NÃO BATA A PORTA AO SAIR!

Não bata a porta ao sair!

O projeto fala de atribuições e responsabilidades desafiadoras; pede requisitos e qualificações específicas; apresenta um ambiente amigável e, uma remuneração tentadora que chamou a atenção da minha amiga acima de sessenta anos. Escolhida, ingressa na organização com entusiasmo para contribuir com os resultados, esforçando-se para se integrar. O ambiente esperado, porém, não se concretiza. A minha amiga encontrava contradições nas linhas de comando e os problemas de comunicação interferiram nos processos operacionais do dia-a-dia, o que geravam frustração e ansiedade, além do questionamento: será que sou competente o bastante para atingir os resultados? As competências estratégicas do profissional experiente, maduro e com conhecimento para contribuir e agregar reveladas na entrevista, não eram usadas. A ansiedade estava acompanhada da frustração. Ainda que fosse uma empresa de grande porte, e que oferecesse uma boa remuneração para um profissional terceirizado, passados três meses, ela estava convicta de que sairia. Entretanto, como sair a organização sem bater a porta?

Além da ansiedade e da frustração, ela desenvolvera outros sentimentos, como a irritação, o estresse e o esgotamento que predominavam frente a alegria, a energia e o entusiasmo iniciais. A ideia de ter pessoas com iniciativa se contrapunha ao cerceamento de qualquer movimento não previsto. A resiliência para as situações desafiadoras se resumia a falta de tempo para cumprir com as atividades operacionais. A decisão de sair estava tomada, faltava decidir como comunicaria a sua saída sem fechar as portas. Ela procurou ajuda. Um amigo meu e eu a escutamos. Ela escreveu o que queria dizer para a sua gestora na saída. A sua escrita estava carregada de julgamentos, sinônimo de bater à porta. “Me escutaram… mas sem nada possível de ser mudado”, “…fui sub utilizada”, “… Me frustraram”, entre outras expressões que revelavam ressentimentos. Na conversa que ela teve conosco perguntamos como ela se sentiria ao ouvir o que ela tinha para dizer. Ela entendeu que poderia dizer a mesma coisa de outra forma, porque é diferente o que alguém fala e o que o outro ouve, assim como é distinto o que alguém faz e como o outro percebe o que foi feito. O sentimento era de desconforto. A partir desse ponto, a Pausa que ela fez ao pedir ajuda resgatou o Sábio de quem tem inteligência emocional para poder observar sem julgar; sentir com interesse pelo outro; identificar as necessidades das partes; para, por fim, expressar-se com a sabedoria que se espera de alguém com potencial e experiência acima de sessenta anos que poderia ter contribuído muito mais com a organização. Ela reescreveu a sua fala com a ajuda do meu amigo.

Começava dizendo “… após muita reflexão, gostaria de comunicar que eu decidi me desligar da empresa. Não a deixarei na mão, assim vou cumprir o acordado no contrato previsto para que você possa fazer minha reposição, se assim você quiser. Agradeço a oportunidade”.

Caso houvesse perguntas sobre as razões da saída, ela iria emocionalmente preparada para responder com a clareza de quem tem os recursos internos para isso com a liberdade emocional de um ser humano emancipado. E as perguntas vieram e ela pode dizer que o trabalho era “muito operacional e que competia com as tarefas estratégicas para a qual estou preparada, assim me senti sobrecarregada…”. Ela assume a responsabilidade sobre os seus sentimentos e revela as necessidades de que as atividades estratégicas fossem o foco. Ela não acusa nem se escusa, porque se comunicou com a sabedoria de quem sabe dos recursos que tem ao usar ferramentas vindas do conhecimento: a Inteligência Positiva com a Comunicação Não-Violenta a partir da Pausa.

Enfim, a entrevista com a gestora terminou com a troca de informações importantes para as partes. O acordo foi cumprido e a minha amiga se despediu sendo homenageada pelos colegas de empresa. Destaque-se, porém, a humildade de pedir ajuda como a virtude que a levou a sair sem bater a porta. Isso demonstra a mentalidade de crescimento numa pessoa com maturidade e experiência de carreira e de vida.

Moacir Rauber

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LADRÕES DE AUTOESTIMA E DE AMOR PRÓPRIO: QUEM PODE SER?

A Autoestima e o Amor Próprio roubados

A bancarrota, mais uma vez, batia à sua porta. O primeiro empreendimento ele havia começado aos vinte anos e durou tão somente 18 meses. Foi muita falta de sorte que abrisse um negócio igual ao meu bem ao lado, justificava-se. No segundo empreendimento queria aproveitar uma oportunidade de explorar uma tecnologia inovadora. As pessoas não estavam preparadas para usá-la, era o seu argumento. Agora, aos quarenta anos, era terceira vez que ele recorreria aos pais para salvá-lo da falência. Sentia-se constrangido, mas acreditava que os pais o ajudariam outra vez. O que pode representar a situação descrita? Em parte, que os pais roubaram a autoestima e o amor próprio do filho.

