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Devo ser burro total…

Sem tesouro, custeio do setor elétrico deve recair sobre o consumidor…
A Folha de São Paulo, com uma reportagem de Julia Borba, diz que o tesouro não fará aportes ao setor elétrico este ano e que o aumento de gastos no setor será pago pelo consumidor. 
Onde está a novidade? Onde está a notícia?
Please, please… responda-me, por favor, Julia Borba, o tesouro não vai injetar dinheiro no setor elétrico, certo? Mas supondo que ele injetasse dinheiro no setor elétrico a conta seria de quem mesmo? Do Além? Hum…
Aquele dito desconto nas nossas contas de energia anunciado em rede nacional foi pago por quem? Pelo tesouro, diria Julia Borba. Mas o dinheiro do tesouro vem de onde mesmo? Ah, parece-me que é do consumidor… Ou seja, com ou sem injeção do tesouro o consumidor pagará conta. Não é assim? Existe almoço de graça? Não, é óbvio que não. O consumidor sempre paga.
Folha e seus jornalistas, a Julia deve ser jornalista, poupem-me dessas DesNotícias!
Ah tá, esqueci, sou burro total. Mereço a notícia… 
Mas tem coisas que me cansam… Ser burro total, por exemplo!

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/01/1574178-sem-tesouro-custeio-do-setor-eletrico-deve-recair-sobre-consumidor.shtml

Somos Racionais?

Leia a descrição de Steve e escolha qual a sua provável profissão:
Steve é muito tímido e retraído, invariavelmente prestativo, mas com pouco interesse nas pessoas ou no mundo real. De índole dócil e organizada, tem a necessidade de ordem e estrutura, e uma paixão pelo detalhe.
Qual é profissão de Steve:
(   ) Bibliotecário                               (   ) Fazendeiro
Se você estiver entre o grande grupo de pessoas comuns terá escolhido a opção Bibliotecário, pois a descrição corresponde ao estereótipo criado para essa profissão. Porém, se você pensar que para cada bibliotecário existem vinte homens fazendeiros, chegará facilmente a conclusão de que a probabilidade de que Steve seja fazendeiro é muito maior. As características de ser organizado e tímido não são exclusivas de um bibliotecário, mas um estereótipo nos faz crer que tomamos uma decisão racional. A racionalidade estaria associada ao uso de dados estatísticos para fundamentar uma escolha, que não foi o caso.
Por isso a pergunta: somos realmente racionais? Você acredita nisso?

No livro Rápido e Devagar, duas formas de pensar, Daniel Kahneman, fica evidente que somos bem menos racionais do que imaginamos. Porém, tomar consciência de nossa pouca racionalidade poderá prover-nos de um pouco mais de racionalidade.

Vai criticar? É muito fácil…

Criticar é muito fácil. Basta avaliar a situação e assumir um ponto de vista diferente daquele de quem fez a ação. E isso é quase um exercício natural, uma vez que dificilmente se tem uma posição exatamente igual a um outro por sermos diferentes de todos os outros. Portanto, criticar o outro e aqueles que fizeram ou fazem algo é fácil, podendo ser uma crítica superficial ou profunda, autêntica ou enganosa ou que tenha qualquer um dos adjetivos entre as posições extremas que um indivíduo pode assumir sobre um determinado assunto. Observa-se, entretanto, que quando as críticas são verdadeiras observações de alguém que pensa diferente, normalmente, elas são construtivas e contributivas. Por outro lado, quando as críticas são falsas elas revelam os diferentes também, porém, maldosos e perigosos. Contudo, para mim há uma crítica que pode ser ainda mais perigosa do que a crítica feita por pessoas superficiais, invejosas e fofoqueiras: é a crítica daqueles que se acham. 

O que é a crítica daqueles que se acham? É a crítica daqueles que assumem ter um entendimento e uma visão melhor de mundo, acreditando-se mais sábios e mais justos do que os outros. Particularmente entendo ser muito mais perigoso, pois pode ocultar o arrogante. A pessoa que se vê dessa maneira se entende como diferente, assim como cada um realmente o é, porém se entende como um diferente superior. Passa a ter a pretensão de mostrar ao outro como tomar as melhores decisões, ensinando-o a fazer o mundo melhor. Não o faz, mas ensina a fazer. Não está aberto a entender outras posições, pois já assumiu ser a sua a verdadeira e que somente por intermédio dela é que o mundo vai ser um lugar melhor. Oculta-se nessa visão superior o verdadeiro autoritário. Ao criticar, também se julga numa condição moralmente superior para poder conduzir os destinos dos demais, que segundo ele são alienados e nada têm a contribuir para que o mundo seja melhor. Dirige as suas críticas aos outros, nunca a si.

Vejo, porém, que não somos melhores nem piores do que os outros. Somos apenas diferentes. A crítica autêntica feita de um ponto de vista diferente é uma forma de deixar o legado de um mundo que pode ser melhor do que aquele que recebemos. É essa crítica que nos leva a argumentar, a contra-argumentar, a explicar e a entender, mas conscientes de que devemos fazer a nossa parte ao fazer melhor aquilo que está ao nosso alcance. O mundo pode não ser justo, mas eu tenho a possibilidade de ser justo nas minhas escolhas. 

