Dar o que se quer

Para se obter aquilo que se quer é preciso dar aquilo que se quer. Como assim?

Você não tem paciência? Dê paciência que você terá paciência.

Você quer paz e tranquilidade? Expresse paz e tranquilidade que você terá paz e tranquilidade.

Você quer amor? Ofereça amor que você terá amor.

Você quer felicidade? Compartilha felicidade que você terá felicidade.

Dê aquilo que você quer ter e você terá aquilo que deu!

dando

Fonte da imagem: http://depressaoepoesia.ning.com/profiles/blogs/dando-que-se-recebe

(Pensamentos baseados no livro Conversation with Gog)

Visão de mundo: educador ou doutrinador?

Desde muito cedo gostei de ler, conversar e escutar sobre política, entre outros assuntos polêmicos ou existenciais. Interessava-me ouvir as argumentações a favor e contra uma visão. Descobrir a verdadeira posição por trás de uma explicação era o que eu buscava na fala dos meus professores. Ficava atento a como eles abordavam um determinado tema para encontrar pistas sobre qual o posicionamento que eles teriam fora de sala de aula. Normalmente, era muito fácil identificar. Entretanto, havia um professor de quem eu não conseguia extrair a informação que buscava. Ora parecia-me que ele tendia a um lado, ora parecia-me o oposto. Era justamente o professor que trabalhava as disciplinas voltadas para temas filosóficos e sociológicos no Ensino Médio. Por fim, havia concluído que ele tendia para uma determinada corrente política. No ano seguinte, tivemos eleições. Para minha surpresa, o professor lançara-se candidato a vereador. Surpresa maior ainda foi vê-lo ser candidato justamente pela corrente política oposta àquela que eu havia identificado como sendo a dele. Não acreditava naquilo. Como ele poderia ser da corrente política contrária àquela para a qual, aparentemente, ele demonstrava mais simpatia em sala de aula? A minha surpresa se transformou em admiração, porque percebi que o professor havia me dado a oportunidade de ter uma visão do mundo e não apenas a sua visão de mundo.
 
O tempo passou e eu também acabei em sala de aula. Havia um grupo de alunos da Faculdade de Administração que era muito engajado politicamente, por isso temas polêmicos eram recorrentes no transcorrer de um semestre. Toda vez que a visão política partidária se imiscuía no tema das aulas eu adotava a posição da não posição. Levantava questões de uma ou outra vertente política, ligando-as ao tema da administração. Buscava alargar as fontes de consulta teóricas para que os alunos pudessem ter a visão ampliada daquilo que se debatia. No ano seguinte, novamente teríamos eleições. No final do período para filiação partidária, um dos meus alunos me pediu para que me filiasse ao seu partido político. Agradeci o convite e justifiquei o fato de não me filiar a nenhum partido político em função da minha profissão. Não deixava de ser verdade, porém destaco que o convite veio de alguém que defendia ideias políticas exatamente contrárias às minhas. Fiquei feliz por isso. Havia conseguido não revelar minha visão de mundo para que os alunos tivessem a visão de um mundo muito maior do que as limitações a que cada um de nós está sujeito pelos próprios limites.
 
Observando a realidade atual das escolas e universidades, admiro ainda mais aquele professor. Rapidamente pode-se concluir que os educadores e professores que trabalham com as disciplinas de filosofia, sociologia e outras voltadas ao desenvolvimento da capacidade de pensamento e abstração dos alunos são os primeiros que se posicionam sobre tudo e sobre todos. Tais professores e educadores têm a convicção de que ao dar a sua visão de mundo contribuem para um mundo melhor. A realidade, no meu ponto de vista, é outra. Acredito que, ao limitarem os alunos a verem o mundo como eles o veem, desenvolvem um processo de castração da capacidade de abstração individual. Trabalham como doutrinadores e não como professores. Os alunos não constroem conhecimento, pois geralmente emprestam-no dos professores. Portanto, tampouco conhecimento é.
 