Há uma tendência comportamental de que as pessoas não assumam a responsabilidade sobre a própria vida. E de quem é a responsabilidade? Entendo que muitos pais super protegem os filhos e lhes roubam a autoestima e o amor próprio. Não se trata de acusação, mas de constatação.

Como isso acontece? Os pais se alegram ao ver o filho dar os primeiros passos e festejam a conquista da autonomia de se mover sozinho. Fonte de Autoestima e de Amor Próprio para o filho que entende que pode.   Entretanto, os pais não incentivam os filhos a arrumarem a sua cama para celebrar que ele pode. Os pais não estimulam os filhos a lavarem a louça para valorizar a interdependência. Igualmente, os pais não cobram dos filhos horários para dormir e levantar em horas apropriadas para aprender que com a rotina se assume o controle das escolhas. A permissividade é o caminho mais fácil e começa o roubo da autoestima e do amor próprio. O que é autoestima? O que se entende por amor próprio? A autoestima é a capacidade de aceitar e valorizar a própria identidade, reconhecendo as características comportamentais e emocionais, enquanto amor próprio se entende como a afeição em relação a si mesmo com a aceitação das capacidades e das imperfeições com a disposição de melhorar ao se autodesenvolver. Com a superproteção os pais abdicam do papel de orientar, educar, instruir e ensinar por meio da responsabilidade para que os filhos cresçam com as dores e o sofrimento inerente a cada ser humano, para que também possam apreciar a alegria e a felicidade da própria existência. Entender-se capaz de lidar com os próprios desafios é fonte de autoestima e de amor próprio, possibilitando que alcancem uma vida plena.

Exercer o papel de pais requer se assumir como adultos. Para isso, é preciso estar disposto a orientar, educar, instruir e ensinar, que em muitos casos, gera desconforto, incômodo e a sensação de não ser querido pelos filhos. E muitos pais não aguentam essa ideia. A debilidade emocional dos pais cria nos filhos o oposto de autoestima e o contrário de amor próprio. Assim, surge uma geração de pessoas com baixa autoestima e falta de confiança pela mensagem subliminar de que não sabem fazer, bem como pessoas com ego inflado ao acreditar que tudo está a sua disposição o tempo todo. A super proteção passa a mensagem da não capacidade, roubando-lhe a autoestima, assim como ao não permitir que os filhos respondam pelas suas escolhas há uma mensagem de incompetência, roubando-lhe o amor próprio.

E o roubo da Autoestima e do Amor Próprio se aplica apenas aos pais? É claro que não. Qualquer pessoa que tenha ascendência sobre outra pode roubar ou suscitar a autoestima e o amor próprio no outro. Pode ser um diretor, um gerente, um colega, um amigo, um irmão ou um cônjuge. A ação é do outro, porém a escolha é tua. Qual é a tua intenção? Qual será a tua ação? Ao tomar consciência você tem ascendência sobre você. No final, a questão está contigo, porque Você AFETA o mundo e com AFETO o mundo é melhor!

Por fim, creio ser importante voltar a marcar alguns rituais de passagem. Comemorar o primeiro passo, celebrar a capacidade de arrumar a cama, valorizar a habilidade de lavar a louça e cobrar a responsabilidade pelos horários é dizer aos filhos “você pode”. E quando a bancarrota bater a sua porta ele vai saber que é uma oportunidade de se desenvolver, porque ele pode. Enfim, aquele que sabe que pode aumenta a autoestima e desenvolve o amor próprio.

VEJA A CONVERSA COM A CECÍLIA NO YOUTUBE!!!

Moacir Rauber

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AUTOESTIMA EM PRIMEIRO LUGAR!

Autoestima e Amor Próprio, qual a diferença?

Autoestima e Amor Próprio, qual a diferença?

  • O que pode nos contar um menino de 08 anos que carrega os seus remos?
  • Qual a mensagem num adolescente de 40 anos que não arruma a sua cama?
  • Quem são os ladrões da Autoestima? Quais são os sabotadores do Amor Próprio?

A live vai ensinar sobre autoestima? Não, ensinar nós ensinamos com aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. A opção está no aprender que cada um pode escolher!

Daqui a pouco (20-05-23, às 10h) algumas reflexões sobre o tema (https://lnkd.in/dHvcNVas).