Vai criticar alguém que fez algo? Muito bem. Trata-se de um crítica simplesmente pela crítica? Você vai apenas criticar ou vai fazer a sua parte? Você teria feito diferente se estivesse na mesma posição? Por que? Porque você é simplesmente diferente ou porque você se acha melhor? 

A última vez…

– É meu caro, esta foi a sua última vez!

O médico avaliou os resultados dos exames, fez um diagnóstico e deu o seu prognóstico. Eu não fiquei nada feliz ao ouvir o que o médico dizia. Na verdade não quis acreditar. Como assim, última vez? Quer dizer que acabou pra mim? Inicialmente fiquei meio chocado. Saí dali da emergência, passando de um corredor a outro no hospital e logo passei a sentir-me completamente atordoado. Minha esposa que me acompanhava adivinhava como eu estava me sentindo. No caminho de volta fiquei totalmente absorto em meus pensamentos. Ao sermos confrontados com uma realidade que não nos é favorável muitos de nós têm reações diferentes. Alguns esbravejam. Outros choram. Eu fiquei introspectivo. Parece-me até irônico, porque dois dias antes escrevi o texto Introspecção e Projeção, em que dizia que usaria os dias de festas entre Natal e Ano Novo para um período de introspecção em busca de projeções para o novo ano. Introspectivo eu estava, mas como projetar depois da notícia de que aquela havia sido a última vez? Menos mal que deveria ser a última vez que eu jogaria basquete sobre rodas…

Nunca fui nenhum Cristiano Ronaldo ou Messi do basquete sobre rodas, mas sempre gostei muito do esporte pela sua competitividade, estratégia, contato, companheirismo e amizades que dele surgem. Quem pratica algum esporte coletivo sabe do que estou falando. Acontece que no último dia de treino de 2014 sofri uma lesão que me levou ao hospital. Após os exames o médico avaliou a situação e recomendou que eu não jogasse mais basquete em função da fragilidade da minha estrutura óssea após quase trinta anos de uso da cadeira de rodas. A frase foi aquela do início da texto: foi a sua última vez!

Já tinha o desejo de fazer um período de reflexão, agora tinha um motivo a mais. Lembrei-me que sempre nos preparamos para a primeira vez. Os pais esperam ansiosamente pela primeira palavra de um filho, assim como pelo seu primeiro passo que são motivos de celebração. Conforme nós crescemos também fomos tendo consciência de que algumas coisas aconteceriam pela primeira vez. Muitos devem lembrar do primeiro dia na escola. Lembro-me quanta ansiedade me gerou esse momento. Depois veio o primeiro beijo e a primeira namorada, fatos marcantes que dificilmente são esquecidos. O primeiro emprego e o primeiro dia de trabalho, assim como outras tantas primeiras vezes que nos deixam estimulados. Preparamo-nos para elas. Ansiamos para que chegue o dia e a hora da primeira vez. Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez em que vi o mar. Uma experiência indescritível. Mas o meu problema estava no lado oposto. Havia sido confrontado com a última vez. Como nos preparamos para a última vez? Qual é a reflexão? Quais as projeções?

Na verdade não nos preparamos para a última vez de nada. O engraçado que uma é o reflexo da outra. Podemos falar de sinônimos e antônimos, de cara ou coroa, de vida e morte ou de início ou fim. Depois que aconteceu uma primeira vez a última vez é inevitável. Jogar basquete sobre rodas teve a sua primeira vez e teria a sua última. Não jogar mais basquete já em 2015 é que eu não sabia que não faria. Por isso, não foi a melhor notícia que recebi no final de 2014. Para quem queria fazer projeções expansivas eu havia sido confrontado com uma projeção restritiva. Porém, o que posso tirar de bom dela? Ainda não está muito claro, mas entendo que ter sido alertado para que aquela tivesse sido a última vez que tenha treinado preservou a minha integridade evitando uma lesão mais grave. Mas ainda assim fica a pergunta: como uma restrição pode ser uma forma de expansão? Bom, como não posso mais jogar basquete por ser um esporte de contato bastante agressivo, talvez seja a oportunidade de desenvolver novas habilidades em outros esportes… Quem sabe voltar ao remo? Por que não a natação? Ou quem sabe as corridas? Enfim, uma restrição pode ser a oportunidade de olhar o mundo sob uma nova perspectiva, descortinando horizontes até então não vistos.


Uma restrição de 2014 vai me criar projeções para 2015. 

Vamos a isso!!!

Muito obrigado Ricardo, técnico da APD Braga que abriu as portas da equipe!
Agradecimento também aos amigos Manuel, Zé Gonçalves, Zé Miguel, Rogério, Dado, Sílvio, Henrique, Zé Manel, Rafael, Jorge, João Paulo, Mendes, Gabriel, Márcio e Filipe.
Muito grato ao Seu Carlos, sempre presente para apoiar e resolver os pequenos e grandes problemas de equipamentos.

Introspecção e projeção!


