Resultados…

Um pastor estava esperando na fila para entrar no céu. Na sua frente ele observa um sujeito com óculos escuros, camisa colorida, jaqueta de couro e calça jeans.  São Pedro o atende:
Quem é você? Preciso conferir para saber se você pode entrar no Reino dos Céus…
– Sou um taxista de Nova York.
São Pedro consulta a sua lista, dá um sorriso e lhe diz:
Pegue esse robe de seda, o bastão de outro e entre no Reino dos Céus.
Na sequência São Pedro atende o pastor. Pergunta:
Quem é você? Preciso conferir para saber se você pode entrar no Reino dos Céus…
O pastor, que estava parado ereto e altivo esperando a sua vez, responde:
– Eu sou o Reverendo Joseph Snow, pastor da Igreja Aleluia pelos últimos quarenta e três anos.
São Pedro novamente consulta a lista e de forma quase indiferente lhe diz:
– Pegue esse robe de algodão, o bastão de madeira e entre no Reino dos Céus.
O Pastor olha indignado e fala:
­- Um minuto, por favor. O homem na minha frente era um taxista e ganhou um robe de seda e um bastão de ouro???
– Resultados, murmura São Pedro,resultados… Enquanto o senhor pregava as pessoas dormiam. Enquanto o taxista dirigia as pessoas rezavam.

E você… Está entregando os resultados que são esperados? 

Mais… Você está produzindo tudo aquilo que pode produzir?

Você está transformando o seu potencial em talento?


A anedota foi traduzida de: http://iol.idph.com.br/

Não acredito em competições… Não compreendo o que se entende por superação…

Gostar e participar de competição sem acreditar em competições pode parecer contraditório, assim como discorrer sobre superação sem aceitar aquilo que comumente se entende por superação também pode soar estranho. Explico a situação.

Por que não acredito em competições? A competição pode ser entendida como a disputa por algo, seja por um prêmio, por espaço, por visibilidade, por um emprego ou mesmo a disputa por um amor. Na idealização das competições ela se daria entre iguais. Aqui entra a minha divergência. Se nós somos únicos não podemos ser iguais. Assim, uma competição não pode ser justa. Não sendo justa não acredito nela. Mas por que eu gosto de competição? Porque ela estimula a que as pessoas desenvolvam o que há de melhor nelas. Podemos fazer um paralelo com um campeonato de futebol. Cada time tem uma diferente composição humana com uma diversidade de talentos, além de diferenças gigantescas de ordem estrutural, econômica e financeira. Mas a disputa acontece do mesmo jeito. O título é o alvo de todas as equipes no início da competição. Conforme o certame avança os objetivos vão se alterando. Alguns continuam a luta para vencer o campeonato. Outros se digladiam para não serem rebaixados. Um terceiro grupo se mantém na disputa por prêmios intermediários. Vale ressaltar, entretanto, que cada equipe continua a ser encorajada a despertar nos seus indivíduos o desejo de dar o seu melhor, individual e coletivamente. É por isso que eu gosto de competição, porque ela melhora o indivíduo fomentando a competitividade.

No meu entendimento, aumentando a nossa competitividade estamos mais aptos a cumprir com a missão a que nos propomos, seja ela individual ou organizacional. Apesar de muitos conceitos trazerem a ideia de que a competitividade se dá quando fazemos o que fazemos melhor do que os outros fazem aquilo que fazemos, considero-a também como algo intrínseco. Para mim, a competitividade se mostra quando fazemos aquilo que fazemos com o máximo de excelência que a nossa unicidade permite. Isso não nos exime como indivíduos ou como organização de acompanhar os índices dos outros como parâmetros comparativos. Entretanto, há que se lembrar que ninguém pode fazer nada com relação aos índices alheios. Cada um somente poderá trabalhar nos seus resultados, seja indivíduo, equipe ou organização. Entretanto, essa comparação poderá levar a cada indivíduo, equipe ou organização a extrair o melhor que há em si mesmo. Assim, tornamo-nos competitivos, até mesmo em competições.