#autoestimaeamorpróprio

#ladrõesdaautoestima

#inimigosdoamorpróprio

#segurançaeconfiança

#autoconfiançaeauestima

EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA 2!

A expansão da consciência 2

A minha amiga estava em frente ao portão e não encontrava as chaves para abri-lo. Foi assim que eu a vi chegar pela manhã depois de um ritual de expansão da consciência. Saudei-a. Ela respondeu com o olhar perdido. Ela se dirigiu para o loft onde estava hospedada. Voltei a vê-la no final da tarde, quando ela me explicou sobre a experiência:

– É incrível! Eu saí do meu corpo e pude ver outras dimensões da vida!!!

Expandir a consciência sem esforço, sem dedicação e sem empenho, para mim, não fazia sentido (https://facetas.com.br/2023/05/12/a-expansao-da-consciencia/). Ela comentava sobre o ritual ancestral praticado pelos xamãs em que a ingestão de uma bebida os levava a uma conexão plena com o universo. Durante o ritual o xamã conseguia ampliar a consciência sobre a interdependência entre todos os seres vivos do nosso planeta numa junção perfeita, fazendo com que houvesse uma integração espiritual para além do que os nossos sentidos podem perceber. Era encantadora a forma como ela descrevia os passos dados na busca por essa simbiose do corpo, da mente e do espírito. Era isso que a levava a participar do ritual. Escutava com genuíno interesse, porém concordava somente em parte. Expandir a consciência é uma busca de muitos. O caminho trilhado para alcançar é que faz a diferença. Você acredita que há um atalho para expandir a consciência? Entendo que não, porque o caminho demanda movimento que pede esforço, dedicação e empenho. Estes, exigem renúncia. Renunciar a que? Cada um dos xamãs ancestrais renunciou a uma parte de sua vida para desenvolver as habilidades de ser xamã. Segundo as crenças indígenas o xamã é um sacerdote que tem as capacidades de se conectar com o mundo dos espíritos para encontrar soluções para os problemas de uma comunidade. O mundo era melhor com a sua contribuição. Esse xamã, normalmente, tinha a sua vocação reconhecida quando criança, o que o levava por um caminho de consagração e estudos de anos. Não havia atalho. Essa criança, para ser xamã, renunciava a formar família (quase sempre), às brincadeiras e aos jogos que as demais crianças faziam. Além disso, o papel de um xamã exigia dedicação para aprender os segredos da natureza; requeria esforço para manejar as ervas medicinais; impunha empenho para exibir a aura de respeito que dele se esperava. Hoje, os xamãs urbanos querem expandir a consciência, mas não estão dispostos a renunciar a nada. Um sacerdote, um monge, um cientista, um atleta ou um santo expandem a consciência por meio de renúncias. O sacerdote e o monge renunciam a família para expandir a consciência espiritual e de coletividade; o cientista renuncia as festas para ampliar o seu conhecimento investigativo; o atleta renuncia a dormir até mais tarde para aumentar a sua capacidade física e mental; e o santo, a que renuncia? O santo renuncia aquilo que é impuro, mau e profano que o afasta de sua busca pela plenitude sagrada. E você, a que vai renunciar para expandir a consciência?

Por fim, entendo que sem renúncia não há expansão. Constata-se que as grandes mentes, além de esforço, empenho e dedicação, renunciaram. “Quem busca atalho passa trabalho” é um ditado popular com muita sabedoria. Não há mérito em expandir a consciência sem estar consciente. Por isso, penso que qualquer processo que recorra a estímulos externos para expansão da consciência, como uma bebida, um remédio, uma droga ou mesmo os recursos tecnológicos como a IA, traz como resultado a expansão da não consciência. Tem como resultado a inconsciência!

Desse modo, desejo que a minha amiga escolha renunciar à falta de vontade e volte estudar; que abdique da boemia e passe a trabalhar; que abandone o comodismo e comece a contribuir para que o mundo seja um lugar melhor com a sua presença. Isso, para mim, é expansão da consciência!

Exemplos de expansão da consciência:

A dedicação de Francisco de Assis.

O empenho de Albert Einstein.

O esforço de Schindler.

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A EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA…

A expansão da consciência…

Escutava a minha jovem amiga falando da sua preparação para participar de um ritual que a levaria à expansão da consciência por meio de uma bebida. O processo, segundo ela, era uma experiência de “quase morte”, por isso era realizado num ambiente protegido em que eles eram acompanhados por especialistas. Por fim, ela disse:

– A experiência é profunda. A pessoa sai da realidade para ampliar a percepção sobre si mesmo e o seu papel no universo…

Fez mais alguns comentários sobre o processo e a expansão da consciência que permitiria a ela desfrutar da aventura de viver a vida ao máximo. Tive a percepção de que a expansão da consciência buscada pela minha amiga era um movimento egoísta, narcisista e preguiçoso de quem busca a plenitude da vida sem querer fazer o esforço necessário requerido.

