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Faça de 2012 o melhor ano de sua vida!

Faça de 2012 o melhor ano de sua vida! 

Assista a palestra O IMPACTO DA MOTIVAÇÃO NOS RESULTADOS!, garanta energia para as suas ações e contribua para a manutenção e o fomento do Remo como esporte na cidade de Pelotas.
 
Todos os recursos serão destinados para a implementação da Academia de Remo que desenvolverá atividades de cunho social e esportivo!
Local: Auditório dom Antônio Zaterra – UCPel, Rua Três de Maio, esq. Félix da Cunha
Data: 15-02-2012
Horário: 20h
Ingressos: R$ 15,00
Pontos de Venda:
  • Posto Cidadão Capaz
  • Clube Centro Português

Informações e Contato

Fone: 53 81427174 / 81449844 (tratar com Oguener ou Moacir)
A narrativa da palestra é conectada com o ambiente competitivo encontrado no remo, sendo este um esporte de alto rendimento. Porém, considere-se a realidade do palestrante ser um usuário de cadeira de rodas desde os 20 anos, fato esse que não foi empecilho para que se desenvolvesse como pessoa e como profissional. Principalmente porque, entre o trabalho e os estudos, encontrou tempo para ser atleta de Remo que o levou para a Seleção Brasileira de 2004 a 2008, dando-lhe a possibilidade de participar em três campeonatos mundiais. E o remo é um esporte em que a sorte nada ou pouco representa. Assim, igualmente é um ambiente que fornece um paralelo perfeito com as atividades profissionais, porque também estas têm as regras claras, objetivos e metas definidos, onde cada um terá que fazer o seu melhor. A palestra recorre a fotos, imagens e vídeos marcantes dos períodos das competições de remo, que são emocionantes porque são reais. 
A abordagem da palestra proporciona espaço para tecer ligações entre temas importantes para líderes e liderados, para gestores e geridos, como:

(1)  autonomia, para fazer o que deve ser feito, no momento apropriado, com pessoas que se importam e com a técnica ideal.
(2)  excelência, para se tornar melhor em algo relevante, ajustando as experiências com as capacidades.
(3)  propósito, para fomentar os lucros por meio da maximização dos resultados.

A palestra é ancorada nesses tópicos, vinculada a um panorama sobre o mundo de oportunidades no qual se vive, comparando-o com outros momentos históricos permeadas por fatos que ilustram as situações. Destaca-se a necessidade da compreensão do todo organizacional, em que as pessoas e as equipes oferecem o formato ideal de aprendizagem sobre a natureza humana e as suas implicações sobre os resultados. Assim, fala-se da motivação de líderes e liderados, de gestores e geridos, pois não há pessoa que não esteja ora numa ou ora noutra condição. Desse modo, para falar de objetivos, metas e resultados, líderes e liderados devem entender das motivações das pessoas, porque se está num estágio em que a qualificação é um pré-requisito, sendo mais fácil e mais rentável trabalhar nessa perspectiva.

Com esses ingredientes a palestra transcorre de forma ágil e dinâmica por meio da exposição de situações reais, cômicas e também emotivas ocorridas em ambientes onde se convive com as diferenças produzidas pelas pessoas nas organizações. Portanto, a palestra tem abordagem eminentemente motivacional, em que os exemplos mostram claramente que se vive num dos raros momentos da história em que cada um pode ser exatamente aquilo que pretende, desde que tenha motivação para acreditar e fazer aquilo que deve ser feito. Resultado é a soma de algo que se constrói diariamente. Por isso, amparado no conhecimento acadêmico e na experiência adquirida no meio empresarial, por meio de uma linguagem simples e objetiva, o palestrante envolve a razão e a emoção rumo as reflexões que despertam nos ouvintes as atitudes que os conduzem na constante busca pelos resultados esperados.

Indivíduo e Organização representados numa equipe em busca da maximização dos resultados!

DURAÇÃO: 
Aproximadamente 1h30. 