E onde entra a superação em tudo isso? E onde está a minha discordância com relação a ela? A minha discordância vem do fato de se entender superação como algo extraordinário, muitas vezes atrelado a pessoas que conseguiram um feito incomparável. Nesse cenário, as pessoas com deficiência têm sido usadas frequentemente como exemplo de superação. É aqui que entra a minha discordância. Não vejo as pessoas com deficiência como modelo de superação, porque acredito que cada um somente é o que é pelo histórico de vida que teve. Nada além disso. Assim, quando alguém que me vê numa cadeira de rodas suspira e diz que eu sou um exemplo de superação, isso não me diz quase nada. Não é por arrogância, mas porque acredito que se a pessoa que me vê tivesse vivido o que eu vivi faria a mesma coisa. O meu entendimento de superação é muito mais simples. Não tem nada de heroico. É apenas um desenrolar trivial da nossa vida. Entendo superação como o movimento natural e constante de se tornar o que se é. Isso se repete, porque sempre que nos tornamos aquilo que somos nós procuramos uma nova forma de ser que nos leva a uma nova superação. Não há nada de extraordinário nisso. Isso já era dito por Nietsche. Não sou eu que digo, embora eu acredite nisso. Desse modo, a superação é dinâmica, impulsionada pelas contradições e sempre buscando o ser mais de cada um. A superação não atinge um limite estanque duradouro. Porém, para que a superação aconteça é necessário que haja um ponto de estagnação, permitindo que ela novamente seja rompida mantendo o movimento de superação…

É assim que vamos nos construindo e reconstruindo. Rompemos… Superamos… Estagnamos… Rompemos… E o processo evolutivo de superação se repete. A história da humanidade é assim. A história das organizações é assim. A história das equipes é assim. A história dos indivíduos é assim. Por isso, os indivíduos que se superarem com mais frequência dentro desse movimento natural do ser humano terão mais possibilidades de se tornarem competitivos, compondo uma equipe e uma organização competitivas.

Não acredito em competições, mas podemos ser competitivos.
Não compreendo a superação como ela é entendida, mas como um movimento natural a todos nós.


Ser competitivo e superar-se constantemente depende de motivação. Dai nós falamos de outra história…

Boas perguntas…

“A qualidade do problema encontrado é um precursor da qualidade da solução proposta” 
(Getzels)


Para encontrar bons problemas são exigidas boas perguntas…

O livro fala sobre poder, influência e articulação no ambiente organizacional, notadamente no do profissional de Secretariado, introduzindo-se aspectos do coaching como processo. Porém, destaque é dado para a principal ferramenta usada, a PERGUNTA, mostrando como se pode fazer uso dela para mover a organização e o indivíduo na direção pretendida.
PERGUNTAR sem ofender é uma habilidade. PERGUNTAR para mover e dar a direção exige competência. Usar as PERGUNTAS sem efetivamente estar num processo de coaching é uma inovação. 
É isso o que se propõe aqui!

O porco…

Um homem estava dirigindo tranquilamente por uma rodovia. 
Uma mulher estava dirigindo em sentido contrário na mesma rodovia.
No momento em que eles cruzaram pela rodovia, a mulher esticou a cabeça para fora do seu carro e gritou:
– … Porco!
O homem se irritou e respondeu com outro grito:
– Cadela!
Cada um seguiu o seu caminho. O homem fez a próxima curva da rodovia, atropelou um porco enorme que estava no meio da rodovia e morreu…

Fatos, julgamentos, percepções e interpretações.
Nem sempre o que parece é.
Nem sempre o que é parece. 

Usar as percepções, fazer interpretações e transformar julgamentos em fatos podem levar a equívocos.