A expansão da consciência é a capacidade de se perceber no mundo como um sistema completo, complexo e interdependente com outros indivíduos, que igualmente são sistemas completos, complexos e interdependentes que afetam e são afetados entre si. Essa percepção permite que se saia do modo automático de viver. Desse modo, ter essa consciência possibilita que cada um entenda que as ações individuais impactam a vida de outras pessoas num movimento circular e complementar de expansão da consciência pelo alinhamento das intenções e das ações. Qual é a tua intenção? Quais são as tuas ações? Ao responder essas perguntas pode-se concluir que buscar a expansão da consciência por meio da ingestão de bebidas, chás, ou qualquer outro alucinógeno, é algo: (1) egoísta, porque coloca os desejos e os interesses próprios de desfrutar ao máximo a vida em primeiro lugar. Não há preocupação em criar um mundo melhor para o outro, senão para si mesmo; (2) narcisista, porque não há empatia com ninguém mais do que consigo mesmo e a busca da expansão está ligada ao seu próprio bem-estar; e (3) preguiçoso, porque a expansão da consciência buscada chega num passe de mágica em que se entra em outros mundos sem esforço, dedicação ou empenho, simplesmente por se deixar levar pelos efeitos de uma bebida. Onde está o mérito nisso? Qual seria a expansão da consciência se não estou consciente no processo? Entendo como rituais de não consciência em que a alienação nos permite a sensação de desfrutar de uma realidade que não é a nossa.

Por fim, entendo que a expansão da consciência passa pela necessidade de estar consciente das ações, porque sem consciência não há expansão. Igualmente, a expansão da consciência exige esforço, dedicação e empenho para que seja consciente. A real expansão da consciência se consegue por meio de (1) estudo que exige persistência e aplicação para cumprir com os requisitos do curso escolhido. A minha amiga já havia desistido de dois cursos universitários. A expansão da consciência se consegue por meio das (2) práticas diárias com a disciplina de quem sabe o que faz e quando faz por meio do ato deliberado de cumprir com as escolhas feitas. A minha amiga não tinha horário para dormir ou levantar e a sua rotina era a não rotina. A expansão da consciência se consegue por meio da (3) oração e meditação como exercício vitalício de renúncia e autocontrole, comum entre padres e monges. Muitos deles, ampliam ainda mais a sua consciência por meio de trabalhos voluntários em hospitais, asilos e orfanatos, locais em que dão a presença, o amor e o afeto com a consciência de que o ato realizado faz daquele um lugar melhor. A tua expansão da consciência faz do mundo um lugar melhor?

Vai tomar um chá milagroso, uma cerveja ou um vinho? Não tem problema, porque a escolha é sua. Porém, tenha a consciência de que se trata da expansão da não consciência, porque qualquer movimento que não exige esforço, dedicação ou empenho é apenas um atalho para desfrutar de prazeres imediatos da vida.

Exemplos de expansão da consciência:

O trabalho de Madre Teresa de Calcutá.

As descobertas de Marie Courie.

O processo de Louis Pasteur.

Moacir Rauber

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NADA COMEÇA DO ZERO…

Nada começa do zero… e o Autor de tudo?

Nada começa do zero…

O grupo fazia uma peregrinação para resgatar a espiritualidade presente na religião recebida das gerações anteriores. Era uma espiritualidade que ela tinha deixado de lado ao longo da vida. Entretanto, chegou um momento em que parecia importante para ela buscar a reconexão com aquilo que a havia acompanhado na sua chegada ao mundo. Ela precisava de sentido, de segurança e de direção. Finalmente, ela havia entendido que se estava onde estava era porque aqueles que a antecederam tinham entregado algo de bom para ela. Dessa forma, nessa busca por reconexão ela se indagava:

– O que eu devo entregar para alcançar o que busco?

