Olha de um lado para o outro. Fixou a visão na moto do restaurante. Dirigiu-se até ela. Pegou a caixa de ferramentas. Desaparafusou uma carenagem que sustenta os faróis. Tirou quatro parafusos. Pegou uma furadeira que estava na caixa de ferramentas. Puxa daqui. Fura dali. Aperta. Quarenta minutos depois a cadeira estava perfeita. Melhor do que antes. Agora tenho uma cadeira de rodas quase Yamaha.


A cadeira quebrou na única cidade do país onde eu conheço alguém com tanta competência para arrumar o que estragou. Já que as cadeiras estragam tive o privilégio de que ela quebrasse no lugar certo…


Vencendo medos

Uma das partes que mais gosto quando estou conduzindo um evento é na hora em que solicito um voluntário para uma atividade. Logo que faço o pedido posso ver no rosto de muitos o conflito entre a vontade de se voluntariar e o medo de se expor. As pessoas ficam inquietas em suas cadeiras. Ficam tensas. As feições revelam o desejo de se atrever, assim como o esforço de se conter. De repente, uma pessoa entre tantas com vontade, move-se. Oferece-se. Arrisca-se. Esse movimento gera uma sensação de alívio para todos aqueles que tinham a intenção de fazê-lo. Por outro lado, as mesmas pessoas que ficam aliviadas sentem-se um pouco frustradas. Lá no seu íntimo pensam, Eu poderia ter me candidatado… Agora já não dá. Outro já ocupou o lugar.

Naquele evento tinha-se uma situação bem particular. A maioria do público era de jovens atletas de remo que estavam iniciando no esporte. No dia anterior, numa das primeiras aulas práticas, uma jovem teve uma crise de pânico durante a atividade na água. Com o barco no meio do rio, parou completamente. Travou. Ficou paralisada. O medo a vencera. Começou a lamentar-se dizendo que não conseguia fazer qualquer tipo de movimento. O técnico aproximou-se com a lancha e com muita calma conduziu-a para a margem. Lá conversaram e ela foi fazer outras atividades em terra firme. Eu sabia da situação.

Na palestra estava no momento em que peço um voluntário. Disse:
– Preciso de um candidato para uma atividade aqui comigo… Um voluntário!

O silêncio tomou conta do ambiente. Virei-me e tomei um gole de água enquanto a sensação de desconforto tomou conta dos participantes. Voltei-me novamente para o público. As pessoas começavam a se entreolhar. Voltei a falar, olhando diretamente para os olhos da menina que no dia anterior ficara paralisada pelo medo e disse:
– Preciso de um voluntário ou de uma voluntária. Uma atividade bem simples…

Silêncio. Ninguém se moveu. Eu estava na torcida para que fosse a menina para quem praticamente dirigira o convite. Ela tinha outra chance de vencer o medo. Tudo quieto. Umas cinquenta pessoas e não se ouvia nada. De maneira repentina a menina levantou-se e ofereceu-se para colaborar. Ela aproveitou a nova oportunidade. Atreveu-se. Foi um momento mágico. Ela, que fora vencida pelo medo no dia anterior, vencera o medo agora. Tratava-se de um processo. Coragem ela tinha, assim como todos têm. Medo também, assim como todos têm. Ela está remando para o futuro que escolher!

As emoções são naturais. A diferença está em como cada um gere as suas emoções. Existem aqueles que ficam paralisados pelo medo e aqueles que se movem apesar do medo. A coragem sobrepondo-se ao medo. A vida seguindo o seu rumo. Isso depende das escolhas de cada um. Quais as suas escolhas?