Extraída do livro: Plato and Platypus walk into a Bar… Understanding Philosophy – through jokes (Thomas Cathcart & Daniel Klein)

A nossa vida em projetos: “nós” e “eles”


Já escrevi sobre a tendência de que a gestão priorize cada vez mais os projetos com início meio e fim. Destaquei que, apesar de ter sido apontado como uma novidade, não passa de mais do mesmo. “Nós” sempre fomos e seremos parte de um projeto. Alguns maiores, outros menores. Alguns mais extensos, outros mais curtos. Alguns mais importantes, outros menos. No texto A nossa vida em projetos falo do tema, assim como em Liderança, uma questão de bom senso.  Não importa onde nem quando, mas cada um pode ser “nós” em muitos lugares. Pode ser “nós” com carteira assinada ou sem.  O que realmente conta é o quanto cada um se doa ao projeto do qual participa e o quanto acredita naquilo que faz. Espanta-me, porém, que muitos detentores de uma carteira assinada por prazo indeterminado não conseguem incluir na conjugação “nós” aqueles que trabalham na organização com contratos temporários. Miopia? Falta de compreensão que mesmo uma carteira assinada por prazo indeterminado pode acabar a qualquer hora? Sim, no fundo todos nós somos temporários…

Lembro do término de outro contrato de trabalho por prazo determinado. Os resultados foram excelentes. A equipe que se desligaria da organização já começava a trocar mensagens de despedidas. Uma semana antes do término do contrato o gerente comunicou a confirmação da dispensa. Porém, na conversa com a equipe o gerente disse que havia uma notícia ruim, mas também uma boa. A ruim já fora dada. A boa era que algumas pessoas seguiriam por mais um período para dar a devida manutenção, uma vez que se tratava de um produto com alto grau de tecnologia aplicado. As respostas dos membros daquela equipe me emocionam, reforçando-me a crença de que estamos num caminho evolutivo.
– Não se trata em absoluto de uma notícia ruim… Disse um deles. Nós já sabíamos do final desde o início. Estamos tristes com a separação, claro. Mas mil vezes a dor do fim do que nunca ter vivido tudo o que vivemos juntos. Acho que tivemos muita sorte! Fiquei muito feliz em participar com um time de pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão complementares como aqui. Arrisco dizer, em nome de todos, que foi humanamente enriquecedor, além de toda a diversão mais pura e gratuita mesmo!!! Piadas, palavrões, risadas, gargalhadas, dancinhas, comilanças e  cantorias… Sorte a minha e também daqueles que continuarão. Parabéns e obrigado pela oportunidade!

Esse foi o primeiro e-mail enviado como resposta ao comunicado anterior. A ele se seguiram vários concordando em gênero, número e grau com a opinião dada. Todos orgulhosos por terem participado de um projeto tão importante. Sentiam-se “nós” naquele espaço e naquela organização. Muitos trabalhadores “efetivos” não se sentem tão “nós” em muitas organizações. Isso mais uma vez ficou evidente quando o gerente temporário dos trabalhadores temporários fazia a avaliação final com a equipe de trabalhadores permanentes da organização. Ele disse:
– Sim, nós concluímos todas as etapas, fizemos todas as tarefas a nós pedidas e entregamos um produto que está dentro dos melhores padrões de qualidade… E continuou discorrendo sobre a harmonia na equipe e no ambiente. Sobre a alta produtividade. Disse ainda que se preocuparam em fazer uma revisão final de todos os itens entregues, com os custos muito abaixo do que fora  inicialmente estimado. Falou com tanto orgulho, incluindo-se na própria companhia.

Um dos coordenadores efetivos disse:
– É, eles realmente formavam um bom time. Sempre foram muito produtivos.
E o outro emendou:
­– Lembrando que vocês não fazem parte da (citou o nome da empresa). Vocês são ligados a (disse o nome da empresa terceirizada). Uma coisa é bem diferente da outra.
O gerente temporário se ruborizou. Calou-se. Não disse mais nada. Depois disso a reunião foi encerrada.

É lamentável, entretanto, o entendimento, ou a sua falta, demonstrado pelos coordenadores permanentes da organização sobre os trabalhadores temporários na interação com o gerente, também temporário. Quantas empresas investem milhões em formação e qualificação esperando um dia que os seus colaboradores permanentes assumam a organização como sua referindo-se a ela como “nossa”? A grande maioria investe altos valores com índices baixíssimos de êxito. E aqueles coordenadores permanentes tiveram em mãos uma equipe temporária que vestiu a camisa da organização como se ela deles fosse. Não souberam entender. Menosprezaram o envolvimento e o comprometimento de seres humanos com o desenvolvimento de um produto de qualidade do qual eles seriam os primeiros beneficiários. Não só não entenderam como também revelaram uma certa arrogância e até falta de respeito derivados da falta de visão sistêmica da organização. Não tiveram a capacidade de captar que uma organização somente tem sucesso quando ela faz parte do “nós” de acionistas, diretores, gerentes, trabalhadores, consumidores e comunidade.  Segundo meu entendimento, deveria ser muito mais fácil, inclusive obrigatório, para os colaboradores efetivos incluir os temporários no uso do “nós” do que o contrário. Por isso, acredito que esses coordenadores mereceriam um intensivo programa de qualificação sobre visão sistêmica organizacional ou senão o desligamento sumário em benefício da própria organização.