A reposta veio na voz interior que dizia que ela não tivesse medo de se reconectar com a espiritualidade recebida de seus pais, porque havia sabedoria nela. O seu diálogo interno a levou a pensar que deveria “entregar o seu espírito crítico” e ser mais acolhedora. O que representaria para ela “entregar o espírito crítico”? Não queria dizer deixar de lado a sua jornada, mas saber aceitar as coisas boas que a antecederam, entre elas a Espiritualidade. Para a Inteligência Positiva (IP), é importante não se deixar levar pelos sabotadores, sendo o principal deles o Crítico que: (1) critica a situação; (2) critica o outro; e (3) critica a si mesmo. Era esse o crítico que ela deveria deixar para entender a espiritualidade que acompanhava a sua família a centenas de anos. O crítico como sabotador acusa, com isso não reconhece a contribuição do outro e limita a própria capacidade ao não aproveitar o conhecimento acumulado no caminho percorrido pelos outros. Para romper com o ciclo de acusação, seja ela organizacional, familiar, social ou espiritual, é preciso humildade para resgatar o sábio que está dentro de cada um. O sábio nos leva a (1) empatizar, (2) explorar, (3) inovar, (4) navegar e (5) ativar as ações que aproveitem e mantenham o que já foi construído num processo evolutivo de acúmulo de experiências que gerem conhecimento para uma vida melhor. Nas organizações é assim. Nas famílias deveria ser assim. E com a espiritualidade não é diferente. Portanto, ela poderia usar os passos da Comunicação Não-Violenta (CNV) para: (1) observar sem julgar os rituais espirituais dos quais ela havia se afastado; (2) registrar os sentimentos que o observado provoca nela; (3) identificar as necessidades que a moveram por diferentes caminhos e quais eram as que a traziam de volta; e, por fim, (4) escolher com sabedoria as estratégias que a permitissem atender as necessidades identificadas num processo de respeito de si mesma, da sua história e da do outro. Para isso, a (0) Pausa é um ponto de partida. Ela fez uma Pausa para percorrer o seu caminho de reconexão com a sua essência e conseguiu perceber que a própria inteligência positiva e a CNV estavam presentes na espiritualidade de seus pais que ela havia abandonado. Ela criticava, porém sentia falta porque encontrou o que buscava naquilo que havia deixado. Pergunte-se: por que você critica aquilo que critica?

Enfim, ao silenciar o crítico ela resgatou o sábio na interação entre inteligência positiva e o passo a passo da comunicação não-violenta. Eram os recursos que ela tinha na linguagem que agora conhecia. Ao final do processo ela se apercebeu que nada começa do zero. A família não começa do zero, porque outra a antecedeu; a organização não começa do zero, porque outros prepararam o ambiente que a estabeleceu; um processo não começa do zero, porque alguém um passo já deu; a espiritualidade não começa do zero, porque outros antes de nós a viveram e, inclusive, houve quem por nós já morreu.  Ela até descobriu que a IP e a CNV estavam presentes na espiritualidade que ela abandonou. Portanto, reconectar-se com a nossa trajetória humana é um caminho de humildade que pode nos levar a uma melhor humanidade.

O que te trouxe até aqui? Há sabedoria no caminho, porque nada começa do zero…

E o Autor de tudo?

Moacir Rauber

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Inspirado na conversa com Susana, Miriam e Romina

O QUE ESTÁ VIVO EM TI?

O que está vivo em ti?

Tenho conduzido as oficinas Comunicação Afetiva para ser Efetivo e Ecos da Palavra com frequência. A maioria das vezes, com a participação de pessoas do mundo corporativo. Outro dia, porém, a oficina aconteceu numa comunidade religiosa que se dedica ao voluntariado que também sentiu a necessidade de melhorar a comunicação ao usar outras ferramentas, como a Comunicação Não-Violenta e a Inteligência Positiva. Senti a diferença.

Durante a oficina, usa-se um vídeo em que se mostra a situação de interação de um senhor de idade com uma mulher grávida no ponto de ônibus. Os dois estão sentados um pouco distantes um do outro. De repente o senhorzinho pergunta à mulher de quantos meses ela está grávida. A mulher o olha com certo estranhamento na expressão que poderia ser de diferentes sentimentos. Em seguida ela responde e o diálogo entre eles começa. Em um momento, ela comenta que está com medo porque terá que passar sozinha pela gravidez e que a única companhia que tem é a de seu pai que está doente. Ele fala para ela não se preocupar que tudo vai dar certo. Encerra-se o vídeo nesse ponto para indagar aos participantes: o que viram, escutaram, pensaram e sentiram? As respostas obtidas no meio organizacional e na comunidade de voluntariado são quase iguais ao falar sobre o que viram e escutaram, entretanto são muito diferentes ao se falar sobre o que pensaram e sentiram. No meio organizacional aparecem com mais frequência as palavras invasivo, intrometido ou enxerido quando se referiam ao idoso. Ao se referir à mulher grávida a maioria das respostas se voltavam para incomodada, desconfortável e até irritada. As respostas obtidas na oficina realizada na comunidade religiosa de voluntários, ao se referir ao senhor que começou o diálogo com a mulher grávida, revelaram que ele parecia um homem terno, solidário e interessado. Por outro lado, as palavras mais ouvidas para a reação da mulher foi de surpresa, agradecida e acolhida. O vídeo, os diálogos e as perguntas são as mesmas, assim qual é a razão da diferença nas respostas? Resposta exata não há, mas algumas conjecturas surgiram.