MINICURRÍCULO
As palestras são ministradas por Moacir Rauber que tem Mestrados em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade do Minho – Braga, Portugal (2010) e em Engenharia de Produção, com ênfase em Gestão da Qualidade, pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003), Pós-Graduação em Teoría del Pensamineto Complejo pelo Instituto Superior António Ruiz de Montoya-AR (2001) e MBA em Marketing (1998), além de larga formação complementar. Tem experiência profissional nas áreas Administrativa, Gestão de Recursos Humanos, Vendas e Planejamento Estratégico. Também foi professor universitário no Paraná e em Santa Catarina.
Também apresenta fatos do dia-a-dia de pessoas que tem uma dificuldade a mais, mas nem por isso desisitiram:

O alfabeto todo…

Moacir Rauber

Ler uma matéria na Revista VocêRH em que se alerta para uma revisão da ideia tão difundida de que nós somos divididos em gerações com características tão pontuais que permitiram rótulos como X, Y e Z é um alívio. Desde o período da faculdade dava-me a impressão que estávamos falando de uma linha de produção. Numa plataforma pode-se produzir determinado produto, como em uma linha de produção de veículos. Da plataforma tal produz-se o Golf geração 5. Daquela plataforma sai a nona versão do Corolla e naquela outra a sétima do Civic e asism por diante. A mesma linha de raciocínio havia sido adotado para as pessoas. Os baby boomers eram os filhos da guerra. Dessa plataforma surge a Geração X. Da base de produção da Geração X nasce a Geração Y, da qual virá a Geração Z. Tudo no quadrado dos processos como se estivéssemos falando de um produto que vai nos servir por conter determinadas características. A diferença é que estamos falando de pessoas, seres únicos, oriundos da unicidade de outros dois seres, que conferem a cada indivíduo distinções impossíveis de serem abrigadas numa taxionomia qualquer.

Para criar a taxionomia dos Baby Boomers, da Geração X, Y e Z, faltou combinar com as pessoas que se elas nasceram ou nascessem em determinado período elas deveriam ser assim ou assado. Finalmente acredito que os gestores estão se dando conta que é difícil querer entender gerações, que a solução é entender a pessoa.

Ainda vamos usar o alfabeto todo, combinando-o infinitamente para entender o indivíduo!

Pau mandado

Moacir Rauber

Houve uma época em que tudo o que o chefe mandava se fazia sem nem pestanejar. Mais do que isso. Incentivou-se a que as pessoas tivessem iniciativa, que fossem proativos indo além da sua obrigação. Hoje já não se pode admitir que seja assim. Creio que se deva continuar fazendo o que é uma obrigação, assim como se deva continuar sendo proativo, mas com discernimento o suficiente para ser reativo frente aquilo que não está em conformidade com as prerrogativas legais e humanas.


Não há mais espaço para um pau mandado, nem que seja proativo!

Omitir informações também é atender mal

Moacir Rauber
Quinta-feira à tarde saí para comprar um roupeiro que queria ter em casa até no máximo na segunda-feira. Isso porque minha esposa viajaria na sexta-feira e eu na terça-feira. Retornaríamos juntos, dez dias depois, mas acompanhados com uma visita que ficaria conosco pelo período de vinte dias, motivo da compra do roupeiro. Entrei na primeira loja e vi um modelo que me agradou. Conversei com o vendedor e expliquei que o levaria, desde que me entregassem até a data pretendida. O vendedor lamentou, mas disse que não poderia entregar o produto antes de sete dias. Agradeci e fui para a segunda tentativa. Nada. A terceira, a quarta e não conseguia resolver meu problema. Ou não tinham o produto ou quando tinham não o podiam entregar dentro do prazo. Na verdade é uma forma muito estranha de ter, mas não ter. Por fim, encontramos numa loja o produto com as características desejadas e a garantia do vendedor que poderiam entregar o produto já no dia seguinte, sexta-feira. Tudo certo, dentro do programado. Fechamos a compra, embora eu mantivesse um certo receio quanto a entrega no prazo. Minha esposa viajou logo na manhã seguinte. Eu passei o dia em casa envolvido com meus trabalhos de consultoria, além de estar aguardando a entrega do produto. Por volta das 17h de sexta-feira toca a campainha. Eram os entregadores que estavam trazendo o roupeiro. Pensei comigo mesmo, Os serviços estão melhorando. As lojas estão cumprindo com o prometido. Subiram as caixas com o móvel desmontado. Pediram para que eu assinasse a nota de recebimento e já estavam de saída. Eu indaguei, Mas não vão montar? O rapaz me olhou e gentilmente informou, O senhor deve ligar para a empresa a agendar a montagem. O sangue subiu. Despedi-me do rapaz e telefonei para a empresa. Primeiro caiu no fax. Depois atenderam e passaram a ligação para o almoxarifado. Por fim, a ligação chegou ao destino. A atendente me informou que a montagem seria dali a sete dias. Argumentei calmamente com a atendente, explico a situação e concluo, Pois é, mas o vendedor me garantiu que o produto seria entregue até segunda-feira. Recebi a resposta num tom que me indagava se eu era estúpido ou o quê, Mas o produto foi entregue. A montagem e a entrega não tem nada a ver uma coisa com a outra! O meu queixo caiu. Ainda mantive a calma para explicar a situação para a atendente, que disse-me que o gerente daria um retorno. Viajei na terça-feira com produto entregue, mas sem ter sido montado.
As lojas usam seus jargões na comunicação para garantir uma venda, dando uma impressão e omitindo a informação. Por que eu como consumidor deveria saber que a entrega não garante a montagem? Como uma empresa pode vender com uma promessa de entrega, mas não de funcionamento de determinado produto? E ainda por cima o idiota sou eu. 
Por isso, omitir informações também e atender mal.