Cada um com a sua visão, mas nós podemos ser “nós” em diferentes esferas da vida, assim como devemos reconhecer o “nós” na composição com o outro. Pode-se ser “nós” na relação afetiva, na família, nos amigos, no time de futebol, na profissão, no departamento, na organização e em tantas outras áreas.  Dessa maneira, nos projetos organizacionais em que se participa pouco importa a opinião de colaboradores mais ou menos efetivos em função de uma carteira de trabalho. Cada “nós” nesse ambiente é determinado pelo envolvimento e comprometimento de cada um com aquilo que faz.

Onde você é “nós”? Em qual projeto a sua doação lhe permite referir-se a ele como “nós”? Qual a organização você sente como sua podendo referir-se a ela como “nossa”?


“Nós” e “eles” depende de cada um.

Cuidado com o pato!!!

Cuidado com o pato!!!
Três amigos morrem num acidente e vão para o céu. Lá chegando São Pedro lhes diz:
– Temos somente uma regra aqui. Não tropecem nos patos, certo?
Eles acharam a regra estranha… Entraram, olharam e ficaram espantados. Era impossível não tropeçar nos patos, porque eles estavam por todos os lados. Passados alguns instantes um dos três já tropeçou num. Logo apareceu São Pedro acompanhado por uma mulher muito, mas muito feia… Pegou-o pela mão e acorrentou-o a mulher, dizendo:
– Você será acorrentado a esta mulher pela eternidade como castigo por ter pisado num pato. E foi embora…
Os dois amigos observaram a cena estupefatos. Passaram a ter mais cuidado. Mas não teve jeito. Um pequeno descuido e o segundo amigo tropeçou noutro pato. Alguns instantes depois apareceu São Pedro com outra mulher tremendamente feia e os acorrentou pela eternidade. O último dos amigos estava em pânico. Não queria de jeito nenhum passar a eternidade acorrentado a uma mulher feia, assim como os seus amigos. Passou a ser extremamente cuidadoso. Quase não se movia. Passaram-se os dias, as semanas e os meses sem que ele tropeçasse num pato. Estava aliviado. De repente ele vê São Pedro se aproximando dele acompanhado pela mulher mais linda que ele já vira. Era loira, olhos azuis, alta e um corpo perfeito. Sem falar nada São Pedro a acorrentou a ele. O último dos três amigos se questionou:
– O que será que eu fiz para merecer ser acorrentado a você pela eternidade?
A mulher respondeu:
– Olha, quanto a você eu não sei, mas eu tropecei num pato…

O pato não é o problema. A nossa percepção de nós mesmos sem respeitar o outro pode ser um problema. Será que somos nós o tormento do outro? A benção de um pode ser o inferno do outro? Quem é a aflição de quem? Quem é a alegria de quem?

Uma certeza é que as percepções são individuais e diferentes…

Enfim, para se manter no céu não se pode pisar nos outros. Nem no pato…

Ah, não tem nada a ver com o Pato do Corinthians!




Extraída do livro: Plato and Platypus walk into a Bar… Understanding Philosophy – through jokes (Thomas Cathcart & Daniel Klein)

De que lado você está 2?