A situação pode parecer que reforça que “o homem é resultado do meio”, em que cada pessoa atua alinhada ao comportamento predominante no grupo. Entretanto, creio na possibilidade de mudança e não no determinismo limitante do grupo. O meio organizacional pode ser mais competitivo em que as pessoas veem, com mais frequência, algo não bom numa situação interpretativa. O meio religioso e voluntário pode ser mais colaborativo em que as pessoas veem, com mais frequência, algo bom numa situação interpretativa. Cabe ressaltar aqui que boa parte das pessoas que se encontram nas instituições que praticam o voluntariado fazem parte de uma organização empresarial. O desafio talvez seja levar a visão predominante de um indivíduo ao meio para transformar o meio em conformidade com aquilo que temos de melhor. Podemos ser ternos, solidários e interessados, assim como nos surpreender, agradecer e acolher no meio organizacional mantendo a produtividade exigida? Sinceramente, acredito que sim e que a melhoria do meio resultará em ainda mais produtividade.

O final do vídeo (https://youtu.be/mprOUI6EBlU) inverte a lógica daquilo que acreditamos ter visto, prevalecendo a importância de que se pode ver algo bom numa situação inconclusiva. Cada pessoa escolhe, independentemente do grupo. Nas organizações, um grande número de pessoas escolhia fazer selfies e postar nas redes. Parecia que precisavam parecer. Na comunidade de voluntários a presença se sentia com a força da conexão entre todos. Estavam onde escolhiam estar e podiam ser quem eles realmente eram: ternos, solidários e interessados e se permitiam estar surpresos, agradecidos e acolhedores. Era o que estava vivo neles. Você consegue exibir o que está vivo em ti na organização em que você está? Se sim, parabéns. Se não, transforme-a!

Moacir Rauber

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COMO VOCÊ PEDE O QUE QUER? COMO LIDA COM O QUE NÃO QUER?

Como você pede o que quer? Como você lida com o que não quer?

A vida não havia sido fácil e as marcas da jornada apareciam no corpo. O rosto exibia os sinais de que os anos passaram. A cabeça quase sem cabelos testemunhava que a vida se encaminhava para a parte final. Entretanto, ele havia percorrido um belo trajeto. Há dez anos, porém, uma marca mais foi adicionada com o AVC que deixou sequelas em seu braço esquerdo, agora paralisado. A vida era mais difícil, mas seguia valendo a pena pelo bom humor que ele apresentava. O teatro estava lotado e esperava por uma de suas piadas de humor negro que contava. Quase todos a conheciam, mas queriam ouvi-la outra vez. Ele argumentava que nós não sabemos pedir. Disse:

– Veja só. Estava lá um homem como eu com o seu braço esquerdo paralisado. Ele encontrou uma lâmpada com um gênio e tinha o direito a um pedido. Ele não teve dúvidas, logo pediu ao gênio: “quero que meus braços fiquem iguais…”. “Só isso?”, indagou o gênio. “Sim, só isso”, respondeu o homem que desde então está com os dois braços paralisados.

Ele conta a piada e gargalha, acompanhado pelos presentes. Ao escutá-lo concordei que nós não sabemos pedir porque, muitas vezes, não sabemos o que queremos. Como ser mais claro em nossos pedimos no ambiente organizacional? O que fazer para que o outro escute aquilo que eu falei? São desafios comunicacionais diários numa empresa que geram conflitos e perdas. Portanto, é preciso aprender a identificar o que queremos para pedir o que precisamos. Desse modo, para a Comunicação Não-Violenta um pedido deve ser Claro, Positivo, Factível, no Presente e que revele uma Necessidade. O senhor que encontrou o gênio sabia o que queria? Provavelmente, sim, porém ele se expressou sem clareza, porque o gênio atendeu o que escutou, que era diferente daquilo que o homem havia pedido. O homem foi positivo em seu pedido? Na sua concepção, sim, na escuta do gênio, não. O pedido era factível? Para o gênio, sim, porém o resultado não atendeu as expectativas de quem pediu. O pedido estava no Presente? Sim, e uma vez realizado terá consequências para o futuro. O pedido revelou uma necessidade? Não, apenas que queria que os braços estivessem iguais e foi atendido. Portanto, cumprir com o passo a passo de maneira metodológica contribuirá para a diminuição de conflitos e a minimização de perdas pelas falhas na comunicação.