O ano de 2014 termina e todos vivemos nossas histórias. Foram histórias feitas de escolhas que resultaram em acertos e também em erros. Vivemos alegrias, tristezas, vitórias e derrotas. As histórias foram feitas de momentos de falar e de calar. Foram histórias vividas com a motivação e a superação natural em cada um. Mas elas já são passado. Nada mais se pode fazer por elas… Assim, vou usar os dias de festas e comemorações para momentos de introspecção e com isso, fazer a projeção de 2015. Para poder por algo para fora e necessário que se tenha algo dentro. Por isso, vou olhar para trás para entender o presente e projetar o futuro.

Desejo que cada um possa ter em 2015 um ano resultado das suas projeções, vivendo uma história que valha a pena ser contada. 

Inside the Job, um documentário que vale a pena ser assistido, Inside ourselves!

Eu realmente gostei do documentário Inside de Job disponível em http://vimeo.com/39018226. 


Os produtores são assertivos nas suas abordagens, fazem entrevistas contundentes e se aprofundam na análise do tema em questão: a perversidade do sistema financeiro e do mercado de ações. E realmente é uma vergonha o que acontece diarimente no mercado de ações e o que aconteceu ao sistema financeiro em 2008 que praticamente quebrou, levando consigo a economia de milhares de pessoas assim como você e como eu. Considere-se ainda os alertas dados por alguns economistas e analistas independentes mais críticos que não foram levados em conta. No Brasil, nós olhamos, observamos, entendemos o que aconteceu, mas não aprendemos. A Petrobrás e as estatais brasileiras que o digam…

Voltando ao documentário Inside the Job entendo que a crítica é certeira no mérito e concordo com ela em gênero, número e grau. Porém, se nós dermos um passo atrás e olharmos mais detalhadamente quem produziu a crítica e mesmo quem narrou o documentário podemos levar a reflexão para outro rumo. Quem é Charles Ferguson, o produtor? Quem é Matt Damon, o narrador?

Nos dias de hoje, Ferguson é o proprietário da Representational Pictures, especializado do filão de documentários críticos. Está meio na moda criticar e isso rende dinheiro. Antes disso, entretanto, ele foi consultor da Casa Branca nos anos 1980, período em que construiu uma excelente rede de contatos poderosos. Depois disso, em 1994, Ferguson fundou a empresa Vermeer Techonologies que criou o FrontPage, um dos primeiros softwares desenvolvedores de páginas da internet. Uma verdadeira inovação ao permitir que pessoas sem muito conhecimento informático também pudessem desenvolver páginas para a internet. Dois anos depois, Ferguson vendeu o seu empreendimento para a Microsoft por mais de 130 milhões de dólares. Certamente esse dinheiro teve origem do mercado de ações e também do mercado financeiro. No momento de por esse dinheiro na própria carteira o senhor Ferguson não teve nenhuma crítica a fazer ou tenha feito algum movimento para se recusar a recebê-lo, já que a sua origem é desprezível.

E Matt Damon, quem não o conhece? Também eu gosto do seu desempenho nas telonas, de onde ele recebeu aproximadamente 10 milhões de dólares por filme realizado na última década. Dentro das salas de cinema, certamente, tem pessoas que poderiam viver uma, dez ou vinte vidas sem jamais ganhar o que Matt Damon ganha para trabalhar num filme. Estou no grupo. Porém, simplesmente pelo fato de que ele talvez não tenha cobrado nada para narrar o documentário não o faz ser melhor do que o restante da humanidade ou do que as pessoas que ele entrevista. Na verdade não é melhor do que ninguém. Ele não fez absolutamente nada para melhorar o mundo. Ele simplesmente deixou de receber dinheiro. A situação se repete quando um grupo de famosos, sejam eles cantores ou atores, reúnem-se para fazer um espetáculo sem cobrar honorários e destinar o dinheiro arrecadado para algum fim humanitário. O que fizeram tais artistas? Nada. Absolutamente nada. Quanto do seu dinheiro foi para a caridade? Nenhum tostão. Sabe-se muito bem que se cada um desses artistas destinasse um ou dez anos daquilo que eles ganham para fins de caridade representaria muito menos do que representa o que gastaram aquelas pessoas que foram assistir ao dito show beneficente.  Eles sim desembolsaram o equivalente a um, dois ou dez dias de trabalho de um mês para assistir ao show, que no orçamento final representa muito mais para a sobrevivência com dignidade do que representaria dez anos sem receber por shows na vida de artistas de topo.


Assistir e escutar as críticas ao modelo que nos rege, como o documentário Inside the Job, é uma forma de poder entender como as coisas funcionam em escala macro para depois poder contribuir para a construção de um mundo melhor em escala micro. A questão que se coloca é que as pessoas normalmente querem melhorar o mundo nos outros, outside themselves. Não acredito em pessoas que se creem melhores do que outras pessoas, simplemente porque acreditam que sabem como os outros deveriam se comportar para que o mundo fosse melhor. Para mim, esse é um caminho difícil e que não funciona… Acredito em pessoas que querem se tornar melhores para melhorar o mundo. E isso acontece a partir de nós mesmos, do nosso entorno e das nossas relações: inside ourselves!