Na semana passada acompanhava o encerramento de um projeto com duração prevista de seis meses. O comentário entre os contratados revelava o desejo de que ele se estendesse, entretanto não havia a menor esperança de que isso fosse ocorrer. O projeto seria concluído e todos seriam desligados conforme o contrato inicial. Faltando ainda duas semanas para o término do prazo, a gerente que também era temporária, confirmou a informação enviando uma mensagem para todos os membros da equipe. Por um lado, a tristeza se manifestou entre eles. Trocaram e-mails e mensagens de pesar. Mas por outro lado, a alegria de ter compartilhado uma experiência única e enriquecedora ao poder participar do desenvolvimento de um projeto que resultaria num produto que beneficiaria muitas pessoas era muito maior. E o profissionalismo daquelas pessoas se manifestou espontaneamente. Um dos integrantes sugeriu:
– Olha, talvez nós poderíamos revisar o trabalho antes de entregar, porque devem ter muitos pequenos erros no material. Acredito que tenhamos tempo para isso…

A sugestão logo contou com o apoio dos demais entusiasmados integrantes daquele grupo de trabalho temporário. Pessoas que se envolveram e se comprometeram com a qualidade do produto a ser entregue naquele projeto com início, meio e fim.
– Sim, acredito que erramos muito no início, porque ainda não conhecíamos bem a ferramenta e a forma de fazer. O que vocês acham de nós acelerarmos um pouco a produção nesses dias que nos restam e deixarmos os últimos dois dias somente para a revisão?

Dito e feito. Todos, exatamente todos os colaboradores temporários do projeto concordaram e se comprometeram a revisar o material que seria entregue. Não tinham obrigação nenhuma de fazê-lo. Não havia a previsão de prêmio ou punição para entregar um trabalho com mais ou menos qualidade naquele momento. Porém, havia o compromisso ético e moral de cada um dos indivíduos com aquilo que entregariam. Indivíduos honestos criam uma equipe honesta. Uma equipe honesta resulta numa organização honesta. E assim sucessivamente… Mais uma vez, é uma questão de escolha.

De que lado você está?

De que lado você está?


Estava esperando e, sem querer, comecei a ouvir a conversa. Ouvia o diálogo entre dois jovens que naquele dia se formavam no curso técnico. Estávamos no espaço em frente ao local onde fora realizada a solenidade de formatura. Eles observavam um carro muito bonito que estava estacionado ali próximo. Um deles disse:
– Cara, é o carro do meus sonhos. Um dia ainda vou ter um…
O outro respondeu:
– É, mas vai ter que ralar um bocado pra chegar lá, né?
A tréplica me deixou estarrecido:
– Nem tanto assim. Deixa eu arrumar um emprego e trabalhar uns dois ou três anos. Depois eu meto a empresa no pau e arranco grana pra comprar o bichinho.
Disse isso com a maior naturalidade, exibindo um sorriso que demonstrava toda a nossa cultura de levar vantagem em tudo. Deixava transparecer aquele sentimento de ser dono de si, vendo o seu interlocutor como um trouxa. E não é ficção. É fato. Olhei para os dois que conversavam, agora observando-os. Não pude deixar de ouvir. Não tive peito nem coragem para intervir ou dizer algo. Fiquei chocado e me pus a pensar, O que leva um jovem formando num curso técnico, com boas perspectivas de carreira, ter um pensamento tão medíocre?Ainda hoje me pergunto e não encontro uma resposta que pudesse justificar tamanha pequenez de raciocínio. Seria o resultado daquilo que se aprende no ambiente familiar? Em parte deve ser. Estaria subjacente nessa ideia uma falha no sistema educacional? Também é possível. Poderia ser a influência do ambiente político nacional? Talvez, mas é muito mais provável que o sistema político realmente seja a nossa representação…

Também se poderia pensar que existem muitos empregadores exploradores, não deixando outra alternativa a não ser essa para que as pessoas alcancem o que desejam. Certamente empregadores maus caráteres existem na mesma proporção como os do exemplo acima. Então como se pode sair do círculo vicioso em que estamos mergulhados como povo se não há o mínimo pudor em se revelar desonesto? Não se trata de estar de um lado ou de outro. Estar no papel de empregador ou empregado é circunstancial. Posso estar num ou noutro lugar em diferentes momentos Porém, ser conscientemente honesto ou desonesto é questão de escolha. Eis o ponto.

De que lado você está?

Somos únicos. Somos múltiplos.