A diferença de idade

As diferenças de idade entre casais não são exclusividade dos dias de hoje. Em todos os momentos da história da humanidade e praticamente em todos os grupos sociais esse fato sempre se repete. Vi, recentemente, um ator brasileiro que está mantendo um relacionamento com uma mulher 53 anos mais jovem… Também conheci uma senhora com 69 anos, idade bem sugestiva, que levava a tiracolo seu jovem namorado de 20 anos para todos os lados. Em ambos os casos a primeira impressão é de que são os respectivos avós acompanhados pelos seus netos ou filhos. Mas o amor não tem idade! O amor não tem preço. Para os demais casos pode até ter um master card…

Esses comentários me remetem a outra situação vivida pela Andreia e por mim, também em Portugal. Nos dois anos que por lá vivemos estudei na mesma universidade em que minha esposa trabalhava. Íamos, na maioria da vezes, de ônibus, que oferecia excelentes condições de acessibilidade para pessoas com deficiência, meu caso cadeirante, idosos ou mulheres com carrinhos de bebê. Era muito prático e econômico o deslocamento de ônibus de casa até a universidade. Quando podíamos, íamos e voltávamos juntos. A Andreia, normalmente, dava-me uma forcinha para subir a rampa do ônibus. Entretanto, nossos horários nem sempre coincidiam. Quando ela não estava o motorista tinha que descer para empurrar-me rampa acima. Ele já nos conhecia. Sempre era atencioso e simpático. Certo dia, porém, em que eu não fui para a universidade a Andreia foi sozinha. Embarcou normalmente no ônibus. Na hora da saída, o motorista a cumprimentou como de costume e perguntou: Ah, o teu pai não veio hoje? Nesta hora a Andreia ficou um pouco desnorteada e ele continuou,  aquele senhor em cadeira de rodas não é teu pai? Ficando um pouco ruborizado, cor que se fortaleceu quando a Andreia lhe respondeu, Não, ele é meu marido… E comento-lhes que a diferença de idade entre nós é aproximadamente de 11 anos. Mas nas cabeças de muitas pessoas um cadeirante acompanhado por uma mulher mais jovem e bonita somente pode ser filha, uma irmã ou no máximo uma amiga bondosa.

Olha, mas no nosso caso,  acredito que seja amor, porque o Master Card tá sempre sem saldo…

Você quer colo 2?

Alguns dias passados escrevi o texto Você quer colo? em que relatei uma situação pontual vivida em Portugal. Não foi piada!

Hoje escrevo o título Você quer colo 2? que aborda um tema semelhante, mas o fato aconteceu em Florianópolis. Talvez o título mais apropriado seria Planejamento Familiar…

Lá vai!!!


Lembre-se: 
Ouvir também é ler!
Para quem quiser ouvir…
Clique aqui e ouça!

Como bom cristão, participei de comunidades e paróquias nos lugares onde vivi. Tá certo que muitos me olhavam com desconfiança, porque se eu fosse tão bom cristão a fé já deveria ter produzido um milagre. Portanto, eu deveria estar caminhando e não usando uma cadeira de rodas… Mas isso é outra história!