Enfim, como poderia o homem ter sido atendido naquilo que ele verdadeiramente queria? Primeiro, é fundamental identificar o que se quer. Você sabe o que quer? Provavelmente, o homem queria que o seu braço esquerdo, afetado pelo AVC, tivesse as mesmas funcionalidades do braço direito, ainda saudável. Tendo clareza naquilo que se quer se torna mais fácil entender qual a necessidade será atendida, assim como a expressar-se de forma positiva, factível e no tempo presente. Se ele tivesse dito: “ao ver o meu braço esquerdo paralisado, sinto-me frustrado. Tenho a necessidade de mobilidade de ambos os braços para trabalhar. Gênio, o senhor poderia restituir as funcionalidades do meu braço esquerdo para que ele possa cumprir com as suas funções?” Nesse pedido encontra-se um fato, registra-se o sentimento gerado e a necessidade que seria atendida. Porém, se o homem do braço paralisado tivesse aprendido o passo a passo da Comunicação Não-Violenta para fazer um pedido nós não teríamos a piada.

Você sabe lidar com o que não quer? Ressalte-se que o contador da piada não pediu o AVC, porém era uma realidade. O que fazer com os reveses da vida que revelam as nossas fragilidades e vulnerabilidades? Aceitá-los para convertê-los num presente é um recurso apresentado pela Inteligência Positiva. Esse é o verdadeiro poder da sabedoria.

Como você lida com as suas fragilidades e vulnerabilidades?

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas,

e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.

Filipenses 4,6

Moacir Rauber

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A Meditação e o Movimento: Silêncio, Escuta e a Justa Acolhida

A Meditação e o Movimento: Silêncio, Escuta e a Justa Acolhida

Outro dia, durante um encontro da oficina Comunicação Afetiva para ser Efetivo, iniciamos com uma meditação de oito minutos tendo como de fundo a expressão “você está no comando”. A meditação explora a percepção do próprio corpo, começando pela cabeça, pescoço, braços e mãos, passando pelo tronco com o peito e a barriga, terminando nas pernas e pés. Sempre se pede que a pessoa tensione, sinta e relaxe desfrutando das sensações que o corpo produz e que, no dia a dia, nos esquecemos de sentir. Destaca-se, durante o processo, de que pensamentos aleatórios vem e cabe a cada deixa-los ir. Afinal, é você quem está no comando. No final da medittação uma das participantes comentou:

– É muito bom!!! Mas é difícil manter os pensamentos sob controle…

Fez mais alguns comentários sobre essa dificuldade e a inquietude do seu cérebro com relação aos pensamentos que vem e vão. Outras vezes vem e ficam. E você, como trabalha o seu cérebro? O que você faz com os seus pensamentos? Você, verdadeiramente, está no comando? A inquietude mental que alcança as pessoas, tem origem nos estímulos externos, normalmente detectados pelos nossos sentidos, como a visão, a audição, o tato, o paladar e o olfato. Sempre foi assim. O livro “A nuvem do não saber” escrito no século XIV por um monge inglês explora a inquietude da mente com maestria. Entretanto, nunca estivemos expostos a tantos estímulos: a visão está sobrecarregada com imagens não naturais das cidades e das telas de celulares, PCs e TVs. Aumenta a inquietude. A audição está super exposta aos ruídos da tecnologia que consumimos. Cresce a inquietude. O tato, por vezes, pode ser menos exigido, porque não podemos tocar o que vemos na tela. Gera inquietude. O paladar e o olfato estão expostos a um número de sabores e odores inimagináveis há alguns anos. Intensifica a inquietude. Era essa a inquietude da participante e é a minha inquietude. Com isso, falta-nos o silêncio, escasseia a escuta e desvaloriza-se a acolhida. Perde-se o comando. Particularmente, vejo o silêncio, a escuta e a acolhida como competências de desempenho em ambiente organizacional e como promotor de harmonia nas relações pessoais. O silêncio estimula a capacidade de escuta. Com a escuta valoriza-se a acolhida. Um colaborador que em silêncio é escutado se sente acolhido e propõe novas soluções. Você está no comando do Silêncio e da Escuta que gera a sensação da Justa Acolhida. O silêncio não é passivo, ele pede o movimento de escutar ativamente para que o outro se sinta acolhido. Organizações que acolhem escutam. Organizações que escutam, precisam de silêncio. No silêncio as escolhas são conscientes. Com a consciência somos produtivos, efetivos e afetivos. Assim, estamos no comando!