Entendo também que sempre e quando queremos impor ao outro a nossa visão, trata-se claramente de uma atitude prepotente de quem se acredita melhor do que o outro. E, por fim, expresso a minha visão com as minhas limitações: acredito que devamos educar as pessoas para serem boas umas para com as outras e não para que queiram ser melhores umas do que as outras. Assim, prefiro professores educadores a professores doutrinadores. É apenas uma visão de mundo. Concordar ou não, depende de cada um.
Fonte da imagem: http://patatitralala.blogspot.com.br/2010/09/importancia-do-desenho-na-pre-escola.html
 

Você me dá o seu livro de presente? Juro que vou ler…

Amigos e livros não são amigos. 

Aqueles livros que emprestamos para os outros, muitas vezes, não voltam. Alguns dos  livros que emprestei não foram devolvidos. Tenho livros na minha casa que sei que não são meus, mas não posso devolvê-los simplesmente porque não sei de quem são. A situação pode ser ainda mais estranha de como a amizade e os livros não combinam. Lançar um livro num país onde o índice de leitura nos faz parecer analfabetos não é fácil. Contar com os amigos para que o livro alcance sucesso pode ser ainda mais ingrato. No mês de abril lancei o meu quarto livro com o título Ladrão de si mesmo. Foram vários eventos organizados em diferentes cidades e locais do país. Na minha cidade natal foram realizados vários encontros, conversas e palestras. Muitos dos meus amigos compareceram e compraram o seu exemplar. Alguns vão ler. São amigos e leitores. Outros não vão ler. Compraram por amizade. Tenho quase a certeza de que se eu encontrar a muitos daqueles que compraram o livro daqui a um ano eles ainda não o terão lido. São meus amigos, não são amigos dos livros. O outro aspecto que chega a ser cômico se refere aos amigos que não vão comprar e não vão ler, mas querem ter o livro. 

Recebi algumas abordagens no mínimo estranhas:
– Oh, Moacir, você poderia me dar um livro? Juro que vou ler…

O pedido veio de uma pessoa que eu sei que não é uma leitora. Quer um e jura que vai ler o livro. No pedido quer o livro de graça. Na oferta de ler o livro parece que estaria me fazendo um favor. Incrível, não é? Por isso, torna-se cômico escrever um livro e receber tais pedidos, ou melhor, ofertas. Impressionante que as pessoas acreditem que elas merecem receber um livro de presente pelo galanteio que farão àquele que escreve ao lerem o seu material. E não foi uma só vez que isso aconteceu.

Quando alguém escreve não espera o favor de ninguém para ler o livro. O escritor tem no seu íntimo o sonho e o desejo de que o livro seja lido por quem gosta de leitura, seja ele amigo ou não. O escritor carrega consigo a certeza de que a leitura daquilo que ele escreveu pode ajudar o leitor a construir uma mensagem ou simplesmente permitir que ele obtenha algumas horas de prazer com a sua leitura. Compartilha-se uma visão de mundo por meio do texto. Ainda que seja um livro de ficção ele vem carregado com as impressões daquele que o escreve. Pode-se construir um ou dez personagens com características psicológicas distintas, mas todos eles têm na sua essência a presença do escritor. Cabe ao leitor ler, concordar ou discordar com o que propõe o autor, mas também pagar pelo produto que é o livro. 

Não creio que haja escritor que queira que o seu livro seja lido como um favor. Assim é com um jornal, com uma revista ou com outros materiais escritos por profissionais. Eles são resultados da formação de alguém que se dedicou para desenvolver a capacidade de interpretar a realidade, analisar dados, de criar personagens, no caso dos livros de ficção, e de escrever.  É um trabalho. Não se escreve para que a leitura seja feita como um favor. Escreve-se para compartilhar ideias, descobertas, percepções e reflexões para aqueles que gostam de ler. Amigos ou desconhecidos? É indiferente. Que concordem ou discordem? É importante que tenham opinião. Que recebam o livro como um presente? Apenas se o receber de um amigo, não do escritor.

PEÇA O SEU!!!


A boa preguiça

A preguiça pode ser a fonte de muitas inspirações e pode levar a que se encontrem soluções inteligentes para os problemas. Um preguiçoso pode ter uma boa ideia para fazer mais com menos esforço. É a inteligência da preguiça. É a lei do menor esforço em ação. 

Porém esse é o ponto, de todas as formas se precisa de ação. Há que se dominar a preguiça para que não se fique paralisado por ela. 

A preguiça que move é a boa preguiça!


Somos únicos. Somos múltiplos.