Enquanto morava num bairro em Florianópolis, frequentava a igreja praticamente todos os domingos, participando de uma missa às 19h. Como trabalho voluntário ajudava na organização das festas, algumas vezes da catequese e, por dois anos, participei da Pastoral Familiar, composta por cinco ou seis casais. Estes se dedicavam a organizar cursos de noivo, visando preparar os futuros casais para as lidas da vida conjugal. A minha esposa, Andreia, sempre estava a postos para colaborar em uma ou outra situação. Eu um pouco menos, mas sempre que podia estava presente. Muitos dos conhecidos da comunidade eram homens e eu já havia me dado conta daqueles olhares bisbilhoteiros em que analisam e mentalmente perguntam, Será que esse cadeirante dá conta do recado com uma mulher tão bonita?, pois ela é realmente muito bonita. A pergunta é mental enquanto um homem está sozinho, porque quando se reúnem dois ou mais a análise é nua e crua. Sei muito bem, porque, afinal, sou homem. Num determinado período em que estava de viagem a Andreia foi sozinha à igreja. Nada de mais. Ela vai sozinha para todos os lugares e a igreja seria um lugar seguro, certo? Nem tanto… Ao final da missa o grupo se reuniu em frente à igreja, formando aquela agradável roda de conversa como de costume. Desta vez eu não estava, mas os demais estavam todos lá. Não eram exclusivamente os participanes de nossa pastoral, integrantes de outras pastorais ou mesmo um conhecido qualquer chegava, conversava, saía e voltava com a maior naturalidade. Entretanto, alguns daqueles senhores perceberam que a Andreia estava sozinha. Um deles, dez anos mais velho do que eu e 22 anos mais velho do que a Andreia, sempre galanteador e com fama de ser conquistador se aproximou dela e puxou conversa, Ué, onde está o Moacir? Está doente? Muitas pessoas, às vezes com malícia, julgam que um cadeirante tem problemas de saúde. É um doente… Ela, sempre espontânea, retrucou, Não, não. Ele ficará duas semanas fora de casa, porque foi participar de uma competição de remo. Vai me dar uma folga…Ufa! Esse gracejo, muito comum entre nós, foi a deixa para que o conquistador avançasse e, quem sabe, pudesse provar que o manquinho não dava conta. Começou com uma conversa sobre a sua pastoral, que colaborava com famílias carentes, mas que havia conseguido um DVD fantástico sobre planejamento familiar. Assim, como “bom cristão”, ele se disporia a passar na nossa casa durante a semana para assistir ao DVD e poderiam conversar mais à vontade. A Andreia inicialmente sequer entendeu e disse, Olha, não se incomode. Você pode me dar o DVD que eu o assisto na universidade, porque volta e meia tenho uma folga entre um compromisso e outro. Ele ficou um pouco desnorteado, tentou voltar ao assunto, mas nisso uma amiga nossa interferiu e a conversa tomou outro rumo. Mas quem diz que ele havia desistido? Durante a semana o conquistador foi até a nossa casa com um DVD na mão e cabeça cheia de outras coisas. Provavelmente querendo mexer com os índices demográficos… Tocou a campainha. A Andreia quando o viu pelo olho mágico não abriu a porta, mas abriu o olho. Quando voltei da minha viagem fiquei sabendo do ocorrido. No domingo seguinte a cena em frente à igreja se repetiu. Todos por lá, conversando animadamente sobre banalidades. Nisso, aproxima-se o conquistador, colocando-se entre a Andreia e eu. Nos cumprimentamos. Ele me perguntou como havia ido na competição. Contei-lhe, mas depois devolvi uma pergunta que lhe foi indigesta, E então, esta semana já estou em casa. Você não quer passar por lá para que possamos assistir ao DVD sobre planejamento familiar? O endereço eu sei que você já tem… A cara de espanto apareceu. A voz sumiu. Gaguejou. Depois ele disse, Não, não, é que… é que… eu já devolvi o DVD. Não era meu e… Eu o encarava sorrindo. Resolvi ajudá-lo e disse, Ah, tá. Tudo bem. Fica pra uma próxima. Melhor se eu estiver em casa… e dei uma risada. Despedimo-nos e fomos para casa.

E o planejamento familiar aqui em casa continua sendo feito a dois…

Eu mereço!!!

O texto sobre o fenômeno Eu mereço! pode ser ouvido clicando aqui

Lembre-se:

Moacir Rauber


Nós, seres humanos, somos observadores por natureza. Observa-se a natureza e seus fenômenos. Observam-se as espécies e seus hábitos. Observam-se as pessoas, podendo a partir daí aprender algo ou simplesmente fazer fofoca. Espero que meu raciocínio não seja classificado como fofoca, uma vez que falo da vida alheia para identificar o fenômeno do Eu mereço!