Portanto, ao identificar a inquietude de sua mente a participante deu o primeiro passo rumo a escolha dos pensamentos que vão direcionar as suas ações. Por isso, o silêncio da meditação é essencial. Ele permite que eu me escute e com isso escute ao outro. Abrem-se os canais de comunicação, alinham-se as intenções com as ações e o alto desempenho será o resultado de pessoas que se sentem acolhidas. Desse modo, a consciência da inquietude vai permitir que ela direcione a sua IMAGINAÇÃO; que ela escolha o seu MOVIMENTO; e que ela afete o seu mundo com AFETO. É ela que está no comando!

Enfim, a meditação que leva ao movimento passa pelo Silêncio presente na Escuta que se transforma numa Justa Acolhida. SEJA aquilo que você escolher. É você que está no comando!

Moacir Rauber

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As dicas da Vida Plena na Páscoa

As dicas da Vida Plena na Páscoa

Escutava as dicas para se ter uma vida saudável a partir das pesquisas das neurociências que mostravam a importância de alguns hábitos, entre eles: (1) agradecer e celebrar as conquistas; (2) praticar mindfulness; (3) encarar os desafios com alegria; (4) adotar o lifelong learning; (5) preparar-se para o trabalho. Em tempos de pós-pandemia o tema era importante, assim, inseriram (6) manter os cuidados com o corpo. As pesquisas feitas com metodologia científica, revelavam a atual preocupação com a saúde do corpo e da mente. Saí do seminário empolgado com as descobertas e comprometido em adotar as dicas. Cheguei em casa e minha esposa queria ler um texto judaico que explorava conselhos para uma vida plena. Fiquei perplexo com os conselhos dados, entre eles, (1) agradecer e ser caridoso; (2) orar e meditar diariamente; (3) fazer as coisas com alegria; (4) estudar rotineiramente; (5) vestir-se antes de sair do quarto; e, sempre, (6) lavar as mãos. Aos conselhos se seguiam as razões para praticá-los. Qual é a diferença entre as dicas das neurociências e os conselhos do judaísmo? Há uma diferença de 4000 anos.

Qual é a questão que se propõe aqui? A humildade para reconhecer que se nós chegamos até aqui é porque determinadas práticas nos trouxeram até aqui. Com menos tecnologia e menos recursos foram os hábitos e os costumes que preservaram a espécie. Por isso, não precisamos jogar o bebê com a água fora, porém é essencial lavar o bebê para que ele cresça saudável. Com isso, se cumpre a sexta dica de neurocientistas e judeus que se fundamenta nas rotinas que nos preservam a vida. Atividades físicas, alimentos e rotinas saudáveis são os cuidados com o corpo que está representado em lavar as mãos. Os judeus têm como hábito de lavar as mãos ao levantar, antes das refeições e das orações, depois das refeiçõess, depois do uso dos banheiros, após tocar qualquer região privada do corpo ou de partes expostas como os pés. Onde está a novidade nas orientações da pandemia para lavar as mãos? O item cinco do grupo das neurociências fala da preparação para o trabalho por meio da mudança de ambiente ou de roupas para que o cérebro saia da letargia de quem descansa para o foco de quem produz. Os judeus ensinavam que não se podia sair do quarto de pijama, indicação mais do que apropriada em tempos de home office. O item quatro para os judeus é um mantra que os transformou no povo dos livros. Eles praticavam o lifelong learning antes de ele ser identificado como necessidade pelas mudanças tecnológicas. No tópico três, tanto as neurociências como o judaísmo, se incentiva a busca pelo sentido daquilo que se faz, transformando a escolha em alegria. O item dois destaca a necessidade de se alinhar as intenções com as ações por meio de práticas meditativas e de orações que contribuam para que se mantenha o foco naquilo que é importante. Por fim, a primeira dica ressalta a importância de agradecer e de celebrar as conquistas para as neurociências, enquanto no judaísmo se agradece e se é caridoso. É importante o que nos traz a neurociência? É, justamente porque foi isso que nos trouxe até aqui antes da existência da neurociência.

Por fim, vivemos a Páscoa que para judeus e cristãos tem o sentido de passagem. Para os judeus a passagem fala da libertação da escravidão terrena, enquanto para os cristãos representa a transcendência das amarras corpo. Todos precisamos dos cuidados indicados pelas neurociências para manter o corpo e a mente saudáveis, historicamente praticados pelos judeus. Entretanto, o cuidado com a dimensão espiritual nos dá o verdadeiro sentido de (1) agradecer e ser caridoso; (2) orar e meditar; (3) fazer com alegria; (4) estudar; (5) preparar-se para a vida; e (6) lavar as mãos para também limpar o espírito. A humildade faz a diferença, por isso, valorize a sua tradição familiar, religiosa e espiritual. Com esses cuidados, nunca morreremos.

Feliz Páscoa!

Moacir Rauber

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