O texto se refere a observação de comportamentos que podem ser encontrados num grupo. Acompanhar de perto a trajetória de algumas famílias, usando a observação e a abstração, poderia nos aproximar de um  claro exemplo da teoria da evolução das espécies. Ela, a esposa, em seu período jovem, aproxima-se de um macho, notadamente, alfa em seu círculo. Ele, o esposo, está ligado a um grupo destacado financeiramente, facilmente podendo ser classificado como bom provedor e, quem sabe, bom reprodutor. Para ela, o acasalamento a levaria a perpetuar a espécie tendo a garantia de sobrevivência própria e também da prole. Para ele, sob esse aspecto, seria a oportunidade de disseminar seus genes no planeta, mantendo a sua linhagem. Sob essa ótica é um processo natural!

Para o mesmo fenômeno, considerando o estágio evolutivo em que se encontra a espécie humana, poderia se estar falando de um homem, que, de igual forma, pode escolher suas esposas usando das mesmas premissas. Assim, tem-se os cônjuges mantenedores e os mantidos. Analisando-se homens e mulheres, foi identificado o fenômeno do merecimento baseado no esforço alheio. Ele se manifesta de uma forma sutil, em que os cônjuges mantidos, muitas vezes, se autopremiam, mesmo sem o devido merecimento. Entrementes, rotineiramente usam um bordão para justificatar o comportamento da autopremiação: Eu mereço!. O fato chega a ser cômico, uma vez que o cônjuge que trabalha, em diversas situações, não pode se autopremiar, porque não lhe resta tempo. Os filhos, em geral, asumem o comportamento da autopremiação encontrado no cônjuge mantido, justamente pelo maior tempo de convívio com ele. Assim, tem-se uma organização familiar onde um elemento produz e os outros cobram resultados e usufruem benefícios que não produziram. Qualquer menção por parte do cônjuge mantenedor de não querer participar ou de não querer promover uma reunião social, por exemplo, transforma-se em motivo de briga pelo cônjuge mantido com o apoio da prole. Toda a argumentação é respaldada pelo fato de que haviam ficado a semana toda em casa, sempre complementada pelo bordão: Eu mereço!.

Esse fenômeno se reflete no comportamento de um grande número de pessoas, nos mais diferentes ambientes. Elas se autopremiam, antes mesmo do merecimento. São colaboradores que não colaboram tanto assim, mas se julgam merecedores de benefícios; são proprietários que se beneficiam tão somente do esforço alheio; são professores que não ensinaram e tampouco aprenderam, mas que querem o reconhecimento; são pessoas que não contribuíram, mas que se aposentam; são jovens e adolescentes que não se autosutentam, mas se arrogam o direito de receberem uma premiação pelo esforço que ainda não fizeram. Quase sempre se autopremiam pelo esforço alheio. Não que as pessoas não devam se dar mimos. Não que as pessoas não possam desejar levar uma vida com certas regalias. Muito pelo contrário. Creio esse ser um norte dos indivíduos que os leva a melhorar a própria vida, assim como a dos demais. Entrementes, antes de proclamar Eu mereço! a pessoa deve saber de onde virá o prêmio. As custas de quem virá o benefício que se está auto atribuindo… Assim, estendendo a observação, vejo mais e mais pessoas se auto premiando sem contudo se questionar por que merecem aquilo que se atribuem. Muitos se afundam em dívidas, mas não abrem mão do prêmio. Outros se premiam mesmo que seja as custas de ofensas, agressões e prejuízos a terceiros. Eu também, às vezes, creio que mereço certas benesses. Porém, sempre cabe perguntar, Mas as custas de quem? Por isso, uma família onde todos produzem se torna mais justa, da mesma maneira como as demais organizações sociais ou empresariais. Quando todos são, interdependentementes, responsáveis pelo esforço para se alcançar determinado resultados, também o fato de fruir dos benefícios torna-se mais legítimo.

Por fim, creio que o texto não se classifica como fofoca, porque não se deram os nomes. Não é pesquisa científica, porque não houve o rigor necessário na coleta dos dados e nos critérios de observação do fenômeno. Não faz parte da teoria evolutiva, porque constata-se um retrocesso. O texto é apenas o resultado da prática da observação, que aponta um fenômeno que pode ser muito bom ao identificar que as pessoas estão se preocupando  consigo mesmas, dando-se o direito da autopremiação. Muito justo, desde que você realmente mereça…

Você quer colo?

Mal entendidos e humor andam lado a lado…
As más intenções, algumas vezes, também podem gerar situações de humor. Depende dos fatos…
Você quer colo? é uma história que poderia ter acontecido em qualquer lugar, mas foi em Portugal. 
Não é piada, mas pode-se rir um bocado. Leia abaixo ou Ouça, clicando aqui. 
Lembre-se: 
Ouvir também é Ler!


Você quer colo?
A vida de um cadeirante tem inúmeras particularidades, entre elas a curiosidade que desperta em homens e mulheres convencionais sobre o seu desempenho, principalmente, sexual. Quando eu era mais jovem, lembro-me que esse fato facilitava a minha aproximação das mulheres curiosas. Os homens tratavam-me como um igual, desde que eu estivesse sozinho. Porém, bastava eu aparecer acompanhado por uma mulher, fosse amiga ou namorada, os olhares masculinos expressavam certo interesse bisbilhoteiro, quase que revelando uma pergunta: será que ele vai dar conta?

Nos mais de 25 anos como cadeirante sempre soube lidar muito bem com essa situação, embora isso não queira dizer que nunca tenha reagido frente as indiscrições maiores. Em 2009, morava com minha esposa, Andreia, em Portugal. Passados alguns meses conhecemos um vizinho de prédio, um senhor português com 82 anos, que havia vivido por mais de 40 anos na cidade do Rio de Janeiro. O primeiro encontro foi na rua, em frente ao prédio, enquanto voltávamos das compras feitas no mercado da esquina, 50 metros adiante. Ele nos cumprimetou e fez referência ao fato de sermos brasileiros. Puxou conversa. Falou das maravilhas do Brasil. Quando soube que éramos do Sul do país se empolgou ao descrever uma de suas viagens pela região serrana de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, com ênfase nas vinícolas de Bento Gonçalves, uma vez que era um pequeno produtor de vinho em Portugal. Foi simpaticíssimo! Por fim, ofereceu-se para nos fazer uma visita um sábado qualquer. Logicamente nós reforçamos o convite, como manda a boa educação, além de ser uma oportunidade para fazer novas amizades. Passadas duas semanas, um sábado à tarde, por volta das 15h, toca a campainha. Abro à porta e vejo o Seu Fernando com duas sacolas nas mãos. Pedi-lhe o que era aquilo e ele, simpaticamente, respondeu, Ah, nada, apenas alguns mimos em sinal de amizade! Fiquei tentado a recusar, entretanto não seria muito lisonjeiro da minha parte. Ele deixou as sacolas na mesa da cozinha. Ao abri-las, vi beterrabas e vagens, entre outros legumes. Algumas nozes, salames e queijo. Um mini rancho. Fiquei constrangido,  dizendo que aquilo não era necessário. Ele minimizou a importância das compras e destacou a garrafa de vinho de sua produção que nos oferecia. Esse sim, agradou-me. Em seguida fomos até a sala onde ficamos conversando a tarde toda. Logo após a primeira hora de conversa começamos a notar que algumas histórias se repetiam. Mas sentíamos que lhe fazia bem que pudesse compartilhar com brasileiros suas experiências vividas no Brasil. Por vezes, destacava algumas passagens um pouco picantes de sua vida, deixando-nos um pouco apreensivos. Mas ao final da tarde havia sido uma visita agradável. Quando ele se despediu disse-lhe que as portas de nossa casa estariam abertas para outras visitas, mas que não necessitava para isso trazer-nos presentes. Nos apertamos as mãos e ele saiu.
Duas semanas depois, novamente por volta das 15h, lá estava o seu Fernando. Trazia consigo, outra vez, duas sacolas de compras. Aquela situação me era constrangedora. Aceitei, mas com a condição de que aquilo não se repetisse. Fomos até a sala e recomeçaram as mesmas histórias da visita anterior. Ao final da visita ele nos convidou para que fôssemos até a sua casa para conhecer a sua esposa. Combinamos a data e lá fomos nós. Chegamos ao seu apartamento e fomos recebidos por sua esposa, uma mulher 26 anos mais jovem do que ele. Ela viria a ser sua sobrinha, filha de um irmão, segundo o que nos contaram naquela tarde. Ambos falaram-nos das brigas e da rejeição por parte da família em aceitar o namoro e o quanto tiveram que lutar para que pudessem ficar juntos, uma vez que todos eram contrários por se tratar de um relacionamento incestuoso. Por fim, o amor venceu. Uma história muito bonita. Entretanto, não tiveram filhos, o que gerava entre os seus parentes o comentário de que se tratava de castigo divino. Mas isso é outra história… A visita a casa do seu Fernando terminou com um soboroso café acompanhados por uma farta bandeja de bolinhos de bacalhau.
Sábado à tarde, quinze dias depois, às 15h, toca a campainha. Lá vou eu até a porta com a certeza do que veria ao abri-la. É, não deu outra. Lá estava o seu Fernando, com duas sacolas de compras, esperando para ser convidado a entrar. Olhei, demonstrando em parte minha insatisfação pelas sacolas, mas dei-lhe passagem. Ele já se dirigiu a cozinha para deixar as compras. Repetiu-se a tarde. Repetiram-se as histórias. Mais uma ou duas visitas nas mesmas condições. Porém, chegou um sábado em que eu não estava em casa. A história se repetiu, com a diferença de que minha esposa foi abrir a porta. Ele se dirigiu a sala e sentou-se num sofá. A Andreia noutro. Como eu estava demorando para aparecer ele perguntou onde eu estava. Ela lhe contou que eu saíra. Imediatamente, com um agilidade acima do normal para a sua idade, ele saiu do sofá em que estava, pegou uma banqueta e sentou bem em frente a minha esposa, que se assustou. Começou a conversar sobre as suas aventuras amorosas e extraconjugais no Brasil. Reforçou que as mulheres brasileiras são excepcionais, carinhosas e muito amorosas. Passou a insinuar-se, para por fim sugerir que ela lhe fizesse carinhos, já que a sua esposa não mais fazia. Ele a recompesaria por isso. A Andreia se espantou. Não sabia como lidar com a situação. Estava muda. Ele avançou, pedindo para que pudesse sentar em seu colo. Ela se esquivou. Saiu da sala, dirigindo-se até a  porta. Disse-lhe que eu chegaria em breve. Por fim, conseguiu convencê-lo a sair de casa.

Naquele dia, ao chegar em casa, percebi a Andreia meio estranha. Ela não estava como de costume. Perguntei-lhe: O que foi? Aconteceu algo?Ela disse que estava tudo bem, mas em seguida contou-me o ocorrido. Aquilo chocou-me, deixando-me bastante irritado, a princípio. Pensava comigo mesmo, mas o que é isso? O velhote está gagá e ainda quer tirar uma lasquinha com a mulher do próximo? Foi aí que me lembrei que não se tratava da mulher do próximo, mas sim da mulher do cadeirante. E como a muitos outros homens deve ter lhe ocorrido a fatídica pergunta, Será que ele dá conta do recado? Comecei a rir. Logo em seguida veio-me uma ideia a cabeça. Deixa comigo!, pensei. Passaram-se as duas semanas de costume. Naquele sábado à tarde quem não estaria em casa era a Andreia. Às 15h toca a campainha. Eu estava de prontidão. Dirigi-me à porta e a entreabri. Enquanto segurava com uma mão a porta entreaberta me colocava no vão impedindo a passagem, bem em frente ao seu Fernando. Ele me cumprimetou com um largo sorriso, segurando as duas sacolas nas mãos fez um gesto como quem pede para entrar. Eu não me movi, mas lhe retribui o sorriso, para em seguida comentar, Pois então, seu Fernando, hoje a Andreia não está em casa, mas já que o senhor falou de sentar no colo para receber um carinho, quem sabe eu não possa fazê-lo hoje? Vi o terror em seus olhos. Ele deu dois passos atrás, deixando cair suas sacolas. Eu prossegui com uma voz melodiosa, Venha, seu Fernando, eu sou muito bom nisso. Senta aqui no meu colinho… batendo nas pernas… que eu lhe faço carinhos… e dei outro sorriso. Ele quase enfartou na minha frente. Titubeou, mas ainda tentou articular alguma explicação que não saiu. Fui até o elevador, apertei o botão e voltei até a porta do apartamento. Antes de fechá-la ainda lhe disse, Ah, e leve suas sacolas! Não mais vi o Seu Fernando.